{"id":6503,"date":"2010-05-04T07:36:27","date_gmt":"2010-05-04T07:36:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6503"},"modified":"2010-05-04T07:36:27","modified_gmt":"2010-05-04T07:36:27","slug":"quenia-criacao-de-borboletas-poe-comida-na-mesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/05\/africa\/quenia-criacao-de-borboletas-poe-comida-na-mesa\/","title":{"rendered":"QU\u00c9NIA: Cria\u00e7\u00e3o de borboletas p\u00f5e comida na mesa"},"content":{"rendered":"<p>FLORESTA DE KAKAMEGA, Qu\u00e9nia, 04\/05\/2010 &ndash; Durante 10 anos, Roselyne Shikami vendeu ovos cozidos na esta\u00e7\u00e3o de autocarros perto da Floresta de Kakamega, densamente arborizada, localizada no Qu\u00e9nia ocidental, perto da fronteira com o Uganda. Agora vende borboletas. <!--more--> \u201cEra muito dif\u00edcil vender duas d\u00fazias de ovos cozidos por dia,\u201d disse esta mulher de 35 anos \u00e0 IPS. \u201c\u00c0s vezes ficava sentada ali mais de onze horas. Mas raramente conseguia ganhar 200 xelins quenianos (cerca de 2.60 d\u00f3lares americanos). Agora, s\u00f3 com duas borboletas, consigo ganhar muito mais.\u201d <\/p>\n<p>Shikami faz parte de um pequeno grupo composto principalmente por mulheres que come\u00e7aram a criar borboletas para venda no Qu\u00e9nia e no resto de \u00c1frica. Esperam conseguir arranjar clientes na Europa e na Am\u00e9rica do Norte, os dois mercados de borboletas mais lucrativos. O marido, Joel, faz parte do grupo. Como muitas das pessoas que vivem perto da floresta de Kakamega, ganhava o seu sustento a cortar \u00e1rvores na floresta, que depois vendia como lenha. <\/p>\n<p>De acordo com o Programa de Educa\u00e7\u00e3o Ambiental de Kakamega (KEEP), um grupo que trabalha na \u00e1rea da conserva\u00e7\u00e3o e que proporciona forma\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres sobre a cria\u00e7\u00e3o de borboletas, a floresta de Kakamega diminuiu de mais de 240.000 hectares em 1820 para 23.000 hectares actualmente. Geralmente, considera-se que a floresta \u00e9 o que resta, mais a oriente, da floresta tropical das terras baixas congolesas da \u00c1frica Central. Em larga medida, esta extensa desfloresta\u00e7\u00e3o tem sido causada pelo crescimento populacional e pelo desemprego, resultando na desobstru\u00e7\u00e3o da terra para agricultura e na queima de madeira para obter carv\u00e3o para uso dom\u00e9stico e para venda. <\/p>\n<p>O governo tem envidado esfor\u00e7os no sentido de manter lenhadores e agricultores fora da floresta, estando agora a encorajar projectos comunit\u00e1rios, como a cria\u00e7\u00e3o de borboletas, como forma de proporcionar rendimentos alternativos. <\/p>\n<p>A floresta de Kakamega possui mais de 70 por cento das borboletas do Qu\u00e9nia e mais de 500 esp\u00e9cies diferentes. Desde o seu lan\u00e7amento em 2001, a cria\u00e7\u00e3o de borboletas tornou-se uma fonte de riqueza para as comunidades que vivem em redor da floresta, rendendo anualmente o equivalente a 100.000 d\u00f3lares americanos para os criadores, revelam os Servi\u00e7os Florestais do Qu\u00e9nia no seu relat\u00f3rio anual.<\/p>\n<p>O Director do KEEP, Benjamin Okalo, concorda. \u201cO neg\u00f3cio das borboletas est\u00e1 a crescer. Um criador s\u00f3 precisa de duas borboletas para conseguir obter mais de mil cris\u00e1lidas, e isso significa um rendimento de mais de 75.000 xelins (950 d\u00f3lares) por m\u00eas \u2013 muito mais dinheiro do que o que se pode ganhar com a venda de ovos ou galinhas. <\/p>\n<p>Okalo explicou que as pessoas querem comprar o maior n\u00famero de esp\u00e9cies de borboletas poss\u00edvel para as suas colec\u00e7\u00f5es e para fazeram decora\u00e7\u00f5es bonitas. As borboletas tamb\u00e9m s\u00e3o adquiridas para pesquisa. <\/p>\n<p>\u201cAqui, os esp\u00e9cimes de borboletas s\u00e3o muito bonitos. Os grandes hot\u00e9is e os turistas v\u00eam compr\u00e1-las. Os homens de neg\u00f3cios ricos tamb\u00e9m est\u00e3o a come\u00e7ar a compr\u00e1-las para enfeitar as casas para cerim\u00f3nias como casamentos e ainda para a educa\u00e7\u00e3o dos filhos,\u201d disse Okalo. \t Anne Moraah, outra criadora de borboletas, disse \u00e0 IPS que alguns estilistas na Europa usam as borboletas para conceberem os seus pr\u00f3prios padr\u00f5es.<\/p>\n<p>Criar borboletas<\/p>\n<p>\u201cCom este neg\u00f3cio, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio uma grande explora\u00e7\u00e3o agr\u00edcola; n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio muito espa\u00e7o. Qualquer pessoa pode entrar nesta actividade porque s\u00f3 \u00e9 preciso ter um pequeno contentor,\u201d refere Roselyne Shikami. <\/p>\n<p>O processo envolve a constru\u00e7\u00e3o de um pequeno recinto coberto com rede, com plantas que sirvam de alimento para as esp\u00e9cies de borboletas que se quer criar. Apanha-se uma borboleta f\u00eamea, que se coloca depois numa gaiola destinada \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o, onde pode p\u00f4r ovos nas folhas. Apanham-se e tratam-se cuidadosamente os ovos at\u00e9 estarem prontos para fazer a transforma\u00e7\u00e3o do est\u00e1gio de larva para cris\u00e1lidas e depois borboletas \u2013 um processo que demora cerca de um m\u00eas.<\/p>\n<p>Um criador precisa de ter uma licen\u00e7a concedida pelos Servi\u00e7os de Vida Selvagem do Qu\u00e9nia permitindo-lhe a venda de cris\u00e1lidas de borboletas e de outros insectos vivos no Qu\u00e9nia e no resto de \u00c1frica. <\/p>\n<p>De acordo com o KEEP e l\u00edderes de outro neg\u00f3cio comunit\u00e1rio, Projectos Kipepeo (palavra sua\u00edli para borboleta), \u00e9 preciso uma outra licen\u00e7a para exportar borboletas para a Europa e Am\u00e9rica do Norte. <\/p>\n<p>\u201cO grande problema \u00e9 que os servi\u00e7os de vida selvagem mostram-se relutantes em conceder licen\u00e7as as novos criadores de borboletas destinadas \u00e0 venda local ou internacional,\u201d disse Okala. <\/p>\n<p>Na Segunda Confer\u00eancia Ministerial Sobre Redu\u00e7\u00e3o do Risco de Cat\u00e1strofes, que teve lugar no Qu\u00e9nia este m\u00eas, a directora de comunica\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do Minist\u00e9rio da Vida Selvagem e Florestas do Qu\u00e9nia, Mary Ngaruma, disse \u00e0 IPS que as criadoras de borboletas deviam estabelecer cooperativas e registar a sua organiza\u00e7\u00e3o antes de pedirem as licen\u00e7as.<\/p>\n<p>\u201cO governo est\u00e1 a receber benef\u00edcios delas,\u201d disse Ngaruma. \u201cAs criadoras de borboletas est\u00e3o a cuidar das nossas florestas e a desenvolver as economias locais; por isso, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para n\u00e3o lhes concedermos licen\u00e7as comerciais.\u201d<\/p>\n<p>Benef\u00edcios para o meio ambiente<\/p>\n<p>Os indiv\u00edduos envolvidos na cria\u00e7\u00e3o de borboletas real\u00e7am que, enquanto os outros neg\u00f3cios que fazem uso das florestas se baseiam na extrac\u00e7\u00e3o abusiva, a cria\u00e7\u00e3o de borboletas traz benef\u00edcios para o meio ambiente. <\/p>\n<p>\u201cQuando h\u00e1 um elevado n\u00famero de borboletas, isso signfica que o meio ambiente \u00e9 bom. Se existem menos borboletas, isso \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o que h\u00e1 polui\u00e7\u00e3o. As borboletas tamb\u00e9m podem ser guias para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas,\u201d apontou Joel Shikami. <\/p>\n<p>O funcion\u00e1rio superior respons\u00e1vel pela Investiga\u00e7\u00e3o sobre a Fisiologia e Ecologia dos Insectos do Centro Internacional, Lamberts Morek, afirma que as borboletas s\u00e3o importantes para os ecossistemas porque a poliniza\u00e7\u00e3o \u00e9 a sua principal contribui\u00e7\u00e3o para o meio ambiente. <\/p>\n<p>\u201cComo cientistas a nossa vis\u00e3o \u00e9 termos um meio ambiente rico e saud\u00e1vel. Podemos faz\u00ea-lo ao autonomizarmos estas mulheres que criam borboletas.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FLORESTA DE KAKAMEGA, Qu\u00e9nia, 04\/05\/2010 &ndash; Durante 10 anos, Roselyne Shikami vendeu ovos cozidos na esta\u00e7\u00e3o de autocarros perto da Floresta de Kakamega, densamente arborizada, localizada no Qu\u00e9nia ocidental, perto da fronteira com o Uganda. 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