{"id":6571,"date":"2010-05-18T12:27:40","date_gmt":"2010-05-18T12:27:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6571"},"modified":"2010-05-18T12:27:40","modified_gmt":"2010-05-18T12:27:40","slug":"mozambique-coexistir-com-as-cheias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/05\/africa\/mozambique-coexistir-com-as-cheias\/","title":{"rendered":"MOZAMBIQUE: Coexistir com as cheias"},"content":{"rendered":"<p>GABEORONE, 18\/05\/2010 &ndash; O m\u00eas de Abril assinala o fim da \u00e9poca das cheias em Mo\u00e7ambique. Os gestores dos recursos h\u00eddricos do pa\u00eds v\u00e3o brevemente poder avaliar os efeitos das pol\u00edticas em mudan\u00e7a. <!--more--> Todos os anos, os principais rios que atravessam Mo\u00e7ambique a caminho do Oceano \u00cdndico \u2013 o Pungwe, o Limpopo e o Zambeze \u2013 aumentam com as chuvas e transbordam das margens durante a \u00e9poca das chuvas, entre Novembro e Abril. Em 2001, as cheias mataram perto de 700 pessoas e deixaram outras 500.000 deslocadas. <\/p>\n<p>Os especialistas em gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos e cat\u00e1strofes que participaram num semin\u00e1rio para organiza\u00e7\u00f5es que estudam bacias hidrogr\u00e1ficas em Gaberone, nos dias 20-21 de Abril, disseram \u00e0 IPS que come\u00e7aram a alterar a sua an\u00e1lise das cheias anuais com vista a ajudar as pessoas que vivem nas zonas baixas a encontrarem uma coexist\u00eancia lucrativa com a \u00e1gua. <\/p>\n<p>\u201cAs cheias existir\u00e3o sempre e chegou agora a altura de come\u00e7armos a viver com elas e de procurarmos uma forma de beneficiarmos delas,\u201d disse Olinda Costa Sousa, directora da ag\u00eancia de gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos da zona sul do pa\u00eds \u2013 ARA-SUL (Administra\u00e7\u00e3o Regional de \u00c1guas do Su).<\/p>\n<p>Tradicionalmente, a gest\u00e3o das cheias tem-se centrado na redu\u00e7\u00e3o da ocorr\u00eancia ou gravidade das cheias nas zonas onde existem popula\u00e7\u00f5es, mas as institui\u00e7\u00f5es regionais respons\u00e1veis pelos recursos h\u00eddricos de Mo\u00e7ambique est\u00e3o a explorar alternativas. O n\u00edvel elevado das \u00e1guas tamb\u00e9m espalha nutrientes nas plan\u00edcies afectadas pelas cheias, e regeneram as zonas h\u00famidas onde existe peixe. Isto atrai pessoas para viver perto dos rios, onde as suas casas podem estar em perigo. <\/p>\n<p>\u201cTer a percep\u00e7\u00e3o que as cheias s\u00e3o perigosas \u00e9 importante para os habitantes locais mas, ao mesmo tempo, educ\u00e1-los sobre como utilizar os atributos positivos, como solos f\u00e9rteis e recursos piscat\u00f3rios, s\u00e3o algumas das coisas que o governo est\u00e1 a tentar transmitir aos habitantes das bacias dos rios,\u201d disse Sousa.<\/p>\n<p>Sergio Sitoe, do Secretariado Interino da Comiss\u00e3o da Bacia do Limpopo, d\u00e1 explica\u00e7\u00f5es adicionais. \u201cComo medida de equil\u00edbrio entre o aproveitamento dos efeitos positivos das cheias e a gest\u00e3o dos seus impactos, o Departamento de Recursos H\u00eddricos de Mo\u00e7ambique est\u00e1 a tentar formular planos que permitam aos habitantes das bacias hidrogr\u00e1ficas locais coexistirem com as cheias, visto que a quest\u00e3o das cheias \u00e9 perene. <\/p>\n<p>Para garantir que as pessoas que vivem nas plan\u00edcies ujeitas a cheias ao longo das bacias hidrogr\u00e1ficas conhe\u00e7am as vantagens e desvantagens da sua localiza\u00e7\u00e3o, o pa\u00eds criou comiss\u00f5es para a gest\u00e3o de cat\u00e1strofes a n\u00edvel local, visando ajudar a educar as pessoas sobre como se podem proteger, enquanto beneficiam das vantagens existentes.<\/p>\n<p>Solu\u00e7\u00f5es <\/p>\n<p>Isto inclui encorajar os alde\u00f5es a terem duas casas \u2013 uma perto das explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas ou das zonas usadas pare pescar ao longo dos rios, e outra numa zona mais alta que ficar\u00e1 acima da linha da \u00e1gua mesmo nos anos mais chuvosos. <\/p>\n<p>Noutras \u00e1reas onde as cheias n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o severas, os habitantes s\u00e3o encorajados a construirem casas elevadas que deixam a \u00e1gua fluir por debaixo delas sem perigo de serem arrastadas. <\/p>\n<p>\u201cSe encorajamos as pessoas a permanecerem nas zonas onde h\u00e1 cheias, temos de educ\u00e1-las sobre a forma como devem reagir aos sistemas de alerta e como devem encontrar as rotas de fuga que podem ser usadas durante a evacua\u00e7\u00e3o para zonas seguras quando os n\u00edveis da \u00e1gua sobem,\u201d disse Helio Banze, director da bacia Umbeluzi-Maputo.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe uma solu\u00e7\u00e3o \u00fanica para organizar uma participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria eficaz n gest\u00e3o das cheias, cabendo tamb\u00e9m aos habitantes compreender que a sua seguran\u00e7a \u00e9 de import\u00e2ncia primordidal e que as cheias s\u00e3o muito perigosas. <\/p>\n<p>Apesar de isto parecer evidente, muitas pessoas recusam-se a sair das zonas sujeitas a cheias devido a raz\u00f5es culturais e a cren\u00e7as. \u201cEstas s\u00e3o as pessoas que muitas vezes morrem devido \u00e0s cheias porque ignoram por completo os sistemas de alerta\u201d, disse Sitoe. <\/p>\n<p>Um outro obst\u00e1culo \u00e0 gest\u00e3o eficaz das cheias \u00e9 o facto de a maior parte dos habitantes considerar o seu gado um s\u00edmbolo de riqueza econ\u00f3mica, e n\u00e3o subir para zonas mais elevadas porque os seus animais n\u00e3o conseguem subir encostas \u00edngremes,\u201d disse Banze.<\/p>\n<p>Mas o maior desafio s\u00e3o os habitantes que continuam a viver nas plan\u00edcies sujeitas a cheias e que sobreviveram \u00e0s cheias, explicou Cacilda Machava, directora da ag\u00eancia de gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos no rio Zambeze em Mo\u00e7ambique. <\/p>\n<p>\u201cEstas pessoas acreditam que podem resistir \u00e0s cheias, n\u00e3o reagindo a quaisquer sistemas de alerta; o maior receio que os grupos de gest\u00e3o de cat\u00e1strofes t\u00eam \u00e9 que a cheia seguinte tenha maior dimens\u00e3o e as destrua.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GABEORONE, 18\/05\/2010 &ndash; O m\u00eas de Abril assinala o fim da \u00e9poca das cheias em Mo\u00e7ambique. 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