{"id":6161,"date":"2010-02-17T12:37:17","date_gmt":"2010-02-17T12:37:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6161"},"modified":"2010-02-17T12:37:17","modified_gmt":"2010-02-17T12:37:17","slug":"america-central-o-trabalho-informal-um-nicho-feminino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/02\/america-latina\/america-central-o-trabalho-informal-um-nicho-feminino\/","title":{"rendered":"AM\u00c9RICA CENTRAL: O trabalho informal, um nicho feminino"},"content":{"rendered":"<p>Guatemala, 17\/02\/2010 &ndash; \u201cTrabalho na rua desde menina. Meus pais n\u00e3o me colocaram na escola e por isso \u00e9 muito dif\u00edcil conseguir emprego\u201d, contou Carol Orozco, uma vendedora ambulante de 31 anos da Guatemala, em uma hist\u00f3ria repetida na Am\u00e9rica Central.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_6161\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/69691.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6161\" class=\"size-medium wp-image-6161\" title=\"Carol Orozco, armada com guloseimas que vende em uma esquina da Cidade da Guatemala. - Danilo Valladares\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/69691.jpg\" alt=\"Carol Orozco, armada com guloseimas que vende em uma esquina da Cidade da Guatemala. - Danilo Valladares\/IPS\" width=\"200\" height=\"158\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6161\" class=\"wp-caption-text\">Carol Orozco, armada com guloseimas que vende em uma esquina da Cidade da Guatemala. - Danilo Valladares\/IPS<\/p><\/div>  Orozco disse \u00e0 IPS que agora tem de se virar porque \u201ctenho quatro filhos para manter, pois o pai n\u00e3o se ocupa deles\u201d, enquanto oferecia doces aos motoristas parados no sem\u00e1foro, em uma rua central de Cidade da Guatemala.<\/p>\n<p>Ela faz parte do contingente de mulheres centro-americanas que trabalham na economia informal, segmento onde superam muito os homens.<\/p>\n<p>Cerca de 64% das mulheres da regi\u00e3o trabalham nesse setor, contra 50% dos homens, segundo o Terceiro Informe sobre Mercado de Trabalho na Am\u00e9rica Central e Rep\u00fablica Dominicana, elaborado pela Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT) e do Sistema de Integra\u00e7\u00e3o Centro-Americana.<\/p>\n<p>Orozco adoraria contar com seguro social, sal\u00e1rio e garantias trabalhistas, porque os US$ 214 que consegue ganhar no m\u00eas d\u00e3o apenas para viver e vestir, alimentar, educar e manter os filhos sadios.<\/p>\n<p>&#8220;Aqui trabalho, sem banheiro nem \u00e1gua, de sete da manh\u00e3 \u00e0s oito da noite, debaixo de sol, chuva e frio&#8221;, disse a vendedora, armada de doces e guloseimas que, qual muni\u00e7\u00f5es, leva atados ao corpo para oferecer aos motoristas enquanto o sem\u00e1foro permanece vermelho.<\/p>\n<p>Recorda que, certa vez, conseguiu emprego formal como vendedora de seguros funer\u00e1rios. \u201cMe ofereceram 900 quetzales (US$ 107) por quinzena, mas depois de vender v\u00e1rios seguros e reclamar meu dinheiro, n\u00e3o me pagaram\u201d, disse com uma decep\u00e7\u00e3o persistente.<\/p>\n<p>Agora trabalha em uma esquina da Zona 9 da cidade, setor de edif\u00edcios de escrit\u00f3rios muito movimentado, onde compete com outros 11 vendedores ambulantes, com os quais divide lugar de trabalho e tamb\u00e9m as desvantagens da economia informal.<\/p>\n<p>Das mulheres trabalhadoras da Guatemala, 73% est\u00e3o no setor informal, em El Salvador 64% e na Costa Rica 45%, segundo o estudo, que qualifica como informal o autoemprego, o assalariado em microempresas n\u00e3o regulamentadas, o trabalho n\u00e3o remunerado e o servi\u00e7o dom\u00e9stico.<\/p>\n<p>A pobreza, a falta de educa\u00e7\u00e3o e a discrimina\u00e7\u00e3o fazem com que o panorama trabalhista da mulher na regi\u00e3o se complique, embora a popula\u00e7\u00e3o feminina economicamente ativa cres\u00e7a, desde 2001, em ritmo maior do que a masculina, segundo o relat\u00f3rio divulgado em outubro.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o aceitam mulher com crian\u00e7as nos empregos\u201d, disse \u00e0 IPS Paulina Mazariegos, de 32 anos, enquanto oferecia frutas frescas em uma cesta, ao mesmo tempo que cuidava de seu filho Erick, de dois anos, perto de um ponto de \u00f4nibus da capital.<\/p>\n<p>Segundo contou, ganha apenas US$ 3,50 por dia, porque s\u00f3 recebe uma parte do que vende e o restante vai para a dona do pequeno neg\u00f3cio que fornece a mercadoria.<\/p>\n<p>Mazariegos sabe que sua situa\u00e7\u00e3o trabalhista \u00e9 muito prec\u00e1ria, em parte porque nunca foi \u00e0 escola, j\u00e1 que \u201cantes os pais n\u00e3o mandavam estudar\u201d. Assim, ganha a vida trabalhando em casas particulares ou vendendo comida.<\/p>\n<p>Aproximadamente, 38,4% da popula\u00e7\u00e3o ocupada da Am\u00e9rica Central n\u00e3o terminou o primeiro grau, e 73% tem, quando muito, educa\u00e7\u00e3o m\u00e9dia incompleta, segundo o informe. Dos 20 milh\u00f5es em idade de trabalhar, 60% t\u00eam \u201cpouca qualifica\u00e7\u00e3o\u201d, diz o estudo.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o, com 43 milh\u00f5es de habitantes, est\u00e1 catalogada como uma das \u00e1reas mais desiguais do mundo, onde metade da popula\u00e7\u00e3o vive em condi\u00e7\u00f5es de pobreza, segundo organismos internacionais.<\/p>\n<p>Nesse contexto, as mulheres s\u00e3o as que t\u00eam menos oportunidades de emprego, ganham menos do que os homens em todos os setores, especialmente no de manufatura, e sofrem um ponto a mais de desemprego do que os homens.<\/p>\n<p>A ministra salvadorenha do Trabalho, Victoria Vel\u00e1squez, recordou que duas, em cada cinco pessoas que formam a for\u00e7a de trabalho da regi\u00e3o, s\u00e3o mulheres e que isso obriga os Estados a adotarem pol\u00edticas de \u201cmaior inclus\u00e3o\u201d para n\u00e3o for\u00e7\u00e1-las a se refugiarem nos nichos trabalhistas mais prec\u00e1rios.<\/p>\n<p>A for\u00e7a de trabalho da Am\u00e9rica Central e da Rep\u00fablica Dominicana (pa\u00eds caribenho somado \u00e0 subregi\u00e3o dentro da OIT) \u00e9 de 20 milh\u00f5es de pessoas, das quais 61,9% s\u00e3o homens e 38,1% mulheres, com um elemento muito chamativo: 60% da m\u00e3o-de-obra se autoemprega e \u00e9 informal.<\/p>\n<p>A chave est\u00e1 na educa\u00e7\u00e3o. A taxa de participa\u00e7\u00e3o no emprego, de mulheres com educa\u00e7\u00e3o superior, \u00e9 de 69,4%, enquanto apenas 34,6% das que carecem de instru\u00e7\u00e3o s\u00e3o economicamente ativas.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o trabalhista da mulher \u00e9 maior na Guatemala (44,7%), seguida por Panam\u00e1 (43,3%), Costa Rica (41,6%), El Salvador (41,3%), Nicar\u00e1gua (38,5%) e Honduras (36%).<\/p>\n<p>Otto Navarro, da norte-americana e n\u00e3o governamental Iniciativa para a Equidade Global, disse \u00e0 IPS que o trabalho informal est\u00e1 crescendo na regi\u00e3o, segundo estudo feito em 2009 por sua institui\u00e7\u00e3o na Guatemala e Nicar\u00e1gua.<\/p>\n<p>Como parte do fen\u00f4meno, destaca a participa\u00e7\u00e3o da mulher nas vendas de rua, no setor de artesanato e em trabalhos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p>As barreiras de g\u00eanero saltam \u00e0 vista em suas pesquisas. Cerca de 31% dos entrevistados na Nicar\u00e1gua responderam que os homens t\u00eam mais oportunidades do que as mulheres de conseguir um emprego.<\/p>\n<p>A discrimina\u00e7\u00e3o trabalhista \u00e9 repetitiva nos pa\u00edses centro-americanos. \u201cVim colocar meu neg\u00f3cio de roupa e os outros vendedores me disseram que n\u00e3o poderia, por isso tive de mudar meu produto e agora vendo acess\u00f3rios\u201d, disse \u00e0 IPS Ada Ortiz, de 33 anos.<\/p>\n<p>Obrigada pelo pouco que ganha em seu trabalho formal como terapeuta pulmonar, Ortiz instalou a pequena banca em um mercado da capital guatemalteca para poder melhorar sua renda e manter os dois filhos.<\/p>\n<p>Luis Felipe Linares, ex-ministro do Trabalho da Guatemala e agora membro da n\u00e3o governamental Associa\u00e7\u00e3o de Pesquisa e Estudos Sociais, disse \u00e0 IPS que h\u00e1 uma presen\u00e7a importante de mulheres e jovens no emprego informal, enquanto persiste a discrimina\u00e7\u00e3o de g\u00eanero.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres informam renda menor por atividade similar \u00e0 dos homens. Tamb\u00e9m s\u00e3o estes que t\u00eam maior acesso a capital para montar um neg\u00f3cio de maior magnitude e isso lhes permite mais renda\u201d, disse o especialista.<\/p>\n<p>O principal obst\u00e1culo para gerar empregos formais na Am\u00e9rica Central surge nas negocia\u00e7\u00f5es entre o setor empresarial e trabalhista porque \u201c\u00e9 uma negocia\u00e7\u00e3o entre desiguais\u201d, segundo Linares.<\/p>\n<p>\u201cA tem\u00e1tica trabalhista se resolve na base da negocia\u00e7\u00e3o. Mas, para que esse di\u00e1logo d\u00ea resultado ben\u00e9fico para a maioria, \u00e9 preciso que o terreno de jogo seja mais equilibrado e haja um bom \u00e1rbitro com capacidade de propostas e peso\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Irma Montes, dirigente da Confedera\u00e7\u00e3o de Unidade Sindical da Guatemala, disse \u00e0 IPS que o Tratado de Livre Com\u00e9rcio da Am\u00e9rica Central com os Estados Unidos (Cafta) e a crise econ\u00f4mica mundial aceleraram a incorpora\u00e7\u00e3o das mulheres \u00e0 economia informal.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres at\u00e9 inventam formas para vender nos mercados ou na rua. Precisamente, acabamos de ver formalizado um sindicato de vendedoras de comida em triciclos\u201d, disse a dirigente.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, manter o neg\u00f3cio n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. \u201c\u00c0s vezes, n\u00e3o as deixam vender, apreendem suas mercadorias por falta de autoriza\u00e7\u00e3o ou por estarem em lugares proibidos\u201d, disse Montes, ao contar os maus-tratos aos quais est\u00e3o submetidas as vendedoras ambulantes.<\/p>\n<p>As mulheres \u201cexp\u00f5em sua vida diariamente porque t\u00eam necessidade de subsistir\u201d, elas e suas fam\u00edlias, que em alta propor\u00e7\u00e3o est\u00e3o exclusivamente sob seus cuidados, sentenciou. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guatemala, 17\/02\/2010 &ndash; \u201cTrabalho na rua desde menina. Meus pais n\u00e3o me colocaram na escola e por isso \u00e9 muito dif\u00edcil conseguir emprego\u201d, contou Carol Orozco, uma vendedora ambulante de 31 anos da Guatemala, em uma hist\u00f3ria repetida na Am\u00e9rica Central. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/02\/america-latina\/america-central-o-trabalho-informal-um-nicho-feminino\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":52,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,5],"tags":[21,24],"class_list":["post-6161","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-economia","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6161","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6161"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6161\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6161"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6161"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6161"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}