{"id":6451,"date":"2010-04-21T08:12:35","date_gmt":"2010-04-21T08:12:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6451"},"modified":"2010-04-21T08:12:35","modified_gmt":"2010-04-21T08:12:35","slug":"uganda-tecnologia-de-informacao-ajuda-agricultores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/04\/africa\/uganda-tecnologia-de-informacao-ajuda-agricultores\/","title":{"rendered":"UGANDA: Tecnologia de informa\u00e7\u00e3o ajuda agricultores"},"content":{"rendered":"<p>WAINHA, Uganda, 21\/04\/2010 &ndash; O districto de Mayuge tem 31.000 fam\u00edlias que dependem da agricultura, apoiadas por apenas nove trabalhadores de extens\u00e3o agr\u00edcola. <!--more--> Na aldeia de Wainha, um centro de internet gerido pela Iniciativa de Desenvolvimento e Fonte Rural Aberta de Busoga preenche as lacunas existentes na assist\u00eancia prestada aos agricultores. <\/p>\n<p> Joseph Wangolo continua hipnotizado pelos computadores, seis anos depois de ter visto um pela primeira vez. \u201cAquilo \u00e9 t\u00e3o inteligente que d\u00e1 informa\u00e7\u00e3o sobre qualquer coisa. At\u00e9 conhece a nossa aldeia, j\u00e1 imaginou?\u201d perguntou.<\/p>\n<p>Vantagem Comparativa<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 muito tempo, Wangolo, de 56 anos, regateava pre\u00e7os com os compradores de produtos agr\u00edcolas que lhe ofereciam s\u00f3 200 xelins ugandeses \u2013 cerca de dez c\u00eantimos americanos \u2013 por cada quilo de milho. N\u00e3o convencido com a oferta, deslocou-se ao centro de Busoga, onde constatou que o pre\u00e7o praticado a 110 quil\u00f3metros da capital, Kampala, era muito mais elevado.<\/p>\n<p>\u201cSimplesmente corri com os compradores! Imagine, aquelas pessoas estavam a oferecer-me s\u00f3 200 xelins e, no entanto, o pre\u00e7o do milho em Kampala era 800 xelins.\u201d<\/p>\n<p>No centro de internet gerido pela Iniciativa de Desenvolvimento e Fonte Rural Aberta de Busoga (BROSDI), pequenos agricultores de todas as idades, tanto homens como mulheres, est\u00e3o sentados, encantados, em frente das filas de ecr\u00e3s.<\/p>\n<p>Alguns j\u00e1 s\u00e3o peritos a navegar na net, equanto outros ficam sentados em bancos no corredor \u00e0 espera de assist\u00eancia b\u00e1sica, desde ajuda para abrir uma conta de e-mail at\u00e9 ajuda para saber quando a esta\u00e7\u00e3o chuvosa vai terminar, ou como melhorar a fertilidade do solo, ou como obter ideias para os pequenos neg\u00f3cios agr\u00edcolas. <\/p>\n<p>A maior parte dos agricultores aqui concorda que o centro abriu uma janela para um mundo de conhecimentos pr\u00e1ticos. <\/p>\n<p>Interac\u00e7\u00f5es reais e virtuais<\/p>\n<p>Mas as maravilhas da teia mundial n\u00e3o s\u00e3o o fim desta an\u00e1lise. Edna Karamagi, directora executiva do BROSDI, afirma que o desenvolvimento de f\u00f3runs de conhecimento onde os agricultores interagem directamente leva \u00e0 constata\u00e7\u00e3o que os agricultores podem aprender com os seus pares no distrito. \u201cV\u00ea-se que estas pessoas s\u00e3o especialistas \u00e0 sua maneira, mas esta informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi disseminada,\u201d disse. Oa agricultores encontram-se com regularidade no centro BROSDI para trocarem ideias e fazerem perguntas uns aos outros. <\/p>\n<p>A ouvir estas conversas est\u00e1 Sophia Nyenda. Nyenda come\u00e7ou a trabalhar no centro h\u00e1 tr\u00eas anos durante as f\u00e9rias e agora \u00e9 aluna da universidade de Busoga, localizada nas imedia\u00e7\u00f5es. Tem cadernos de apontamentos cheios de hist\u00f3rias dos agricultores anotadas em Kisoga, a l\u00edngua falada na zona. Com os apontamentos que ela e os colegas recolhem nos 17 distritos, s\u00e3o preparados panfletos nas l\u00ednguas locais e em ingl\u00eas que depois s\u00e3o distribu\u00eddos aos agricultores filiados no BROSDI atrav\u00e9s de uma rede de 340 \u201cintermedi\u00e1rios de conhecimento\u201d, que tamb\u00e9m ajuda os agricultores a implementar certas pr\u00e1ticas quando n\u00e3o sabem ler. <\/p>\n<p>Conselhos \u00fateis e sugest\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o enviados aos agricultores atrav\u00e9s de SMS.<\/p>\n<p>Nyenda \u00e9 vista com respeito pelos alde\u00f5es que s\u00e3o muito mais velhos do que ela, mas que a respeitam devido \u00e0 sua educa\u00e7\u00e3o numa \u00e1rea onde os n\u00edveis de analfabetismo s\u00e3o muito baixos. O respeito \u00e9 m\u00fatuo: ela diz que muitas t\u00e9cnicas agr\u00edcolas tradicionais n\u00e3o s\u00e3o geralmente conhecidas, apesar de oferecerem solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e eficazes para os problemas dos agricultores. <\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sabia que a erva local, a mululuza, podia matar os insectos do tomate,\u201d afirma. <\/p>\n<p>O trabalho de Nyenda, que inclui ouvir e transcrever, \u00e9 uma importante parte do projecto Recolha e Troca de Conte\u00fados Agr\u00edcolas Locais (CELAC), que documenta pr\u00e1ticas agr\u00edcolas tradicionais. Est\u00e1 a provar ser uma combina\u00e7\u00e3o bem sucedida de conhecimentos ind\u00edgenas, cria\u00e7\u00e3o inteligente de oportunidades de contacto em rede, e obten\u00e7\u00e3o de tecnologia de informa\u00e7\u00e3o e telecomunica\u00e7\u00f5es recente.<\/p>\n<p>Impactos tang\u00edveis <\/p>\n<p>\u00c9 f\u00e1cil ver o efeito do trabalho do centro BROSDI. Alice Naikoba, agricultora da aldeia de Bukhooli, localizada nas imedia\u00e7\u00f5es, batalhava num terreno est\u00e9ril que produzia bananas de m\u00e1 qualidade. Num dos f\u00f3runs destinados \u00e0 partilha de conhecimentos, foi informada que o tipo de bananas que estava a plantar n\u00e3o era apropriado para aquele terreno. <\/p>\n<p>Foi aconselhada a plantar um outro tipo de banana, conhecida localmente como endiizi. Desde que procedeu \u00e0 altera\u00e7\u00e3o, as suas colheitas quadruplicaram; melhor ainda, teve a ideia de produzir waragi, uma cerveja local feita de banana, o que aumentou o seu rendimento. <\/p>\n<p>Os conselhos que obteve no BROSDI levaram Naikoba e a fam\u00edlia a tornarem-se um mini-turbilh\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o: a produ\u00e7\u00e3o de banana e cerveja, ao lado da venda de produtos da sua horta, assim como a cria\u00e7\u00e3o de bodes e galinhas, permitiram-lhe comprar materiais de constru\u00e7\u00e3o para construir uma nova casa \u2013 com os cinco filhos a assentarem os tijolos \u2013 e sair da sua casa com telhado de colmo.<\/p>\n<p>A iniciativa que come\u00e7ou na aldeia de Wainha, com o apoio do Instituto Internacional para a Comunica\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento, do Centro de Pesquisa Internacional de Desenvolvimento do Canad\u00e1 e da ag\u00eancia holandesa doadora Hivos, alastrou-se a outras regi\u00f5es do Uganda, ajudando os agricultores a partilharem, terem acesso e implementarem boas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas. <\/p>\n<p>O Ministro da Agricultura, Aggrey Bagiire, \u2013 deputado pelo c\u00edrculo de Bunya Oeste, onde est\u00e1 localizada Wainha \u2013 afirma que o potencial agr\u00edcola desta \u00e1rea \u00e9 elevado, mas que tem de ser bem gerido para ser sustent\u00e1vel. <\/p>\n<p>\u201cUma popula\u00e7\u00e3o crescente e a procura de alimentos coloca press\u00e3o sobre a terra dispon\u00edvel. A eros\u00e3o do solo, o cultivo excessivo e o cultivo das terras pantanosas de Imanyiro, Baitambogwe e Malongo est\u00e3o a degradar a terra e a levar \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o,\u201d diz Bagiire.<\/p>\n<p>Ao dar aos agricultores dos distritos um acesso imediato aos melhores conhecimentos agr\u00edcolas locais, \u00e0 pesquisa internacional e \u00e0s melhores pr\u00e1ticas agr\u00edcolas atrav\u00e9s da internet, esta regi\u00e3o rural do Uganda parece oferecer a melhor oportunidade poss\u00edvel para garantir um futuro sustent\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>WAINHA, Uganda, 21\/04\/2010 &ndash; O districto de Mayuge tem 31.000 fam\u00edlias que dependem da agricultura, apoiadas por apenas nove trabalhadores de extens\u00e3o agr\u00edcola. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/04\/africa\/uganda-tecnologia-de-informacao-ajuda-agricultores\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":106,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-6451","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6451","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/106"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6451"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6451\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6451"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6451"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6451"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}