{"id":6305,"date":"2010-03-22T13:18:05","date_gmt":"2010-03-22T13:18:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6305"},"modified":"2010-03-22T13:18:05","modified_gmt":"2010-03-22T13:18:05","slug":"saude-estados-unidos-mortalidade-materna-duplicou-em-20-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/03\/saude\/saude-estados-unidos-mortalidade-materna-duplicou-em-20-anos\/","title":{"rendered":"SA\u00daDE-ESTADOS UNIDOS: Mortalidade materna duplicou em 20 anos"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 22\/03\/2010 &ndash; Os Estados Unidos investem mais do que qualquer outro na preven\u00e7\u00e3o da mortalidade materna, mas cada vez mais mulheres perdem a vida. A morbidade j\u00e1 supera a maioria dos pa\u00edses industrializados. <!--more--> O estudo da Anistia Internacional que divulgou os dados coincide com outros da Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4micos (OCDE) e da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). A pesquisa \u201cMaternidade: perigo de morte\u201d indica que a mortalidade durante a gravidez e o parto duplicou nos Estados Unidos nos \u00faltimos 20 anos. De 6,6 para cada cem mil nascidos vivos em 1987, passou para 13,3 em 2006. Dos quatro milh\u00f5es de mulheres que d\u00e3o \u00e0 luz por ano no pa\u00eds, morrem duas em cada tr\u00eas por dia em raz\u00e3o de complica\u00e7\u00f5es vinculadas \u00e0 gravidez.<\/p>\n<p>Parte do aumento pode ser atribu\u00edda \u00e0 melhor forma de realizar os registros, mas o estudo sugere que \u00e9 mais prov\u00e1vel que, de fato, os n\u00fameros subestimem o problema porque n\u00e3o h\u00e1 requisitos federais para medir a mortalidade materna. As norte-americanas t\u00eam mais risco de morrer por causas ligadas \u00e0 gravidez do que as mulheres de outros 40 pa\u00edses, cinco vezes mais do que as gregas, por exemplo, e quatro vezes mais do que as alem\u00e3s. Al\u00e9m disso, outro 1,7 milh\u00e3o de mulheres, um ter\u00e7o de todas as norte-americanas gr\u00e1vidas, sofrem algum tipo de complica\u00e7\u00e3o na gesta\u00e7\u00e3o que deixa sequelas. As complica\u00e7\u00f5es graves, em que a mulher corre risco de vida, aumentaram 25% desde 1998, segundo a Anistia.<\/p>\n<p>\u201cNenhuma norte-americana deveria ter morrido no parto em 2009, definitivamente poder\u00edamos estar muito melhor\u201d, disse Michael Lu, professor-adjunto de Obstetr\u00edcia da Universidade da Calif\u00f3rnia (Los Angeles). As raz\u00f5es pelas quais as norte-americanas t\u00eam maior probabilidade de morrer no parto do que as mulheres de outras na\u00e7\u00f5es industrializadas s\u00e3o complexas e seguem uma variedade de fatores. Quando ficam gr\u00e1vidas, t\u00eam sobrepeso. Os \u00faltimos dados de mortalidade materna indicam que uma em cada quatro, ou uma em cada cinco, morrem de doen\u00e7as card\u00edacas ou dos vasos sangu\u00edneos, segundo um porta-voz dos Centros de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Enfermidades (CDC).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 dificuldades financeiras e f\u00edsicas para receber cuidados m\u00e9dicos, como a falta de profissionais nas \u00e1reas rurais e o abuso de interven\u00e7\u00f5es de risco, com indu\u00e7\u00e3o do parto e cesariana. Cerca da metade das mortes maternas nos Estados Unidos pode ser evitada. As gr\u00e1vidas e as que acabam de dar \u00e0 luz perdem a vida por \u201cfalhas sistem\u00e1ticas\u201d do sistema de sa\u00fade, segundo dados do CDC que constam do estudo da Anistia. Os indicadores sobre mortalidade materna das afronorte-americanas s\u00e3o ainda mais impactantes. T\u00eam entre tr\u00eas e quatro vezes mais probabilidades de morrer durante o parto do que suas compatriotas brancas, inclusive, se ambas forem saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>Uma das causas pode ser a press\u00e3o alta. As afro-descendentes tendem a ter press\u00e3o mais alta do que o restante da popula\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, n\u00e3o devem ser descartados outros fatores como pobreza e racismo. \u201cSabemos que o racismo e a pobreza geram muito estresse\u201d, afirmou JoAnne Fischer, diretora-executiva da Coaliz\u00e3o de Aten\u00e7\u00e3o Materna. \u201cSabemos que \u00e9 uma das causas da hipertens\u00e3o e que esta, a obesidade e a diabetes est\u00e3o vinculadas. Temos de garantir que as mulheres estejam saud\u00e1veis no come\u00e7o da gravidez\u201d, acrescentou. O aumento da mortalidade materna chama a aten\u00e7\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o com a redu\u00e7\u00e3o cont\u00ednua que era registrada no s\u00e9culo passado. A mortalidade era muito elevada nas maternidades no s\u00e9culo XIX, \u00e0s vezes chegando a 40% das parturientes. No come\u00e7o do s\u00e9culo XX, morria uma mulher em cada cem nascidos vivos.<\/p>\n<p>Em 2005, morreram 11 mulheres para cem mil nascidos vivos. Mas o n\u00famero come\u00e7ou a aumentar nos \u00faltimos tr\u00eas anos e quase triplicou na \u00faltima d\u00e9cada na Calif\u00f3rnia. A redu\u00e7\u00e3o da mortalidade materna seguiu-se \u00e0s melhorias nas condi\u00e7\u00f5es de assepsia, transfus\u00f5es de sangue e melhor aten\u00e7\u00e3o pr\u00e9-natal. As recomenda\u00e7\u00f5es para reduzir a mortalidade materna incluem acesso a cuidados m\u00e9dicos, exist\u00eancia de atendimento a emerg\u00eancias obst\u00e9tricas, financiamento e aten\u00e7\u00e3o intraparto. Al\u00e9m disso, o apoio e a vontade pol\u00edtica t\u00eam um papel importante. Sem eles n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel avan\u00e7ar nessa \u00e1rea.<\/p>\n<p>O risco de morrer durante a gravidez, o parto ou o puerp\u00e9rio varia de forma significativa segundo a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Uma em cada 26 mulheres perde a vida na \u00c1frica, ao contr\u00e1rio das na\u00e7\u00f5es industrializadas, onde isso acontece com uma em cada 7.300. Dentro de cada pa\u00eds h\u00e1 diferen\u00e7as not\u00f3rias no acesso a pessoal m\u00e9dico capacitado, uma interven\u00e7\u00e3o fundamental para melhorar a sa\u00fade materna. Pode chegar a se multiplicar por seis a diferen\u00e7a entre a mais pobre e a mais rica. A propor\u00e7\u00e3o de mulheres que fazem planejamento familiar est\u00e1 claramente vinculada \u00e0 riqueza, as mais pobres ficam atrasadas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mais ricas em todas as regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Uma mulher morre por minuto no parto no mundo, apesar de quase todas as causas serem pass\u00edveis de preven\u00e7\u00e3o. A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas se prop\u00f4s, em 2000, a reduzir a mortalidade materna em 75% at\u00e9 2015, mas est\u00e1 muito longe de alcan\u00e7ar a meta. Na C\u00fapula do Mil\u00eanio, nome da Assembleia Geral da ONU daquele ano, 189 governantes acordaram oito grandes objetivos de desenvolvimento, entre eles a redu\u00e7\u00e3o da mortalidade materna.<\/p>\n<p>As metas t\u00eam o objetivo de reduzir pela metade a propor\u00e7\u00e3o de pessoas indigentes e que sofrem fome, atingir educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria universal, promover a igualdade de g\u00eanero, reduzir a mortalidade infantil em dois ter\u00e7os, lutar contra a expans\u00e3o da mal\u00e1ria, do v\u00edrus da defici\u00eancia imunol\u00f3gica humana (HIV), causador da aids, e de outras doen\u00e7as, assegurar a sustentabilidade ambiental e gerar uma sociedade global para o desenvolvimento entre o Norte e o Sul. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 22\/03\/2010 &ndash; Os Estados Unidos investem mais do que qualquer outro na preven\u00e7\u00e3o da mortalidade materna, mas cada vez mais mulheres perdem a vida. 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