{"id":661,"date":"2005-06-03T00:00:00","date_gmt":"2005-06-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=661"},"modified":"2005-06-03T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-03T00:00:00","slug":"greenpeace-os-dias-de-glria-no-terminaram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/greenpeace-os-dias-de-glria-no-terminaram\/","title":{"rendered":"Greenpeace: Os dias de gl&oacute;ria n&atilde;o terminaram"},"content":{"rendered":"<p>M&Eacute;XICO, 03\/06\/2005 &ndash; executivo do grupo ambiental. Am&eacute;rica Latina e &Aacute;sia est&atilde;o em sua mira<br \/> <!--more--> <br \/> M&Eacute;XICO.- Quando o alem&atilde;o Gerd Leipold assumiu a dire&ccedil;&atilde;o executiva do Greenpeace, em 2001, alguns arquearam as sobrancelhas. Seria o tipo de l&iacute;der ideal para o grupo ambiental mais conhecido do planeta, que precisava de fundos, novos mercados e de uma imagem renovada? A suspeita n&atilde;o era infundada. Leipold substitu&iacute;a Thilo Bode, um economista com experi&ecirc;ncia nas &aacute;reas banc&aacute;ria e industrial, que inclusive prop&ocirc;s licenciar o nome Greenpeace. Aos 54 anos, Leipold &eacute;, mais que um administrador, um experiente ativista ambiental. Em sua a&ccedil;&atilde;o mais espetacular, cruzou em um bal&atilde;o o Muro de Berlim em plena Guerra Fria para protestar contra a prolifera&ccedil;&atilde;o nuclear. <br \/> Sua lideran&ccedil;a prometia retornar aos legend&aacute;rios in&iacute;cios do Greenpeace nos anos 70. Quem n&atilde;o se sente inspirado ao ver os botes infl&aacute;veis do grupo barrarem a passagem de navios baleeiros ou nucleares? Entretanto, muitos cr&iacute;ticos consideram o ativismo radical como o calcanhar de Aquiles da organiza&ccedil;&atilde;o e a causa da queda no n&uacute;mero de membros, que em seus dias de gl&oacute;ria chegava a quase cinco milh&otilde;es de pessoas. Leipold conversou com o Terram&eacute;rica por telefone desde a Gr&eacute;cia.<\/p>\n<p> Terram&eacute;rica &#8211; Ao assumir o cargo, alguns cr&iacute;ticos diziam que o senhor daria prioridade &aacute;s a&ccedil;&otilde;es de protesto, mais do que ao gerenciamento do grupo. Isso aconteceu?<\/p>\n<p> Leipold &#8211; Creio que temos o equil&iacute;brio correto. A resist&ecirc;ncia civil pac&iacute;fica &eacute; e continuar&aacute; sendo o motor do Greenpeace, e estamos muito orgulhosos por isso. Mas para mim, &eacute; chave n&atilde;o s&oacute; que participem os ativistas desta organiza&ccedil;&atilde;o, mas o p&uacute;blico em geral. Por essa raz&atilde;o demos &ecirc;nfase no ativismo cibern&eacute;tico (via Internet). O meio ambiente n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de especialistas, mas de todos.<\/p>\n<p> Terram&eacute;rica &#8211; O Greenpeace est&aacute; revisando suas atuais pol&iacute;ticas. Sente que o p&uacute;blico est&aacute; cansado de suas a&ccedil;&otilde;es de protesto?<\/p>\n<p> Leipold &#8211; As rea&ccedil;&otilde;es variam de pa&iacute;s para pa&iacute;s e de continente para continente. Na Europa, por exemplo, os problemas ambientais n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o vis&iacute;veis como costumavam ser. Quem olhava para os rios europeus h&aacute; 30 anos via que a contamina&ccedil;&atilde;o era evidente, e uma a&ccedil;&atilde;o de resist&ecirc;ncia contra isso obviamente era muito vis&iacute;vel. Mas na Am&eacute;rica Latina e &Aacute;sia, onde o Greenpeace est&aacute; h&aacute; pouco tempo, nossas a&ccedil;&otilde;es s&atilde;o uma grande novidade, de sucesso.<\/p>\n<p> Terram&eacute;rica &#8211; Estas duas regi&otilde;es s&atilde;o prioridade em sua estrat&eacute;gia de expans&atilde;o?<\/p>\n<p> Leipold &#8211; Absolutamente, e n&atilde;o s&oacute; porque os problemas ambientais nessas duas regi&otilde;es s&atilde;o t&atilde;o expressivos, mas porque seu desenvolvimento econ&ocirc;mico &eacute; muito forte. Se algu&eacute;m quer causar impacto, &eacute; a&iacute; que deve trabalhar.<\/p>\n<p> Terram&eacute;rica &#8211; Por que os Estados Unidos t&ecirc;m sido um mercado t&atilde;o esquivo para o Greenpeace?<\/p>\n<p> Leipold &#8211; Temos muito menos membros nos Estados Unidos agora. Uma das raz&otilde;es &eacute; que em 1991 nos opusemos &agrave; Primeira Guerra do Golfo, e isso nos fez perder muita simpatia nesse pa&iacute;s. Mas fazemos campanha pelo que acreditamos, mesmo se isso causa uma rea&ccedil;&atilde;o negativa do p&uacute;blico.<\/p>\n<p> Terram&eacute;rica &#8211; Em 1991 o n&uacute;mero de membros do Greenpeace chegou ao seu ponto mais alto, com 4,8 milh&otilde;es de militantes. Hoje tem 2,8 milh&otilde;es. O que aconteceu?<\/p>\n<p> Leipold &#8211; N&atilde;o tenho em m&atilde;os os dados de 1991, mas devo dizer que nossas estat&iacute;sticas nessa &eacute;poca n&atilde;o eram t&atilde;o boas e r&iacute;gidas como agora. Nos anos 90 ainda cont&aacute;vamos como membros do Greenpeace aqueles que faziam apenas uma doa&ccedil;&atilde;o. Atualmente, s&oacute; reconhecemos os doadores permanentes (pelo menos por 18 meses). Crescemos durante os &uacute;ltimos cinco anos, sobretudo na Am&eacute;rica Latina e &Aacute;sia (69.074 e 41.522, respectivamente).<\/p>\n<p> Terram&eacute;rica &#8211; Os dias de gl&oacute;ria do Greenpeace terminaram?<\/p>\n<p> Leipold &#8211; N&atilde;o, certamente que n&atilde;o. E se olho o estado do planeta, definitivamente estamos fadados a sermos uma organiza&ccedil;&atilde;o boa e forte.<\/p>\n<p> Terram&eacute;rica &#8211; Qual seu or&ccedil;amento atual?<\/p>\n<p> Leipold &#8211; Ainda n&atilde;o terminou nossa auditoria, mas estava em torno dos US$ 165 milh&otilde;es de euros (US$ 201,3 milh&otilde;es) em 2004. &Eacute; mais baixo do que o de 2003, mas se deve considerar as flutua&ccedil;&otilde;es na taxa de c&acirc;mbio.<\/p>\n<p> Terram&eacute;rica &#8211; Seu antecessor, Thilo Bode, pensava que eram urgentes novas formas de arrecada&ccedil;&atilde;o de fundos, que a coleta de porta em porta era insuficiente. O senhor impulsiona novas estrat&eacute;gias?<\/p>\n<p> Leipold &#8211; N&oacute;s temos diversificado. A arrecada&ccedil;&atilde;o de fundos atrav&eacute;s da Internet tem um papel mais importante, tamb&eacute;m temos algo com publicidade, mas a coleta de porta em porta, que chamamos de di&aacute;logo direto (falar com as pessoas em locais p&uacute;blicos) ainda &eacute; nossa principal ferramenta.<\/p>\n<p> Terram&eacute;rica &#8211; Outra das propostas de Bode era licenciar a marca Greenpeace.<\/p>\n<p> Leipold &#8211; N&atilde;o somos a Starbucks, n&atilde;o acreditamos que pud&eacute;ssemos licenciar nosso nome como eles fazem. Nossa marca &eacute; valorizada porque n&atilde;o est&aacute; ligada ao dinheiro, por nossa independ&ecirc;ncia e porque somos fi&eacute;is aos nossos valores. Se transformarmos nosso nome em um ativo monet&aacute;rio, certamente estar&iacute;amos ferindo esses princ&iacute;pios.<\/p>\n<p> Terram&eacute;rica &#8211; Por muitos anos o Greenpeace foi criticado por seu extremismo e superficialidade, por sua falta de suporte cient&iacute;fico em suas campanhas. Como responde a isso?<\/p>\n<p> Leipold &#8211; H&aacute; 15 anos temos uma unidade de ci&ecirc;ncia que opera na Universidade de Exeter (Gr&atilde;-Bretanha), que produz investiga&ccedil;&atilde;o original. Nossas contribui&ccedil;&otilde;es para as Na&ccedil;&otilde;es Unidas, por exemplo, s&atilde;o muito apreciadas. Nos &uacute;ltimos dias, uma destacada professora japonesa me dizia como foi valiosa para seu trabalho nossa pesquisa sobre prolifera&ccedil;&atilde;o nuclear. Como este, posso citar muitos outros exemplos. <\/p>\n<p> * A autora &eacute; diretora editorial do Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p> Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&Eacute;XICO, 03\/06\/2005 &ndash; executivo do grupo ambiental. 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