{"id":632,"date":"2005-05-27T00:00:00","date_gmt":"2005-05-27T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=632"},"modified":"2005-05-27T00:00:00","modified_gmt":"2005-05-27T00:00:00","slug":"oea-novo-secretrio-geral-busca-voz-prpria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/oea-novo-secretrio-geral-busca-voz-prpria\/","title":{"rendered":"OEA: Novo secret&aacute;rio-geral busca voz pr&oacute;pria"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 27\/05\/2005 &ndash; O novo secret&aacute;rio-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos, o chileno Jos&eacute; Miguel insulza, defendeu esta semana a cria&ccedil;&atilde;o de &quot;mecanismos pr&aacute;ticos e objetivos&quot; para medir o respeito de seus membros &aacute; Carta Democr&aacute;tica Interamericana, adotada em 2001. Insulza, eleito por maioria de 31 votos a favor, duas absten&ccedil;&otilde;es e um voto em branco, destacou que tais mecanismos deveriam incluir os 34 membros do f&oacute;rum hemisf&eacute;rico e basear-se no &quot;di&aacute;logo&quot;, mais do que na &quot;interven&ccedil;&atilde;o&quot;. Sua chegada &agrave; dire&ccedil;&atilde;o da OEA ocorre em um cen&aacute;rio de crescentes tens&otilde;es entre Estados Unidos e Venezuela, cujo &uacute;ltimo cap&iacute;tulo se centra na extradi&ccedil;&atilde;o reclamada por Caracas do terrorista cubano Luis Posadas Carriles, detido nos Estados Unidos por quest&otilde;es migrat&oacute;rias.<br \/> <!--more--> <br \/> O ex-ministro do Interior do Chile e primeiro chefe da OEA abertamente de esquerda, tamb&eacute;m prop&ocirc;s e elabora&ccedil;&atilde;o imediata de uma &quot;carta social&quot; interamericana como forma de impulsionar a governabilidade democr&aacute;tica e de mostrar que a democracia &eacute; capaz de responder &quot;&agrave;s necessidades mais urgentes da cidadania&quot;. Uma id&eacute;ia semelhante, lan&ccedil;ada por Ch&aacute;vez foi desenvolvida em sucessivas reuni&otilde;es de organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais e movimentos sociais latino-americanos. &quot;Os direitos sociais est&atilde;o intrinsecamente ligados aos pol&iacute;ticos e ao direito de associa&ccedil;&atilde;o&quot;, afirmou Insulza no sal&atilde;o principal da sede da OEA em Washington, a algumas centenas de metros do edif&iacute;cio do Departamento de Estado e da Casa Branca.<\/p>\n<p> Com or&ccedil;amento anual de US$ 80 milh&otilde;es, 60% financiados pelos Estados Unidos, a OEA foi por muito tempo pouco mais do que o instrumento multilateral favorito de Washington para impor suas pol&iacute;ticas regionais e sua agenda estrat&eacute;gica ao resto do continente. Nos &uacute;ltimos tempos, parece ter se tornado mais marginal quanto aos assuntos hemisf&eacute;ricos. Isto se deve, em parte, ao desinteresse do governo de George W. Bush no continente americano e &agrave; traum&aacute;tica transi&ccedil;&atilde;o entre o firme mandato do ex-presidente colombiano C&eacute;sar Gaviria, que dirigiu a OEA por 10 anos at&eacute; 2004, e a posse de Insulza.<\/p>\n<p> O ex-presidente da Costa Rica, Miguel Angel Rodr&iacute;guez, foi eleito no ano passado para suceder Gaviria, mas, renunciou em outubro, tr&ecirc;s semanas ap&oacute;s assumir o cargo, procurado pela Justi&ccedil;a de seu pa&iacute;s por atos de corrup&ccedil;&atilde;o durante seu mandato (1998-2002), e imediatamente preso ao chegar a San Jos&eacute;. Insulza foi o &uacute;ltimo em uma corrida de tr&ecirc;s aspirantes que inclu&iacute;a o preferido de Washington, o direitista e ex-presidente salvadorenho, Francisco Flores, e o chanceler mexicano, Luis Ernesto Derbez. Flores, que contava com pouco mais que o apoio de Washington e da maioria das na&ccedil;&otilde;es centro-americanas, se retirou da disputa no dia 8 de abril.<\/p>\n<p> A partir de ent&atilde;o, Derbez, com apoio dos Estados da bacia do Caribe mais pr&oacute;ximos dos Estados Unidos e da pr&oacute;pria Casa Branca, e Insulza, com a maior parte das na&ccedil;&otilde;es sul-americanas e caribenhas de l&iacute;ngua inglesa, empataram em cinco rodadas com 17 votos cada um. Durante sua viagem &aacute; Am&eacute;rica do Sul no final de abril, a secret&aacute;ria de Estado, Condoleezza Rice, acabou com o beco sem sa&iacute;da convencendo Derbez a desistir. A jogada foi vista como uma a&ccedil;&atilde;o pragm&aacute;tica, por analistas de Washington que criticaram o apoio inicial a Flores, acionado pelos setores anticastristas encabe&ccedil;ados pelo secret&aacute;rio-adjunto de Estado para Assuntos do Hemisf&eacute;rio Ocidental, Roger Noriega, e seu antecessor, Otto Reich.<\/p>\n<p> Rice &quot;teve um papel muito pragm&aacute;tico e compreens&iacute;vel, e os latino-americanos se contentaram com o resultado, especialmente porque ela realizou consultas amplas&quot;, segundo Peter Hakim, presidente do Di&aacute;logo Interamericano, um influente instituto de estudos com sede em Washington. Entretanto, a vit&oacute;ria de Insulza foi vista como uma significativa derrota simb&oacute;lica para o governo Bush e um &quot;sinal claro&quot; de que &quot;a influ&ecirc;ncia dos Estados Unidos no hemisf&eacute;rio est&aacute; diminuindo&quot;, segundo o jornal The Wall Street Journal. &quot;Este voto &eacute; um indicativo de que o peso dos Estados Unidos, em termos diplom&aacute;ticos, est&aacute; se reduzindo notavelmente sob o governo Bush&quot;, disse ao jornal o especialista em Am&eacute;rica Latina, Bruce Bagley, da Universidade de Miami.<\/p>\n<p> O fato de Insulza ser o primeiro secret&aacute;rio-geral da OEA sem ter a prefer&ecirc;ncia de Washington alimenta, segundo alguns observadores, certa esperan&ccedil;a de que esteja em posi&ccedil;&atilde;o de restaurar a estatura da organiza&ccedil;&atilde;o e de forjar consenso em uma regi&atilde;o muito dividida em certos aspectos, como mostrou a disputa pela secretaria-geral. &quot;&Eacute; importante que este seja um homem de estatura, que foi proposto pelos pa&iacute;ses latino-americanos, n&atilde;o pelos Estados Unidos. E &eacute; importante que os Estados Unidos tenham ouvido, finalmente, seus pares no hemisf&eacute;rio&quot;, afirmou o diretor do Escrit&oacute;rio para a Am&eacute;rica Latina em Washington, Joy Olson, uma organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental defensora dos direitos humanos.<\/p>\n<p> Talvez, o principal desafio para Insulza a curto prazo seja definir at&eacute; que ponto Washington permanecer&aacute; na postura de escutar, em especial no que se refere &agrave;s rela&ccedil;&otilde;es com o governo venezuelano de Hugo Ch&aacute;vez. Desde a elei&ccedil;&atilde;o de Insulza, noriega insiste em uma proposta para criar um novo &oacute;rg&atilde;o dentro da OEA destinado a fiscalizar o respeito das na&ccedil;&otilde;es-membros &agrave; carta democr&aacute;tica, o que &eacute; visto pela maioria dos diplomatas e analistas como uma tentativa de isolar Ch&aacute;vez. De fato, Noriega e os meios de comunica&ccedil;&atilde;o norte-americanos descreveram uma declara&ccedil;&atilde;o feita por Insulza, que parecia apoiar tal iniciativa, como a raz&atilde;o central pela qual Rice retirou seu apoio a Derbez.<\/p>\n<p> Durante uma entrevista coletiva com Rice em Santiago, Insulza disse que a OEA deveria ampliar sua miss&atilde;o e come&ccedil;ar a &quot;substituir governos que n&atilde;o sejam democraticamente respons&aacute;veis&quot; por seus atos. Em uma mensagem via e-mail interno &agrave;s embaixadas norte-americanas, posteriormente obtido pelo jornal The Nova York Times, Noriega afirmou que &quot;Insulza aceitou, sem pestanejar, nossa exorta&ccedil;&atilde;o de que faria uma declara&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica se referindo ao perigo de Ch&aacute;vez&quot;. Em declara&ccedil;&otilde;es nesta quinta-feira, Insulza se referiu, embora muito diplomaticamente, &agrave; iniciativa, ressaltando que a cl&aacute;usula democr&aacute;tica &quot;foi subscrita para ser cumprida. A carta democr&aacute;tica n&atilde;o &eacute; mais uma declara&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p> Portanto, s&atilde;o necess&aacute;rios &quot;mecanismos objetivos e pr&aacute;ticos que nos permitam avaliar o funcionamento da democracia nos Estados-membros. Corresponde aos pa&iacute;ses-membros estabelecer em comum acordo os mecanismos para implementar as obriga&ccedil;&otilde;es da carta&quot;, acrescentou. Na Am&eacute;rica Latina, esse interesse n&atilde;o se refere particularmente &agrave; Venezuela, mas a outras democracias que demonstram grande debilidade e instabilidade. Por exemplo, a Bol&iacute;via, cujo presidente foi derrubado em 2003 e agora atravessa uma nova crise pela explora&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo, e o Equador, cujo presidente foi destitu&iacute;do em abril pelo parlamento mediante um mecanismo que n&atilde;o se apegava &agrave;s normas constitucionais e em meio a manifesta&ccedil;&otilde;es e dist&uacute;rbios.<\/p>\n<p> Em uma entrevista coletiva realizada logo ap&oacute;s assumir o cargo, Insulza reitero a import&acirc;ncia de criar tal mecanismo, mas, voltou a ressaltar que deve ser &quot;volunt&aacute;rio&quot; e &quot;participativo&quot;. &quot;Quero criar um di&aacute;logo pol&iacute;tico para encontrar um caminho poss&iacute;vel&quot;, disse, insistindo em afirmar que n&atilde;o buscava &quot;um instrumento para chegar de modo intervencionista a um pa&iacute;s e dizer: em uma escala de um a 10 voc&ecirc; recebe seis, assim, faremos isso e aquilo. A OEA n&atilde;o &eacute; um sistema presidencialista, &eacute; um sistema parlamentar&quot;, ressaltou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 27\/05\/2005 &ndash; O novo secret&aacute;rio-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos, o chileno Jos&eacute; Miguel insulza, defendeu esta semana a cria&ccedil;&atilde;o de &quot;mecanismos pr&aacute;ticos e objetivos&quot; para medir o respeito de seus membros &aacute; Carta Democr&aacute;tica Interamericana, adotada em 2001. Insulza, eleito por maioria de 31 votos a favor, duas absten&ccedil;&otilde;es e um voto em branco, destacou que tais mecanismos deveriam incluir os 34 membros do f&oacute;rum hemisf&eacute;rico e basear-se no &quot;di&aacute;logo&quot;, mais do que na &quot;interven&ccedil;&atilde;o&quot;. Sua chegada &agrave; dire&ccedil;&atilde;o da OEA ocorre em um cen&aacute;rio de crescentes tens&otilde;es entre Estados Unidos e Venezuela, cujo &uacute;ltimo cap&iacute;tulo se centra na extradi&ccedil;&atilde;o reclamada por Caracas do terrorista cubano Luis Posadas Carriles, detido nos Estados Unidos por quest&otilde;es migrat&oacute;rias.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/oea-novo-secretrio-geral-busca-voz-prpria\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-632","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/632","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=632"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/632\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=632"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=632"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=632"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}