{"id":662,"date":"2005-06-03T00:00:00","date_gmt":"2005-06-03T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=662"},"modified":"2005-06-03T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-03T00:00:00","slug":"greenpeace-mais-conscincia-ambiental-nenhum-progresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/greenpeace-mais-conscincia-ambiental-nenhum-progresso\/","title":{"rendered":"Greenpeace: Mais consci&ecirc;ncia ambiental, nenhum progresso"},"content":{"rendered":"<p>As a&ccedil;&otilde;es concretas concebidas para s, 03\/06\/2005 &ndash; Ghali, ex-secret&aacute;rio-geral da ONU<br \/> <!--more--> <br \/> PARIS.- A Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Rio de Janeiro, 1992) significou uma virada decisiva nas rela&ccedil;&otilde;es internacionais. Demonstrou em particular, a vontade das na&ccedil;&otilde;es de assumir um compromisso coletivo e solid&aacute;rio em favor do desenvolvimento sustent&aacute;vel, que na verdade constitui um caminho inquestion&aacute;vel, um vez que nossa comunidade de destino se manifesta com rela&ccedil;&atilde;o ao meio ambiente. O ar que respiramos, a &aacute;gua que bebemos, os recursos naturais que exploramos s&atilde;o, ao mesmo tempo, nossos bens comuns e nossa responsabilidade compartilhada. Desde ent&atilde;o, a conscientiza&ccedil;&atilde;o sobre os problemas ambientais do planeta, incitada pelas grandes confer&ecirc;ncias internacionais, se refor&ccedil;a progressivamente.<\/p>\n<p> Entretanto, temos de admitir que as a&ccedil;&otilde;es concretas concebidas para salvaguardar a Terra n&atilde;o est&atilde;o &agrave; altura das esperan&ccedil;as suscitadas e dos compromissos estabelecidos. As pr&aacute;ticas gravemente poluidoras prosseguem. As desigualdades existem aos montes. E as discord&acirc;ncias expressas com certa freq&uuml;&ecirc;ncia revelam as dificuldades que as na&ccedil;&otilde;es deste mundo enfrentam para conviver, administrar e prever conjuntamente o futuro que a todos n&oacute;s diz respeito. Nesse sentido, existe um campo que me parece emblem&aacute;tico dos desafios ambientais do s&eacute;culo XXI: a &aacute;gua. O problema n&atilde;o &eacute; tanto a falta de &aacute;gua em n&iacute;vel mundial, mas a desigualdade de sua distribui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> Brasil, R&uacute;ssia, Canad&aacute;, Estados Unidos, China, Indon&eacute;sia, &Iacute;ndia, Col&ocirc;mbia e a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia det&ecirc;m quase dois ter&ccedil;os dos recursos h&iacute;dricos mundiais. E nos pa&iacute;ses em desenvolvimento, 90% da &aacute;gua que utilizam necessita de tratamento sanit&aacute;rio. Mas a situa&ccedil;&atilde;o nos pa&iacute;ses desenvolvidos est&aacute; longe de ser perfeita: a metade dos rios e lagos da Europa e dos Estados Unidos est&aacute; contaminada gravemente. Al&eacute;m disso, s&atilde;o dilapidadas enormes quantidades de &aacute;gua (70% da &aacute;gua doce &eacute; atualmente empregada na irriga&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola) em cultivos de rendimento muito baixo, enquanto a demanda de alimentos, particularmente nas grandes cidades, cresce incessantemente. Nos pa&iacute;ses mais pobres, todos estes problemas se acumulam. Um em cada cinco habitantes do planeta carece de &aacute;gua pot&aacute;vel, um em cada dois n&atilde;o tem acesso a um sistema de saneamento, 30 milh&otilde;es de pessoas morrem a cada ano devido a doen&ccedil;as ligadas &agrave; &aacute;gua contaminada.<\/p>\n<p> Assim, estas enfermidades constituem um obst&aacute;culo para o desenvolvimento econ&ocirc;mico, j&aacute; que al&eacute;m das mortes que ocasionam, deixam incapacitadas centenas de milh&otilde;es de pessoas. A &aacute;gua &eacute;, sem d&uacute;vida alguma, um dos grandes desafios mundiais deste s&eacute;culo, n&atilde;o somente pela contamina&ccedil;&atilde;o e desperd&iacute;cio, mas tamb&eacute;m porque muitos pa&iacute;ses dependem para seu uso de recursos h&iacute;dricos que est&atilde;o fora de seus territ&oacute;rios. Portanto, o desafio consiste em substituir as rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a por rela&ccedil;&otilde;es baseadas em solidariedade, coopera&ccedil;&atilde;o e administra&ccedil;&atilde;o coletiva. Embora alguns n&atilde;o queiram aceitar, todos n&oacute;s somos cidad&atilde;os da mesma fam&iacute;lia humana.<\/p>\n<p> Por isso, a solidariedade n&atilde;o pode limitar-se &agrave; compaix&atilde;o. Tamb&eacute;m &eacute;, sobretudo, conscientiza&ccedil;&atilde;o. Tomar consci&ecirc;ncia da globaliza&ccedil;&atilde;o dos destinos, tanto dentro dos Estados quanto entre eles, j&aacute; que o gesto destruidor com rela&ccedil;&atilde;o ao meio ambiente faz sentir suas conseq&uuml;&ecirc;ncias para al&eacute;m de seu entorno e de suas fronteiras. Do mesmo modo, o gesto protetor adotado por uma cidade, uma regi&atilde;o ou um pa&iacute;s ser&aacute; ineficaz a menos que possa exceder para al&eacute;m das fronteiras e dos oceanos. Conscientiza&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m da necess&aacute;ria interdepend&ecirc;ncia entre as gera&ccedil;&otilde;es. Pois o que seria de um mundo onde cada gera&ccedil;&atilde;o se dedicasse a satisfazer suas necessidades sem levar em conta que compromete a capacidade de atender as necessidades das gera&ccedil;&otilde;es futuras? Desta conscientiza&ccedil;&atilde;o nasce a responsabilidade individual e coletiva. A responsabilidade que temos de salvaguardar este patrim&ocirc;nio comum que &eacute; a Terra com seus ecossistemas, bem como a diversidade cultural de todos seus habitantes. <\/p>\n<p> Neste contexto de globaliza&ccedil;&atilde;o t&atilde;o prop&iacute;cio &agrave;s liberdades, mas ao mesmo tempo, t&atilde;o carregado de perigos, favorecer o di&aacute;logo entre as culturas e as civiliza&ccedil;&otilde;es &eacute;, mais do que nunca, indispens&aacute;vel para a emerg&ecirc;ncia de uma consci&ecirc;ncia universal e para o surgimento de um empenho coletivo em rela&ccedil;&atilde;o ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustent&aacute;vel. Mas a condi&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via &eacute; estender e tornar acess&iacute;vel a educa&ccedil;&atilde;o, e especialmente a educa&ccedil;&atilde;o ambiental, que constitui o &uacute;nico conduto para suscitar a conscientiza&ccedil;&atilde;o, motivar o sentido de responsabilidade e induzir ao compromisso.<\/p>\n<p> * O autor foi secret&aacute;rio-geral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas entre 1992 e 1996.<\/p>\n<p> Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As a&ccedil;&otilde;es concretas concebidas para s, 03\/06\/2005 &ndash; Ghali, ex-secret&aacute;rio-geral da ONU<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/greenpeace-mais-conscincia-ambiental-nenhum-progresso\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1039,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-662","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/662","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1039"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=662"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/662\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=662"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=662"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=662"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}