{"id":6597,"date":"2010-05-21T15:03:55","date_gmt":"2010-05-21T15:03:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6597"},"modified":"2010-05-21T15:03:55","modified_gmt":"2010-05-21T15:03:55","slug":"contra-o-trabalho-escravo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/05\/america-latina\/contra-o-trabalho-escravo\/","title":{"rendered":"Contra o trabalho escravo"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 21\/05\/2010 &ndash; Cooperativas t\u00eaxteis da Argentina e da Tail\u00e2ndia criadas por ex-trabalhadores escravizados lan\u00e7ar\u00e3o juntas, em junho, uma nova marca de roupas contra a explora\u00e7\u00e3o e a favor do trabalho decente na ind\u00fastria do vestu\u00e1rio. <!--more--> A organiza\u00e7\u00e3o argentina La Alameda e a tailandesa Dignity Returns colocar\u00e3o \u00e0 venda, no dia 4 de junho, milhares de camisetas com diversas estampas da marca \u201cNo Chains\u201d (sem correntes) e esperam produzir outras pe\u00e7as em associa\u00e7\u00e3o com outras cooperativas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um grito a favor do trabalho decente e uma forma de mostrar que se pode produzir roupa de boa qualidade sem necessidade de escravizar os trabalhadores\u201d, disse \u00e0 IPS um dos promotores da ideia, Gustavo Vera, da La Alameda. Esta organiza\u00e7\u00e3o nasceu no final de 2001 como restaurante comunit\u00e1rio, onde chegavam numerosos trabalhadores bolivianos sem documentos que conseguiam fugir das oficinas clandestinas de costura, que se espalharam por Buenos Aires nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>As constantes den\u00fancias desta organiza\u00e7\u00e3o, mais um grave acidente em uma das oficinas no qual morreram seis pessoas, cinco delas crian\u00e7as, chamaram a aten\u00e7\u00e3o para o trabalho escravo baseado na m\u00e3o-de-obra de imigrantes ilegais na Argentina. Estes cumpriam nessas oficinas longas jornadas sem descanso, amontoados no mesmo lugar onde viviam com suas fam\u00edlias, sem documentos, dinheiro, e tinham apenas permiss\u00e3o para sair.<\/p>\n<p>Essas oficinas clandestinas forneciam para grandes marcas multinacionais do vestu\u00e1rio como Puma, Bensimon, Lecoq, Soho ou Kosiuko, segundo den\u00fancia de ex-trabalhadores perante a justi\u00e7a, que expropriou o maquin\u00e1rio, mas sem condenar os respons\u00e1veis. Com alguns dos oper\u00e1rios que deixaram essas oficinas, foi formada a cooperativa t\u00eaxtil que tem sua pr\u00f3pria marca, \u201cMundo Alameda\u201d, e que trabalha com apoio da n\u00e3o governamental Funda\u00e7\u00e3o Avina.<\/p>\n<p>Por outro lado, na Tail\u00e2ndia, um grupo de mulheres demitidas sem indeniza\u00e7\u00e3o da firma Bed and Bath, quando esta fechou, formaram a cooperativa Solidarity Factory que depois virou Dignity Returns. Suas integrantes asseguram que na f\u00e1brica faziam roupas para marcas como Nike, Gap e outras, e que eram obrigadas a trabalhar durante jornadas extenuantes, sendo multadas quando demonstravam cansa\u00e7o. Os dois grupos se conheceram em 2009, durante um encontro internacional do Centro de Monitoramento de Recursos Trabalhistas, com sede em Hong Kong, e decidiram unir for\u00e7as para que suas den\u00fancias fossem ouvidas. A nova marca ser\u00e1 lan\u00e7ada simultaneamente em Buenos Aires e Bangcoc.<\/p>\n<p>Em seu site, a No Chains marca sua posi\u00e7\u00e3o. \u201cAs roupas que vemos comumente, aquelas de importantes marcas, s\u00e3o majoritariamente produzidas em uma ind\u00fastria que acorrenta os trabalhadores\u201d. Por isso, a ideia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 lan\u00e7ar uma marca ou iniciar uma empresa autogerenciada, mas, sobretudo, chamar a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de que a produ\u00e7\u00e3o industrial seja feita com respeito \u00e0 dignidade dos trabalhadores, sem explora\u00e7\u00e3o nem escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cQueremos denunciar por meio de um fato positivo a persist\u00eancia do trabalho escravo, que tem mercados globais e que leva grandes marcas a se aproveitarem de situa\u00e7\u00f5es sociais vulner\u00e1veis e de legisla\u00e7\u00f5es fracas para impor o trabalho for\u00e7ado em diferentes partes do mundo\u201d, explicou Vera. Para as estampas, as cooperativas fizeram um concurso internacional e seis foram as ganhadoras: duas da Argentina, uma da Coreia do Sul, uma dos Estados Unidos, outra da Indon\u00e9sia e uma da Hong Kong.<\/p>\n<p>As cooperativas come\u00e7aram a produ\u00e7\u00e3o para o lan\u00e7amento, e a ideia \u00e9 colocar as roupas em consigna\u00e7\u00e3o em diversos locais, de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais a sindicatos. Segundo informou Vera, a ideia \u00e9 ampliar a sociedade em uma rede de cooperativas que se somem \u00e0 campanha. De fato, h\u00e1 conversa\u00e7\u00f5es para a incorpora\u00e7\u00e3o de duas, das Filipinas e da Indon\u00e9sia, que tamb\u00e9m denunciam o trabalho escravo. \u201cQueremos chegar em poucos anos a englobar 20 a 30 cooperativas de diversos pa\u00edses do mudo em desenvolvimento\u201d, afirmou. Tamb\u00e9m existem planos de diversificar a marca para outros produtos.<\/p>\n<p>O projeto, segundo os observadores n\u00e3o tem antecedentes. Houve uma campanha de incentivo \u00e0 venda da chamada \u201croupa limpa\u201d, livre de trabalho escravo, propiciada por organiza\u00e7\u00f5es de consumidores, mas nunca de produtores independentes. \u201cEsta \u00e9 a primeira vez que se unem trabalhadores procedentes de situa\u00e7\u00f5es de escravid\u00e3o para denunciar a explora\u00e7\u00e3o e mostrar que \u00e9 poss\u00edvel produzir em condi\u00e7\u00f5es trabalhistas dignas, decentes\u201d, ressaltou Vera. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 21\/05\/2010 &ndash; Cooperativas t\u00eaxteis da Argentina e da Tail\u00e2ndia criadas por ex-trabalhadores escravizados lan\u00e7ar\u00e3o juntas, em junho, uma nova marca de roupas contra a explora\u00e7\u00e3o e a favor do trabalho decente na ind\u00fastria do vestu\u00e1rio. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/05\/america-latina\/contra-o-trabalho-escravo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5],"tags":[19,17,21],"class_list":["post-6597","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-arte-y-cultura","tag-asia-e-pacifico","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6597","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6597"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6597\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6597"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6597"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6597"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}