{"id":66,"date":"2005-01-20T00:00:00","date_gmt":"2005-01-20T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=66"},"modified":"2005-01-20T00:00:00","modified_gmt":"2005-01-20T00:00:00","slug":"direitos-humanos-a-hora-da-somlia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/direitos-humanos-a-hora-da-somlia\/","title":{"rendered":"Direitos humanos: A hora da Som&aacute;lia"},"content":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, 20\/01\/2005 &ndash; A capacidade das futuras autoridades da Som&aacute;lia para abordar as viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos que assolaram o pa&iacute;s desde 1991, quando ficou sem governo central e &agrave; merc&ecirc; dos senhores da guerra, &eacute; uma inc&oacute;gnita. Prev&ecirc;-se que o governo, encabe&ccedil;ado pelo presidente Abdullahi Ahmede, e pelo primeiro-ministro, ali Mohammed Ghedi, seja formado no vizinho Qu&ecirc;nia este m&ecirc;s e se traslade para a capital somaliana, Mogad&iacute;scio, no final do ano. Um acordo de paz foi assinado em Nair&oacute;bi no m&ecirc;s passado. O Grupo dos 10 (G-10), rede de organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias locais, advertiu que os senhores da guerra que ainda lutam pelo poder n&atilde;o contam com pessoal adequado para restaurar os direitos humanos nesse pa&iacute;s do Chifre da &Aacute;frica.<br \/> <!--more--> <br \/> &quot;L&iacute;deres e comandantes das fac&ccedil;&otilde;es armadas que poderiam ser acusados de crimes de guerra e contra a humanidade negociam um acordo de paz cujo ponto principal &eacute; compartilhar o governo na Som&aacute;lia de p&oacute;s-guerra&quot;, informou o G-10. &quot;O processo de paz dominado por senhores da guerra deixa um problema: como estabelecer um contexto que atenda as graves viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos do passado, inclu&iacute;dos casos documentados de assassinato pol&iacute;tico, massacres, viola&ccedil;&otilde;es em massa, morte indiscriminada de civis desarmados, ocupa&ccedil;&otilde;es for&ccedil;adas e deslocamentos&quot;, acrescentou a rede.<\/p>\n<p> As conversa&ccedil;&otilde;es de paz sobre a Som&aacute;lia acontecem no Qu&ecirc;nia desde 2002. Estas negocia&ccedil;&otilde;es culminaram com a elei&ccedil;&atilde;o de um parlamento de 275 membros no dia 22 de agosto. Alguns deles s&atilde;o senhores da guerra que controlam poderosas fac&ccedil;&otilde;es e que est&atilde;o envolvidos em combates. Com a media&ccedil;&atilde;o da Autoridade Intergovernamental sobre Desenvolvimento (IGAD), um organismo regional do qual participam Djibuti, Eritr&eacute;ia, Eti&oacute;pia, Qu&ecirc;nia, Som&aacute;lia, Sud&atilde;o e Uganda, o processo tem a finalidade de por fim a mais de uma d&eacute;cada de conflito.<\/p>\n<p> No dia 15 de setembro, o parlamento elegeu seu presidente, e em 10 de outubro escolheu Ahmed como presidente e no &uacute;ltimo dia 3 colocou Ghedi como primeiro-ministro. Prev&ecirc;-se que Ghedi designar&aacute; seu gabinete nos pr&oacute;ximos 30 dias. A Som&aacute;lia careceu de governo central desde 1991. Este pa&iacute;s, antiga col&ocirc;nia italiana, est&aacute; em guerra civil desde 1991, quando diferentes fac&ccedil;&otilde;es derrubaram o ditador Mohammed Siad Barre para, em seguida, entrarem em lutas internas. Desde ent&atilde;o, o pa&iacute;s esteve em poder de senhores da guerra, que combatem pelo controle de vastos territ&oacute;rios.<\/p>\n<p> A prov&iacute;ncia de Puntland declarou sua autonomia em 1998, enquanto Somalil&acirc;ndia, ex-col&ocirc;nia brit&acirc;nica anexada por Mogad&iacute;scio em 1960, declarou sua independ&ecirc;ncia em 1991, embora sem ser reconhecida pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Os cl&atilde;s Hawiye, Digle-Mirifle, Dir e Darod, lutam entre si, e existe um quinto cl&atilde; formado por 14 grupos minorit&aacute;rios. A guerra civil deixou mais de 300 mil mortos, segundo ag&ecirc;ncias humanit&aacute;rias. A interven&ccedil;&atilde;o da ONU ocorreu em 1992 e 1995. Agora, organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos e mulheres parlamentares pedem &agrave; comunidade internacional ajuda para que o futuro governo atenda as feridas causadas pelos abusos contra os direitos humanos, em particular viola&ccedil;&otilde;es de mulheres.<\/p>\n<p> Nesse sentido, pediram ao Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Direitos Humanos a designa&ccedil;&atilde;o de um relator especial sobre viol&ecirc;ncia contra as mulheres na Som&aacute;lia, encarregado de estabelecer a dimens&atilde;o do problema. As parlamentares somalianas tamb&eacute;m pediram a forma&ccedil;&atilde;o de uma comiss&atilde;o internacional para analisar os abusos contra os direitos humanos e o uso da viol&ecirc;ncia como arma de guerra. &quot;Estamos pedindo &agrave; comunidade internacional que nos ajude, porque &eacute; dif&iacute;cil confiar nos senhores da guerra para que tomem medidas em quest&otilde;es como crimes contra a humanidade, entre eles a viola&ccedil;&atilde;o&quot;, disse &agrave; IPS a legisladora e ativista Asha Abdalla. Nos primeiros tempos do conflito, a cada hora havia uma viola&ccedil;&atilde;o, acrescentou.<\/p>\n<p> O relat&oacute;rio &quot;Situa&ccedil;&atilde;o dos Direitos Humanos&quot; elaborado pelo G-10 e divulgado pela organiza&ccedil;&atilde;o holandesa NOVIB indica que a viola&ccedil;&atilde;o era uma pr&aacute;tica generalizada e que foi utilizada para castigar e intimidar as comunidades &eacute;tnicas rivais dos que a cometiam. &quot;Milhares de meninas e mulheres foram violentadas entre 1991 e 1994. Os crimes de guerra contra a popula&ccedil;&atilde;o feminina foram cometidos em n&iacute;veis sem precedentes e com impunidade&quot;, diz o documento. A instala&ccedil;&atilde;o de acampamentos de viola&ccedil;&atilde;o, para onde eram levadas as mulheres seq&uuml;estradas pelas mil&iacute;cias, foi uma das piores atrocidades cometidas contra as somalianas, particularmente na capital Mogad&iacute;scio.<\/p>\n<p> &quot;Todas as mulheres e meninas estavam vulner&aacute;veis a esses abusos, mas os combatentes seq&uuml;estravam, em geral, as que pertenciam a fac&ccedil;&otilde;es rivais ou as que tinham uma t&ecirc;nue rela&ccedil;&atilde;o com os cl&atilde;s estabelecidos&quot;, diz o relat&oacute;rio. Para muitos ativistas, como Abdalla, estes crimes n&atilde;o devem ficar sem castigo. &quot;Como parlamentares, esperamos que sejam adotadas a&ccedil;&otilde;es contra os violadores, uma vez que sejam considerados culpados por uma comiss&atilde;o da verdade&quot;, afirmou. As matan&ccedil;as tamb&eacute;m foram generalizadas devido &agrave; grande quantidade de armas existente no pa&iacute;s como conseq&uuml;&ecirc;ncia de 13 anos de anormalidade. Os 1,3 milh&atilde;o de habitantes de Mogad&iacute;scio tinha em 1999 mais de um milh&atilde;o de armas, de acordo com a Cruz Vermelha.<\/p>\n<p> A constante circula&ccedil;&atilde;o de armas converteu o pa&iacute;s africano em uma das principais causas da instabilidade regional, como reconheceu o ex-chanceler somaliano Kalonzo Musyoka no in&iacute;cio deste ano. O estado de caos tamb&eacute;m permite o movimento de organiza&ccedil;&otilde;es terroristas internacionais e o planejamento de atentados como os cometidos contra as embaixadas dos Estados Unidos no Qu&ecirc;nia e na Tanz&acirc;nia, em 1998, e contra um hotel israelense na costeira localidade queniana de Mombasa, em 2002. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, 20\/01\/2005 &ndash; A capacidade das futuras autoridades da Som&aacute;lia para abordar as viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos que assolaram o pa&iacute;s desde 1991, quando ficou sem governo central e &agrave; merc&ecirc; dos senhores da guerra, &eacute; uma inc&oacute;gnita. Prev&ecirc;-se que o governo, encabe&ccedil;ado pelo presidente Abdullahi Ahmede, e pelo primeiro-ministro, ali Mohammed Ghedi, seja formado no vizinho Qu&ecirc;nia este m&ecirc;s e se traslade para a capital somaliana, Mogad&iacute;scio, no final do ano. Um acordo de paz foi assinado em Nair&oacute;bi no m&ecirc;s passado. O Grupo dos 10 (G-10), rede de organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias locais, advertiu que os senhores da guerra que ainda lutam pelo poder n&atilde;o contam com pessoal adequado para restaurar os direitos humanos nesse pa&iacute;s do Chifre da &Aacute;frica.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/01\/mundo\/direitos-humanos-a-hora-da-somlia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":472,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-66","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/472"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}