{"id":6217,"date":"2010-03-02T12:23:24","date_gmt":"2010-03-02T12:23:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6217"},"modified":"2010-03-02T12:23:24","modified_gmt":"2010-03-02T12:23:24","slug":"destaques-cientistas-reinventam-a-tortilha-de-milho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/03\/america-latina\/destaques-cientistas-reinventam-a-tortilha-de-milho\/","title":{"rendered":"DESTAQUES: Cientistas reinventam a tortilha de milho"},"content":{"rendered":"<p>M\u00c9XICO, 02\/03\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Cientistas mexicanos trabalharam para tornar sustent\u00e1vel a nixtamaliza\u00e7\u00e3o, a t\u00e9cnica ancestral para preparar a massa das tortilhas de milho.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_6217\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/464_Molino_5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6217\" class=\"size-medium wp-image-6217\" title=\"A elabora\u00e7\u00e3o da massa para fazer tortilhas contamina grande quantidade de \u00e1gua - Ver\u00f4nica Diaz Favela\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/464_Molino_5.jpg\" alt=\"A elabora\u00e7\u00e3o da massa para fazer tortilhas contamina grande quantidade de \u00e1gua - Ver\u00f4nica Diaz Favela\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6217\" class=\"wp-caption-text\">A elabora\u00e7\u00e3o da massa para fazer tortilhas contamina grande quantidade de \u00e1gua - Ver\u00f4nica Diaz Favela\/IPS<\/p><\/div>  O processo de elabora\u00e7\u00e3o da tortilha de milho, saboroso e milenar alimento do M\u00e9xico e Am\u00e9rica Central, contamina grande quantidade de \u00e1gua e consome muita energia. \u201cH\u00e1 alguns anos, um grupo de propriet\u00e1rios de moinhos veio nos perguntar se hav\u00edamos feito algo nesse sentido e consideramos que, se havia milhares de moinhos no pa\u00eds, o problema era grande e era preciso fazer algo\u201d, disse ao Terram\u00e9rica Gerardo Ram\u00edrez Romero, pesquisador do Departamento de Biotecnologia da Universidade Aut\u00f4noma Metropolitana (UAM) do M\u00e9xico. Assim nasceu a pesquisa \u201cOs moinhos de nixtamal, para uma empresa sustent\u00e1vel\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A tortilha de milho \u00e9 consumida por todas as camadas sociais deste pa\u00eds e, como o p\u00e3o, usada para acompanhar quase todos os alimentos. Tamb\u00e9m \u00e9 a base dos tacos. No moinho, o milho \u00e9 cozido em \u00e1gua com cal e depois mo\u00eddo para produzir a massa das tortilhas, o nixtamal, mais suave e \u00famido do que a plastilina. Este processo, chamado nixtamaliza\u00e7\u00e3o, foi desenvolvido pelos ind\u00edgenas pr\u00e9-hisp\u00e2nicos. Para fazer uma tortilha s\u00e3o necess\u00e1rios 30 gramas de massa, faz-se uma bola que \u00e9 trabalhada e depois amassada at\u00e9 formar um c\u00edrculo de 14 cent\u00edmetros de di\u00e2metro. Para cozinhar \u00e9 colocada em uma superf\u00edcie bem quente.<\/p>\n<p>O cozimento do milho com cal produz uma combina\u00e7\u00e3o de s\u00f3lidos rica em amido, celulose e c\u00e1lcio, conhecida como nejayote, que \u00e9 jogada diretamente para drenagem, explicou Ram\u00edrez Romero. Para cada quilo de milho usa-se dois litros de \u00e1gua. E um moinho pequeno pode contaminar mil litros de \u00e1gua por dia. No M\u00e9xico, h\u00e1 cerca de 20 mil moinhos. Gra\u00e7as \u00e0 primeira faz da pesquisa da UAM \u2013 que durou tr\u00eas anos \u2013, os especialistas reduziram em 80% a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, retirando os s\u00f3lidos e produzindo mais massa com eles.<\/p>\n<p>O passo seguinte busca usar energia solar para aquecer a \u00e1gua onde o milho \u00e9 fervido, reduzindo o consumo de g\u00e1s, disse ao Terram\u00e9rica Juan Jos\u00e9 Ambriz Garc\u00eda, chefe do Departamento de Engenharia de Processos e Hidr\u00e1ulica da UAM. Mas o Sol permite apenas esquentar \u00e1gua at\u00e9 50 graus, enquanto o milho \u00e9 cozido a 90 graus. A solu\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria \u00e9 pr\u00e9-aquecer a \u00e1gua com energia solar e aumentar sua temperatura com g\u00e1s, explicou. Dessa forma os moinhos economizariam at\u00e9 40% de g\u00e1s. No futuro, segundo Abmriz, uma mudan\u00e7a no desenho do processo tornar\u00e1 desnecess\u00e1rio esquentara a \u00e1gua at\u00e9 90 graus.<\/p>\n<p>No momento, o uso de energia solar para esquentar \u00e1gua em um moinho s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel em laborat\u00f3rio. Falta desenvolver o maquin\u00e1rio acess\u00edvel para os empres\u00e1rios da massa e que tamb\u00e9m permita que economizem eletricidade, o que levar\u00e1 anos. Atualmente, depois do milho, o maior custo dos moinhos \u00e9 a energia. Um moinho m\u00e9dio \u2013 que forne\u00e7a massa para dez fabricantes de tortilhas \u2013 gasta US$ 2,3 mil mensais em energia. O ideal seria distribuir esta tecnologia por meio do programa \u201cMinha Tortilha\u201d, criado pelo governo federal para que os donos de moinho comprem novos equipamentos, afirmou. Este tipo de moinho \u201c\u00e9 uma contribui\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica do M\u00e9xico para o mundo, mas o cr\u00edtico \u00e9 que ficaram como h\u00e1 cem anos\u201d, destacou Ambriz.<\/p>\n<p>No passado, os moinhos eram subsidiados pelo Estado, recordou a antrop\u00f3loga da UAM Yolanda Hern\u00e1ndez Franco. Na d\u00e9cada de 90, ainda recebiam milho, g\u00e1s, eletricidade e \u00e1gua a baixo custo. Nessa \u00e9poca, as f\u00e1bricas de tortilhas e os moinhos eram muito visitados por inspetores, que, na realidade, dedicavam-se apenas a cobrar propinas, afirmou. Quando acabaram os subs\u00eddios para a ind\u00fastria da tortilha, desapareceram os inspetores e a corrup\u00e7\u00e3o, mas os propriet\u00e1rios tiveram \u201cde enfrentar um mundo globalizado\u201d, sem saber como agir de forma eficiente, disse ao Terram\u00e9rica a antrop\u00f3loga. Se \u201cfossem aplicadas as normas de contamina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o haveria moinho que se salvasse\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Na primeira etapa da pesquisa, foram estudados moinhos da capital, e na seguinte foram analisados outros em v\u00e1rios Estados. O moinho costuma ser um neg\u00f3cio familiar herdado de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, que fornece massa a um grupo de fabricantes de tortilhas, quase sempre do mesmo dono. Os maiores abastecem mais de 20. Em geral, o moinho inclui uma f\u00e1brica de tortilha. As pessoas chegam e fazem fila para comprar suas tortilhas por menos de um d\u00f3lar o quilo.<\/p>\n<p>Segundo uma pesquisa da produtora de farinha de milho Gruma, cada um dos 107 milh\u00f5es de mexicanos consome 80 quilos de tortilhas por ano. N\u00e3o h\u00e1 dados confi\u00e1veis sobre o consumo familiar di\u00e1rio, mas acredita-se que nos \u00faltimos anos caiu entre 25% e 30%, devido ao abandono da dieta tradicional e pelo aumento dos pre\u00e7os. Felipe Galindo \u00e9 dono de um moinho onde chegou aos dez anos para trabalhar como varredor. H\u00e1 mais de 35 anos a empresa fornecia para 25 fabricantes e hoje para apenas tr\u00eas, disse. Ele acredita que a queda se deve \u00e0 fama de que se trata de alimento que engorda, embora \u201ctenha menos calorias do que uma fatia de p\u00e3o\u201d, assegurou. Segundo Ambriz, \u201ca tortilha \u00e9 um excelente alimento\u201d e, al\u00e9m disso, \u201ca combina\u00e7\u00e3o pr\u00e9-hisp\u00e2nica com erva ou alguma prote\u00edna de outro tipo, inclusive insetos, \u00e9 uma excelente dieta\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00c9XICO, 02\/03\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Cientistas mexicanos trabalharam para tornar sustent\u00e1vel a nixtamaliza\u00e7\u00e3o, a t\u00e9cnica ancestral para preparar a massa das tortilhas de milho. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/03\/america-latina\/destaques-cientistas-reinventam-a-tortilha-de-milho\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":539,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,10],"tags":[21],"class_list":["post-6217","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-energia","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6217","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/539"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6217"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6217\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6217"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6217"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6217"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}