{"id":631,"date":"2005-05-25T00:00:00","date_gmt":"2005-05-25T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=631"},"modified":"2005-05-25T00:00:00","modified_gmt":"2005-05-25T00:00:00","slug":"brasil-gasoduto-amaznico-no-est-livre-de-polmicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/brasil-gasoduto-amaznico-no-est-livre-de-polmicas\/","title":{"rendered":"Brasil: Gasoduto amaz&ocirc;nico n&atilde;o est&aacute; livre de pol&ecirc;micas"},"content":{"rendered":"<p>Manaus, 25\/05\/2005 &ndash; Os cuidados tomados pela Petrobras limitam os riscos ambientais de seus gasodutos na Amaz&ocirc;nia, mas confirmam a dificuldade para evitar os preju&iacute;zos sociais de grandes projetos no meio da pobreza. O pleno aproveitamento do g&aacute;s natural descoberto em 1986 em Urucu, localidade isolada na selva, beneficiar&aacute; a economia e o meio ambiente amaz&ocirc;nicos, ao estimular ind&uacute;strias locais e a substitui&ccedil;&atilde;o do diesel, mais poluente e caro, trazido do sudeste do Brasil ou do exterior. Por&eacute;m, isto exige a constru&ccedil;&atilde;o de um gasoduto at&eacute; Manaus, centro industrial onde a Petrobras possui uma refinaria. S&atilde;o 650 quil&ocirc;metros cruzando selva, rios e &aacute;reas inundadas e proximidades de comunidades ribeirinhas.<br \/> <!--more--> <br \/> A constru&ccedil;&atilde;o de um poliduto de 285 quil&ocirc;metros para levar petr&oacute;leo e g&aacute;s de cozinha para o Porto de Coari, finalizada em 1998, j&aacute; causou impactos negativos, principalmente a migra&ccedil;&atilde;o desordenada, alertou em conversa com a IPS Marta Val&eacute;ria Cunha, assessora de Comunidades da Comiss&atilde;o Pastoral da Terra, da Igreja Cat&oacute;lica, no Amazonas. A popula&ccedil;&atilde;o do munic&iacute;pio de Coari, ao qual pertence a Prov&iacute;ncia Petrol&iacute;fera de Urucu, mais do que dobrou desde 1993, quanto tinha 38 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica. Em 2004, j&aacute; eram 80,5 mil, e h&aacute; quem estime em cem mil os moradores atuais. A expectativa &#8211; estimulada pela pr&oacute;pria prefeitura &#8211; de que o g&aacute;s vai gerar prosperidade atrai multid&otilde;es.<\/p>\n<p> No m&ecirc;s passado, aproximadamente dois mil imigrantes invadiram repentinamente uma &aacute;rea na periferia da cidade, causando conflitos que deixaram v&aacute;rios feridos e mais de 50 detidos, informou Cunha. Os empregos tempor&aacute;rios e de baixa remunera&ccedil;&atilde;o, para cortar uma faixa de mata com &aacute;rvores de 15 a 20 metros de largura, para a instala&ccedil;&atilde;o de tubula&ccedil;&otilde;es a 1,5 metro abaixo do solo, j&aacute; s&atilde;o suficientes para atrair candidatos de comunidades pobres de toda parte, explicou a ativista. A imigra&ccedil;&atilde;o e os acampamentos de trabalhadores durante a constru&ccedil;&atilde;o provocaram aumento de mal&aacute;ria, prostitui&ccedil;&atilde;o infantil, viol&ecirc;ncia, drogas, casos de aids e de gravidez em adolescentes, acrescentou. <\/p>\n<p> &quot;O impacto ambiental &eacute; superado pela recomposi&ccedil;&atilde;o da natureza, mas o social permanece&quot;, afirmou Cunha. Sua batalha agora &eacute; para que o gasoduto entre Coari e Manaus, de 365 quil&ocirc;metros, a ser constru&iacute;do at&eacute; o 2006, beneficie a popula&ccedil;&atilde;o ribeirinha e &quot;n&atilde;o apenas Manaus, seu distrito industrial e os empres&aacute;rios&quot;. O secret&aacute;rio do Meio Ambiente do Amazonas, Virg&iacute;lio Viana, assegurou que &quot;alguns erros&quot; cometidos entre Urucu e Coari est&atilde;o sendo corrigidos. Um longo processo de consultas &agrave; popula&ccedil;&atilde;o e a um grupo de cientistas da universidade local antecedeu a constru&ccedil;&atilde;o do novo trecho. Al&eacute;m disso, est&aacute; em andamento, desde 2004, um programa de sua secretaria e da Petrobras que leva assist&ecirc;ncia m&eacute;dica e odontol&oacute;gica, documenta&ccedil;&atilde;o legal, educa&ccedil;&atilde;o ambiental e cr&eacute;dito para o desenvolvimento sustent&aacute;vel de 131 comunidades localizadas pr&oacute;ximas ao trajeto do gasoduto, informou Viana.<\/p>\n<p> Outros projetos, como constru&ccedil;&atilde;o de escolas, esportes para jovens e combate &agrave; desnutri&ccedil;&atilde;o s&atilde;o oferecidos a popula&ccedil;&otilde;es pr&oacute;ximas das instala&ccedil;&otilde;es da Petrobras, destacou Giovanni Paiva, gerente para a Amaz&ocirc;nia da Transpetro, subsidi&aacute;ria da empresa para transportes, que tem sob seus cuidados embarca&ccedil;&otilde;es, tubula&ccedil;&otilde;es, armazenamento e terminais petrol&iacute;feros. O poliduto de Urucu a Manaus ser&aacute; muito seguro, com controle eletr&ocirc;nico e v&aacute;lvulas a cada 30 quil&ocirc;metros, que se fecham em caso de acidente, circunscrevendo o problema, informou Paiva. Tr&ecirc;s tipos de prote&ccedil;&atilde;o atrasar&atilde;o a corros&atilde;o e permitir&atilde;o que seja feita a substitui&ccedil;&atilde;o de tubos antes que estes se deteriorem. Os canos ser&atilde;o subterr&acirc;neos e subaqu&aacute;ticos para evitar vandalismos, danos ao meio ambiente e &agrave; navega&ccedil;&atilde;o fluvial.<\/p>\n<p> O complexo de jazidas e gasodutos se situa em &aacute;reas pouco povoadas e n&atilde;o exige a constru&ccedil;&atilde;o de estradas. Na regi&atilde;o os transportes s&atilde;o feitos por rios e, em alguns casos, por via a&eacute;rea. Al&eacute;m disso, Urucu n&atilde;o &eacute; habitada por ind&iacute;genas, porque suas florestas s&atilde;o pobres em frutas, explicou Ken Ara&uacute;jo, gerente de Marketing da Petrobras na Amaz&ocirc;nia. Entretanto, o poliduto Urucu-Coari cruza terras do povo Miranha, que reclama da estatal &quot;uma recompensa&quot; na forma de benef&iacute;cios sociais, disse &agrave; IPS Jecinaldo Cabral, coordenador das Organiza&ccedil;&otilde;es Ind&iacute;genas da Amaz&ocirc;nia Brasileira. O problema &eacute; que a terra reclamada ainda n&atilde;o &eacute; legalmente ind&iacute;gena e a Petrobras negociou a passagem do gasoduto com um fazendeiro que provou ser o propriet&aacute;rio desde 1914, respondeu o gerente da Petrobras. A estatal s&oacute; pode atuar em acordo com a Funda&ccedil;&atilde;o Nacional do &Iacute;ndio. <\/p>\n<p> Na Amaz&ocirc;nia nunca houve acidentes graves da Petrobras, cujos esfor&ccedil;os e abertura ao di&aacute;logo s&atilde;o reconhecidos por ambientalistas. Por&eacute;m, a empresa enfrenta forte resist&ecirc;ncia nacional e internacional por outro projeto amaz&ocirc;nico, no Equador. Nesse pa&iacute;s a companhia ganhou a concess&atilde;o para explorar petr&oacute;leo em uma &aacute;rea do Parque Nacional Yasuni, de grande biodiversidade, habitada pelos ind&iacute;genas huaorani e amea&ccedil;ada pela atividade de v&aacute;rias multinacionais do petr&oacute;leo. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manaus, 25\/05\/2005 &ndash; Os cuidados tomados pela Petrobras limitam os riscos ambientais de seus gasodutos na Amaz&ocirc;nia, mas confirmam a dificuldade para evitar os preju&iacute;zos sociais de grandes projetos no meio da pobreza. O pleno aproveitamento do g&aacute;s natural descoberto em 1986 em Urucu, localidade isolada na selva, beneficiar&aacute; a economia e o meio ambiente amaz&ocirc;nicos, ao estimular ind&uacute;strias locais e a substitui&ccedil;&atilde;o do diesel, mais poluente e caro, trazido do sudeste do Brasil ou do exterior. Por&eacute;m, isto exige a constru&ccedil;&atilde;o de um gasoduto at&eacute; Manaus, centro industrial onde a Petrobras possui uma refinaria. 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