{"id":6202,"date":"2010-02-26T12:53:41","date_gmt":"2010-02-26T12:53:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6202"},"modified":"2010-02-26T12:53:41","modified_gmt":"2010-02-26T12:53:41","slug":"china-ambientalistas-lutam-por-um-rio-livre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/02\/ambiente\/china-ambientalistas-lutam-por-um-rio-livre\/","title":{"rendered":"CHINA: Ambientalistas lutam por um rio livre"},"content":{"rendered":"<p>Vale do Rio Nu, China, 26\/02\/2010 &ndash; O Nu \u00e9 um dos grandes rios da China onde ainda n\u00e3o existem represas. Mas \u00e9 poss\u00edvel que esta situa\u00e7\u00e3o acabe logo.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_6202\" style=\"width: 143px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/70211.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6202\" class=\"size-medium wp-image-6202\" title=\"Projeto de constru\u00e7\u00e3o de represas no R\u00edo Nu coloca em perigo a cultura local. - Gordon Ross\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/70211.jpg\" alt=\"Projeto de constru\u00e7\u00e3o de represas no R\u00edo Nu coloca em perigo a cultura local. - Gordon Ross\/IPS\" width=\"133\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6202\" class=\"wp-caption-text\">Projeto de constru\u00e7\u00e3o de represas no R\u00edo Nu coloca em perigo a cultura local. - Gordon Ross\/IPS<\/p><\/div>  Este rio flui desde as alturas do Tibete, atravessando duas cadeias montanhosas na prov\u00edncia chinesa de Yunnan, antes de cruzar a Birm\u00e2nia para entrar no Mar de Andam\u00e1n. Um ter\u00e7o das etnias do pa\u00eds depende dele, e \u00e9 lar de sete mil esp\u00e9cies de plantas e 80 de animais raros ou amea\u00e7ados. Foi por ele que os mission\u00e1rios crist\u00e3os birmaneses entraram pela primeira vez na China. Hoje, as comunidades nu e tibetana continuam sendo fervorosamente cat\u00f3licas, assistindo missas em pequenas igrejas e cantando diante de imagens de Jesus Cristo e da Virgem Maria.<\/p>\n<p>Em 2003, um cons\u00f3rcio de empresas de eletricidade prop\u00f4s construir 13 represas ao longo do Rio Nu (nome que significa \u201craivoso\u201d, em alus\u00e3o ao manancial que flui com for\u00e7a). O projeto produzir\u00e1 mais eletricidade do que a represa de Tr\u00eas Gargantas, que se estende sobre o Rio Yangtze, na prov\u00edncia de Hubei. Isto uniu o nascente movimento ambientalista chin\u00eas, que lan\u00e7ou uma campanha para impedir a instala\u00e7\u00e3o das represas no Nu. A imprensa nacional e internacional repercutiu esses fatos. Em 2004, o primeiro-ministro, Wen Jiabao, ordenou a suspens\u00e3o do projeto e uma completa avalia\u00e7\u00e3o ambiental, o que representou uma vit\u00f3ria crucial para os ecologistas chineses.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, esse triunfo teve vida curta. A avalia\u00e7\u00e3o ambiental nunca foi divulgada. O governo disse que, como o Nu \u00e9 um rio internacional (conhecido fora da China como Salween), os planos de desenvolvimento ficam sob a lei que estabelece o segredo de Estado. O projeto foi reduzido de 13 para quatro represas, e os trabalhos preliminares continuaram apesar da ordem de Wen. Em mar\u00e7o de 2008, a Comiss\u00e3o Nacional de Desenvolvimento e Reforma publicou seu plano quinquenal para o desenvolvimento energ\u00e9tico, que listou as represas no Rio Nu como projetos principais.<\/p>\n<p>Atualmente, est\u00e1 quase completa a constru\u00e7\u00e3o de uma pequena represa em um afluente do Nu, ao sul dos Tr\u00eas Rios Paralelos, declarado Patrim\u00f4nio Natural da Humanidade pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco). Em 2007, moradores da aldeia de Xiaoshaba, com cerca de 120 fam\u00edlias, foram reassentados em novos blocos de apartamentos para dar espa\u00e7o \u00e0 central el\u00e9trica. Enquanto isso, na Birm\u00e2nia, um projeto de hidrel\u00e9trica gerar\u00e1 eletricidade que ser\u00e1 vendida para a China.<\/p>\n<p>Em maio de 2009, Wen voltou a frear os projetos at\u00e9 que terminasse uma completa avalia\u00e7\u00e3o ambiental. Mas, segundo observadores, quando deixar o cargo em 2012, os projetos recome\u00e7ar\u00e3o. Embora os ambientalistas se oponham a represas no Nu, a controv\u00e9rsia n\u00e3o se restringe a \u201cbranco ou preto\u201d. A China est\u00e1 sedenta por energia, e 80% do fornecimento el\u00e9trico do pa\u00eds s\u00e3o fornecidos por usinas alimentadas a carv\u00e3o. A energia hidrel\u00e9trica representa apenas 15% da eletricidade gerada na China e \u00e9 considerada uma alternativa mais limpa, embora controvertida.<\/p>\n<p>As represas tamb\u00e9m podem criar muitos, e necess\u00e1rios, postos de trabalho na empobrecida regi\u00e3o do Nu. O governo local estima que apenas 20% dos habitantes dessa regi\u00e3o possuem eletricidade, algo que as represas podem melhorar. Ao longo do Nu, os pontos de vista variam. Kristen McDonald, uma norte-americana que entrevistou 200 alde\u00f5es na regi\u00e3o para sua tese de gradua\u00e7\u00e3o, concluiu que cerca de um ter\u00e7o apoia o projeto, um ter\u00e7o \u00e9 contra e um ter\u00e7o n\u00e3o tem opini\u00e3o formada.<\/p>\n<p>Em Xiaoshaba, a aldeia reassentada integrada principalmente por membros da etnia lisu, os habitantes disseram que, no geral, est\u00e3o felizes com as novas casas. Estas s\u00e3o filas de espa\u00e7osos apartamentos de dois andares a poucos quil\u00f4metros de suas antigas casas. \u201cA aldeia velha e a nova s\u00e3o, em boa parte, as mesmas\u2019, disse Li Yu Xin, de 40 anos e motorista de micro\u00f4nibus, que, al\u00e9m do apartamento, recebe um subs\u00eddio mensal por reassentamento de US$ 117. \u201cO \u00fanico problema \u00e9 que n\u00e3o podemos ficar com os animais. N\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para eles. Mas gosto da nova moradia e apoio a decis\u00e3o do governo central\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Corrente acima, perto de Bingzhongluo, um alde\u00e3o de origem tibetana, que trabalha como guia, tem menos certeza sobre os benef\u00edcios da constru\u00e7\u00e3o de represas no Rio Nu. O homem, que n\u00e3o quis se identificar por medo de repres\u00e1lias, est\u00e1 no quinto ano de um projeto de v\u00eddeo-document\u00e1rio que prev\u00ea que vai durar 20 e registrar os impactos das represas. \u201cAs pessoas s\u00e3o cada vez mais conscientes das mudan\u00e7as causadas pela represa, e sabe que n\u00e3o s\u00e3o bons. Me preocupa como manteremos vivas estas aldeias\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Se o projeto seguir adiante, a cultura local correr\u00e1 perigo, disse Wang Yongchen, jornalista e co-fundador da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Green Earth Volunteers, com sede em Pequim, que participou ativamente da luta inicial para salvar o Nu. Muitos alde\u00f5es ter\u00e3o de se mudar para as cidades. Uma \u00e1rea pr\u00f3xima a Liuku, um tradicional local de banhos da comunidade lisu, ser\u00e1 arrasada. \u201cSe forem constru\u00eddas represas no rio, sua cultura e suas tradi\u00e7\u00f5es desaparecer\u00e3o\u201d, enfatizou Wang. Quem se op\u00f5e \u00e0s represas espera que uma campanha, que \u00e9 realizada para gerar consci\u00eancia p\u00fablica, fa\u00e7a com que os chineses exijam que seu governo proteja o Nu e outras \u00e1reas similares.<\/p>\n<p>O norte-americano Travis Winn, de 26 anos, que junto com McDonald fundou a organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos China Rivers Project, organiza atividades de rafting (esporte que consiste em descer rios de \u00e1guas turbulentas em botes infl\u00e1veis e outras embarca\u00e7\u00f5es) no Nu e outros rios, para chineses influentes e ricos que podem tomar medidas. \u201cA resposta universal \u00e9: &#39;Nunca vivi isto antes. Nunca pensei que a China tivesse lugares t\u00e3o belos&#39;. \u00c9 a experi\u00eancia de suas vidas\u201d, resumiu Winn. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vale do Rio Nu, China, 26\/02\/2010 &ndash; O Nu \u00e9 um dos grandes rios da China onde ainda n\u00e3o existem represas. Mas \u00e9 poss\u00edvel que esta situa\u00e7\u00e3o acabe logo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/02\/ambiente\/china-ambientalistas-lutam-por-um-rio-livre\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":680,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,10,11],"tags":[17,21],"class_list":["post-6202","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-energia","category-politica","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6202","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/680"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6202"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6202\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6202"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6202"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6202"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}