{"id":658,"date":"2005-06-03T00:00:00","date_gmt":"2005-06-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=658"},"modified":"2005-06-03T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-03T00:00:00","slug":"infncia-um-milho-de-maltratados-na-europa-e-sia-central","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/infncia-um-milho-de-maltratados-na-europa-e-sia-central\/","title":{"rendered":"Inf&acirc;ncia: Um milh&atilde;o de maltratados na Europa e &Aacute;sia Central"},"content":{"rendered":"<p>Londres, 03\/06\/2005 &ndash; Mais de um milh&atilde;o de meninas e meninos v&atilde;o v&iacute;timas de maus-tratos em internatos da Europa e da &Aacute;sia central, alertou esta semana o Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia. &quot;Esse n&uacute;mero &eacute; uma estimativa conservadora. H&aacute; grandes lacunas de informa&ccedil;&atilde;o porque muitas crian&ccedil;as, bem como seus problemas, s&atilde;o invis&iacute;veis para n&oacute;s&quot;, disse &agrave; IPS a porta-voz do Unicef, &Acirc;ngela Hawke. A ag&ecirc;ncia calcula que do total 605 mil meninos e meninas vivem em institui&ccedil;&otilde;es escolares ou correcionais da Europa e &Aacute;sia, e o restante na Europa ocidental. Muitas dessas crian&ccedil;as s&atilde;o imigrantes, infratores da lei, ou pertencem a fam&iacute;lias que solicitaram asilo. Mas, tamb&eacute;m h&aacute; menores abandonados por seus pais ou que recorreram &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es para fugir da pobreza ou da viol&ecirc;ncia em suas pr&oacute;prias fam&iacute;lias.<br \/> <!--more--> <br \/> Hawke expressou preocupa&ccedil;&atilde;o pelo fato de o Unicef ainda n&atilde;o ter dados completos, e assinalou que o problema pode ser muito maior. &quot;Se n&atilde;o se sabe de quantas crian&ccedil;as se est&aacute; falando, como atender os problemas que enfrentam? Como calcular quantas s&atilde;o v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia?&quot;, perguntou. O Unicef apresentou estes dados &agrave;s v&eacute;speras de uma confer&ecirc;ncia sobre viol&ecirc;ncia contra a inf&acirc;ncia, que acontecer&aacute; em julho na Eslov&ecirc;nia. Nessa ocasi&atilde;o se propor&aacute; realizar um amplo estudo da situa&ccedil;&atilde;o para 2006. Mas, esta ag&ecirc;ncia do sistema da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas n&atilde;o somente detectou um vazio de informa&ccedil;&atilde;o como, tamb&eacute;m, uma grande falta de aten&ccedil;&atilde;o para o problema por parte das autoridades durante v&aacute;rias gera&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p> Uma comiss&atilde;o governamental criada na Irlanda para investigar maus-tratos contra crian&ccedil;as em institui&ccedil;&otilde;es coletou tantas den&uacute;ncias que decidiu adiar a publica&ccedil;&atilde;o de seu informe final para 2008, disse Hawke. Das primeiras tr&ecirc;s mil den&uacute;ncias, 60% foram feitas por pessoas que agora est&atilde;o com mais de 50 anos. isso demonstra &quot;que se trata de um problema que esteve invis&iacute;vel por muito tempo&quot;, ressaltou a porta-voz. O Unicef tamb&eacute;m tenta detectar quais s&atilde;o as circunst&acirc;ncias em que os menores correm maior risco. &quot;Ao que parece, o momento mais perigoso &eacute; quando o menino &eacute; preso pela primeira vez. Conforme ingressam no sistema, correm menos riscos, mas, n&atilde;o estamos completamente seguros disso&quot;, acrescentou Hawke.<\/p>\n<p> &quot;As crian&ccedil;as em institui&ccedil;&otilde;es residenciais, desde orfanatos at&eacute; centros de deten&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o terrivelmente vulner&aacute;veis&quot;, disse a diretora regional do Unicef para a Europa ocidental e central e a Comunidade Brit&acirc;nica de Na&ccedil;&otilde;es, Maria Calivis. &quot;S&atilde;o terrivelmente vulner&aacute;veis porque est&atilde;o separados da sociedade em um ambiente fechado, e quanto mais fechado o ambiente maior &eacute; o risco de viol&ecirc;ncia e mais escassas as possibilidades de serem denunciadas&quot;, afirmou. &quot;Temos que lembrar que meninos e meninas que acabam em institui&ccedil;&otilde;es j&aacute; passaram por coisas muito ruins. Escaparam dos problemas da fam&iacute;lia, e isso s&oacute; aumenta sua vulnerabilidade&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> O Unicef indicou que, enquanto os maus-tratos continuam, muitos pa&iacute;ses carecem de sistemas para constat&aacute;-los e det&ecirc;-los. A ag&ecirc;ncia da ONU expressou especial preocupa&ccedil;&atilde;o pela falta de proibi&ccedil;&otilde;es expressas ao castigo f&iacute;sico em institui&ccedil;&otilde;es da B&eacute;lgica, Fran&ccedil;a, Quirguist&atilde;o, Moldova e Rep&uacute;blica Checa. Tamb&eacute;m assinalou que 80% das crian&ccedil;as em internatos escolares no Cazaquist&atilde;o s&atilde;o maltratadas e que 62 em cada 71 menores em institui&ccedil;&otilde;es brit&acirc;nicas ouvidos por especialistas disseram que alguma vez foram v&iacute;timas de viol&ecirc;ncia por parte de seus pr&oacute;prios companheiros. A metade deles foi atacada com facas ou paus.<\/p>\n<p> Na reuni&atilde;o de julho, o Unicef exortar&aacute; os governos a proibirem explicitamente em suas leis toda forma de viol&ecirc;ncia contra meninos e meninas em qualquer &acirc;mbito, bem como para deixar claro que a reclus&atilde;o de um menor de idade &eacute; uma medida de &uacute;ltimo recurso. Tamb&eacute;m far&aacute; um chamado no sentido de se lan&ccedil;ar um plano para coletar informa&ccedil;&atilde;o regional sobre a situa&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as em institui&ccedil;&otilde;es para menores, bem como para proporcionar melhores sal&aacute;rios aos funcion&aacute;rios desses centros e garantir que estejam qualificados para enfrentar tens&otilde;es e conflitos. Al&eacute;m disso, o Unicef pedir&aacute; a cria&ccedil;&atilde;o de canais adequados para que meninos e meninas possam apresentar den&uacute;ncias em casos de abusos e permitir que tenham acesso regular aos seus familiares, a menos que isso tamb&eacute;m os coloque em risco. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Londres, 03\/06\/2005 &ndash; Mais de um milh&atilde;o de meninas e meninos v&atilde;o v&iacute;timas de maus-tratos em internatos da Europa e da &Aacute;sia central, alertou esta semana o Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia. &quot;Esse n&uacute;mero &eacute; uma estimativa conservadora. H&aacute; grandes lacunas de informa&ccedil;&atilde;o porque muitas crian&ccedil;as, bem como seus problemas, s&atilde;o invis&iacute;veis para n&oacute;s&quot;, disse &agrave; IPS a porta-voz do Unicef, &Acirc;ngela Hawke. A ag&ecirc;ncia calcula que do total 605 mil meninos e meninas vivem em institui&ccedil;&otilde;es escolares ou correcionais da Europa e &Aacute;sia, e o restante na Europa ocidental. Muitas dessas crian&ccedil;as s&atilde;o imigrantes, infratores da lei, ou pertencem a fam&iacute;lias que solicitaram asilo. 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