{"id":6241,"date":"2010-03-08T13:06:39","date_gmt":"2010-03-08T13:06:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6241"},"modified":"2010-03-08T13:06:39","modified_gmt":"2010-03-08T13:06:39","slug":"mudanca-climatica-o-perigoso-metano-escapa-do-artico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/03\/mundo\/mudanca-climatica-o-perigoso-metano-escapa-do-artico\/","title":{"rendered":"MUDAN\u00c7A CLIM\u00c1TICA: O perigoso metano escapa do \u00c1rtico"},"content":{"rendered":"<p>Uxbridge, Canad\u00e1, 08\/03\/2010 &ndash; A camada de gelo, que armazena milhares de milh\u00f5es de toneladas de metano sob as frias \u00e1guas do Mar \u00c1rtico, est\u00e1 deixando escapar esse g\u00e1s-estufa para a atmosfera, segundo pesquisa publicada pela revista especializada Science. <!--more--> N\u00e3o se sabe se isto pode ser um dos primeiros indicadores de um c\u00edrculo vicioso que acelere o aquecimento global.<\/p>\n<p>Os pesquisadores estimam que, anualmente, sejam emitidas oito milh\u00f5es de toneladas de metano pela Plataforma \u00c1rtica da Sib\u00e9ria Oriental, o que equivale a todo o metano liberado pelos oceanos do mundo, que cobrem 71% do planeta. Os resultados das medi\u00e7\u00f5es, realizadas agora na Sib\u00e9ria, representam menos de 2% das emiss\u00f5es mundiais de metano derivadas de fontes com base na terra, como animais, arrozais ou vegeta\u00e7\u00e3o em processo de putrefa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cIsso \u00e9 muito significativo. Antes se presumia que esta regi\u00e3o tinha emiss\u00e3o zero\u201d, afirmou \u00e0 IPS Natalia Shakhova, pesquisadora da Universidade do Alasca em Fairbanks. As concentra\u00e7\u00f5es de metano medidas sobre os oceanos costumam ficar entre 0,6 e 0,7 partes por milh\u00e3o (ppm), mas agora registram 1,85% no Mar \u00c1rtico em geral, e entre 2,6 e 8,2 ppm na Plataforma \u00c1rtica da Sib\u00e9ria Oriental, uma \u00e1rea de aproximadamente dois milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, disse Shakhova.<\/p>\n<p>Ela e seu colega Igor Semiletov lideraram oito expedi\u00e7\u00f5es internacionais a essa regi\u00e3o, uma das mais remotas e desoladas do mundo. Seus resultados s\u00e3o os publicados na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da Science, na semana passada. Os n\u00edveis globais de metano aumentam anualmente desde 2007, ap\u00f3s terem permanecido est\u00e1veis durante uma d\u00e9cada, informou Ed Dlugokencky, do Laborat\u00f3rio de Pesquisas do Sistema Terrestre em Boulder, no Estado do Colorado, que funciona vinculado ao Escrit\u00f3rio Nacional de Administra\u00e7\u00e3o Oce\u00e2nica e Atmosf\u00e9rica dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Os cientistas comprovaram, em 2007, um aumento do metano no \u00c1rtico, mas isto n\u00e3o voltou a ocorrer em 2008, disse \u00e0 IPS por e-mail Dlugokencky, especialista em metano atmosf\u00e9rico. Ele suspeita que as emiss\u00f5es submarinas da Sib\u00e9ria n\u00e3o sejam novas, mas que ocorrem durante algum tempo. \u00c9 necess\u00e1rio verificar por outros meios as estimativas de Shakhova que falam de oito milh\u00f5es de toneladas, disse. Por\u00e9m, reconheceu que este estudo representa a primeira medi\u00e7\u00e3o direta j\u00e1 realizada na regi\u00e3o, e que enfatiza a urg\u00eancia de mais pesquisas.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, os pesquisadores experimentaram como\u00e7\u00e3o ao verem algumas \u00e1reas do Mar \u00c1rtico \u201cem ebuli\u00e7\u00e3o\u201d, quando os gases das profundezas saem, borbulhantes, para a superf\u00edcie. Grandes setores do solo oce\u00e2nico, que se estendem ao longo das \u00e1reas costeiras, foram, na realidade, \u201cpermafrost\u201d \u2013 gelo permanente \u2013, que passou a estado l\u00edquido h\u00e1 milhares de anos, depois do grande derretimento da \u00faltima era do gelo. O permafrost \u00e9 solo congelado e cont\u00e9m grandes concentra\u00e7\u00f5es de carbono e metano.<\/p>\n<p>As \u00e1guas extremamente frias do \u00c1rtico e sua cobertura gelada mantinham o permafrost submarino a temperaturas suficientemente baixas para que o derretimento fosse bastante lento. At\u00e9 agora. Nos \u00faltimos anos, as temperaturas da superf\u00edcie de boa parte da paisagem \u00e1rtica e siberiana, particularmente no ver\u00e3o boreal, aumentaram entre seis e dez graus em rela\u00e7\u00e3o aos registros normais. Isto levou a um enorme aumento no caudal de muitos rios que desembocam no Mar \u00c1rtico.<\/p>\n<p>Shakhova e seus colegas acreditam que este aumento substancial de \u00e1guas mais quentes na pouco profunda Plataforma da Sib\u00e9ria Oriental acelerou o derretimento do permafrost submarino, rachando a cobertura gelada e permitindo que o metano vaze para a atmosfera. \u201cO que nos preocupa \u00e9 que o permafrost submarino j\u00e1 apresenta sinais de desestabiliza\u00e7\u00e3o\u201d, disse a cientista em um comunicado. \u201cSe a desestabiliza\u00e7\u00e3o aumentar, as emiss\u00f5es de metano poder\u00e3o n\u00e3o ser em teragramas, pois ser\u00e3o significativamente maiores\u201d, acrescentou. Um teragrama \u00e9 igual a um bilh\u00e3o de gramas ou um milh\u00e3o de toneladas.<\/p>\n<p>O metano \u00e9 um g\u00e1s-estufa cerca de 25 vezes mais potente do que o di\u00f3xido de carbono. \u00c9 comum ser chamado de hidrato de metano quando est\u00e1 congelado no permafrost ou sob o mar. Ignora-se seu volume total. \u201cA libera\u00e7\u00e3o na atmosfera de apenas 1% do metano, que se presumia armazenado em dep\u00f3sitos de hidrato pouco profundos, pode alterar em tr\u00eas ou quatro vezes a atual carga atmosf\u00e9rica de metano\u201d, disse Shakhova em um comunicado. \u201cAs consequ\u00eancias clim\u00e1ticas disto s\u00e3o dif\u00edceis de prever\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>O estudo de Shakhova \u00e9 apenas um de pelo menos uma dezena que mostram claramente que a regi\u00e3o do \u00c1rtico n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 derretendo como tamb\u00e9m emitindo mais carbono e metano. O permafrost ocupa 13 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados da terra no Alasca, Canad\u00e1, Sib\u00e9ria e partes da Europa. Um novo estudo canadense documentou que o limite mais ao sul do permafrost diminuiu 130 quil\u00f4metros nos \u00faltimos 50 anos, na regi\u00e3o de James Bay, em Qu\u00e9bec.<\/p>\n<p>Outro estudo, da Universidade da Fl\u00f3rida, diz que isso poderia causar emiss\u00f5es de um bilh\u00e3o de toneladas de carbono por ano at\u00e9 meados do s\u00e9culo. As emiss\u00f5es geradas pelos seres humanos ficam entre sete bilh\u00f5es e oito bilh\u00f5es de toneladas. Outra pesquisa canadense, divulgada no ano passado, mostra que a regi\u00e3o est\u00e1 ficando mais escura e absorvendo mais calor no ver\u00e3o, devido a uma significativa mudan\u00e7a no crescimento de pastagens e l\u00edquens. Nos \u00faltimos 30 anos, estes se converteram em arbustos maiores devido \u00e0s temperaturas mais altas.<\/p>\n<p>Sem redu\u00e7\u00f5es importantes nas emiss\u00f5es contaminantes causadas pelos seres humanos, principalmente mediante a queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis e o desmatamento, os dois a tr\u00eas metros superiores do permafrost de toda a regi\u00e3o \u00e1rtica podem descongelar at\u00e9 o final deste s\u00e9culo, alerta o informe \u201c\u201dRea\u00e7\u00f5es do clima \u00e1rtico: implica\u00e7\u00f5es globais\u201d, apresentado em setembro pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF).<\/p>\n<p>Se isso ocorrer, os volumes de carbono e metano liberados poder\u00e3o ser muitas vezes maiores do que os atualmente existentes na atmosfera, o que far\u00e1 aumentar em seis, oito ou mesmo dez graus as temperaturas m\u00e9dias mundial. As consequ\u00eancias s\u00e3o inimagin\u00e1veis. \u201cAs mudan\u00e7as que estamos vivendo n\u00e3o s\u00e3o totalmente inesperadas. Simplesmente est\u00e3o ocorrendo muito antes\u201d, disse Mark Serreze, pesquisador do Centro Nacional de Dados da Neve e do Gelo no Colorado e co-autor do informe do WWF. Se os hidratos de metano ou grandes \u00e1reas de permafrost come\u00e7arem a derreter, \u201cisso ser\u00e1 uma p\u00e9ssima not\u00edcia para a humanidade\u201d, disse Serreze \u00e0 IPS em setembro passado. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uxbridge, Canad\u00e1, 08\/03\/2010 &ndash; A camada de gelo, que armazena milhares de milh\u00f5es de toneladas de metano sob as frias \u00e1guas do Mar \u00c1rtico, est\u00e1 deixando escapar esse g\u00e1s-estufa para a atmosfera, segundo pesquisa publicada pela revista especializada Science. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/03\/mundo\/mudanca-climatica-o-perigoso-metano-escapa-do-artico\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,4],"tags":[14],"class_list":["post-6241","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-mundo","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6241","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6241"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6241\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6241"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6241"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}