{"id":6397,"date":"2010-04-12T16:05:55","date_gmt":"2010-04-12T16:05:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6397"},"modified":"2010-04-12T16:05:55","modified_gmt":"2010-04-12T16:05:55","slug":"ruanda-onu-recorda-o-impossivel-de-esquecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/04\/africa\/ruanda-onu-recorda-o-impossivel-de-esquecer\/","title":{"rendered":"RUANDA: ONU recorda o imposs\u00edvel de esquecer"},"content":{"rendered":"<p>Nova York, 12\/04\/2010 &ndash; O secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Ban Ki-moon, prometeu que a comunidade internacional nunca mais ficaria de bra\u00e7os cruzados diante de um massacre como o cometido h\u00e1 16 anos contra a popula\u00e7\u00e3o civil de Ruanda. <!--more--> A resist\u00eancia de numerosos membros do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU dificultou o trabalho da Miss\u00e3o de Assist\u00eancia a esse pa\u00eds, o que impediu que centenas de milhares de vidas fossem salvas. \u201cComo tudo teria sido diferente se a comunidade internacional tivesse agido de forma correta e a tempo\u201d, disse Ban. \u201cA melhor forma de recordar os que perderam a vida de forma tr\u00e1gica em Ruanda \u00e9 comprometer nossa determina\u00e7\u00e3o e evitar outro genoc\u00eddio\u201d, disse na semana passada, quando as Na\u00e7\u00f5es Unidas recordaram o massacre de 1994.<\/p>\n<p>No dia 6 de abril daquele ano, a guarda presidencial, o ex\u00e9rcito, a pol\u00edcia e conhecidos empres\u00e1rios ruandeses instigaram a morte de integrantes da etnia tutsi e hutus moderados. Cerca de 800 mil pessoas foram assassinadas com machados, pistolas, paus e com simples for\u00e7a bruta em menos de cem dias. A cerim\u00f4nia deste ano, organizada em conjunto com a Miss\u00e3o Permanente em Ruanda, contou com velas e um espet\u00e1culo musical com participa\u00e7\u00e3o de jovens ruandeses e m\u00fasicos internacionais, e foi projetado o document\u00e1rio \u201cAs we forgive\u201d.<\/p>\n<p>Os sobreviventes e os ruandeses, em geral, continuam sentindo as consequ\u00eancias do genoc\u00eddio, 16 anos depois, destacou Eug\u00e8ne-Richard Gasana, representante permanente de Ruanda na ONU. \u201cAinda \u00e9 necess\u00e1rio expandir a capacidade dos programas para tratar problemas psicol\u00f3gicos e investir em novos que ajudem a superar traumas subjacentes\u201d, disse. \u201cEnfrentamos o desafio da reconcilia\u00e7\u00e3o de nosso povo, da reconstru\u00e7\u00e3o da nossa economia e da restaura\u00e7\u00e3o de nossa dignidade e nosso amor pr\u00f3prio\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>A comunidade internacional deve aprender com seus fracassos em Ruanda, Camboja e na localidade b\u00f3snia de Srebrenica, afirmou Edward Luck, assessor especial para responsabilidade de proteger. \u201cTemos de entender que a responsabilidade de proteger \u00e9 permanente, \u00e9 dos governos, dos grupos armados, das organiza\u00e7\u00f5es internacionais e das pessoas\u201d, ressaltou. \u201cTer de reconhecer que ainda nos esfor\u00e7amos para encontrar formas mais seguras de evitar um genoc\u00eddio e promover a responsabilidade de proteger faz pensar\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Em janeiro de 2009, Ban divulgou um documento detalhando tr\u00eas elementos importantes da responsabilidade de proteger: o Estado, a assist\u00eancia internacional e a constru\u00e7\u00e3o de capacidades para saber dar uma resposta decisiva no momento preciso. \u201cO debate sobre os tr\u00eas pilares continuar\u00e1. Mas a comunidade internacional adota uma postura firme e solid\u00e1ria contra o genoc\u00eddio, os crimes de guerra e contra a humanidade e a limpeza \u00e9tnica\u201d, disse Ban. Antes de prevenir \u00e9 preciso criar sistemas de controle e mecanismos de alerta para intervir de imediato, disse \u00e0 IPS Gasana, referindo-se aos tr\u00eas pilares. \u201c\u00c9 uma quest\u00e3o de lideran\u00e7a. Temos de envolver todo mundo, pois vivemos em uma aldeia global. \u00c9 s\u00f3 sentar e conversar, simples assim, sem preconceitos\u201d, disse.<\/p>\n<p>O Tribunal Penal Internacional para Ruanda proferiu as tr\u00eas primeiras senten\u00e7as da hist\u00f3ria para um \u00f3rg\u00e3o desse tipo. \u201cEssa e outras medidas judiciais enviaram uma mensagem clara aos genocidas e a quem tentar cometer a\u00e7\u00f5es semelhantes. Simplesmente, seus crimes atrozes n\u00e3o ficar\u00e3o impunes\u201d, disse Gasana. Tamb\u00e9m d\u00e1 esperan\u00e7a aos sobreviventes de massacres como a ruandesa Jacqueline Murekatete, que perdeu sua fam\u00edlia quando tinha nove anos.<\/p>\n<p>Murekatete compartilhou sua experi\u00eancia de integrante da etnia tutsi que viveu em um pa\u00eds onde sua origem era um crime punido com a morte. \u201cHoje lembro o inesquec\u00edvel dia em que fiquei sabendo que minha fam\u00edlia tinha sido levada para fora de casa e arrastada at\u00e9 um rio pr\u00f3ximo aonde assassinaram a todos como se fossem animais\u201d, contou. \u201cAinda recordo as noites em que ouvia o choro de meninos e meninas que tiveram bra\u00e7os e pernas arrancados\u201d, acrescentou. A matan\u00e7a deixou mais de um milh\u00e3o de \u00f3rf\u00e3os em Ruanda.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o genoc\u00eddio, esse pa\u00eds teve a maior propor\u00e7\u00e3o de chefes de fam\u00edlia menores, cerca de 42 mil lares onde foram criados aproximadamente 101 mil meninas e meninos. Entre 100 mil e 250 mil mulheres foram violentadas nos tr\u00eas meses que durou o genoc\u00eddio e muitas foram infectadas com o v\u00edrus HIV, causador da aids. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova York, 12\/04\/2010 &ndash; O secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Ban Ki-moon, prometeu que a comunidade internacional nunca mais ficaria de bra\u00e7os cruzados diante de um massacre como o cometido h\u00e1 16 anos contra a popula\u00e7\u00e3o civil de Ruanda. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/04\/africa\/ruanda-onu-recorda-o-impossivel-de-esquecer\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":766,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,6,11],"tags":[],"class_list":["post-6397","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-direitos-humanos","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6397","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/766"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6397"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6397\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6397"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6397"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6397"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}