{"id":6291,"date":"2010-03-17T13:55:40","date_gmt":"2010-03-17T13:55:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6291"},"modified":"2010-03-17T13:55:40","modified_gmt":"2010-03-17T13:55:40","slug":"defesa-recessao-mundial-nao-freia-venda-de-armas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/03\/mundo\/defesa-recessao-mundial-nao-freia-venda-de-armas\/","title":{"rendered":"DEFESA: Recess\u00e3o mundial n\u00e3o freia venda de armas"},"content":{"rendered":"<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 17\/03\/2010 &ndash; A crise financeira mundial n\u00e3o impediu que a venda de armas crescesse 22% nos \u00faltimos cinco anos. <!--more--> Tanto na\u00e7\u00f5es ricas como pobres refor\u00e7aram seus arsenais com avi\u00f5es ca\u00e7a, helic\u00f3pteros de combate, submarinos, ve\u00edculos blindados e sistemas de defesa a\u00e9rea. Os cinco maiores compradores de armas no per\u00edodo de 2005 a 2009 foram China, \u00cdndia, Coreia do Sul, Emirados \u00c1rabes Unidos e Gr\u00e9cia, segundo os \u00faltimos dados divulgados pelo Instituto Internacional de Estocolmo de Pesquisa para a Paz (Sipri). A lista continua com Turquia, Cingapura, Paquist\u00e3o, Mal\u00e1sia, Israel, Arg\u00e9lia, Morrocos, L\u00edbia, Egito, Ir\u00e3, \u00c1frica do Sul, Ar\u00e1bia Saudita, Brasil, Sud\u00e3o, Chile e Venezuela.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, os cinco maiores vendedores foram Estados Unidos, R\u00fassia, Alemanha, Fran\u00e7a e Gr\u00e3-Bretanha, respons\u00e1veis por mais de 75% das exporta\u00e7\u00f5es de armas convencionais, segundo o Sipri, um dos principais institutos do mundo dedicados \u00e0 pesquisa sobre armas. Estados Unidos e R\u00fassia continuam sendo de longe os principais exportadores, com 30% e 24%, respectivamente, de todas as exporta\u00e7\u00f5es de armas.<\/p>\n<p>\u201cCreio que deveria ser enfatizado que os l\u00edderes pol\u00edticos de diferentes regi\u00f5es do mundo manifestaram a preocupa\u00e7\u00e3o de que sua regi\u00e3o esteja \u00e0 beira da corrida armamentista\u201d, disse \u00e0 IPS Paul Holtom, diretor do programa de transfer\u00eancia de armas do Sipri. Os dados do instituto sobre entregas e pedidos de armas demonstram que estas preocupa\u00e7\u00f5es t\u00eam fundamento, j\u00e1 que em v\u00e1rias regi\u00f5es de tens\u00e3o h\u00e1 provas de compra em rea\u00e7\u00e3o a determinadas situa\u00e7\u00f5es. Por exemplo, \u00e9 razo\u00e1vel supor que o pedido do Marrocos aos Estados Unidos de ca\u00e7as F-16 esteja relacionado com a entrega de avi\u00f5es russos Su-30MK \u00e0 vizinha Arg\u00e9lia, acrescentou Holtom.<\/p>\n<p>Os avi\u00f5es ca\u00e7a representaram 27% das transfer\u00eancias internacionais de armas entre 2005 e 2009. Foram enviados 72 F-16E aos Emirados \u00c1rabes Unidos, 52 F-161 a Israel e 40 F-15K \u00e0 Coreia do Sul, que no total custaram milhares de milh\u00f5es de d\u00f3lares. Nas exporta\u00e7\u00f5es russas de avi\u00f5es ca\u00e7a est\u00e3o inclu\u00eddos 82 Su-30 para a \u00cdndia, 28 para a Arg\u00e9lia e 18 para a Mal\u00e1sia. Moscou tamb\u00e9m tenta concretizar este ano a venda \u00e0 \u00cdndia de 126 avi\u00f5es de combate, competindo com empresas norte-americanas e europeias. E os pedidos e entregas destes \u201csistemas de armas potencialmente desestabilizadores causaram preocupa\u00e7\u00f5es armamentistas nas seguintes regi\u00f5es de tens\u00e3o: Oriente M\u00e9dio, \u00c1frica do Norte, Am\u00e9rica do Sul, \u00c1sia meridional e sudeste da \u00c1sia\u201d, segundo o Sipri.<\/p>\n<p>Como o volume da entrega de armas pode variar significativamente de ano para ano, o Sipri emprega uma m\u00e9dia quinquenal. Seus dados revelam que os pa\u00edses ricos em recursos adquiriram uma quantidade consider\u00e1vel de avi\u00f5es de combate caros, explicou Holton. \u201cOs rivais vizinhos reagiram a essas compras com pedidos pr\u00f3prios. Pode-se perguntar se essa \u00e9 uma destina\u00e7\u00e3o adequada de recursos em regi\u00f5es com altos n\u00edveis de pobreza\u201d, acrescentou. Dan Darling, analista dos mercados militares da Europa e do Oriente M\u00e9dio para a empresa norte-americana Forecast International, disse \u00e0 IPS que seria imprudente prever uma tend\u00eancia crescente no gasto militar mundial, enquanto permanece a incerteza econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Mas, como revelam os n\u00fameros do Sipri divulgados no dia 15, o gasto na defesa e compra de armamentos cresceu de forma constante nos \u00faltimos cinco anos, disse Darling. Algumas das in\u00fameras raz\u00f5es s\u00e3o as rivalidades regionais, como entre Col\u00f4mbia e Venezuela, \u00cdndia e Paquist\u00e3o, Turquia e Gr\u00e9cia, China e Taiwan, entre outras, ou super\u00e1vit fiscal, necessidade de renovar equipamentos militares, etc. Seja qual for o motivo, os vendedores de armas como Estados Unidos, R\u00fassia, Fran\u00e7a, Alemanha, It\u00e1lia, Gr\u00e3-Bretanha e China buscar\u00e3o colher os benef\u00edcios da tend\u00eancia crescente, ressaltou.<\/p>\n<p>O gasto com defesa na Europa n\u00e3o crescer\u00e1 significativamente no curto prazo, devido em grande medida aos d\u00e9ficit fiscais e \u00e0s d\u00edvidas p\u00fablicas de muitos pa\u00edses europeus, mas tamb\u00e9m porque o continente n\u00e3o enfrenta uma amea\u00e7a estrat\u00e9gica direta. Convencer o p\u00fablico da necessidade de aumentar o gasto com defesa n\u00e3o \u00e9 um caminho para a vit\u00f3ria pol\u00edtica em muitas na\u00e7\u00f5es desse continente, afirmou Darling. \u201cOs Estados Unidos, que nadam em seu pr\u00f3prio mar, logo poderiam ser obrigados a limitar os or\u00e7amentos do Pent\u00e1gono (Minist\u00e9rio da Defesa) a apenas acima da infla\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A entrega de armas segundo as regi\u00f5es se manteve relativamente est\u00e1vel nos \u00faltimos dez anos, segundo o Sipri. As regi\u00f5es que mais armas receberam no per\u00edodo 2005-2009 continuaram sendo \u00c1sia-Oceania, com 41%, seguida de Europa 24%, Oriente M\u00e9dio 17%, Am\u00e9rica 11% e \u00c1frica 7%. Quando perguntado como se pode interpretar o crescente armamentismo neste mundo em recess\u00e3o, Holtom disse \u00e0 IPS que as compras, feitas por rivais e Estados de uma mesma regi\u00e3o \u201cvistas\u201d como poss\u00edveis amea\u00e7as, influenciam as decis\u00f5es de compra e podem levar a uma perigosa espiral armamentista, na medida em que as na\u00e7\u00f5es buscam se manter no mesmo n\u00edvel das compras dos vizinhos.<\/p>\n<p>Atualmente, e apesar da tens\u00e3o de algumas rela\u00e7\u00f5es internacionais, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil concluir que a compra de armas sozinha possa provocar um conflito, embora este fator possa influir na decis\u00e3o de recorrer \u00e0 via militar para dirimir um conflito pol\u00edtico se as for\u00e7as armadas de um pa\u00eds s\u00e3o mais fortes do que as do rival, disse Holtom. Por exemplo, o Azerbaij\u00e3o come\u00e7ou a exibir seu poderio militar a respeito do conflito com a Arm\u00eania pela regi\u00e3o de Ngorno-Karabaj, depois de um per\u00edodo em que os arm\u00eanios refor\u00e7aram o gasto militar e compraram armas para superar seu rival, explicou. Darling, por seu lado, disse que o gasto com defesa continua crescendo na Am\u00e9rica Latina. Liderados pelo Brasil, muitos pa\u00edses da regi\u00e3o realizam pol\u00edticas de moderniza\u00e7\u00e3o militar para colocar seus envelhecidos arsenais em dia.<\/p>\n<p>Em T\u00fanis, Arg\u00e9lia, Morrocos e L\u00edbia tamb\u00e9m continua o investimento em defesa. Mas o maior crescimento nessa \u00e1rea ser\u00e1 na \u00c1sia, que vai ser o principal mercado para venda de armas, gra\u00e7as a problemas de seguran\u00e7a interna e, como ocorre na Am\u00e9rica Latina, a um ciclo de renova\u00e7\u00e3o militar regional, disse Darling. Enquanto o investimento em defesa dos integrantes da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan) estar\u00e1 relativamente limitada a pouco mais do que a taxa de infla\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3ximos anos, outras regi\u00f5es continuar\u00e3o experimentando o aumento do gasto militar que gera uma compra maior de armas, previu Darling. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na\u00e7\u00f5es Unidas, 17\/03\/2010 &ndash; A crise financeira mundial n\u00e3o impediu que a venda de armas crescesse 22% nos \u00faltimos cinco anos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/03\/mundo\/defesa-recessao-mundial-nao-freia-venda-de-armas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":202,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,4,11],"tags":[],"class_list":["post-6291","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6291","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/202"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6291"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6291\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6291"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6291"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6291"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}