{"id":6168,"date":"2010-02-19T12:04:44","date_gmt":"2010-02-19T12:04:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6168"},"modified":"2010-02-19T12:04:44","modified_gmt":"2010-02-19T12:04:44","slug":"trabalho-birmania-crise-nas-fabricas-da-birmania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/02\/economia\/trabalho-birmania-crise-nas-fabricas-da-birmania\/","title":{"rendered":"TRABALHO-BIRM\u00c2NIA: Crise nas f\u00e1bricas da Birm\u00e2nia"},"content":{"rendered":"<p>Rangun, 19\/02\/2010 &ndash; A birmanesa Cho Cho Thet, de 15 anos, conhece pouco do que se passa fora da f\u00e1brica t\u00eaxtil onde trabalha 14 horas por dia.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_6168\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/69820.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6168\" class=\"size-medium wp-image-6168\" title=\"\u00c9 comum encontrar menores trabalhando em f\u00e1bricas de Rangun. - Mon Mon Myat\/IPS.\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/69820.jpg\" alt=\"\u00c9 comum encontrar menores trabalhando em f\u00e1bricas de Rangun. - Mon Mon Myat\/IPS.\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6168\" class=\"wp-caption-text\">\u00c9 comum encontrar menores trabalhando em f\u00e1bricas de Rangun. - Mon Mon Myat\/IPS.<\/p><\/div>  A jornada se estende das sete da manh\u00e3 \u00e0s nove da noite, nos sete dias da semana, por um sal\u00e1rio de 35 mil kyat (US$ 35,00) por m\u00eas. A propriet\u00e1ria d\u00e1 alojamento e comida gratuita, que inclui arroz e verduras. \u201cTrabalhar debaixo de um teto \u00e9 melhor do que nos arrozais debaixo de sol e chuva. N\u00e3o me sinto cansada para nada\u201d, disse \u00e0 IPS Thet, que ap\u00f3s dois anos acaba de ser promovida de aprendiz a oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>Sua m\u00e3e a tirou da escola secund\u00e1ria quando estava no segundo ano, para que cuidasse da irm\u00e3 menor. Quando ela morreu e seu pai as abandonou, n\u00e3o teve outra coisa a fazer a n\u00e3o ser procurar emprego, por ser a mais velha. \u201cTrabalhava o dia todo nos arrozais, com chuva ou sol\u201d, contou ao recordar sua vida na aldeia, a tr\u00eas horas de carro desta cidade birmanesa. Por fim, convenceu sua av\u00f3 a lev\u00e1-la \u00e0 f\u00e1brica onde sua tia trabalhava. \u201cNa aldeia n\u00e3o ganhava dinheiro suficiente. N\u00e3o tinha renda regular e s\u00f3 tinha trabalho na \u00e9poca da colheita\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A dona da f\u00e1brica, May Thu Aung, n\u00e3o quis aceit\u00e1-la por ser muito jovem, mas ofereceu para que cuidasse de seus filhos, e a av\u00f3 aceitou. A jovem n\u00e3o gostava do emprego \u201cporque nem mesmo queria cuidar da minha pr\u00f3pria irm\u00e3\u201d, disse Thet. Em poucos meses conseguiu come\u00e7ar a trabalhar na f\u00e1brica. \u201cH\u00e1 muitas jovens que pedem trabalho. N\u00e3o aceitamos as menores de idade. Se hoje dizemos n\u00e3o, voltam na semana seguinte com um novo pedido no qual alteraram a idade\u201d, contou a propriet\u00e1ria.<\/p>\n<p>Aung pertence a um grupo de empres\u00e1rios que montou f\u00e1bricas t\u00eaxteis em 1996, quando a economia de mercado decolou. Come\u00e7ou com 150 oper\u00e1rias e em 14 anos duplicou a quantidade. Sua ind\u00fastria fica em uma zona industrial a leste de Rangun, antiga capital da Birm\u00e2nia, uma das 21 criadas pelo regime militar ap\u00f3s o golpe de Estado de 1988. H\u00e1 mais de 43 mil f\u00e1bricas nos setores t\u00eaxtil, aliment\u00edcio, sider\u00fargico, e de pl\u00e1sticos, entre outros, segundo dados de 2006. Cerca de 98% delas privadas.<\/p>\n<p>O desenvolvimento industrial criou postos de trabalho para os camponeses que ficavam desempregados ap\u00f3s a temporada de colheita. Al\u00e9m disso, muitos jovens est\u00e3o empregados no setor informal. As condi\u00e7\u00f5es de trabalho em muitas f\u00e1bricas n\u00e3o atendem as normas internacionais de sa\u00fade e seguran\u00e7a, trabalho infantil, carga hor\u00e1ria e sal\u00e1rio. O problema veio \u00e0 luz ap\u00f3s uma disputa surgida em uma f\u00e1brica t\u00eaxtil em que os trabalhadores reclamavam aumento de sal\u00e1rio e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>\u201cO governo se viu em uma posi\u00e7\u00e3o em que teve de desempenhar dois papeis, o que \u00e9 dif\u00edcil e n\u00e3o \u00e9 bom para os trabalhadores\u201d, disse Steve Marshall, oficial de liga\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho na Birm\u00e2nia. Os empregadores, os trabalhadores e o governo devem se sentar para negociar uma situa\u00e7\u00e3o que beneficie todas as partes, como ocorre em outros pa\u00edses, disse. \u201cPrecisam identificar o que pode ser negociado e resolver\u201d, acrescentou. A OIT est\u00e1 presente na Birm\u00e2nia, mas tem uma atua\u00e7\u00e3o muito restrita, limitada a quest\u00f5es de trabalho for\u00e7ado, crian\u00e7as-soldado e liberdade de associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 sa\u00fade e seguran\u00e7a no trabalho e ao trabalho infantil, Marsahll disse que a OIT \u201cobserva a situa\u00e7\u00e3o. Temos muita experi\u00eancia para ajudar, mas devido ao atual contexto legal, simplesmente n\u00e3o podemos agir\u201d. A crise econ\u00f4mica mundial, iniciada nos Estados Unidos em 2008, agrava as condi\u00e7\u00f5es trabalhistas e os baixos sal\u00e1rios na Birm\u00e2nia. Muitas f\u00e1bricas de exporta\u00e7\u00e3o foram afetadas, entre elas a de Aung, que trabalha para empresas do ramo de vestu\u00e1rio que vendem seus produtos para Alemanha, Espanha e Gr\u00e3-Bretanha.<\/p>\n<p>\u201cA demanda caiu 75% porque em 2009 n\u00e3o houve pedidos durante oito meses\u201d, afirmou Aung. \u201cCusta muito manter a f\u00e1brica de 300 empregados porque n\u00e3o podemos enfrentar um custo t\u00e3o alto\u201d, acrescentou. Cerca de 60 funcion\u00e1rios deixaram a empresa de Aung no ano passado em busca de melhores oportunidades. \u201cH\u00e1 muitos karaokes e salas de massagem em Rangun, onde as jovens ganham muito mais dinheiro do que na f\u00e1brica. Como mant\u00ea-las?\u201d, disse Aung.<\/p>\n<p>Contudo, para Thet, trabalhar na f\u00e1brica, onde tem muitas amigas, \u00e9 mais seguro do que trabalhar como animadora. Inclusive, pode brincar com as outras empregadas jovens no fim da jornada de trabalho, disse. \u201c\u00c0s vezes brincamos de esconde-esconde ou cantamos e dan\u00e7amos. O que mais me agrada \u00e9 quando a chefe passa filmes\u201d, acrescentou, embora isso signifique sacrificar horas de sono.<\/p>\n<p>\u201cTenho o sono pesado. Quando vejo um filme at\u00e9 tarde, acordo 15 minutos antes da hora de entrar, me lavo, e vou direto trabalhar. Perco o caf\u00e9 da manh\u00e3\u201d, disse Thet com um sorriso. A jovem sonha em voltar a estudar, algo que lembra cada vez que v\u00ea outras crian\u00e7as indo para a escola. \u201cSinto falta dos meus amigos da escola. Se n\u00e3o tivesse de trabalhar, gostaria de estudar\u201d, afirmou. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rangun, 19\/02\/2010 &ndash; A birmanesa Cho Cho Thet, de 15 anos, conhece pouco do que se passa fora da f\u00e1brica t\u00eaxtil onde trabalha 14 horas por dia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/02\/economia\/trabalho-birmania-crise-nas-fabricas-da-birmania\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":917,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,6,5],"tags":[17],"class_list":["post-6168","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-economia","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6168","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/917"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6168"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6168\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6168"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6168"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6168"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}