{"id":6441,"date":"2010-04-20T14:06:27","date_gmt":"2010-04-20T14:06:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6441"},"modified":"2010-04-20T14:06:27","modified_gmt":"2010-04-20T14:06:27","slug":"destaques-oceanos-assentados-sobre-bacterias-gigantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/04\/america-latina\/destaques-oceanos-assentados-sobre-bacterias-gigantes\/","title":{"rendered":"DESTAQUES: Oceanos assentados sobre bact\u00e9rias gigantes"},"content":{"rendered":"<p>UXBRIDGE, Canad\u00e1, 20\/04\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Bi\u00f3logos marinhos descobriram colch\u00f5es de megabact\u00e9rias na costa americana do Oceano Pac\u00edfico que poderiam ter fun\u00e7\u00f5es vitais.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_6441\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/471_333.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6441\" class=\"size-medium wp-image-6441\" title=\"Bact\u00e9rias Thioploca spp extra\u00eddas das \u00e1guas oce\u00e2nicas pr\u00f3ximas ao Chile e ao Peru - NOAA\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/471_333.jpg\" alt=\"Bact\u00e9rias Thioploca spp extra\u00eddas das \u00e1guas oce\u00e2nicas pr\u00f3ximas ao Chile e ao Peru - NOAA\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6441\" class=\"wp-caption-text\">Bact\u00e9rias Thioploca spp extra\u00eddas das \u00e1guas oce\u00e2nicas pr\u00f3ximas ao Chile e ao Peru - NOAA<\/p><\/div>  Um manto de bact\u00e9rias, que se estende por uma \u00e1rea com tamanho semelhante ao territ\u00f3rio do Uruguai, foi descoberto em \u00e1guas pr\u00f3ximas \u00e0 costa do Chile e do Peru, afirmam cientistas que participaram de uma s\u00e9rie de pesquisas sobre as formas menores de vida oce\u00e2nica. Esta esp\u00e9cie de colch\u00e3o de espaguete, formado por megabact\u00e9rias (Thioploca spp.), podem ter um papel primordial nas reservas pesqueiras da regi\u00e3o, disse o bi\u00f3logo marinho Victor Ariel Gallardo, vice-presidente do Comit\u00ea Diretor Internacional do Censo da Vida Marinha, que divulgou uma pr\u00e9via de seus descobrimentos no \u00faltimo final de semana.<\/p>\n<p>Cerca de dois mil pesquisadores de mais de 80 na\u00e7\u00f5es participam do Censo, uma das maiores colabora\u00e7\u00f5es cient\u00edficas mundiais. Os resultados de mais de dez anos de explora\u00e7\u00f5es, pesquisas e registros sobre o passado e o presente da vida marinha ser\u00e3o apresentados oficialmente em outubro. \u201cCerca de 50% da pesca mundial procedem de reservas em \u00e1guas da costa oeste da Am\u00e9rica do Sul, onde est\u00e3o os maiores destes mantos bacterianos\u201d, disse Gallardo ao Terram\u00e9rica, de Santiago, para onde viajou ap\u00f3s sua casa e seu laborat\u00f3rio ficarem destru\u00eddos em Concepci\u00f3n pelo tsunami causado pelo terremoto de 27 de fevereiro.<\/p>\n<p>Embora a cobertura maior, superior a 130 mil quil\u00f4metros quadrados (o Uruguai ocupa 178 mil quil\u00f4metros quadrados, por exemplo), esteja em \u00e1guas chilenas e peruanas, mantos menores podem ser encontrados na costa oeste atl\u00e2ntica da Nam\u00edbia, na \u00c1frica austral, outra regi\u00e3o conhecida por suas abundantes popula\u00e7\u00f5es pesqueiras. As megabact\u00e9rias foram descobertas nos anos 60 nas frias \u00e1guas chilenas, mas poucos cientistas poderiam crer, at\u00e9 agora, que cada um desses organismos mede entre dois e sete cent\u00edmetros, disse Gallardo, professor do Departamento de Oceanografia na Universidade de Concepci\u00f3n.<\/p>\n<p>A descoberta de que estas bact\u00e9rias gigantes vivem em vastas col\u00f4nias \u00e9 mais recente, e apenas nos \u00faltimos dois anos houve financiamento dispon\u00edvel para estudar esta surpreendente abund\u00e2ncia, por meio do Censo da Vida Marinha. A origem destas bact\u00e9rias remonta a 2,5 bilh\u00f5es de anos, quando os oceanos n\u00e3o continham oxig\u00eanio, disse Gallardo. \u201cH\u00e1 f\u00f3sseis de bact\u00e9rias dessa \u00e9poca muito semelhantes \u00e0s que encontramos agora\u201d, disse o cientista. Estes mantos bacterianos podem ser vest\u00edgios da era Proterozoica que sobreviveram em profundidades m\u00e9dias, com escasso oxig\u00eanio.<\/p>\n<p>Essas camadas pouco oxigenadas existem em alguns lugares dos oceanos aos quais o g\u00e1s chega, ou a partir da superf\u00edcie ou, ainda, da \u00e1gua fria e rica em oxig\u00eanio que submerge nos polos e depois flui como creme batido no leito marinho para outras regi\u00f5es. Nas \u00e1reas dessas camadas pouco oxigenadas, onde a falta de oxig\u00eanio \u00e9 mais extrema, desenvolvem-se as megabact\u00e9rias, que subsistem \u00e0 base de sulfeto de hidrog\u00eanio, um g\u00e1s t\u00f3xico produzido pela decomposi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica. Ali s\u00f3 sobrevivem os micr\u00f3bios. Quando essa camada se junta com a plataforma continental, estes formam os enormes mantos de filamentos multicelulares, a uma profundidade entre 50 e 200 metros.<\/p>\n<p>As bact\u00e9rias gigantes tamb\u00e9m foram detectadas em vazamentos de sulfeto nas equatorianas Ilhas Gal\u00e1pagos e nas \u00e1guas do Pac\u00edfico no Panam\u00e1 e na Costa Rica. Para os pesquisadores, esses mantos microbianos poderiam se estender do sul do Chile at\u00e9 a Col\u00f4mbia e estar presentes em todas as camadas de pouco oxig\u00eanio do mundo. Os ecossistemas microbianos incluem entre 50% e 90% de toda a biomassa oce\u00e2nica e s\u00e3o respons\u00e1veis por mais de 95% da respira\u00e7\u00e3o desses mares.<\/p>\n<p>De fato, os micr\u00f3bios permitem que o planeta seja habit\u00e1vel. Regulam a composi\u00e7\u00e3o da atmosfera terrestre, influenciam no clima, reciclam os nutrientes e decomp\u00f5em os contaminantes ao converterem o di\u00f3xido de carbono que absorvem dos oceanos em carbono que afunda nas profundezas. O mesmo fazem com o nitrog\u00eanio, o enxofre, o ferro, o mangan\u00eas e outros elementos. O aumento da acidez org\u00e2nica, originado na maior quantidade de emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono devida \u00e0 queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis, pode afetar os micr\u00f3bios marinhos. Atualmente, os cientistas analisam sua sensibilidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 50 anos, estimava-se que um litro de \u00e1gua do mar continha cerca de cem mil c\u00e9lulas microbianas. Agora, acredita-se que mais de um bilh\u00e3o desses microorganismos est\u00e3o presentes na mesma quantidade dessa \u00e1gua ou em um grama de lama do leito marinho. \u201cSubestimamos muito a diversidade microbiana\u201d, disse Paul Snelgrove, bi\u00f3logo marinho da Memorial University em Newfoundland, no Canad\u00e1. O mesmo ocorre com outros organismos marinhos dif\u00edceis de ver, como o zoopl\u00e2ncton, as larvas, os crust\u00e1ceos e vermes existentes no fundo do mar e que em seu conjunto sustentam quase todas as outras formas de vida na Terra.<\/p>\n<p>Um estudo, que se centrou em uma \u00e1rea das profundezas oce\u00e2nicas n\u00e3o maior que o tamanho de um banheiro pequeno, encontrou 700 novas esp\u00e9cies de crust\u00e1ceos, disse Snelgrove ao Terram\u00e9rica. \u201cEssa descoberta n\u00e3o \u00e9 surpreendente para quem investiga as profundezas do mar, porque ali h\u00e1 grande diversidade. Entretanto, temos muito trabalho pela frente para compreender quais organismos est\u00e3o ali e quais suas fun\u00e7\u00f5es\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>* O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UXBRIDGE, Canad\u00e1, 20\/04\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).- Bi\u00f3logos marinhos descobriram colch\u00f5es de megabact\u00e9rias na costa americana do Oceano Pac\u00edfico que poderiam ter fun\u00e7\u00f5es vitais. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/04\/america-latina\/destaques-oceanos-assentados-sobre-bacterias-gigantes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":194,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2],"tags":[21],"class_list":["post-6441","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6441","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/194"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6441"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6441\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6441"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6441"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6441"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}