{"id":6335,"date":"2010-03-29T15:47:20","date_gmt":"2010-03-29T15:47:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6335"},"modified":"2010-03-29T15:47:20","modified_gmt":"2010-03-29T15:47:20","slug":"populacao-quando-a-urbanizacao-nao-e-progresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/03\/america-latina\/populacao-quando-a-urbanizacao-nao-e-progresso\/","title":{"rendered":"POPULA\u00c7\u00c3O: Quando a urbaniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 progresso"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 29\/03\/2010 &ndash; Colapso ou d\u00e9ficit de servi\u00e7os b\u00e1sicos, aglomera\u00e7\u00e3o, polui\u00e7\u00e3o. Estes s\u00e3o problemas das grandes cidades que, longe de serem resolvidos nos pa\u00edses em desenvolvimento, s\u00e3o acentuados por outros males como a pobreza e a desigualdade.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_6335\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/94975-20102503.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6335\" class=\"size-medium wp-image-6335\" title=\" - ONU-H\u00e1bitat\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/94975-20102503.jpg\" alt=\" - ONU-H\u00e1bitat\" width=\"200\" height=\"112\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6335\" class=\"wp-caption-text\"> - ONU-H\u00e1bitat<\/p><\/div>  Segundo o Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), o mundo tem hoje 40 \u201cmegarregi\u00f5es\u201d urbanas, onde vive 18% da popula\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m concentram 66% da atividade econ\u00f4mica e 85% dos avan\u00e7os cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>Mas esses par\u00e2metros de \u201cprogresso\u201d, que deram lugar a inumer\u00e1veis \u00eaxodos do campo para a cidade, n\u00e3o se expressam da mesma maneira nos dados finais de desenvolvimento humano, segundo conclus\u00e3o, em v\u00e1rios espa\u00e7os de discuss\u00e3o, dos participantes do V F\u00f3rum Urbano Mundial. No encontro, que termina hoje no Rio de Janeiro, os expositores chamaram a aten\u00e7\u00e3o para outro agravante: a incorpora\u00e7\u00e3o a cada ano de 70 milh\u00f5es de pessoas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o urbana global. Desse crescimento, 90% ocorre em pa\u00edses em desenvolvimento, segundo o Banco Mundial, e a uma velocidade entre cinco e dez vezes maior do que nas na\u00e7\u00f5es ricas.<\/p>\n<p>Ontem, no \u00faltimo dia debates, um informe latino-americano da ONU-Habitat apresentou novamente esse fen\u00f4meno: o processo de urbaniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o contribuiu para melhorar a vida das pessoas. O documento \u201cO estado das cidades na Am\u00e9rica Latina\u201d recorda que \u201cas atividades econ\u00f4micas baseadas no urbano\u201d representam mais de 50% do produto bruto mundial, e mais de 80% do dos pa\u00edses mais urbanizados desta regi\u00e3o. Suas cidades s\u00e3o concentradoras de riqueza, poder, comunica\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia, tecnologia e cultura. Mas tamb\u00e9m das formas mais dram\u00e1ticas de desigualdade social, destaca o estudo.<\/p>\n<p>Um quarto dos 471 milh\u00f5es de pessoas que vivem em cidades latino-americanas est\u00e1 em assentamentos prec\u00e1rios, as favelas no Brasil, vilas mis\u00e9rias na Argentina, ou bairros de tug\u00farios, segundo algumas das ricas formas de nome\u00e1-los na regi\u00e3o. O estudo regional complementa outro de alcance global, tamb\u00e9m apresentado no encontro, que estabelece em 827,6 milh\u00f5es a quantidade de pessoas que vivem em assentamentos prec\u00e1rios em todo o mundo, setor da popula\u00e7\u00e3o que cresce 10% ao ano.<\/p>\n<p>Para o Banco Mundial, s\u00e3o necess\u00e1rios mais investimentos para melhorar os servi\u00e7os b\u00e1sicos e as condi\u00e7\u00f5es de moradia, bem como para gerar empregos. Nas palavras do seu diretor-gerente, Juan Jos\u00e9 Daboub, trata-se de \u201ccolocar os pobres no mapa\u201d. \u201cMelhorar as condi\u00e7\u00f5es de moradia dos pobres\u201d \u00e9 uma prioridade, disse a chefe do escrit\u00f3rio regional da ONU-Habitat para Am\u00e9rica Latina e o Caribe, Cecilia Martinez. \u201cCoordena\u00e7\u00e3o\u201d, \u201calian\u00e7as\u201d, \u201cconex\u00f5es\u201d, entre outros governos centrais, estaduais, municipais, com a sociedade civil e o setor privado foram mencionados uma e outra vez como chave da solu\u00e7\u00e3o para os problemas urbanos.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preciso coordena\u00e7\u00e3o para resolver os problemas das chamadas \u201ccidades sem fim\u201d, definidas pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas como megarregi\u00f5es, ou corredores urbanos que se expandem, entrela\u00e7ando-se entre si para constituir uma nova e n\u00e3o catalogada cartografia, disse \u00e0 IPS Agostinho Guerreiro, presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio de Janeiro. As Na\u00e7\u00f5es Unidas d\u00e3o como exemplo o corredor populacional de Hong Kong-Shenzhen-Guangzhou, que abriga cerca de 120 milh\u00f5es de habitantes no sudeste da China.<\/p>\n<p>No Brasil, estaria em processo de forma\u00e7\u00e3o uma esp\u00e9cie de monstro urbano de v\u00e1rias cabe\u00e7as, entre as capitais do Rio de Janeiro e de S\u00e3o Paulo, com cerca de 43 milh\u00f5es de pessoas. Guerreiro identifica dentro dessa grande \u00e1rea uma megarregi\u00e3o compreendida por v\u00e1rias cidades do Rio que se interligam a partir da capital e t\u00eam problemas e poss\u00edveis solu\u00e7\u00f5es comuns, como o transporte. \u201cTemos cerca de 15 cidades metropolitanas nessas condi\u00e7\u00f5es, e ainda n\u00e3o temos um planejamento centralizado, um suprapoder que supere esses munic\u00edpios e que, por exemplo, possa executar um plano de transporte integrado\u201d, disse Guerreiro.<\/p>\n<p>Para Guillermo Tapia Nicola, secret\u00e1rio-executivo da Federa\u00e7\u00e3o Latino-Americana de Cidades, Munic\u00edpios e Associa\u00e7\u00f5es de Governos Municipais, o problema mais grave \u00e9 a falta de financiamento para projetos locais e come\u00e7a no \u00e2mbito municipal. Os \u00f3rg\u00e3os multilaterais como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento seguem a l\u00f3gica \u201cmonopolista\u201d dos governos centrais, disse Tapia Nicola \u00e0 IPS. Para ele, \u00e9 fundamental que os 16 mil munic\u00edpios latino-americanos tenham acesso a pr\u00e1ticas e experi\u00eancias de sucesso em conhecimento cientifico para o desenvolvimento urbano.<\/p>\n<p>Um painel realizado no contexto do f\u00f3rum, \u201cReduzindo a vulnerabilidade com acesso universal aos servi\u00e7os b\u00e1sicos\u201d, buscou precisamente essa \u201calian\u00e7a\u201d de a\u00e7\u00f5es e interesses, com patroc\u00ednio do Instituto das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Forma\u00e7\u00e3o Profissional e Pesquisa (Unitar). Gabriel Arellano, prefeito da cidade mexicana de Aguascalientes, contou que nos \u00faltimos anos o abastecimento de \u00e1gua pot\u00e1vel chegou a 95% dos 800 mil habitantes, 10% a mais do que a m\u00e9dia nacional.<\/p>\n<p>Isso foi poss\u00edvel com um programa-piloto da ONU-Habitat e da Unitar que estabeleceu subs\u00eddios cruzados que beneficiaram os usu\u00e1rios mais pobres de Aguascalientes, capital do Estado de mesmo nome no centro do M\u00e9xico. O projeto conseguiu, inclusive, reduzir as perdas de \u00e1gua do sistema de 70% para 30% do total fornecido, mesmo com crescimento da popula\u00e7\u00e3o, segundo Arellano. Outros exemplos s\u00e3o as \u201cjuntas de \u00e1gua\u201d comunit\u00e1rias que funcionam em v\u00e1rios pa\u00edses, como o Paraguai, para fornecer \u00e1gua e saneamento a popula\u00e7\u00f5es exclu\u00eddas por meio da organiza\u00e7\u00e3o dos moradores. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 29\/03\/2010 &ndash; Colapso ou d\u00e9ficit de servi\u00e7os b\u00e1sicos, aglomera\u00e7\u00e3o, polui\u00e7\u00e3o. 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