{"id":6517,"date":"2010-05-05T14:43:12","date_gmt":"2010-05-05T14:43:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6517"},"modified":"2010-05-05T14:43:12","modified_gmt":"2010-05-05T14:43:12","slug":"denuncia-de-atrocidades-militares-e-rechacada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/05\/africa\/denuncia-de-atrocidades-militares-e-rechacada\/","title":{"rendered":"Den\u00fancia de atrocidades militares \u00e9 recha\u00e7ada"},"content":{"rendered":"<p>Mbandaka, R.D. Congo, 05\/05\/2010 &ndash; O governo da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (RDC) desmentiu que tropas do Ex\u00e9rcito tenham executado 50 civis no come\u00e7o do m\u00eas de abril perto de Mbandaka, capital da prov\u00edncia de \u00c9quateur. <!--more--> \u201cCerca de 50 civis congolenses foram mortos pelas For\u00e7as Armadas (conhecidas pela sigla em franc\u00eas Fardc) em abril de 2010\u201d, afirma um documento da Associa\u00e7\u00e3o Africana de Defesa dos Direitos do Homem (Asadho), com sede em Kinshasa, capital deste pa\u00eds.<\/p>\n<p>O informe tamb\u00e9m responsabiliza os rebeldes da etnia eny\u00e9l\u00e9 pelo assassinato de dois civis. Al\u00e9m da lista de v\u00edtimas, o documento afirma que as mortes foram cometidas quando as Fardc enfrentavam uma rebeli\u00e3o local que conseguiu ocupar brevemente o aeroporto de Mbandaka. Em entrevista coletiva no dia 22 de abril, o ministro das Comunica\u00e7\u00f5es e M\u00eddia, Lambert Omalanga Mende, afirmou que o informe estava repleto de erros, \u201co que deixa evidente que nenhum investigador da Asadho visitou \u00c9quateur para verificar as den\u00fancias ali contidas\u201d.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m se lembra de ter conversado com investigadores da Asadho, disse Mende, nem o governador provincial, Jean-Claude Baender, nem integrantes de seu governo, o prefeito ou vereadores de Mbandaka, ou os comandantes militares, policiais ou qualquer dos magistrados, afirmou. Segundo o ministro, isto tira toda a credibilidade da Asadho quando afirma que seus investigadores se reuniram com autoridades pol\u00edticas, judiciais, militares e policiais. E, portanto, recha\u00e7a seu pedido de uma comiss\u00e3o independente para esclarecer as circunst\u00e2ncias em que foram cometidos os supostos assassinatos.<\/p>\n<p>Sem dar detalhes sobre quem fez as dilig\u00eancias, o vice-presidente da Asadho, George Kapiamba, disse \u00e0 IPS que \u201ca investiga\u00e7\u00e3o foi conduzida por uma equipe de profissionais em \u00c9quateur\u201d. Uma fonte pr\u00f3xima ao governo da prov\u00edncia, que falou com a IPS sob a condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o ter sua identidade revelada, atribuiu m\u00e9ritos ao informe. \u201cO documento da Asadho \u00e9 ver\u00eddico no geral, pois de fato houve massacres, embora pare\u00e7a que tenham exagerado no n\u00famero de v\u00edtimas, o que n\u00e3o muda o fato de as Fardc terem executado civis inocentes\u201d, disse a fonte.<\/p>\n<p>O ex-soldado Pierre Bofunda, agora defensor de direitos humanos, tamb\u00e9m apoiou a den\u00fancia de execu\u00e7\u00f5es extrajudiciais cometidas pelo Ex\u00e9rcito. \u201cNo dia 19 de abril, por exemplo, um estudante e uma jovem gr\u00e1vida foram executados em casa na localidade de Bolenge P\u00eacheur, a cerca de dez quil\u00f4metros de Mbandaka\u201d, afirmou. Segundo Bofunda, a permanente situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a nessa prov\u00edncia se deve ao fato de as tropas das Fardc atacarem as pessoas \u00e0 noite para roubar dinheiro, celulares ou qualquer objeto de valor.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, o governo provincial, que participou de uma audi\u00eancia p\u00fablica ap\u00f3s o duplo crime de 19 de abril, organizou uma campanha conta a inseguran\u00e7a convidando os cidad\u00e3os a ocupar as ruas e protestar quando souberem de um ataque contra um vizinho\u201d, disse Bofunda. \u201cO que podem perder se pegarem este informe e iniciarem uma verdadeira investiga\u00e7\u00e3o pedindo a colabora\u00e7\u00e3o de seus autores?\u201d, questionou a professora Sophie Ekanga, de Mbandaka, desgostosa porque as autoridades congolenses est\u00e3o novamente ignorando o valor da vida humana.<\/p>\n<p>A RDC sofre, h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, sangrentos conflitos entre tropas governamentais e grupos rebeldes, frequentemente vinculados a interesses de pa\u00edses vizinhos. Por\u00e9m, muito poucos creem que a den\u00fancia ser\u00e1 investigada ou, se isso ocorrer, que algu\u00e9m seja culpado. O juiz aposentado Cyprian Abangapakwa disse que o \u201csistema judicial, conhecido por sua extrema debilidade, n\u00e3o \u00e9 a melhor institui\u00e7\u00e3o para essa tarefa\u201d. Embora seus membros possam participar de uma comiss\u00e3o investigadora, \u201cos 14 magistrados de Mbandaka, pobremente equipados, com sal\u00e1rios baixos e vivendo isolados e em m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00e3o capazes de realizar as dilig\u00eancias apropriadas\u201d, afirmou. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mbandaka, R.D. 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