{"id":642,"date":"2005-05-31T00:00:00","date_gmt":"2005-05-31T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=642"},"modified":"2005-05-31T00:00:00","modified_gmt":"2005-05-31T00:00:00","slug":"unio-europia-a-constituio-pode-estar-morte-a-ue-no","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/unio-europia-a-constituio-pode-estar-morte-a-ue-no\/","title":{"rendered":"Uni&atilde;o Europ&eacute;ia: A Constitui&ccedil;&atilde;o pode estar &agrave; morte, a UE, n&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Bruxelas, 31\/05\/2005 &ndash; O futuro da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia parecia incerto nesta segunda-feira, quando o continente europeu despertou com a not&iacute;cia de que a Fran&ccedil;a havia rejeitado em referendo a proposta de Constitui&ccedil;&atilde;o para o bloco. O panorama piora pela imin&ecirc;ncia, no referendo na Holanda que acontecer&aacute; nesta quarta-feira, de uma nova derrota para o Tratado Constitucional estabelecido no ano passado pelos chefes de Estado e governo. Aproximadamente 55% dos eleitores franceses recha&ccedil;aram, no domingo, nas urnas, o projeto do tratado, o que jogou a UE em uma crise pol&iacute;tica sem precedentes. Setenta por cento dos cidad&atilde;os habilitados participaram da consulta. Foi a primeira vez que um integrante do bloco &#8211; e neste caso um dos principais, por sua popula&ccedil;&atilde;o e peso econ&ocirc;mico &#8211; rejeita diretamente o processo constitucional.<br \/> <!--more--> <br \/> A reda&ccedil;&atilde;o do Tratado Constitucional foi finalizada no ano passado pela Conven&ccedil;&atilde;o Europ&eacute;ia, dirigida pelo ex-presidente franc&ecirc;s Valery Giscard d?Estaing, e aceita pelos chefes de Estado e governo. Entre os objetivos da Carta figura a adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es europ&eacute;ias depois da admiss&atilde;o de 10 novos membros em 204. At&eacute; agora, nove dos 25 pa&iacute;ses aderiram formalmente ao Tratado (Alemanha, &Aacute;ustria, Eslov&aacute;quia, Eslov&ecirc;nia, Espanha, Gr&eacute;cia, Hungria, It&aacute;lia e Litu&acirc;nia). O mecanismo de ratifica&ccedil;&atilde;o varia de Estado para Estado: pode ser atrav&eacute;s de um referendo (como nos casos de Espanha, Fran&ccedil;a e Holanda), por vota&ccedil;&atilde;o parlamentar ou resolu&ccedil;&atilde;o governamental.<\/p>\n<p> A Espanha foi o primeiro pa&iacute;s da UE a aprovar o Tratado Constitucional por referendo. Litu&acirc;nia, Hungria e Eslov&ecirc;nia, entre outros, o fizeram por meio de seus respectivos governos. Os pa&iacute;ses onde ainda falta realizar referendos s&atilde;o Luxemburgo, Dinamarca, Pol&ocirc;nia, Portugal, Irlanda, Gr&atilde;-Bretanha e Rep&uacute;blica Checa. A grande pergunta que muitos se fazem se chama Gr&atilde;-Bretanha, Estado que tem prevista a convoca&ccedil;&atilde;o do referendo entre mar&ccedil;o e junho de 2006 e sobre o qual todas as pesquisas j&aacute; realizadas indicam que 55% do eleitorado votariam pelo N&Atilde;O.<\/p>\n<p> De todo modo, como os 25 pa&iacute;ses devem aprovar a Constitui&ccedil;&atilde;o para que tenha for&ccedil;a de lei, a rejei&ccedil;&atilde;o francesa implica que a carta est&aacute;, tecnicamente, morta. Al&eacute;m disso, o resultado do referendo &eacute; um sinal pol&iacute;tico duplamente negativo, pois a Fran&ccedil;a &eacute; uma das for&ccedil;as-motrizes da origem da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e, tamb&eacute;m, do Tratado Constitucional. O N&Atilde;O franc&ecirc;s tamb&eacute;m significa que a Constitui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o conseguiu aproximar a UE da popula&ccedil;&atilde;o, um dos objetivos fundamentais do tratado. Agora, tanto Fran&ccedil;a quanto Uni&atilde;o Europ&eacute;ia enfrentem o dif&iacute;cil desafio pol&iacute;tico de ultrapassar o resultado do referendo para manter avan&ccedil;ando o processo constitucional.<\/p>\n<p> Segundo o Tratado Constitucional, se quatro quintos dos s&oacute;cios n&atilde;o o ratificarem e algum pa&iacute;s tiverem problemas, os chefes de Estado e de governo da UE dever&atilde;o ser os respons&aacute;veis pela ado&ccedil;&atilde;o de uma resolu&ccedil;&atilde;o a respeito. Embora os analistas advirtam que a sorte do bloco est&aacute; lan&ccedil;ada, alguns funcion&aacute;rios da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia tentaram demonstrar algum otimismo. O resultado da vota&ccedil;&atilde;o na Fran&ccedil;a constitui a oportunidade para abrir um novo ciclo de negocia&ccedil;&otilde;es, afirmaram. &quot;O tom do debate na Fran&ccedil;a e o resultado do referendo refor&ccedil;am nossa convic&ccedil;&atilde;o de que os pol&iacute;ticos nacionais e europeus devem fazer de tudo para explicar a verdadeira dimens&atilde;o do que est&aacute; em jogo&quot;, advertiram, em um comunicado conjunto, os l&iacute;deres do Parlamento Europeu e da Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia, o bra&ccedil;o executivo do bloco.<\/p>\n<p> &quot;A Europa j&aacute; conheceu momentos dif&iacute;ceis e sempre ressurgiu fortalecida, preparada para enfrentar seus desafios e suas responsabilidades. Hoje, a Europa continua, e suas institui&ccedil;&otilde;es funcionam plenamente. Sabemos das dificuldades, mas, temos confian&ccedil;a de que encontraremos a maneira de prosseguir&quot;, acrescentaram. O chefe da Pol&iacute;tica Externa da UE, Javier Solana, insistiu em dizer que n&atilde;o se deve considerar o papel internacional do bloco n&atilde;o deve ser considerado afetado pelo resultado do referendo franc&ecirc;s, e advertiu os europeus contra a possibilidade de entrarem em &quot;uma zona de paralisia psicol&oacute;gica&quot;. Alguns membros do Parlamento Europeu, &uacute;nico &oacute;rg&atilde;o comunit&aacute;rio eleito com voto popular, insistiram em afirmar que se deve manter o processo de ratifica&ccedil;&atilde;o constitucional.<\/p>\n<p> &quot;A Uni&atilde;o Europ&eacute;ia est&aacute; composta de 450 milh&otilde;es de cidad&atilde;os, e seu futuro n&atilde;o pode ser decidido apenas pelos eleitores de um Estado-membro. Devemos nos assegurar de que todos os 25 Estados se manifestem. Isso deixar&aacute; um espa&ccedil;o aberto para que a Fran&ccedil;a reflexione sobre sua decis&atilde;o&quot;, disse nesta segunda-feira o l&iacute;der do grupo europarlamentar da Alian&ccedil;a Liberal-Democrata, Graham Watson. &quot;A UE acorda de ressaca. Nosso projeto de uma uni&atilde;o da Europa politicamente forte hoje &eacute; mais dif&iacute;cil de ser concretizada?, afirmaram os euro-parlamentares verdes M&ocirc;nica Frassoni e Daniel Cohn-Bendit.<\/p>\n<p> Daniel Keohane, pesquisador do Centro para a Reforma Europ&eacute;ia com sede em Londres, afirmou que a Constitui&ccedil;&atilde;o pode estar morta, mas, acrescentou que a UE pode se recuperar do nocaute. &quot;A pergunta &eacute; como o bloco poder&aacute; se levantar depois do golpe. &Eacute;, obviamente, muito s&eacute;rio&quot;, disse Keohane &agrave; IPS. &quot;O problema &eacute; que a UE tem sido um projeto declarat&oacute;rio, com pouco compromisso com seus cidad&atilde;os. Os l&iacute;deres pol&iacute;ticos devem pensar novamente como explicar &aacute;s pessoas os benef&iacute;cios do bloco&quot;, afirmou o especialista. &quot;O paradoxo &eacute; que a maioria das pessoas critica a UE por n&atilde;o ser suficientemente democr&aacute;tica, transparente ou eficiente. E o tratado tornaria de fato a UE mais democr&aacute;tica, transparente e eficiente&quot;, acrescentou Keohane. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruxelas, 31\/05\/2005 &ndash; O futuro da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia parecia incerto nesta segunda-feira, quando o continente europeu despertou com a not&iacute;cia de que a Fran&ccedil;a havia rejeitado em referendo a proposta de Constitui&ccedil;&atilde;o para o bloco. O panorama piora pela imin&ecirc;ncia, no referendo na Holanda que acontecer&aacute; nesta quarta-feira, de uma nova derrota para o Tratado Constitucional estabelecido no ano passado pelos chefes de Estado e governo. Aproximadamente 55% dos eleitores franceses recha&ccedil;aram, no domingo, nas urnas, o projeto do tratado, o que jogou a UE em uma crise pol&iacute;tica sem precedentes. Setenta por cento dos cidad&atilde;os habilitados participaram da consulta. Foi a primeira vez que um integrante do bloco &#8211; e neste caso um dos principais, por sua popula&ccedil;&atilde;o e peso econ&ocirc;mico &#8211; rejeita diretamente o processo constitucional.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/unio-europia-a-constituio-pode-estar-morte-a-ue-no\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1478,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-642","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/642","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1478"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=642"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/642\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=642"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=642"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=642"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}