{"id":655,"date":"2005-06-03T00:00:00","date_gmt":"2005-06-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=655"},"modified":"2005-06-03T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-03T00:00:00","slug":"petrleo-scios-privados-da-venezuela-pressionados-a-pagar-impostos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/petrleo-scios-privados-da-venezuela-pressionados-a-pagar-impostos\/","title":{"rendered":"Petr&oacute;leo: S&oacute;cios privados da Venezuela pressionados a pagar impostos"},"content":{"rendered":"<p>Caracas, 03\/06\/2005 &ndash; A companhia francesa Total e a norueguesa Statoil encabe&ccedil;am a lista de uma nova ofensiva tribut&aacute;ria e de pol&iacute;tica petrol&iacute;fera da Venezuela, que pretende recuperar dos cofres de seus s&oacute;cios privados v&aacute;rios bilh&otilde;es de d&oacute;lares. Se n&atilde;o cumprirem as regras, as empresas estrangeiras dever&atilde;o fechar suas portas e ir embora, uma op&ccedil;&atilde;o improv&aacute;vel nestes tempos de bons lucros pelos altos pre&ccedil;os do petr&oacute;leo e seus derivados, com um mercado global cada vez mais sedento de energia. &quot;Vamos determinar quais multinacionais deixaram de pagar tributos. Nenhuma se salvar&aacute;. Se n&atilde;o pagarem&quot;, afirmou perante o parlamento Jos&eacute; Vielma, chefe do Seniat, o escrit&oacute;rio nacional tribut&aacute;rio.<br \/> <!--more--> <br \/> Por ordens do presidente Hugo Ch&aacute;vez, o Seniat est&aacute; revisando as contas de 28 empresas multinacionais que em conjunto extraem diariamente 500 mil barris (de 159 litros) de petr&oacute;leo atrav&eacute;s de contratos de servi&ccedil;o, isto &eacute;, operam por encargo do grupo estatal Petr&oacute;leos da Venezuela (PDVSA). Os contratos foram assinados na &uacute;ltima d&eacute;cada do s&eacute;culo XX para explora&ccedil;&atilde;o de campos marginais ou maduros, onde &eacute; a extra&ccedil;&atilde;o custa mais caro. O ministro da Energia, Rafael Ram&iacute;rez, informou ao parlamento que no primeiro trimestre deste ano, com pre&ccedil;os em torno dos US$ 34,67 por barril, as multinacionais apresentaram custo m&eacute;dio de 52%, equivalentes a US$ 18,17 por barril, enquanto a PDVSA extrai seu petr&oacute;leo a um custo m&eacute;dio de US$ 4 por barril.<\/p>\n<p> Entre as operadoras figuram gigantes como a anglo-holandesa Shell, a norte-americana Chevron, a brit&acirc;nica British Petroleum, estrelas ascendentes como Petrobr&aacute;s, a espanhola Repsol e a chinesa CNPC, e pequenas como a argentina CGC ou a venezuelana Suelopetrol. Paralelamente, Ram&iacute;rez anunciou que ser&atilde;o feitas novas cobran&ccedil;as aos s&oacute;cios da PDVSA em quatro conv&ecirc;nios de associa&ccedil;&atilde;o para extrair 660 mil barris di&aacute;rios de petr&oacute;leo extra-pesado, do gigantesco dep&oacute;sito conhecido como Faixa do Orenoco (sudeste), e convert&ecirc;-los em 600 mil unidades de petr&oacute;leo leve. O primeiro desses conv&ecirc;nios revisado &eacute; Sincor, uma sociedade da PDVSA (com 38% de a&ccedil;&otilde;es), Total (47%) e Statoil (17%). Ali o Estado pretende recuperar US$ 1 bilh&atilde;o, disse Ram&iacute;rez.<\/p>\n<p> O direito de uso do recurso b&aacute;sico, o petr&oacute;leo do subsolo que essas associa&ccedil;&otilde;es pagavam era de 1% at&eacute; setembro, quando o governou aumentou para 16,6%. Mas, as autoridades descobriram que a Sincor produz o dobro do previsto em seu contrato e pelo excesso cobrar&aacute; 30%. Segundo o projeto original, a Sincor extrairia 114 mil barris di&aacute;rios e produziria 100 mil unidades de &oacute;leo sint&eacute;tico, &quot;mas atualmente produz 210 mil barris por dia, al&eacute;m do que lhe foi concedido em uma zona de 250 quil&ocirc;metros quadrados com 1,5 milh&atilde;o de barris em reservas, e explora uma &aacute;rea de 324 quil&ocirc;metros quadrados com 2,5 bilh&otilde;es de barris em reserva&quot;, disse Ram&iacute;rez.<\/p>\n<p> O ministro afirmou que a Sincor, bem como a Petrozuata, uma associa&ccedil;&atilde;o da PDVA com a norte-americana ConocoPhillips, descumpriu o acordo de injetar vapor nos po&ccedil;os, o que reduz a capacidade de produ&ccedil;&atilde;o e as reservas provadas. Assim, de cada po&ccedil;o se retira apenas 7% do petr&oacute;leo, quando as tecnologias dispon&iacute;veis permitem extrair 22%, argumentou Ram&iacute;rez. se se projetasse essa taxa de recupera&ccedil;&atilde;o de 7% a toda a Faixa, a Venezuela teria ali 84 bilh&otilde;es de barris para serem extra&iacute;dos, em lugar dos 267 bilh&otilde;es de barris que usa para se ufanar de possuir o maior dep&oacute;sito de petr&oacute;leo pesado do planeta.<\/p>\n<p> Segundo os ge&oacute;logos, na Faixa do Orenoco haveria 1,2 bilh&otilde;es de barris de petr&oacute;leo extra-pesado, mas, por suas condi&ccedil;&otilde;es (peso, densidade, viscosidade, profundidade e mistura com outros materiais) apenas pode-se extrair desses po&ccedil;os 22 em cada cem unidades. Um manejo inadequado ou que prejudique os po&ccedil;os, que leve a extrair apenas a por&ccedil;&atilde;o mais f&aacute;cil do &oacute;leo, sem injetar vapor, &aacute;gua ou g&aacute;s, pode deixar irrecuper&aacute;vel o restante do petr&oacute;leo, reduzindo notavelmente as reservas do pa&iacute;s. Em Paris, um porta-voz do grupo Total disse estar &quot;extremamente surpreso&quot; pela reclama&ccedil;&atilde;o de Ram&iacute;rez, pois o projeto &quot;foi devidamente aprovado em todas suas etapas segundo os processos legislativos e regulamentares vigentes na Venezuela&quot;.<\/p>\n<p> Em Oslo, Kai Nielsen, porta-voz da Statoil, disse que &quot;estamos dispostos a nos reunir com o ministro e ouvi-lo, pois temos documentos que mostram que obedecemos as regras fixadas tanto para os volumes produzidos quanto para a superf&iacute;cie de explora&ccedil;&atilde;o&quot;. &quot;N&atilde;o queremos que as multinacionais deixem o pa&iacute;s, mas que cumpra a lei&quot;, disse o deputado oficialista Rodrigo Cabezas, que dirige a comiss&atilde;o parlamentar que investiga os conv&ecirc;nios de servi&ccedil;o e as associa&ccedil;&otilde;es na Faixa. As sociedades que extraem mais petr&oacute;leo al&eacute;m do inicialmente estabelecido dever&atilde;o voltar aos volumes originais, &quot;a menos que o Estado considere conveniente a nova quantidade produzida. Mas, nesse caso, o parlamento intervir&aacute;&quot;, disse Cabezas.<\/p>\n<p> Vielma afirmou que em quest&atilde;o de dias apresentaria as exig&ecirc;ncias tribut&aacute;rias &aacute;s operadoras nos contratos de servi&ccedil;o, e Ram&iacute;rez reiterou que no final deste ano cessar&aacute; esse tipo de conv&ecirc;nio e se oferecer&aacute; &agrave;s companhias um esquema de sociedades com a PDVSA. &quot;As empresas entendem? Continuaremos trabalhando. N&atilde;o entendem? Ent&atilde;o n&atilde;o nos interessa continuar trabalhado com companhias que n&atilde;o entendem este assunto&quot;, disse Ram&iacute;rez. fontes da c&acirc;mara que re&uacute;ne as operadoras estrangeiras disseram &agrave; IPS que a maioria das empresas aceitar&aacute; o novo esquema de associa&ccedil;&atilde;o, dependendo dos termos que o Estado impor e das facilidades que der para ressarcimento das novas cargas tribut&aacute;rias.<\/p>\n<p> Como pano de fundo, a Venezuela vive uma guerra de n&uacute;meros entre o oficialismo e a oposi&ccedil;&atilde;o a respeito de sua real produ&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo, da renda obtida com divisas por meio dessa atividade e do manejo desses recursos pelo presidente Hugo Ch&aacute;vez. Grandes quantidades de dinheiro s&atilde;o destinadas por Ch&aacute;vez ao financiamento, em certas ocasi&otilde;es diretamente atrav&eacute;s da PDVSA e n&atilde;o dos minist&eacute;rios correspondentes, programas de educa&ccedil;&atilde;o de adultos, de sa&uacute;de, habitacional e de venda de alimentos. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caracas, 03\/06\/2005 &ndash; A companhia francesa Total e a norueguesa Statoil encabe&ccedil;am a lista de uma nova ofensiva tribut&aacute;ria e de pol&iacute;tica petrol&iacute;fera da Venezuela, que pretende recuperar dos cofres de seus s&oacute;cios privados v&aacute;rios bilh&otilde;es de d&oacute;lares. Se n&atilde;o cumprirem as regras, as empresas estrangeiras dever&atilde;o fechar suas portas e ir embora, uma op&ccedil;&atilde;o improv&aacute;vel nestes tempos de bons lucros pelos altos pre&ccedil;os do petr&oacute;leo e seus derivados, com um mercado global cada vez mais sedento de energia. &quot;Vamos determinar quais multinacionais deixaram de pagar tributos. Nenhuma se salvar&aacute;. 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