{"id":6611,"date":"2010-05-25T13:49:38","date_gmt":"2010-05-25T13:49:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6611"},"modified":"2010-05-25T13:49:38","modified_gmt":"2010-05-25T13:49:38","slug":"destaques-e-se-o-atum-desaparecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/05\/america-latina\/destaques-e-se-o-atum-desaparecer\/","title":{"rendered":"DESTAQUES: E se o atum desaparecer&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>PARIS, 25\/05\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).-  A resist\u00eancia em proibir o com\u00e9rcio de atum azul deixa livre o caminho para a pesca industrial com consequ\u00eancias imprevis\u00edveis, segundo especialistas, para o desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico dos mares.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_6611\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/476_1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6611\" class=\"size-medium wp-image-6611\" title=\"Atum azul (Thunnus thynnus) - Dom\u00ednio p\u00fablico\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/476_1.jpg\" alt=\"Atum azul (Thunnus thynnus) - Dom\u00ednio p\u00fablico\" width=\"200\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6611\" class=\"wp-caption-text\">Atum azul (Thunnus thynnus) - Dom\u00ednio p\u00fablico<\/p><\/div>  O atum azul, um dos peixes predadores mais importantes do Oceano Atl\u00e2ntico e do Mar Mediterr\u00e2neo, est\u00e1 condenado \u00e0 extin\u00e7\u00e3o em 2012, pela falta de a\u00e7\u00e3o dos governos do Norte e organismos internacionais de controle, preveem bi\u00f3logos marinhos e organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas. Embora este alerta n\u00e3o seja uma novidade, os ativistas insistem que \u00e9 oportuna em vista da incapacidade dos pa\u00edses industrializados, em particular dos membros da Uni\u00e3o Europeia (UE) e do Jap\u00e3o, de impedir o desaparecimento de esp\u00e9cies marinhas essenciais para a prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade.<\/p>\n<p>\u201cSegundo as avalia\u00e7\u00f5es da Comiss\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o do Atum Atl\u00e2ntico (Cicaa), a popula\u00e7\u00e3o atual de atum azul \u00e9 menor que 15% da original\u201d, disse ao Terram\u00e9rica o encarregado da Campanha de Oceanos do capitulo franc\u00eas do Greenpeace, Fran\u00e7ois Chartier. A Cicaa \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o intergovernamental respons\u00e1vel pela conserva\u00e7\u00e3o desta esp\u00e9cie e outras afins no Oceano Atl\u00e2ntico e mares adjacentes, especialmente o Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>Por sua vez, Charles Braine, encarregado de Pesca Sustent\u00e1vel da filial francesa do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), recordou que um estudo realizado por este grupo em 2009 \u201csugere que o atum azul (Thunnus thynnus) desaparecer\u00e1 se as medidas necess\u00e1rias n\u00e3o forem tomadas imediatamente\u201d. Braine assegurou ao Terram\u00e9rica que \u201ca extin\u00e7\u00e3o deste peixe teria consequ\u00eancias imprevis\u00edveis para o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico de seu h\u00e1bitat\u201d.<\/p>\n<p>Em seu informe Perspectiva Mundial sobre a Diversidade Biol\u00f3gica 3 (GBO3), publicado no dia 10, a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas alerta que \u201ca pesca excessiva continuar\u00e1 deteriorando os ecossistemas marinhos e levar\u00e1 ao desaparecimento das popula\u00e7\u00f5es de peixes\u201d. Bi\u00f3logos marinhos utilizam dois crit\u00e9rios para determinar os riscos da vida marinha: a taxa de natalidade das esp\u00e9cies, medida como alta, baixa ou m\u00e9dia, e a popula\u00e7\u00e3o de refer\u00eancia para fazer o censo da popula\u00e7\u00e3o atual.<\/p>\n<p>\u201cComo a taxa do atum azul \u00e9 considerada m\u00e9dia, a redu\u00e7\u00e3o para menos de 15% da popula\u00e7\u00e3o original \u00e9 um indicador de risco extremo de extin\u00e7\u00e3o\u201d, explicou Chartier. O perigo para o atum azul se acentuou depois do fracasso da 15\u00aa Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o sobre o Com\u00e9rcio Internacional de Esp\u00e9cies Amea\u00e7adas de Fauna e Flora Silvestres (Cites). Chartier considera incompreens\u00edvel e inescrupulosa a atitude da Uni\u00e3o Europeia e do Jap\u00e3o, que n\u00e3o sustentaram a mo\u00e7\u00e3o de proibir o com\u00e9rcio internacional do atum azul, apresentada por M\u00f4naco nessa Confer\u00eancia da Cites, realizada em Doha entre 13 e 25 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Embora a \u201cUE aparentemente tenha apoiado essa proposta de tornar ilegal toda pesca deste peixe, ao mesmo tempo pediu mais estudos para documentar os riscos de extin\u00e7\u00e3o\u201d, explicou Chartier. Os governos europeus sabem que essa evid\u00eancia \u00e9 abundante e inquestion\u00e1vel, prosseguiu. A decis\u00e3o final da Cites, de n\u00e3o proibir esse com\u00e9rcio internacional, favorece tanto as companhias de pesca industrial do atum quanto as operadoras de fazendas mar\u00edtimas de engorda, localizadas sobretudo em pa\u00edses da UE, como Fran\u00e7a, Espanha, It\u00e1lia, Gr\u00e9cia e Malta. Os outros grandes benefici\u00e1rios desta explora\u00e7\u00e3o s\u00e3o empresas japonesas e de pa\u00edses da Bacia do Mediterr\u00e2neo, como Arg\u00e9lia, Cro\u00e1cia, Turquia, Tun\u00edsia, L\u00edbia e Morrocos.<\/p>\n<p>Todo atum pescado no Mediterr\u00e2neo \u00e9 engordado em um prazo muito curto nas fazendas que operam em \u00e1guas de Malta, ao redor das espanholas Ilhas Baleares, da Gr\u00e9cia e Cro\u00e1cia, para depois ser exportado para o Jap\u00e3o. Braine apresentou outro estudo do WWF sobre as dimens\u00f5es da frota de pesca do atum dos pa\u00edses da Bacia do Mediterr\u00e2neo, que j\u00e1 demonstrou em 2008 a incongru\u00eancia entre sua capacidade de pesca, os invent\u00e1rios de popula\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, e os limites legais de capturas estabelecidos pela Cicaa.<\/p>\n<p>Esta entidade estabeleceu em novembro um teto de captura do atum azul de 13.500 toneladas para este ano. Mas a capacidade dos pesqueiros de cerco utilizados no Mar Mediterr\u00e2neo \u00e9 de 55 mil toneladas. \u201cIsso significa que, devido aos custos de opera\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de uma frota superdimensionada, ou as companhias pesqueiras operam com preju\u00edzos enormes ou n\u00e3o respeitam os limites legais\u201d, disse Braine.<\/p>\n<p>Por sua vez, Chartier apontou as contradi\u00e7\u00f5es da Cicaa. \u201cEm 2008, seu comit\u00ea cient\u00edfico estabeleceu que uma cota m\u00e1xima de captura de 8.000 toneladas daria uma probabilidade de 50% de garantir a recupera\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie at\u00e9 2023\u201d, disse. Isto \u00e9, que a cota m\u00e1xima oficial de 13.500 toneladas \u00e9 muito alta, segundo os pr\u00f3prios crit\u00e9rios da Cicaa. Al\u00e9m disso, n\u00e3o ser\u00e1 respeitada por companhias pesqueiras, sob pena de manterem a maioria de seus barcos parados.<\/p>\n<p>* O autor \u00e9 correspondente da IPS.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PARIS, 25\/05\/2010 &ndash; (Tierram\u00e9rica).-  A resist\u00eancia em proibir o com\u00e9rcio de atum azul deixa livre o caminho para a pesca industrial com consequ\u00eancias imprevis\u00edveis, segundo especialistas, para o desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico dos mares. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/05\/america-latina\/destaques-e-se-o-atum-desaparecer\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,5,4],"tags":[18,21],"class_list":["post-6611","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-economia","category-mundo","tag-europa","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6611","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6611"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6611\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6611"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6611"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6611"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}