{"id":665,"date":"2005-06-06T00:00:00","date_gmt":"2005-06-06T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=665"},"modified":"2005-06-06T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-06T00:00:00","slug":"mulheres-ue-convoca-para-a-luta-contra-a-mutilao-genital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/mulheres-ue-convoca-para-a-luta-contra-a-mutilao-genital\/","title":{"rendered":"Mulheres: UE convoca para a luta contra a mutila&ccedil;&atilde;o genital"},"content":{"rendered":"<p>Bruxelas, 06\/06\/2005 &ndash; A Uni&atilde;o Europ&eacute;ia &eacute; um ator fundamental nos esfor&ccedil;os para acabar com a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina, uma pr&aacute;tica que ainda atenta contra a integridade f&iacute;sica de milh&otilde;es de mulheres em todo o mundo, segundo parlamentares europeus e ag&ecirc;ncias internacionais. Membros do Parlamento Europeu e representantes do Grupo de Trabalho de Doadores sobre Mutila&ccedil;&atilde;o Genital Feminina, uma rede de ag&ecirc;ncias p&uacute;blicas e privadas internacionais, reclamaram da Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia (&oacute;rg&atilde;o executivo da UE) que aumente seu apoio financeiro &agrave;s campanhas contra a mal chamada circuncis&atilde;o feminina.<br \/> <!--more--> <br \/> Reunidos na semana passada em Bruxelas, os representantes do Grupo, formado pela Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de, Banco Mundial e fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (Unicef), entre outros, renovaram seu compromisso de combater essa pr&aacute;tica. Por sua vez, ao participar de um semin&aacute;rio, na &uacute;ltima quarta-feira, em Bruxelas, sobre mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina, a ex-comiss&aacute;ria de Ajuda Humanit&aacute;ria da UE e agora parlamentar europ&eacute;ia, Emma Bonino, pediu &quot;toler&acirc;ncia zero&quot; para esta viola&ccedil;&atilde;o da integridade f&iacute;sica de milh&otilde;es de mulheres. &quot;Necessitamos coordenar a&ccedil;&otilde;es e um firme compromisso dos pol&iacute;ticos legisladores, representantes da sociedade civil, m&eacute;dicos, imprensa e l&iacute;deres religiosos para eliminar a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina&quot;, afirmou Bonino.<\/p>\n<p> &quot;A princ&iacute;pio, a Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia apoiava nossa campanha, mas, nada aconteceu por um longo tempo. Aprendemos a fazer pol&iacute;tica com pouco dinheiro, mas &eacute; imposs&iacute;vel fazer pol&iacute;tica sem nenhum dinheiro. Chamamos as institui&ccedil;&otilde;es europ&eacute;ias a assumirem sua responsabilidade&quot;, acrescentou a parlamentar. A pr&aacute;tica, que em muitos pa&iacute;ses africanos &eacute; considerada um rito de inicia&ccedil;&atilde;o da idade adulta, consiste na extirpa&ccedil;&atilde;o total ou parcial do clit&oacute;ris, em geral sem anestesia e em p&eacute;ssimas condi&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias. Em algumas regi&otilde;es, tamb&eacute;m se realiza a infibula&ccedil;&atilde;o, que consiste em juntar os grandes e pequenos l&aacute;bios e costurar grande parte do orif&iacute;cio vaginal, deixando apenas uma pequena abertura para a sa&iacute;da do fluxo menstrual. No primeiro ato sexual, essa sutura &eacute; desfeita.<\/p>\n<p> Boa parte das mulheres mutiladas sofrem fus&atilde;o labial, quistos e dor durante o coito, problemas que costumam ficar sem diagn&oacute;stico nem tratamento durante anos. Al&eacute;m disso, muitas meninas morrem pouco depois do procedimento devido a hemorragia incontrol&aacute;veis ou infec&ccedil;&otilde;es. A opera&ccedil;&atilde;o &eacute; feita por parteiras tradicionais e &quot;barbeiros da sa&uacute;de&quot;, com instrumentos toscos. De 120 milh&otilde;es a 130 milh&otilde;es de mulheres em 28 pa&iacute;ses foram mutiladas, segundo o Unicef. A maior parte dessas v&iacute;timas vive na &Aacute;frica, mas, h&aacute; um crescente n&uacute;mero no sudeste da &Aacute;sia, Am&eacute;rica do Norte, Austr&aacute;lia e Europa. O apoio da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia &eacute; chave para os esfor&ccedil;os das organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais em pa&iacute;ses onde essa mutila&ccedil;&atilde;o ainda &eacute; praticada, disse &agrave; IPS Laura Katzive, do Centro pelos Direitos Reprodutivos, com sede em Nova York.<\/p>\n<p> &quot;Podem fornecer ajuda financeira e t&eacute;cnicas &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es que trabalham para convencer os governos a deterem a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina e promoverem a igualdade de g&ecirc;nero&quot;, afirmou a ativista. Katzive tamb&eacute;m destacou a import&acirc;ncia de realizar campanhas de informa&ccedil;&atilde;o sobre os efeitos irrevers&iacute;veis desta pr&aacute;tica na sa&uacute;de das mulheres. Por sua vez, Bonino destacou a import&acirc;ncia da ratifica&ccedil;&atilde;o do Protocolo de Maputo, adotado pela Uni&atilde;o Africana na capital de Mo&ccedil;ambique em 2003 para defender os direitos das mulheres, pela qual os Estados signat&aacute;rios se comprometem a &quot;condenar e proibir&quot; toda forma de mutila&ccedil;&atilde;o feminina, bem como ajudar as v&iacute;timas e proteger as mulheres em risco. Entretanto, at&eacute; agora, somente seis dos 33 pa&iacute;ses que assinaram o documento o ratificaram, e &eacute; necess&aacute;ria a ratifica&ccedil;&atilde;o de pelo menos 15 para que entre em vigor.<\/p>\n<p> Na reuni&atilde;o de Bruxelas, o Grupo de Trabalho de Doadores sobre Mutila&ccedil;&atilde;o Genital Feminina identificou algumas na&ccedil;&otilde;es onde o problema &eacute; mais grave e necessitam medidas urgentes. A lista &eacute; formada por Burkina Faso, Djibuti, G&acirc;mbia, Qu&ecirc;nia, Mal&iacute;, Senegal, Som&aacute;lia e Sud&atilde;o. Especialistas tamb&eacute;m assinalaram que essa pr&aacute;tica vai contra os Objetivos de Desenvolvimento do Mil&ecirc;nio, fixados pela Assembl&eacute;ia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas em sess&atilde;o especial realizada em setembro de 2000. algumas dessas metas s&atilde;o garantir, at&eacute; 2015, a educa&ccedil;&atilde;o universal de meninos e meninas, e reduzir pela metade, em rela&ccedil;&atilde;o aos n&uacute;meros de 1990, a propor&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o de indigentes, famintos e pessoas sem acesso &aacute; &aacute;gua pot&aacute;vel.<\/p>\n<p> &quot;As metas de conseguir igualdade de g&ecirc;nero e melhorar a sa&uacute;de materna s&atilde;o amea&ccedil;adas pela cont&iacute;nua pr&aacute;tica da mutila&ccedil;&atilde;o feminina. Este problema deve ser tratado pelos programas sociais e sanit&aacute;rios dos governos e constar da agenda de desenvolvimento da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia&quot;, afirmou o diretor de Sa&uacute;de Reprodutiva e Popula&ccedil;&atilde;o da OMS, Doyin Sluwole. Por sua vez, karin Landgren, do Unicef, destacou a necessidade de maior compromisso pol&iacute;tico. &quot;Necessitamos que os governos se comprometam a lutar contra a mutila&ccedil;&atilde;o feminina. Faltam leis, uma discuss&atilde;o aberta, melhor educa&ccedil;&atilde;o e maior acesso aos servi&ccedil;os b&aacute;sicos&quot;, ressaltou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruxelas, 06\/06\/2005 &ndash; A Uni&atilde;o Europ&eacute;ia &eacute; um ator fundamental nos esfor&ccedil;os para acabar com a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina, uma pr&aacute;tica que ainda atenta contra a integridade f&iacute;sica de milh&otilde;es de mulheres em todo o mundo, segundo parlamentares europeus e ag&ecirc;ncias internacionais. Membros do Parlamento Europeu e representantes do Grupo de Trabalho de Doadores sobre Mutila&ccedil;&atilde;o Genital Feminina, uma rede de ag&ecirc;ncias p&uacute;blicas e privadas internacionais, reclamaram da Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia (&oacute;rg&atilde;o executivo da UE) que aumente seu apoio financeiro &agrave;s campanhas contra a mal chamada circuncis&atilde;o feminina.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/mulheres-ue-convoca-para-a-luta-contra-a-mutilao-genital\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1478,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-665","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/665","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1478"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=665"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/665\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}