{"id":654,"date":"2005-06-02T00:00:00","date_gmt":"2005-06-02T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=654"},"modified":"2005-06-02T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-02T00:00:00","slug":"amrica-latina-desafios-para-a-diplomacia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/amrica-latina-desafios-para-a-diplomacia-brasileira\/","title":{"rendered":"Am&eacute;rica Latina: Desafios para a diplomacia brasileira"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 02\/06\/2005 &ndash; A nova crise institucional da Bol&iacute;via, que amea&ccedil;a repetir uma derrocada presidencial como a do Equador, coloca em xeque o papel estabilizador do Brasil na Am&eacute;rica do Sul, embora a diplomacia do Itamaraty mantenha amplo apoio nacional apesar de fracassos e questionamentos. A visita do presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva &agrave; Cor&eacute;ia do Sul e ao Jap&atilde;o, e a do chanceler Celso Amorim a Israel, na semana passada, neutralizaram parte das cr&iacute;ticas ao &quot;terceiromundismo arcaico&quot; da diplomacia brasileira, lan&ccedil;adas por setores que defendem maior aproxima&ccedil;&atilde;o comercial com os grandes mercados do Norte. &quot;Enfim uma viagem relevante&quot;, afirmou um colunista do jornal econ&ocirc;mico Valor, referindo-se &agrave; viagem presidencial ao Oriente, destinada a atrair milhares de milh&otilde;es de d&oacute;lares em investimentos e ampliar as exporta&ccedil;&otilde;es.<br \/> <!--more--> <br \/> As cr&iacute;ticas &agrave; op&ccedil;&atilde;o preferencial pelo Sul se exacerbaram devido &agrave; iniciativa de realizar a C&uacute;pula Am&eacute;rica do Sul-Pa&iacute;ses &Aacute;rabes em Bras&iacute;lia, nos dias 10 de 11 do m&ecirc;s passado, que concluiu com uma declara&ccedil;&atilde;o contr&aacute;ria a Israel e aos Estados Unidos. O fato se somou a dois meses de passos em falso na diplomacia. Em abril, o Brasil sentiu a derrota de seu candidato a diretor-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial do Com&eacute;rcio, Luiz Felipe de Seixas Correa, lan&ccedil;ado para opor-se a Carlos P&eacute;rez Del Castillo, uruguaio, mas persona non grata em Bras&iacute;lia. A candidatura dividiu o Mercosul e facilitou a vit&oacute;ria do franc&ecirc;s Pascal Lamy, que como comiss&aacute;rio de Com&eacute;rcio da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia foi advers&aacute;rio dos pa&iacute;ses em desenvolvimento que combatem os subs&iacute;dios agr&iacute;colas.<\/p>\n<p> Ainda em abril, fracassou a tentativa brasileira de mediar a crise do Equador, que desembocou na destitui&ccedil;&atilde;o inconstitucional do presidente Lucio Guti&eacute;rrez pelo parlamento. A rapidez dos fatos surpreendeu Bras&iacute;lia, que tamb&eacute;m se viu obrigada a acolher Guti&eacute;rrez como asilado, sob protestos populares em Quito e duras cr&iacute;ticas da Argentina &agrave;s ambi&ccedil;&otilde;es hegem&ocirc;nicas do Brasil, agravando as divis&otilde;es no Mercosul, tamb&eacute;m integrado por Paraguai e Uruguai. Na Bol&iacute;via convulsionada, o Brasil tenta novamente cumprir um papel pacificador, no qual fundamenta boa parte de sua lideran&ccedil;a regional e que tem a seu favor o sucesso da media&ccedil;&atilde;o do conflito fronteiri&ccedil;o entre Peru e Equador, h&aacute; 10 anos, e sua contribui&ccedil;&atilde;o para moderar a crise pol&iacute;tica venezuelana, no ano passado.<\/p>\n<p> Entretanto, o enviado de Lula para dirimir conflitos, seu conselheiro internacional Marco Aur&eacute;lio Garcia, j&aacute; comprovou que na Bol&iacute;via ser&aacute; dif&iacute;cil alcan&ccedil;ar um consenso b&aacute;sico para sair do atoleiro em que se encontram for&ccedil;as diversas e propostas encontradas. Setores empresariais da rica regi&atilde;o oriental petroleira boliviana defendem um referendo por sua conta que lhes d&ecirc; autonomia sobre seus recursos, enquanto camponeses e ind&iacute;genas, mais sindicatos, reclamam uma Assembl&eacute;ia Constituinte que recrie a rep&uacute;blica e estabele&ccedil;a um sistema aut&ocirc;nomo igual para todas as regi&otilde;es. Al&eacute;m disso, a nova Lei de Hidrocarbonos obriga as multinacionais a assinarem novos contratos de exporta&ccedil;&atilde;o e pagar maiores impostos. Por&eacute;m, movimentos populares pedem a plena e total nacionaliza&ccedil;&atilde;o do g&aacute;s natural.<\/p>\n<p> O Brasil busca, sobretudo, garantir seu fornecimento de g&aacute;s boliviano e os investimentos da Petrobr&aacute;s nesse pa&iacute;s, estimadas em US$ 1,5 bilh&atilde;o, mas, tamb&eacute;m, evitar uma sa&iacute;da inconstitucional que afetaria toda a regi&atilde;o e a rec&eacute;m-criada Comunidade Sul-Americana de Na&ccedil;&otilde;es, ainda por se consolidar. &quot;O Brasil n&atilde;o tem interesse em uma desestabiliza&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica do Sul que prejudicaria seus interesses econ&ocirc;micos, comerciais e pol&iacute;ticos&quot;, pois procura afirmar sua atua&ccedil;&atilde;o &quot;como pot&ecirc;ncia regional&quot; com maior peso nas negocia&ccedil;&otilde;es internacionais, disse &agrave; IPS o historiador e especialista em rela&ccedil;&otilde;es internacionais Luiz Alberto Muniz Bandeira. Em sua opini&atilde;o, os Estados Unidos &quot;aceitam&quot; esse papel estabilizador do Brasil, pois n&atilde;o disp&otilde;e de condi&ccedil;&otilde;es para atuar a Am&eacute;rica Latina, diante dos problemas que enfrenta no Oriente M&eacute;dio e do &quot;esgotamento&quot; de suas for&ccedil;as armadas nas guerras do Iraque e Afeganist&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p> A prioridade dada por Bras&iacute;lia &agrave; Am&eacute;rica do Sul tem raz&otilde;es pragm&aacute;ticas, apesar o perfil ideol&oacute;gico que lhe atribuem muitos defensores de acordos comerciais com Estados Unidos e Europa. As exporta&ccedil;&otilde;es brasileiras para os 11 demais pa&iacute;ses da Associa&ccedil;&atilde;o Latino-americana de Integra&ccedil;&atilde;o (Aladi) voltaram a superar este ano as destinadas aos EUA, situa&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o ocorria desde 1998 e que anteriormente somente foi registrada em 1992. Entre janeiro e abril, o Brasil exportou produtos no valor de US$ 7,332 bilh&otilde;es aos s&oacute;cios da Aladi, contra US$ 7,008 bilh&otilde;es para o mercado norte-americano, com a vantagem adicional de aos primeiros vender mais produtos industrializados, de maior valor agregado, e conseguir frente a eles um super&aacute;vit maior, de US$ 3,893 bilh&otilde;es nos quatro meses. A Aladi &eacute; composta de 10 pa&iacute;ses sul-americanos, todos menos Guiana e Suriname, al&eacute;m de Cuba e M&eacute;xico.<\/p>\n<p> Os investimentos brasileiros nos demais pa&iacute;ses da Am&eacute;rica do Sul somam US$ 7,540 bilh&otilde;es, segundo informou o jornal O Globo no dia 23 passado, empresas brasileiras como Petrobr&aacute;s e Ambev adquiriram v&aacute;rios neg&oacute;cios, e bancos estatais financiam numerosos projetos nas na&ccedil;&otilde;es vizinhas. Portanto, as crises que afetam pa&iacute;ses andinos amea&ccedil;am simultaneamente a expans&atilde;o econ&ocirc;mica do Brasil e seus projetos geopol&iacute;ticos. Dessa maneira, se fortalecem os argumentos de setores empresariais e pol&iacute;ticos mais interessados na &aacute;rea de Livre Com&eacute;rcio das Am&eacute;ricas e em um acordo com a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia. Mas, na esquerda, a atual pol&iacute;tica externa brasileira conta com forte apoio. &quot;O &uacute;nico erro foi enviar militares ao Haiti&quot;, comentou Gilmar Mauro, dirigente do Movimento dos Sem-Terra, refletindo a vis&atilde;o de setores sociais e pol&iacute;ticos esquerdistas, tradicionalmente pr&oacute;ximos ao Partido dos Trabalhadores.<\/p>\n<p> Participar das for&ccedil;as de paz da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas no Haiti era &quot;um dever de solidariedade ativa, apesar dos riscos&quot;, disse &agrave; IPS o deputado Paulo Delgado, especialista em rela&ccedil;&otilde;es internacionais do PT. O Haiti est&aacute; devastado pela viol&ecirc;ncia de grupos armados ilegais e ocupado por uma miss&atilde;o da ONU desde o in&iacute;cio de 2004, quando o governo constitucional foi derrubado por um golpe de Estado. O dever brasileiro responde a uma &quot;tradi&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias que o Brasil realiza com efici&ecirc;ncia&quot; em v&aacute;rias partes, especialmente nos pa&iacute;ses de l&iacute;ngua portuguesa, argumentou Delgado, apesar de sugerir que as miss&otilde;es das Na&ccedil;&otilde;es Unidas em &aacute;reas de conflito tivessem um car&aacute;ter &quot;mais social do que militar&quot;. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 02\/06\/2005 &ndash; A nova crise institucional da Bol&iacute;via, que amea&ccedil;a repetir uma derrocada presidencial como a do Equador, coloca em xeque o papel estabilizador do Brasil na Am&eacute;rica do Sul, embora a diplomacia do Itamaraty mantenha amplo apoio nacional apesar de fracassos e questionamentos. A visita do presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva &agrave; Cor&eacute;ia do Sul e ao Jap&atilde;o, e a do chanceler Celso Amorim a Israel, na semana passada, neutralizaram parte das cr&iacute;ticas ao &quot;terceiromundismo arcaico&quot; da diplomacia brasileira, lan&ccedil;adas por setores que defendem maior aproxima&ccedil;&atilde;o comercial com os grandes mercados do Norte. &quot;Enfim uma viagem relevante&quot;, afirmou um colunista do jornal econ&ocirc;mico Valor, referindo-se &agrave; viagem presidencial ao Oriente, destinada a atrair milhares de milh&otilde;es de d&oacute;lares em investimentos e ampliar as exporta&ccedil;&otilde;es.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/amrica-latina-desafios-para-a-diplomacia-brasileira\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-654","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/654","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=654"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/654\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=654"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=654"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=654"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}