{"id":627,"date":"2005-05-24T00:00:00","date_gmt":"2005-05-24T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=627"},"modified":"2005-05-24T00:00:00","modified_gmt":"2005-05-24T00:00:00","slug":"ambiente-camponeses-mexicanos-so-perseguidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/ambiente-camponeses-mexicanos-so-perseguidos\/","title":{"rendered":"Ambiente: Camponeses mexicanos s&atilde;o perseguidos"},"content":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 24\/05\/2005 &ndash; A guerra desatada no M&eacute;xico por cortadores de florestas contra ind&iacute;genas ambientalistas desta vez causou as mortes de um menino e um jovem, enquanto continuam as deten&ccedil;&otilde;es de camponeses, denunciadas como arbitr&aacute;rias por organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais locais e internacionais. &quot;H&aacute; um ataque sistem&aacute;tico e abusivo contra os camponeses ecologistas. Os &uacute;ltimos fatos reafirmam a persegui&ccedil;&atilde;o de que s&atilde;o alvo, a repress&atilde;o que sofrem e a impunidade existente&quot;, disse &agrave; IPS Ver&ocirc;nica Bassot, porta-voz da Tlachinollan, organiza&ccedil;&atilde;o defensora dos direitos humanos que trabalha com os grupos camponeses. O corte de &aacute;rvores &eacute; agressivo nas serras do sudeste do Estado de Guerrero, onde 11 de seus 17 munic&iacute;pios ind&iacute;genas s&atilde;o catalogados por estudos oficiais como altamente marginalizados e um deles como o mais pobre do pa&iacute;s. Seus habitantes s&atilde;o mesti&ccedil;os ou ind&iacute;genas das etnias naua, miexteca e tlapaneca.<br \/> <!--more--> <br \/> Imagens de sat&eacute;lite provam que nessas &aacute;reas se perdeu, entre 1999 e 2000, cerca de 86 mil hectares dos 226.203 que estavam cobertos de florestas, segundo relat&oacute;rios do grupo ambientalista internacional Greenpeace. Nesta verdadeira guerra n&atilde;o declarada, um menino de 9 anos e seu irm&atilde;o, de 20, foram mortos na noite da quinta-feira passada durante um ataque a tiros em meio &agrave;s montanhas de Guerrero. Ambos eram filhos de Albertano Pe&ntilde;alosa, dirigente da Organiza&ccedil;&atilde;o de Camponeses Ecologistas da Serra de Petatl&aacute;n e Coyuca de Catal&aacute;n (OCESP), que ficou ferido nessa ocasi&atilde;o, bem como outros dois filhos seus.<\/p>\n<p> No dia seguinte, o ex&eacute;rcito mexicano deteve tr&ecirc;s dos companheiros de Pe&ntilde;alosa, sob a acusa&ccedil;&atilde;o de ter assassinado um filho de um cortador de &aacute;rvores, somando-se assim a outro membro da organiza&ccedil;&atilde;o, Felipe Arreaga, que est&aacute; preso desde novembro pela mesma acusa&ccedil;&atilde;o, e a quem a Anistia Internacional considera preso de consci&ecirc;ncia. &quot;Aqui nas montanhas h&aacute; caciques poderosos (que cortam a madeira) que fazem o que querem, inclusive com certa prote&ccedil;&atilde;o dos militares que patrulham a regi&atilde;o&quot;, afirmou a porta-voz da Tlachinollan por telefone desde seu escrit&oacute;rio nas serras de Guerrero. &quot;O governo do Estado (desde 1&ordm; de abril encabe&ccedil;ado por Zeferino Torreblanca, do esquerdista Partido da Revolu&ccedil;&atilde;o Democr&aacute;tica) e o presidente mexicano, Vicente Fox, n&atilde;o est&atilde;o agindo e por isso nestas montanhas reina a impunidade e o medo&quot;, denunciou Bassot.<\/p>\n<p> Todos os camponeses das serras de Guerrero hoje detidos e os pais dos dois assassinados na semana passada, s&atilde;o companheiros na OCESP de Rodolfo Montiel e Teodoro Cabrera, que foram presos e torturados pelos soldados em 1999 por suposta posse de armas e drogas. Estes dois camponeses finalmente foram libertados em 2001 por ordem do presidente Fox que, afirmando que ambos tinham problemas de sa&uacute;de, determinou o perd&atilde;o de suas condena&ccedil;&otilde;es. Montiel e Cabrera receberam, quando ainda estavam na pris&atilde;o, o pr&ecirc;mio Goldman, criado por organiza&ccedil;&otilde;es norte-americanas e considerado o Nobel na &aacute;rea ambiental, e tamb&eacute;m o pr&ecirc;mio Chico Mendes, criado em mem&oacute;ria do sindicalista e ambientalista brasileiro assassinado em 1988.<\/p>\n<p> Outro ind&iacute;gena mexicano ganhador este ano do Goldman (dotado de US$ 125 mil) foi Isidro Baldenegro, preso em mar&ccedil;o de 2003 acusado de portar armas e drogas, e libertado em junho de 2004, ap&oacute;s m&uacute;ltiplas den&uacute;ncias de irregularidades e depois que v&aacute;rios grupos ambientalistas e humanit&aacute;rios o declararam &quot;preso de consci&ecirc;ncia&quot;. Segundo grupos humanit&aacute;rios locais e estrangeiros, os membros da OCESP s&atilde;o perseguidos somente por se oporem &aacute; destrui&ccedil;&atilde;o da floresta, que &eacute; levada adiante em grande parte por grupos que cortam &aacute;rvores ilegalmente. Os camponeses detidos agora s&atilde;o acusados de terem participado do assassinato, em 1998, de um filho de Bernardino Batista, l&iacute;der de organiza&ccedil;&otilde;es de cortadores. &quot;S&atilde;o casos repletos de injusti&ccedil;as e irregularidades dos quais participam militares e policiais como bra&ccedil;os dos cortadores&quot;, afirmou a porta-voz da Tlachinollan.<\/p>\n<p> Em um comunicado divulgado domingo, esse grupo defensor dos direitos humanos denunciou que os riscos enfrentados pelos camponeses ecologistas &quot;s&atilde;o conseq&uuml;&ecirc;ncia da aus&ecirc;ncia de aten&ccedil;&atilde;o por parte das autoridades estatais e federais. &Eacute; vergonhoso que os defensores do meio ambiente sejam perseguidos e sua luta seja criminalizada&quot;, ressaltou. No M&eacute;xico, &quot;usa-se o sistema judicial para silenciar ou desestimular as vozes dissidentes e a oposi&ccedil;&atilde;o da sociedade civil, recorrendo a falsas ou infundadas acusa&ccedil;&otilde;es&quot;, afirmou a Anistia Internacional, com sede em Londres, a prop&oacute;sito da reitera&ccedil;&atilde;o de camponeses presos no M&eacute;xico. Relat&oacute;rios do grupo Tlachinollan indicam que nas serras de Guerrero &quot;o ex&eacute;rcito apoderou-se como autoridade que assume o controle policial e militar&quot;.<\/p>\n<p> Os militares &quot;se metem com as comunidades ind&iacute;genas e com suas hortas, tomam a &aacute;gua da comunidade, interrogam, det&ecirc;m e intimidam a popula&ccedil;&atilde;o com o simples argumento de que est&atilde;o aplicando a lei federal sobre armas de fogo e explosivos, e ainda que est&atilde;o combatendo o narcotr&aacute;fico&quot;, dizem os relat&oacute;rios. &quot;Vou ser claro, algu&eacute;m se mete com determinados interesses, e esse &eacute; o problema, por isso estou aqui (na pris&atilde;o)&quot;, disse &aacute; IPS em novembro, pouco depois de ser preso, o campon&ecirc;s Felipe Arreaga, membro da OCESP. Declara&ccedil;&otilde;es semelhantes haviam sido dadas por Montiel e Cabrera, que desde que deixaram a pris&atilde;o vivem na semi-clandestinidade e fora de Guerrero, por medo de sofrerem atentados. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&eacute;xico, 24\/05\/2005 &ndash; A guerra desatada no M&eacute;xico por cortadores de florestas contra ind&iacute;genas ambientalistas desta vez causou as mortes de um menino e um jovem, enquanto continuam as deten&ccedil;&otilde;es de camponeses, denunciadas como arbitr&aacute;rias por organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais locais e internacionais. &quot;H&aacute; um ataque sistem&aacute;tico e abusivo contra os camponeses ecologistas. Os &uacute;ltimos fatos reafirmam a persegui&ccedil;&atilde;o de que s&atilde;o alvo, a repress&atilde;o que sofrem e a impunidade existente&quot;, disse &agrave; IPS Ver&ocirc;nica Bassot, porta-voz da Tlachinollan, organiza&ccedil;&atilde;o defensora dos direitos humanos que trabalha com os grupos camponeses. O corte de &aacute;rvores &eacute; agressivo nas serras do sudeste do Estado de Guerrero, onde 11 de seus 17 munic&iacute;pios ind&iacute;genas s&atilde;o catalogados por estudos oficiais como altamente marginalizados e um deles como o mais pobre do pa&iacute;s. Seus habitantes s&atilde;o mesti&ccedil;os ou ind&iacute;genas das etnias naua, miexteca e tlapaneca.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/ambiente-camponeses-mexicanos-so-perseguidos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":437,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-627","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/627","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/437"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=627"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/627\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=627"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=627"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=627"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}