{"id":660,"date":"2005-06-03T00:00:00","date_gmt":"2005-06-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=660"},"modified":"2005-06-03T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-03T00:00:00","slug":"infncia-indstria-de-camares-arrasa-mangues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/infncia-indstria-de-camares-arrasa-mangues\/","title":{"rendered":"Inf&acirc;ncia: Ind&uacute;stria de camar&otilde;es arrasa mangues"},"content":{"rendered":"<p>M&Eacute;XICO, 03\/06\/2005 &ndash; Equador e Honduras registram os casos mais graves de perda de floresta costeira, alerta o Pnuma, a prop&oacute;sito do Dia Mundial do Meio Ambiente<br \/> <!--more--> O n&uacute;mero de criadouros de camar&otilde;es em Honduras, Equador e M&eacute;xico se multiplica para o lucro de seus propriet&aacute;rios, mas tamb&eacute;m aumenta a destrui&ccedil;&atilde;o de mangues e florestas costeiras protetoras, que t&ecirc;m influ&ecirc;ncia na vida de 70% dos peixes e crust&aacute;ceos de interesse comercial. Nos &uacute;ltimos 12 anos, os tanques onde s&atilde;o criados os camar&otilde;es, grande parte deles localizados em locais que antes eram mangues, cresceram vertiginosamente at&eacute; causar &quot;significativos problemas ambientais&quot;, informou o Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente. Essa ag&ecirc;ncia divulgou, a prop&oacute;sito do Dia Mundial do Meio Ambiente, que se comemora neste domingo, o documento &quot;Um s&oacute; planeta e muita gente: Atlas de nosso mutante meio ambiente&quot;, feito com base em fotos feitas por sat&eacute;lite.<\/p>\n<p> Nas imagens, salta &agrave; vista que, no caso da Am&eacute;rica Latina, as fazendas de camar&atilde;o de Equador e Honduras arrasaram o mangue. No primeiro caso no golfo de Guayaquil e, no segundo, no Golfo de Fonseca, no Oceano Pac&iacute;fico, compartilhado por Honduras, Nicar&aacute;gua e El Salvador. &quot;Os criadouros de camar&otilde;es e os tanques se multiplicaram, tapando a paisagem e ocupando, como criadouros, os mangues, que s&atilde;o defesas costeiras naturais e viveiros para peixes livres&quot;, afirma o documento. O M&eacute;xico n&atilde;o aparece nas imagens, que atr&aacute;s de Equador e Honduras, &eacute; o mais importante produtor de camar&atilde;o &quot;cultivado&quot; no continente americano, mas a destrui&ccedil;&atilde;o de sua &aacute;rea de mangue tamb&eacute;m &eacute; grave, segundo ambientalistas. Em Honduras, a superf&iacute;cie ocupada pelos criadouros passou de 1.450 hectares em 1986 para 10.500 hectares atuais.<\/p>\n<p> Segundo o Banco Central hondurenho, a exporta&ccedil;&atilde;o de camar&atilde;o cultivado significou a entrada no pa&iacute;s de US$ 154 milh&otilde;es em 2004. essa atividade gera 24.750 empregos, informou ao Terram&eacute;rica Alberto Zelaya, membro da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Aq&uuml;icultores. Mas sua expans&atilde;o tamb&eacute;m causou um grave impacto social e ecol&oacute;gicos em Honduras, disse ao Terram&eacute;rica Saul Montufar, porta-voz do n&atilde;o-governamental Comit&ecirc; para a Defesa de o Desenvolvimento da Flora e Fauna do Golfo de Fonseca. &quot;No campo social houve marginaliza&ccedil;&atilde;o e desalojo de fam&iacute;lias de pescadores nas zonas de cultivo, perda de acessos a locais tradicionais de pesca e uma queda na explora&ccedil;&atilde;o pesqueira&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p> Em mat&eacute;ria ambiental, houve &quot;um abuso na introdu&ccedil;&atilde;o de milhares de toneladas de nutrientes (para alimentar os camar&otilde;es cultivados) que incidiram na perda de qualidade das &aacute;guas e destrui&ccedil;&atilde;o de amplas zonas de mangue&quot;, explicou Montufar. Problemas semelhantes se registraram no Equador, onde a superf&iacute;cie de mangue original de 363 mil hectares caiu para 108 mil em 2000, informou ao Terram&eacute;rica Marianeli Torres, coordenadora local da Rede Mangue Internacional. Os ativistas equatorianos, hondurenhos e mexicanos afirmam que as regulamenta&ccedil;&otilde;es ambientais de seus pa&iacute;ses para os produtores de camar&otilde;es s&atilde;o insuficientes, sendo violadas ou simplesmente ignoradas. Os mexicanos, por exemplo, temem que a destrui&ccedil;&atilde;o do mangue avance rapidamente nos pr&oacute;ximos anos por insufici&ecirc;ncias legais.<\/p>\n<p> Eles denunciam que a lei que originalmente protegia rigidamente esses ecossistemas foi modificada em 2004 pelo governo do presidente Vicente Fox para permitir o corte de mangues em troca de compensa&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas. O governo mudou a regra sem as consultas pr&eacute;vias estabelecidas pela pr&oacute;pria lei, &quot;com o &uacute;nico objetivo de beneficiar projetos como amplia&ccedil;&atilde;o de portos, turismo e aq&uuml;icultura&quot;, disse ao Terram&eacute;rica H&eacute;ctor Magall&oacute;n, coordenador da campanha de Florestas do grupo ambientalista internacional Greenpeace. No M&eacute;xico, os mangues ocupam atualmente 886.760 hectares, ou 60.389 hectares a menos do que em 1993, enquanto a produ&ccedil;&atilde;o de camar&atilde;o em criadouro aumentou de 30 mil toneladas em 2000 para 60 mil no ano passado.<\/p>\n<p> Por&eacute;m, o problema n&atilde;o &eacute; exclusivo de pa&iacute;ses latino-americanos. A superf&iacute;cie de mangues no mundo diminuiu em 35% nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, para chegar a cerca de 17 milh&otilde;es de hectares. A destrui&ccedil;&atilde;o avan&ccedil;a &agrave; taxa anual de 2,1%, ritmo superior ao 0,8% com que desaparecem as florestas tropicais, de acordo com estudos feitos pelo Greenpeace. As principais causas do desaparecimento deste ecossistema s&atilde;o, em ordem decrescente, aq&uuml;icultura e constru&ccedil;&atilde;o de fazendas de camar&atilde;o, desmatamento, altera&ccedil;&otilde;es e obstru&ccedil;&atilde;o do fluxo de &aacute;gua, mudan&ccedil;a no uso do solo e contamina&ccedil;&atilde;o por herbicidas. Os mangues, atualmente convertidos em um dos ecossistemas mais amea&ccedil;ados no mundo, fornecem numerosos benef&iacute;cios.<\/p>\n<p> Setenta por cento dos peixes capturados no mar nasceram ou se reproduziram em mangues, ou dependeu deles de alguma maneira, indicam estudos feitos no M&eacute;xico, segundo os quais, para cada hectare de mangue destru&iacute;do calcula-se uma perda anual de 757 quilos de peixes de import&acirc;ncia comerciais. Os mangues suprem de umidade a atmosfera, e ao faz&ecirc;-lo se convertem em fonte de esfriamento natural para as comunidades pr&oacute;ximas. Al&eacute;m disso, protegem a costa de inunda&ccedil;&otilde;es e dos efeitos destrutivos das mar&eacute;s e do vento de furac&otilde;es e tempestades.<\/p>\n<p> * O autor &eacute; correspondente da IPS. Com colabora&ccedil;&otilde;es de Juan Carlos Frias (Equador) e Thelma Mej&iacute;a (Honduras).<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&Eacute;XICO, 03\/06\/2005 &ndash; Equador e Honduras registram os casos mais graves de perda de floresta costeira, alerta o Pnuma, a prop&oacute;sito do Dia Mundial do Meio Ambiente<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/infncia-indstria-de-camares-arrasa-mangues\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":437,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-660","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/660","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/437"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=660"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/660\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=660"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=660"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=660"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}