{"id":6521,"date":"2010-05-05T14:49:32","date_gmt":"2010-05-05T14:49:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6521"},"modified":"2010-05-05T14:49:32","modified_gmt":"2010-05-05T14:49:32","slug":"mortalidade-materna-cai-por-forca-de-lei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/05\/america-latina\/mortalidade-materna-cai-por-forca-de-lei\/","title":{"rendered":"Mortalidade materna cai por for\u00e7a de lei"},"content":{"rendered":"<p>Latacunga, Equador, 05\/05\/2010 &ndash; Miriam Toaquiza, de 17 anos, \u00e9 a \u00fanica ocupante da sala de m\u00e3es adolescentes do hospital desta cidade andina do Equador. Na cama, ao seu lado, est\u00e1 sua filha rec\u00e9m-nascida, Jennifer.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_6521\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/73989.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6521\" class=\"size-medium wp-image-6521\" title=\"Miriam Toaquiza e sua filha Jennifer, em um hospital de Latacunga, no Equador. - Gonzalo Ortiz\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/73989.jpg\" alt=\"Miriam Toaquiza e sua filha Jennifer, em um hospital de Latacunga, no Equador. - Gonzalo Ortiz\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6521\" class=\"wp-caption-text\">Miriam Toaquiza e sua filha Jennifer, em um hospital de Latacunga, no Equador. - Gonzalo Ortiz\/IPS<\/p><\/div>  Est\u00e1 tranquila e sorri todo o tempo, apesar de precisar ficar no centro p\u00fablico mais do que o previsto devido a uma complica\u00e7\u00e3o p\u00f3s-parto.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e3o te atendendo bem, filha?\u201d, pergunta Julio Guerrero. \u201cSim\u201d, responde a jovem. \u201cAlgu\u00e9m pediu algum dinheiro para alguma coisa?\u201d, insiste ele. \u201cN\u00e3o, tudo \u00e9 gratuito, por causa da maternidade gratuita\u201d, diz a jovem.<\/p>\n<p>A IPS presencia a cena em Latacunga, cem quil\u00f4metros ao sul de Quito e capital da prov\u00edncia de Cotopaxi, uma das mais pobres do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os vales interandinos, que, a 2.800 metros altitude, rodeiam a cidade, produzem flores e br\u00f3colis para exporta\u00e7\u00e3o e t\u00eam alto n\u00edvel de emprego.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, na parte mais montanhosa da prov\u00edncia, comunidades ind\u00edgenas de l\u00edngua qu\u00edchua, marginalizadas secularmente, sobrevivem cultivando pequenas \u00e1reas afetadas pela eros\u00e3o.<\/p>\n<p>Toaquiza, perfeita bil\u00edngue, vive em uma dessas comunidades do cant\u00e3o Saquisil\u00ed, onde 68% dos habitantes sobrevivem com menos de US$ 2 por dia, 20 pontos percentuais a mais do que a m\u00e9dia provincial.<\/p>\n<p>Quem faz as perguntas, Guerrero, \u00e9 presidente do Comit\u00ea Local de Usu\u00e1rios da Lei de Maternidade Gratuita e Aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Inf\u00e2ncia, aprovada em 1994 e regulamentada em 2006, para integrar as normas sobre sua \u00e1rea de a\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ar sua regulamenta\u00e7\u00e3o e programas e dar-lhe autonomia financeira.<\/p>\n<p>O Equador conseguiu, assim, uma clara redu\u00e7\u00e3o da mortalidade materna, enquanto ag\u00eancias das Na\u00e7\u00f5es Unidas levam a lei como modelo a outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, onde as mortes de mulheres no parto e p\u00f3s-parto n\u00e3o diminuem ou aumentam.<\/p>\n<p>Ver\u00f4nica Rocha, diretora de desenvolvimento institucional do programa de Maternidade Gratuita, explicou \u00e0 IPS em Quito que a lei \u201cfinancia os rem\u00e9dios, insumos, micronutrientes, exames de laborat\u00f3rio para gr\u00e1vidas, no parto e depois do parto, bem como para crian\u00e7as rec\u00e9m-nascidas e at\u00e9 os cinco anos de idade\u201d.<\/p>\n<p>Da sua execu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m participam o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, seus profissionais, instala\u00e7\u00f5es e equipamentos. Os \u00eaxitos s\u00e3o \u201cde todo o sistema\u201d de sa\u00fade p\u00fablica, afirmou.<\/p>\n<p>Das 188 mortes maternas para cada cem mil nascidos vivos ocorridas anualmente, em m\u00e9dia, durante a d\u00e9cada de 70, o Equador baixou para 142 nos anos 80, 75 nos 90 e 55 entre 2001 e 2007, segundo dados avaliados internacionalmente.<\/p>\n<p>O \u00edndice m\u00e9dio da Am\u00e9rica Latina, em 2007, foi de 130 mortes de mulheres para cem mil nascidos vivos, e \u00f3rg\u00e3os internacionais e organiza\u00e7\u00f5es feministas alertam que \u00e9 o indicador com in\u00e9rcia mais negativa para as mulheres da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O princ\u00edpio da lei \u00e9 simples. \u201cToda mulher tem direito a sa\u00fade gratuita e de qualidade durante a gravidez, o parto e o p\u00f3s-parto, assim como acesso a programas de sa\u00fade sexual e reprodutiva\u201d, diz seu artigo primeiro.<\/p>\n<p>Eulalia Salinas, secret\u00e1ria do Comit\u00ea de Usu\u00e1rias de Latacunga, assegura que a capacita\u00e7\u00e3o e a supervis\u00e3o destes grupos comunit\u00e1rios sobre o programa foi a chave para seu \u00eaxito. A lei estabelece a forma\u00e7\u00e3o de um comit\u00ea em cada um dos 221 cant\u00f5es em que se dividem as 24 prov\u00edncias equatorianas. Mas h\u00e1 apenas 59.<\/p>\n<p>Est\u00e1 satisfeita porque em sua prov\u00edncia houve apenas duas mortes maternas em 2009, contra 33 quatro anos antes.<\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7amos em 2004, por a\u00e7\u00e3o da Coordenadoria Pol\u00edtica de Mulheres\u201d, recordou Salinas. Essa organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental impulsionou a cria\u00e7\u00e3o dos comit\u00eas, \u201cque ent\u00e3o eram letra morta, para que fiz\u00e9ssemos valer nossos direitos\u201d, explicou.<\/p>\n<p>\u201cNosso trabalho volunt\u00e1rio \u00e9 vigiar para que o or\u00e7amento que chega a cada cant\u00e3o seja utilizado na maternidade gratuita, e que as mulheres e crian\u00e7as sejam tratadas com qualidade e aten\u00e7\u00e3o\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Os comit\u00eas conseguiram reduzir os maus-tratos e a discrimina\u00e7\u00e3o, com matizes racistas.<\/p>\n<p>\u201cAntes, os m\u00e9dicos nos tratavam mal. Gritavam na hora do parto \u2018\u00edndia suja, abre as pernas quando tem vontade e agora grita! Cale a boca, j\u00e1\u201d, disse Giovanna Alvarez, presidente do Comit\u00ea de Usu\u00e1rias de Saquisil\u00ed, o cant\u00e3o da jovem Toaquiza.<\/p>\n<p>\u00c9 ali onde mais houve progresso no \u201cparto humanizado\u201d. Conseguiram que a parturiente tenha uma pessoa por ela escolhida para que a acompanhe, pode tomar ch\u00e1 quente de ervas antes de come\u00e7ar e escolher a posi\u00e7\u00e3o em que deseja dar \u00e0 luz.<\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9 proibido em outros hospitais, mas em Saquisil\u00ed a press\u00e3o das ind\u00edgenas e mesti\u00e7as obteve sua aceita\u00e7\u00e3o, como uma demonstra\u00e7\u00e3o do respeito aos seus costumes.<\/p>\n<p>\u201cAntes o que importava era a comodidade do m\u00e9dico. Ele sentando diante da parturiente que estava em posi\u00e7\u00e3o horizontal e com as pernas abertas apoiadas em uns ganchos de metal, totalmente antinatural. N\u00e3o. A maneira natural \u00e9 a mulher estar de p\u00e9 ou de c\u00f3coras\u201d para que o beb\u00ea nas\u00e7a ajudado pela gravidade, disse Salinas.<\/p>\n<p>O modelo, que d\u00e1 prioridade \u00e0 m\u00e3e e n\u00e3o ao m\u00e9dico ou \u00e0 parteira, se estender\u00e1 a todo o pa\u00eds, e ser\u00e1 dada continuidade \u00e0 insist\u00eancia para que os partos sejam feitos em centros de sa\u00fade. \u201cA grande maioria das mortes maternas ocorre quando se d\u00e1 \u00e0 luz em casa, sem as condi\u00e7\u00f5es adequadas\u201d, reiterou Alvarez. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Latacunga, Equador, 05\/05\/2010 &ndash; Miriam Toaquiza, de 17 anos, \u00e9 a \u00fanica ocupante da sala de m\u00e3es adolescentes do hospital desta cidade andina do Equador. Na cama, ao seu lado, est\u00e1 sua filha rec\u00e9m-nascida, Jennifer. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/05\/america-latina\/mortalidade-materna-cai-por-forca-de-lei\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,7],"tags":[21,24],"class_list":["post-6521","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-saude","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6521","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6521"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6521\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6521"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6521"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6521"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}