{"id":6695,"date":"2010-06-11T14:02:28","date_gmt":"2010-06-11T14:02:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6695"},"modified":"2010-06-11T14:02:28","modified_gmt":"2010-06-11T14:02:28","slug":"sede-de-energia-multiplicara-represas-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/06\/america-latina\/sede-de-energia-multiplicara-represas-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Sede de energia multiplicar\u00e1 represas na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 11\/06\/2010 &ndash; O consumo de eletricidade no Brasil crescer\u00e1 5,9% at\u00e9 2019 e, por seus custos menores, a gera\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica continuar\u00e1 sendo a principal fonte para atender essa demanda, afirmou no dia 7 o ministro das Minas e Energia (MME), Marcio Zimmermann. <!--more--> Como dois ter\u00e7os do potencial hidrel\u00e9trico do pa\u00eds est\u00e3o na Amaz\u00f4nia, antecipa-se que persistir\u00e3o os protestos de ambientalistas, ind\u00edgenas e outros movimentos sociais contra a constru\u00e7\u00e3o de grandes represas. \u00c9 o que acontece hoje com a central de Belo Monte, no Rio Xingu, no Estado do Mato Grosso.<\/p>\n<p>O Plano Decenal de Energia do MME at\u00e9 2019, colocado em debate p\u00fablico no m\u00eas passado, contempla a constru\u00e7\u00e3o de seis hidrel\u00e9tricas apenas na bacia do Rio Tapaj\u00f3s, que cruza Mato Grosso e o vizinho Estado do norte, o Par\u00e1.<\/p>\n<p>O grande desafio do Brasil \u00e9 \u201cmanter a matriz energ\u00e9tica renov\u00e1vel\u201d, para poder cumprir o compromisso assumido na confer\u00eancia sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica de Copenhague, em dezembro do ano passado. Esse programa exige dar prioridade \u00e0s hidrel\u00e9tricas, disse Zimmermann em entrevista a correspondentes estrangeiros.<\/p>\n<p>O ministro acrescentou que a \u00fanica alternativa a essa fonte renov\u00e1vel seria recorrer de modo crescente \u00e0s centrais termoel\u00e9tricas, que consomem petr\u00f3leo ou carv\u00e3o, o que aumenta as emiss\u00f5es de gases estufa.<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0s cobran\u00e7as de ambientalistas por maiores investimentos em fontes alternativas, o ministro contrap\u00f4s os custos. O cons\u00f3rcio que construir\u00e1 a central de Belo Monte ofereceu o pre\u00e7o de R$ 77,97 por megawatt\/hora, enquanto a energia e\u00f3lica custou R$ 148 no \u00faltimo leil\u00e3o do ano passado, citou Zimmermann como exemplo.<\/p>\n<p>Apesar de admitir que o custo da energia e\u00f3lica caiu quase pela metade nos \u00faltimos seis anos, o ministro assegurou que a energia hidrel\u00e9trica continuar\u00e1 sendo a mais barata por muito tempo. S\u00f3 aumenta em pa\u00edses que j\u00e1 esgotaram a potencialidade de seus rios, como a Europa, acrescentou.<\/p>\n<p>O plano energ\u00e9tico brasileiro prev\u00ea quadruplicar a gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica nos pr\u00f3ximos dez anos, mas sua participa\u00e7\u00e3o, apesar deste aumento, n\u00e3o chegar\u00e1 a representar nem 4% do total, enquanto a energia de biomassa se manter\u00e1 em torno dos 5%.<\/p>\n<p>O Brasil passar\u00e1 dos atuais 112.455 megawatts de capacidade geradora instalada para 167.078 megawatts em 2019, segundo o MME. Nesse contexto, a produ\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica passar\u00e1 dos atuais 83.169 megawatts para 116.699 megawatts, sendo necess\u00e1rio, para isso, a constru\u00e7\u00e3o de represas de centenas de quil\u00f4metros quadrados.<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es oficiais se baseiam em um crescimento econ\u00f4mico anual de 5,1%, m\u00e9dia que este ano ser\u00e1 ultrapassada, segundo coincidem os analistas. O consumo energ\u00e9tico brasileiro sempre cresce mais do que a economia, em grande parte devido ao aumento da popula\u00e7\u00e3o, na raz\u00e3o de mais de dois milh\u00f5es de pessoas por ano, com a consequente incorpora\u00e7\u00e3o de novos consumidores e novos equipamentos. O pa\u00eds, com 193 milh\u00f5es de habitantes, apresenta um consumo por pessoa muito abaixo do registrado no mundo industrializado.<\/p>\n<p>A demanda crescente e a lembran\u00e7a do grande apag\u00e3o de 2001, que levou ao racionamento por v\u00e1rios meses, est\u00e3o por tr\u00e1s do impulso aos grandes projetos energ\u00e9ticos. Al\u00e9m dos complexos hidrel\u00e9tricos, o Plano Decenal compreende a constru\u00e7\u00e3o de uma terceira central nuclear e v\u00e1rias termoel\u00e9tricas a carv\u00e3o, petr\u00f3leo industrial e g\u00e1s natural.<\/p>\n<p>E a voracidade energ\u00e9tica brasileira se estende aos pa\u00edses vizinhos, da\u00ed a necessidade de serem tecidos conv\u00eanios bilaterais. O governo federal pretende aproveitar a for\u00e7a dos rios no Peru e na Guiana, onde o MME estima poder contar com grande parte de um potencial pr\u00f3ximo dos 14 mil megawatts divididos entre os dois pa\u00edses. Tamb\u00e9m fazem parte dos planos de Bras\u00edlia duas hidrel\u00e9tricas compartilhadas com a Argentina, no fronteiri\u00e7o Rio Uruguai, com capacidade somada de 2.122 megawatts.<\/p>\n<p>Zimmermann afirmou tamb\u00e9m que, por esta estrat\u00e9gia, o Brasil n\u00e3o deve ser acusado de \u201cimperialista\u201d, como se insinuou, pois a compra e venda de energia entre Estados \u00e9 normal em todas as partes do mundo, e neste caso acontece com uma vis\u00e3o de \u201cintegra\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica\u201d, sem ambi\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Segundo o ministro, o objetivo \u00e9 \u201cotimizar\u201d o aproveitamento da gera\u00e7\u00e3o el\u00e9trica. O acordo de interc\u00e2mbio com Buenos Aires \u00e9 um exemplo de m\u00fatuo interesse, pois o consumo no pa\u00eds vizinho cresce no inverno devido \u00e0 calefa\u00e7\u00e3o, enquanto no Brasil a demanda \u00e9 maior no ver\u00e3o devido ao uso de ar-condicionado.<\/p>\n<p>O Peru pediu apoio no estudo do potencial energ\u00e9tico de seus rios e na constru\u00e7\u00e3o de centrais hidrel\u00e9tricas, j\u00e1 que as companhias brasileiras desenvolveram a melhor tecnologia nessa \u00e1rea, explicou o ministro. Entretanto, Zimmermann negou not\u00edcias de que os governos dos dois pa\u00edses assinariam um acordo para a constru\u00e7\u00e3o de cinco novas centrais na Amaz\u00f4nia peruana, cuja eletricidade seria quase totalmente destinada ao Brasil. No momento \u201cs\u00e3o apenas estudos\u201d, disse o ministro \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Apesar deste desmentido, a construtora Odebrecht j\u00e1 ganhou a concess\u00e3o para construir a central hidrel\u00e9trica e o projeto de energia hidrel\u00e9trica e de irriga\u00e7\u00e3o Olmos, no noroeste do Peru. O aproveitamento energ\u00e9tico dos rios amaz\u00f4nicos j\u00e1 desatou no Brasil uma ampla rejei\u00e7\u00e3o, na qual se unem ind\u00edgenas, o Movimento dos Afetados por Represas, que diz representar um milh\u00e3o de pessoas expulsas de suas terras, numerosas organiza\u00e7\u00f5es ambientalistas e cientistas.<\/p>\n<p>Para a central de Belo Monte, que hoje \u00e9 alvo dos maiores protestos, ser\u00e1 necess\u00e1rio inundar 516 quil\u00f4metros quadrados. O projeto original, dos anos 80, previa uma represa de 1.250 quil\u00f4metros quadrados. O \u201cimpacto diminuiu muito\u201d e foi abandonado o plano de construir outros quatro complexos no mesmo Rio Xingu, um dos quais contempla um espelho de \u00e1gua de seis mil quil\u00f4metros quadrados, disse o ministro em defesa de seu projeto.<\/p>\n<p>Ambientalistas e bi\u00f3logos que estudam a vida no rio desmentem a afirma\u00e7\u00e3o do ministro e de outras autoridades da \u00e1rea de energia. Afirmam que haver\u00e1 um impacto direto sobre duas \u00e1reas ind\u00edgenas habitadas por cerca de 200 pessoas. O desvio de parte do rio por dois canais para girar as turbinas reduzir\u00e1 a \u00e1gua na curva conhecida como Volta Grande, onde vivem os ind\u00edgenas e milhares de camponeses. A consequ\u00eancia ser\u00e1 uma forte redu\u00e7\u00e3o dos peixes e quel\u00f4nios, que s\u00e3o o alimento principal desses povos ribeirinhos, afirmam os bi\u00f3logos. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 11\/06\/2010 &ndash; O consumo de eletricidade no Brasil crescer\u00e1 5,9% at\u00e9 2019 e, por seus custos menores, a gera\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica continuar\u00e1 sendo a principal fonte para atender essa demanda, afirmou no dia 7 o ministro das Minas e Energia (MME), Marcio Zimmermann. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/06\/america-latina\/sede-de-energia-multiplicara-represas-na-amazonia\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,10,11],"tags":[],"class_list":["post-6695","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-energia","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6695","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6695"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6695\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6695"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6695"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6695"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}