{"id":645,"date":"2005-05-31T00:00:00","date_gmt":"2005-05-31T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=645"},"modified":"2005-05-31T00:00:00","modified_gmt":"2005-05-31T00:00:00","slug":"haiti-trs-maneiras-de-no-entender-a-unio-europia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/haiti-trs-maneiras-de-no-entender-a-unio-europia\/","title":{"rendered":"Haiti: Tr&ecirc;s maneiras de n&atilde;o entender a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia"},"content":{"rendered":"<p>Miami, 31\/05\/2005 &ndash; N&atilde;o se sabe bem qual &eacute; a melhor maneira de opor-se ao desenvolvimento da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, mas aparentemente a estrat&eacute;gia se reduz a tr&ecirc;s t&aacute;ticas b&aacute;sicas. Fora dos setores euroc&eacute;ticos, que fazem um trabalho de solapamento muito efetivo e que lamentavelmente pode terminar com a queda do sonho da integra&ccedil;&atilde;o europ&eacute;ia, os opositores no exterior se dividem em tr&ecirc;s formid&aacute;veis setores.<br \/> <!--more--> <br \/> O primeiro tenta espalhar com m&aacute; inten&ccedil;&atilde;o a no&ccedil;&atilde;o de que a UE pretende se converter em um super Estado. Segundo essa vis&atilde;o, n&atilde;o somente se proporia enfrentar os Estados Unidos pol&iacute;tica e estrategicamente, como tamb&eacute;m se inflaria nos bolsos dos norte-americanos. A miss&atilde;o dessa nova Uni&atilde;o Europ&eacute;ia seria conquistar economicamente o mundo.<\/p>\n<p> O segundo &eacute; o que confunde certas experi&ecirc;ncias de colabora&ccedil;&atilde;o intra-Europa, baseados na simples e pura rela&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica, com a realidade que depois foi a verdadeira UE. Em outras palavras, nega-se as cinco etapas da integra&ccedil;&atilde;o regional e se reduzem &agrave; primeira. Desaparecem a uni&atilde;o aduaneira, o mercado comum (livre circula&ccedil;&atilde;o de todos os fatores econ&ocirc;micos) e a uni&atilde;o econ&ocirc;mica (inclu&iacute;da uma moeda comum), escalas necess&aacute;rias para a uni&atilde;o pol&iacute;tica.<\/p>\n<p> Finalmente, o terceiro m&eacute;todo &eacute; aquele que considera agora como urgentemente necess&aacute;rio o puro e simples livre com&eacute;rcio de alguns pa&iacute;ses latino-americanos. A novidade &eacute; que n&atilde;o se prop&otilde;e estar entre eles, mas com os Estados Unidos, como a vacina necess&aacute;ria para evitar um futuro escuro. Vamos por partes.<\/p>\n<p> A primeira t&aacute;tica come&ccedil;ou a ser tornar evidente quando a antiga Comunidade Europ&eacute;ia se converteu na Uni&atilde;o Europ&eacute;ia pelo Tratado de Maastricht de 1992 e anunciou sua inten&ccedil;&atilde;o de adotar uma moeda comum, e com o tempo tamb&eacute;m uma pol&iacute;tica externa e de seguran&ccedil;a comuns. Mas em nenhum momento esta nova UE foi projetada para irritar os Estados Unidos. A Uni&atilde;o Europ&eacute;ia foi colocada em marcha para ser mais eficaz em cumprir, primeiro, sua miss&atilde;o original (de terminar com as guerras europ&eacute;ias). Em segundo lugar, foi criada para dotar-se dos meios mais eficientes para n&atilde;o somente proporcionar sua nova defesa, como tamb&eacute;m para colaborar na pacifica&ccedil;&atilde;o de zonas conflitivas e ajudar no desenvolvimento. Esta transforma&ccedil;&atilde;o foi executada mediante o refor&ccedil;o das estruturas institucionais e a insist&ecirc;ncia na supranacionalidade das mesmas, bem dotadas e aut&ocirc;nomas da influ&ecirc;ncia dos diferentes Estados.<\/p>\n<p> Curiosamente, esta supranacionalidade, que necessariamente deve ser aceita por todos (e n&atilde;o &agrave; la carte), esteve desde o princ&iacute;pio questionada pelos criadores de esquemas que vagamente n&atilde;o iam al&eacute;m do mais d&eacute;bil perfil intergovernamental, onde cada Estado pode exercer o veto e n&atilde;o est&aacute; sujeito ao voto majorit&aacute;rio. Essa foi a id&eacute;ia original de Winston Churchill. Embora ele tenha sugerido uns &quot;Estados Unidos da Europa&quot; em seu famoso discurso de Zurique em 1946, n&atilde;o viu seu pr&oacute;prio Reino Unido como integrante. A Brit&acirc;nia j&aacute; contava com a Commonwealth e a privilegiada &quot;rela&ccedil;&atilde;o espacial&quot; com os verdadeiros Estados Unidos do outro lado do Atl&acirc;ntico. Schuman e Monnet nunca tiveram em conta esse modelo. Desde a cess&atilde;o do carv&atilde;o e do a&ccedil;o em m&atilde;os de uma Alta Autoridade (predecessora da Comiss&atilde;o atual) consideraram a economia como um simples meio para a integra&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. &Eacute; algo que o Reino Unido, antes e depois de Churchill, nunca esteve disposto a digerir.<\/p>\n<p> &Eacute; muito mais curioso agora que o livre com&eacute;rcio dos pa&iacute;ses centro-americanos com os Estados Unidos se apresente como uma necessidade pol&iacute;tica para evitar os desastres aos quais parecem estar condenados. Como que por m&aacute;gica, a desculpa pela qual o autoritarismo e a chantagem foram a norma de numerosos regimes da Am&eacute;rica Latina e do Caribe durante Guerra Fria, hoje se transformou. Antes, o perigo era cair na &oacute;rbita sovi&eacute;tica, e assim se fez vista grossa e foram exigidos elevados fundos de ajuda (sobretudo militar). Hoje, o perigo de caos tenta se revolver pelo livre com&eacute;rcio, n&atilde;o entre os pr&oacute;prios pa&iacute;ses centro-americanos e caribenhos, mas com os Estados Unidos, mediante a coloca&ccedil;&atilde;o em marcha do (somente conhecido em ingl&ecirc;s) Central America Free Trade &Aacute;rea-Dominican Republic (Cafta-DR). Ou seja, que a m&iacute;nima opera&ccedil;&atilde;o de c&acirc;mbio livre (que n&atilde;o a verdadeira integra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica) agora se justifica como mecanismo insubstitu&iacute;vel para resolver um problema pol&iacute;tico e um dano irrepar&aacute;vel no futuro.<\/p>\n<p> De uma perspectiva europ&eacute;ia, portanto, a estupefa&ccedil;&atilde;o &eacute; &oacute;bvia. O que reticentemente se aceita como raiz da experi&ecirc;ncia europ&eacute;ia (acabar com as guerras), se acrescenta agora na Am&eacute;rica Central e no Caribe para evitar o desastre social e pol&iacute;tico. Mas da mesma perspectiva n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel compreender como se pode insistir no livre com&eacute;rcio com o gigante do norte sem ter a pr&oacute;pria casa centro-americana e caribenha integradas. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n<p> (*) Joaqu&iacute;n Roy &eacute; catedr&aacute;tico &quot;Jean Monnet&quot; e diretor do Centro da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia da Universidade de Miami. jroy@miami.edu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miami, 31\/05\/2005 &ndash; N&atilde;o se sabe bem qual &eacute; a melhor maneira de opor-se ao desenvolvimento da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, mas aparentemente a estrat&eacute;gia se reduz a tr&ecirc;s t&aacute;ticas b&aacute;sicas. Fora dos setores euroc&eacute;ticos, que fazem um trabalho de solapamento muito efetivo e que lamentavelmente pode terminar com a queda do sonho da integra&ccedil;&atilde;o europ&eacute;ia, os opositores no exterior se dividem em tr&ecirc;s formid&aacute;veis setores.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/05\/mundo\/haiti-trs-maneiras-de-no-entender-a-unio-europia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-645","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/645","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=645"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/645\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}