{"id":6288,"date":"2010-03-16T14:38:53","date_gmt":"2010-03-16T14:38:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6288"},"modified":"2010-03-16T14:38:53","modified_gmt":"2010-03-16T14:38:53","slug":"israel-estados-unidos-diferencas-sem-precedentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/03\/direitos-humanos\/israel-estados-unidos-diferencas-sem-precedentes\/","title":{"rendered":"ISRAEL-ESTADOS UNIDOS: Diferen\u00e7as sem precedentes"},"content":{"rendered":"<p>Jerusal\u00e9m, 16\/03\/2010 &ndash; Quando parecia que os Estados Unidos haviam convencido Israel e a Autoridade Nacional Palestina a reiniciar as conversa\u00e7\u00f5es de paz, a situa\u00e7\u00e3o teve um giro inesperado com o choque dos dois aliados hist\u00f3ricos. <!--more--> Em meados da semana passada, parecia que se via uma luz no fim do t\u00fanel da pol\u00edtica no Oriente M\u00e9dio. Mas, quatro dias depois, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, descobriu que esse clich\u00ea foi uma piada de mau gosto: n\u00e3o era a luz no fim do t\u00fanel, era o farol do trem que vem para cima de Israel a toda velocidade. \u00c9 o trem da pol\u00edtica dos Estados Unidos para a regi\u00e3o, e Netanyahu se prepara para um grande descarrilamento e, pode-se dizer, que \u00e9 o respons\u00e1vel pelos sinais que o guiar\u00e3o.<\/p>\n<p>Alguns veteranos analistas da regi\u00e3o observam assombrados a situa\u00e7\u00e3o e se perguntam se isto est\u00e1 realmente acontecendo entre Estados Unidos e Israel, dois ac\u00e9rrimos aliados da regi\u00e3o, que, mais do que estarem prestes a se chocar, j\u00e1 est\u00e3o se enfrentando. A crise atual, prevista por numerosos analistas desde que Netanyahu assumiu o cargo h\u00e1 um ano, finalmente aconteceu e salta \u00e0 vista. Mas o presidente Barack Obama n\u00e3o se conteve e condenou a humilha\u00e7\u00e3o sofrida pelo vice-presidente, Joe Binden.<\/p>\n<p>Em visita a Israel, enquanto Biden ressaltava o compromisso inquebrant\u00e1vel dos Estados Unidos com a seguran\u00e7a deste pa\u00eds, o governo de Netanyahu aprovava a constru\u00e7\u00e3o de 1.600 novos apartamentos no territ\u00f3rio ocupado de Jerusal\u00e9m oriental. Obama n\u00e3o aceitou a desculpa parcial de Netanyahu e, al\u00e9m disso, advertiu severamente que os Estados Unidos n\u00e3o podem tolerar um projeto t\u00e3o descarado. Washington pediu que o primeiro-ministro tome \u201cmedidas espec\u00edficas\u201d para mostrar seu \u201ccompromisso\u201d com o processo de paz, mas tamb\u00e9m com os v\u00ednculos entre ambos os pa\u00edses.<\/p>\n<p>Israel n\u00e3o pode prosseguir com pol\u00edticas displicentes e colocar em risco os interesses nacionais dos Estados Unidos na regi\u00e3o, insistiu a Casa Branca. Depois, a secret\u00e1ria de Estado, Hillary Clinton, manteve uma dura conversa telef\u00f4nica de \u201c43 minutos\u201d com Netanyahu, na tarde de sexta-feira, na qual recriminou a constru\u00e7\u00e3o dos novos assentamentos. N\u00e3o vazaram detalhes do que foi conversado, mas parece que Hillary quis assegurar que a mensagem ficasse clara. A secret\u00e1ria tornou p\u00fablica a reprimenda que deu em Netanyahu na rede de not\u00edcias CNN e tamb\u00e9m qualificou o projeto de \u201cinsultante\u201d. Hillary disse que n\u00e3o \u00e9 culpa direta de Netanyahu, mas acrescentou com severidade que \u201cele \u00e9 o primeiro-ministro. Como o presidente ou o secret\u00e1rio de Estado, em \u00faltima inst\u00e2ncia, \u00e9 o respons\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Para os Estados Unidos, o enfrentamento ocorreu quando menos se esperava. Netanyahu teve dois enfrentamentos com o governo de Barack Obama no ano passado. Primeiro ignorou o pedido dos Estados Unidos para congelar a constru\u00e7\u00e3o de assentamentos na Cisjord\u00e2nia. Depois, reafirmou sua posi\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel aos assentamentos judeus em Jerusal\u00e9m oriental, inclusive nos bairros palestinos, apesar da dura advert\u00eancia de Washington para que n\u00e3o prosseguisse com essa atitude. Tamb\u00e9m h\u00e1 um elemento pessoal e hist\u00f3rico no descontentamento norte-americano.<\/p>\n<p>Em seu governo anterior (1996-1999), Netanyahu tamb\u00e9m bateu de frente com Washington pelo mesmo problema: a pol\u00edtica israelense em Jerusal\u00e9m oriental. Nessa ocasi\u00e3o, durante o segundo mandato do presidente Bill Clinton (1993-2001), o assentamento de Har Homa se converteu em uma mancha para as iniciativas de paz dos Estados Unidos. Agora \u00e9 um florescente bairro judeu na fronteira entre Jerusal\u00e9m e Bel\u00e9m. \u00c9 claro que os Estados Unidos n\u00e3o querem que Netanyahu \u201cconsiga\u201d outro Har Homa no atual bairro de Ramat Shlomo.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 90, os funcion\u00e1rios do governo norte-americano fizeram chegar a Netanyahu que o consideravam \u201cpouco confi\u00e1vel\u201d e \u201cardiloso\u201d. O tom da disputa atual parece seguir o mesmo caminho. Mas, ent\u00e3o, o antagonismo ficou no plano pessoal e Har Homa se manteve. Desta vez, Washington destaca as consequ\u00eancias sobre sua pol\u00edtica no Oriente M\u00e9dio. Ap\u00f3s os duros coment\u00e1rios recebidos da secret\u00e1ria de Estado, Netanyahu chamou os dois governantes europeus com os quais tem v\u00ednculos estreitos \u2013 a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o primeiro-ministro da It\u00e1lia, Silvio Berlusconi \u2013 para explicar-lhes o motivo de acreditar que Washington se equivoca e fomenta a crise.<\/p>\n<p>\u201cO primeiro-ministro chegou ao momento da verdade. Deve escolher entre, de um lado, suas cren\u00e7as ideol\u00f3gicas e sua alian\u00e7a pol\u00edtica com a coaliz\u00e3o de direita, e, de outro, a necessidade de ter o apoio dos Estados Unidos\u201d, disse Aluf Benn, correspondente do jornal Haaretz. Israel se pergunta at\u00e9 onde os Estados Unidos pretendem levar esta crise e o quanto a ruptura pode ser profunda. Netanyahu, por sua vez, exortou os israelenses a \u201cficarem tranquilos\u201d. Esta manh\u00e3 \u201cli manchetes alarmistas nos jornais. N\u00e3o nos deixemos levar. Foi um epis\u00f3dio infeliz, mas sabemos como lidar com essas situa\u00e7\u00f5es, com calma, responsabilidade e seriedade\u201d, disse Netanyahu no domingo, ao iniciar a reuni\u00e3o de gabinete.<\/p>\n<p>O governo israelense ainda deve divulgar um comunicado ap\u00f3s a reprimenda de Hillary. Mas tudo parece indicar que Netanyahu n\u00e3o voltar\u00e1 atr\u00e1s. Para ele, Israel conservar Jerusal\u00e9m, ao menos o que o Estado judeu define como tal, \u00e9 t\u00e3o importante quanto sua alian\u00e7a com os Estados Unidos. Por\u00e9m, com seu humor atual e sua experi\u00eancia com Obama, o primeiro-ministro pode n\u00e3o se importar com o fato de as consequ\u00eancias dissolverem os la\u00e7os entre seu pa\u00eds e os Estados Unidos, segundo o analista David Landau. \u201cPode ter chegado \u00e0 conclus\u00e3o de que n\u00e3o tem de renunciar a nada\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Netanyahu talvez pense que, de todo modo, Washington continua com as san\u00e7\u00f5es ao Ir\u00e3. Mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que Netanyahu parece n\u00e3o ter muita f\u00e9 em que os Estados Unidos possam deter Teer\u00e3 com a\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas por mais duras que sejam as san\u00e7\u00f5es. Por sua vez, a Casa Branca deixou bem claro que n\u00e3o permitir\u00e1 que Israel enfrente sozinho as ambi\u00e7\u00f5es nucleares iranianas. Esse pode ter sido o principal elemento na agenda de Biden no come\u00e7o de sua falida viagem pela regi\u00e3o. A crise entre Estados Unidos e Israel supera as consequ\u00eancias negativas que possa ter, ou n\u00e3o, sobre as negocia\u00e7\u00f5es de paz entre israelenses e palestinos. A atual instabilidade no Oriente M\u00e9dio n\u00e3o tem precedentes. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerusal\u00e9m, 16\/03\/2010 &ndash; Quando parecia que os Estados Unidos haviam convencido Israel e a Autoridade Nacional Palestina a reiniciar as conversa\u00e7\u00f5es de paz, a situa\u00e7\u00e3o teve um giro inesperado com o choque dos dois aliados hist\u00f3ricos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/03\/direitos-humanos\/israel-estados-unidos-diferencas-sem-precedentes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":429,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[16],"class_list":["post-6288","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6288","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/429"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6288"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6288\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6288"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6288"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6288"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}