{"id":656,"date":"2005-06-03T00:00:00","date_gmt":"2005-06-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=656"},"modified":"2005-06-03T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-03T00:00:00","slug":"congo-o-ouro-que-financia-a-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/congo-o-ouro-que-financia-a-guerra\/","title":{"rendered":"Congo: O ouro que financia a guerra"},"content":{"rendered":"<p>Johannesburgo, 03\/06\/2005 &ndash; A disputa por ouro entre mil&iacute;cias da Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo que contaram com apoio de Uganda e Ruanda levou a graves abusos, advertiu a organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos Human Rights Watch. As mil&iacute;cias tribais apoiadas por esses dois pa&iacute;ses lutam pelo controle das grandes jazidas de ouro no nordeste do pa&iacute;s, criando obst&aacute;culos &agrave;s gest&otilde;es para acabar definitivamente com a guerra civil, diz o relat&oacute;rio &quot;A maldi&ccedil;&atilde;o do ouro&quot;, divulgada esta semana pela HRW. Entre 2002 e 2004, cerca de dois mil civis foram assassinados e dezenas de milhares tiveram de deixar suas casas na batalha pro Mongbwalou, uma das principais &aacute;reas de minera&ccedil;&atilde;o. Os combatentes procuravam enriquecer e financiar seus esfor&ccedil;os de guerra com o ouro, diz o informe.<br \/> <!--more--> <br \/> Essa luta foi o contexto no qual foram cometidos numerosos assassinatos, torturas e viola&ccedil;&otilde;es, segundo os autores do documento da HRW. As mil&iacute;cias (Frente nacionalista e Integracionista (FNI), pr&oacute;xima a Uganda, e a Uni&atilde;o de Patriotas Congolenses, pr&oacute;xima a Ruanda) ocuparam a Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo durante a guerra civil que imperou no pa&iacute;s entre 1998 e 2003. investiga&ccedil;&otilde;es conduzidas pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas imputam a Ruanda e Uganda a explora&ccedil;&atilde;o ilegal de recursos da RDC durante a guerra. Os soldados ugandenses que &quot;assumiram o controle direto de &aacute;reas ricas em ouro para extrair o mineral em seu benef&iacute;cio costumavam surrar e prender arbitrariamente quem desobedecia suas ordens&quot;, diz o relat&oacute;rio.<\/p>\n<p> A HRW reproduz c&aacute;lculos segundo os quais passaram para m&atilde;os ugandenses mais de US$ 9 milh&otilde;es em ouro. No per&iacute;odo de p&oacute;s-guerra, a companhia mineira AngloGold Ashanti se instalou perto de Mongbwalu, depois de dar &quot;apoio financeiro e log&iacute;stico&quot; &agrave; FNI, apesar dos maus antecedentes desse movimento em mat&eacute;ria de direitos humanos e de se manter &agrave; margem das negocia&ccedil;&otilde;es de paz. Esta filial do grupo mineiro Anglo American pagou, supostamente, US$ 8 mil &agrave; FNI para poder se estabelecer nesse local, embora j&aacute; possu&iacute;sse essa concess&atilde;o de maneira oficial em 1996. a companhia teve de se retirar por causa da guerra civil.<\/p>\n<p> O ouro extra&iacute;do com ajuda de grupos armados continua sendo exportado para Uganda, onde &eacute; colocado no mercado internacional. Isso converteu esse min&eacute;rio na terceira exporta&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, apesar de em seu territ&oacute;rio n&atilde;o possuir quantidades compat&iacute;veis. &quot;As estat&iacute;sticas oficiais demonstram que a produ&ccedil;&atilde;o de ouro de Uganda representa menos de um por cento das exporta&ccedil;&otilde;es do pa&iacute;s. Quando pedimos explica&ccedil;&otilde;es ao Minist&eacute;rio de Energia e Desenvolvimento de Minas, esse negou-se a fazer coment&aacute;rios&quot;, disse Anneke Van Woudenberg, investigadora da HRW, em entrevista coletiva em Johannesburgo. &quot;O ouro &eacute; tirada da Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo e quanto chega a Uganda &eacute; &quot;legalizado&quot; com a emiss&atilde;o de um certificado que permite sua exporta&ccedil;&atilde;o para a Europa e outras regi&otilde;es&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> Uganda nega seu envolvimento no saque dos recursos do pa&iacute;s vizinho. As tropas ugandenses cruzaram a fronteira pela primeira vez para contribuir para a queda do ditador Mobutu Sese Seko, nos anos 90, e depois voltaram-se contra Laurent Kabila, o guerrilheiro que assumiu o poder. Quando Uganda e Ruanda come&ccedil;aram a apoiar mil&iacute;cias rivais de Kabila, o l&iacute;der congolense e seu sucessor e filho, Joseph KAbila, pediram ajuda a Angola, Nam&iacute;bia e Zimb&aacute;bue. A ONU tamb&eacute;m aponta contra o Zimb&aacute;bue pela explora&ccedil;&atilde;o ilegal de recursos minerais da RDC. Mas esse pa&iacute;s, como Ruanda e Uganda, nega as acusa&ccedil;&otilde;es. Por sua vez, o chefe-adjunto da AngloGold Ashanti convocou uma entrevista coletiva na quarta-feira, mesmo dia em que a HRW apresentou seu relat&oacute;rio, para qualific&aacute;-lo de &quot;injusto e tendencioso&quot;.<\/p>\n<p> Por&eacute;m, a companhia admitiu ter realizado pagamentos &agrave; FNI no total de US$ 9 mil, mas a t&iacute;tulo de transporte a&eacute;reo local. &quot;A AngloGold Ashanti n&atilde;o ap&oacute;ia e n&atilde;o apoiar&aacute; mil&iacute;cias ou outros grupos cuja a&ccedil;&atilde;o constitua um ataque aos esfor&ccedil;os de paz e &agrave; democracia&quot;, afirmou a empresa. Van Woudenberg considerou que a Ashanti deveria ter esperado at&eacute; que as condi&ccedil;&otilde;es em Mongbwalu lhe permitissem operar &quot;sem necessidade de interagir com senhores da guerra abusivos&quot;. A RDC &quot;necessita desesperadamente de investimentos para reconstruir o pa&iacute;s, mas as empresas n&atilde;o devem apoiar de modo algum grupos armados respons&aacute;veis por crimes contra a humanidade&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> A refinadora de ouro su&iacute;&ccedil;a Metalor Technologies tamb&eacute;m foi mencionada no relat&oacute;rio da HRW por supostamente comprar de Uganda ouro de origem congolense. Mas essa empresa suspendeu tais opera&ccedil;&otilde;es ap&oacute;s realizar consultas com a organiza&ccedil;&atilde;o, com sede em Nova York. Hoje, uma for&ccedil;a internacional de 17 mil soldados est&aacute; espalhada pelo vasto territ&oacute;rio da RDC para garantir a lei e a ordem. O governo interino de unidade nacional instaurado pelos acordos de paz &eacute; encabe&ccedil;ado por Joseph Kabila. As vers&otilde;es mais aceitas indicam que a guerra civil deixou quatro milh&otilde;es de mortos, tanto em raz&atilde;o dos combates quanto pela fome e pelas doen&ccedil;as. (IPS\/Envolverde) <\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Johannesburgo, 03\/06\/2005 &ndash; A disputa por ouro entre mil&iacute;cias da Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo que contaram com apoio de Uganda e Ruanda levou a graves abusos, advertiu a organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos Human Rights Watch. As mil&iacute;cias tribais apoiadas por esses dois pa&iacute;ses lutam pelo controle das grandes jazidas de ouro no nordeste do pa&iacute;s, criando obst&aacute;culos &agrave;s gest&otilde;es para acabar definitivamente com a guerra civil, diz o relat&oacute;rio &quot;A maldi&ccedil;&atilde;o do ouro&quot;, divulgada esta semana pela HRW. Entre 2002 e 2004, cerca de dois mil civis foram assassinados e dezenas de milhares tiveram de deixar suas casas na batalha pro Mongbwalou, uma das principais &aacute;reas de minera&ccedil;&atilde;o. Os combatentes procuravam enriquecer e financiar seus esfor&ccedil;os de guerra com o ouro, diz o informe.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/congo-o-ouro-que-financia-a-guerra\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":150,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-656","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/656","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/150"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=656"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/656\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=656"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=656"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=656"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}