{"id":6312,"date":"2010-03-23T13:09:23","date_gmt":"2010-03-23T13:09:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6312"},"modified":"2010-03-23T13:09:23","modified_gmt":"2010-03-23T13:09:23","slug":"destaques-o-caribe-treme","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/03\/america-latina\/destaques-o-caribe-treme\/","title":{"rendered":"DESTAQUES: O Caribe treme"},"content":{"rendered":"<p>KINGSTON, 23\/03\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- O terremoto haitiano foi uma lembran\u00e7a de que o pitoresco Caribe \u00e9 uma das zonas geol\u00f3gicas mais ativas do planeta.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_6312\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/467_5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6312\" class=\"size-medium wp-image-6312\" title=\"Uma rua de Kingston ap\u00f3s o terremoto de 1907 - Cortesia da Biblioteca Nacional da Jamaica\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/467_5.jpg\" alt=\"Uma rua de Kingston ap\u00f3s o terremoto de 1907 - Cortesia da Biblioteca Nacional da Jamaica\" width=\"200\" height=\"161\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6312\" class=\"wp-caption-text\">Uma rua de Kingston ap\u00f3s o terremoto de 1907 - Cortesia da Biblioteca Nacional da Jamaica<\/p><\/div>  Conhecida por seus furac\u00f5es, a regi\u00e3o que se estende das Ilhas Caim\u00e3, no oeste, at\u00e9 a cadeia de ilhas de Barlavento e Sotavento, no leste, se assenta em um dos principais cintur\u00f5es s\u00edsmicos terrestres. Com sete mil ilhas, ilhotas e recifes, o Caribe tem faixas marinhas de grande profundidade e zonas de falhas tect\u00f4nicas, cujas press\u00f5es produzem terremotos como o que afetou o Haiti no dia 12 de janeiro. \u201cO Caribe \u00e9 muito complicado. Tem uma variedade de placas tect\u00f4nicas em uma regi\u00e3o muito reduzida\u201d, afirma o geof\u00edsico Jian Lin, da Institui\u00e7\u00e3o Oceanogr\u00e1fica Woods Hole, com sede nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>O furac\u00e3o que derrubou Porto Pr\u00edncipe, capital haitiana, foi um dos mais destrutivos do Caribe e levou os governos vizinhos a se mobilizarem para a preven\u00e7\u00e3o. Segundo Joan Latchman, especialista em Sismologia do Centro de Pesquisas S\u00edsmicas da University of the West Indies (Universidade das \u00cdndias Ocidentais), os tremores fort\u00edssimos s\u00e3o parte da hist\u00f3ria caribenha. \u201c\u00c9 um perigo real&#8230; o que vimos continuar\u00e1 porque as placas continuam se movimentando\u201d, disse.<\/p>\n<p>A Jamaica teve sua cota. Em 1692, a ent\u00e3o capital Port Royal, a leste de Kingston, foi destru\u00edda por um terremoto. O que resta dela \u00e9 uma tranquila aldeia de pescadores. Em 1907, foi a vez de Kingston. A associa\u00e7\u00e3o de engenheiros da Jamaica afirma que pelo menos 70% de suas estruturas seriam gravemente afetadas ou destru\u00eddas se ocorrer um terremoto como o de 27 de fevereiro no Chile, de 8,8 graus na escala Richter. O c\u00f3digo de constru\u00e7\u00e3o tem 102 anos e foi redigido um ano depois do terremoto de 1907.<\/p>\n<p>Em 1983, essa norma foi revista, mas o novo texto n\u00e3o foi completado nem obteve for\u00e7a legal, explicou ao Terram\u00e9rica o engenheiro Noel DaCosta. A tarefa de redigir um novo c\u00f3digo foi retomada em 2003 e j\u00e1 est\u00e1 finalizada. \u201cO que queremos \u00e9 um acordo para transform\u00e1-lo em lei, do contr\u00e1rio voltaremos \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de 1983\u201d, disse. Contudo, a norma de 1908 estabelece que o a\u00e7o deve fazer parte das estruturas de constru\u00e7\u00e3o civil. Por\u00e9m, muitas construtoras estrangeiras aplicam suas pr\u00f3prias normas de constru\u00e7\u00e3o, segundo DaCosta.<\/p>\n<p>Para o veterano ambientalista e jornalista John Maxwell, o verdadeiro risco \u00e9 a localiza\u00e7\u00e3o dos edif\u00edcios jamaicanos. \u201cA maior parte da plan\u00edcie de Liguanea \u2013 onde fica Kingston \u2013 \u00e9 um dep\u00f3sito de argila aluvial com muita \u00e1gua. Boa parte dessa forma\u00e7\u00e3o \u00e9 muito inst\u00e1vel\u201d, disse ao Terram\u00e9rica. Ent\u00e3o, o problema da Jamaica \u201cn\u00e3o \u00e9 os pr\u00e9dios desmoronarem, mas afundarem no solo. Poderiam ser tragados\u201d, acrescentou Maxwell.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico de Latchman para o Caribe \u00e9 \u201cgrande densidade populacional em uma zona de tremores e com m\u00e1s constru\u00e7\u00f5es\u201d. Por isso, recomenda olhar o que faz o Jap\u00e3o. Nesse pa\u00eds h\u00e1 \u201cterremotos de grande magnitude com mais regularidade do que aqui, mas n\u00e3o se v\u00ea este tipo de desastre, porque aprenderam e adaptaram seu desenvolvimento a esse perigo\u201d. Nenhuma ilha do Caribe oriental est\u00e1 a mais de 200 quil\u00f4metros de zonas que sofrem grandes terremotos e danos consequentes.<\/p>\n<p>Em 2004, esta realidade chegou \u00e0 Dominica. No dia 21 de novembro um terremoto causou grandes deslizamentos de lama em uma \u00e1rea que havia sofrido intensas chuvas. Agora que o Haiti chora a morte de mais de 220 mil pessoas, o governo de Dominica decidiu reformar suas normas para constru\u00e7\u00f5es. \u201cNosso c\u00f3digo est\u00e1 destinado sobretudo a suportar furac\u00f5es. Agora tentamos dar aten\u00e7\u00e3o \u00e0 preven\u00e7\u00e3o de desmoronamentos por tremores de terra, mas construir pr\u00e9dios \u00e0 prova de terremotos exige uma enorme tecnologia e \u00e9 muito caro\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o ministro do Interior, Charles Savarin.<\/p>\n<p>Em Trinidad e Tobago, a situa\u00e7\u00e3o das constru\u00e7\u00f5es civis pode ser t\u00e3o ruim como a do Haiti. \u201cSe formos atingidos por um furac\u00e3o de magnitude 8, tr\u00eas quartos dos edif\u00edcios viriam abaixo\u201d, segundo o acad\u00eamico em Engenharia Civil Richard Clarke, da University of West Indies. A ind\u00fastria petroqu\u00edmica, que domina a economia de Trinidad, seria outra grave v\u00edtima. O chefe do escrit\u00f3rio de preven\u00e7\u00e3o e manejo de desastres, George Robinson, prev\u00ea grandes explos\u00f5es e violentos inc\u00eandios por causa dos vazamentos de g\u00e1s natural das tubula\u00e7\u00f5es e gasodutos que atravessam a ilha. Isso tamb\u00e9m criaria \u201cnuvens de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas\u201d, afirmou. Embora n\u00e3o haja estimativas oficiais, Clarke calcula que morreriam pelo menos 30 mil pessoas e o n\u00famero de feridos chegaria a dezenas de milhares.<\/p>\n<p>As Ilhas Caim\u00e3, que t\u00eam o menor risco, contam, h\u00e1 tr\u00eas anos, com uma rede de quatro esta\u00e7\u00f5es de controle s\u00edsmico. As autoridades locais preveem que este sistema, instalado em locais seguros, se conecte no futuro a uma grande rede caribenha de monitoramento s\u00edsmico que forne\u00e7a informa\u00e7\u00e3o imediata. Nos \u00faltimos 500 anos, foram registrados 105 maremotos no Caribe e \u00e1reas adjacentes. Hoje, com 20 milh\u00f5es de caribenhos vivendo neste destino tur\u00edstico e um grande terremoto a cada 50 anos, os cientistas alertam que n\u00e3o se trata de dizer se ocorrer\u00e1, ou n\u00e3o, um grande tsunami, mas quando.<\/p>\n<p>A 5\u00aa Reuni\u00e3o do Grupo Intergovernamental de Coordena\u00e7\u00e3o do Sistema de Alerta Contra Tsunamis e Outras Amea\u00e7as Costeiras no Caribe e Regi\u00f5es Adjacentes, realizada em Man\u00e1gua entre 13 e 17 deste m\u00eas, decidiu organizar uma simula\u00e7\u00e3o de maremoto em mar\u00e7o do ano que vem.<\/p>\n<p>* A autora \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>KINGSTON, 23\/03\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- O terremoto haitiano foi uma lembran\u00e7a de que o pitoresco Caribe \u00e9 uma das zonas geol\u00f3gicas mais ativas do planeta. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/03\/america-latina\/destaques-o-caribe-treme\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":112,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12],"tags":[14],"class_list":["post-6312","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/112"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6312"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6312\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}