{"id":6727,"date":"2010-06-18T14:07:09","date_gmt":"2010-06-18T14:07:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6727"},"modified":"2010-06-18T14:07:09","modified_gmt":"2010-06-18T14:07:09","slug":"ecossistemas-do-golfo-do-mexico-mais-resistentes-ao-petroleo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/06\/economia\/ecossistemas-do-golfo-do-mexico-mais-resistentes-ao-petroleo\/","title":{"rendered":"Ecossistemas do Golfo do M\u00e9xico mais resistentes ao petr\u00f3leo?"},"content":{"rendered":"<p>Washington\/M\u00e9xico, 18\/06\/2010 &ndash; Em um dia primaveril no Golfo do M\u00e9xico, uma explos\u00e3o em uma perfura\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera submarina deu in\u00edcio a um enorme vazamento de \u00f3leo.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_6727\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/76355.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6727\" class=\"size-medium wp-image-6727\" title=\"Vazamento da Ixtoc na Sonda de Campeche. - Dom\u00ednio p\u00fablico\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/76355.jpg\" alt=\"Vazamento da Ixtoc na Sonda de Campeche. - Dom\u00ednio p\u00fablico\" width=\"200\" height=\"134\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6727\" class=\"wp-caption-text\">Vazamento da Ixtoc na Sonda de Campeche. - Dom\u00ednio p\u00fablico<\/p><\/div>  Houve tentativas de limitar o problema, selando, tapando ou cobrindo o po\u00e7o. Nada funcionou. Isso foi h\u00e1 31 anos, em junho de 1979.            <\/p>\n<p>A explos\u00e3o e o afundamento da plataforma de explora\u00e7\u00e3o Ixtoc da estatal Petr\u00f3leos Mexicanoas (Pemex) foi o pior vazamento acidental de petr\u00f3leo da hist\u00f3ria. O desastre prosseguiu at\u00e9 24 de mar\u00e7o de 1980. Foram dispersados 3,3 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo, segundo a Pemex, e mais de um milh\u00e3o de barris ficaram flutuando nas \u00e1guas.<\/p>\n<p>Acredita-se que a quantidade de hidrocarbono que vaza do po\u00e7o da British Petroleum desde 20 de abril deste ano \u2013 quando entrou em colapso a plataforma Deepwater Horizon no mesmo Golfo do M\u00e9xico \u2013 superar\u00e1 a da Ixtoc. Alguns acreditam que isso j\u00e1 aconteceu. Ignora-se que efeito final ter\u00e1 esse petr\u00f3leo no meio ambiente e nos assentamentos humanos vizinhos. Entretanto, o caso Ixtoc parece o melhor lugar para buscar respostas, embora pouqu\u00edssimos estudos tenham sido feitos sobre essa cat\u00e1strofe.<\/p>\n<p>Um deles, \u201cImpacto Ecol\u00f3gico da Ind\u00fastria Petroleira na Sonda de Campeche, M\u00e9xico, ap\u00f3s Tr\u00eas D\u00e9cadas de Atividade\u201d, publicado em 2004 por quatro cientistas mexicanos, concluiu que o dano primordial foi a altera\u00e7\u00e3o dos estu\u00e1rios e lagoas costeiras, especialmente na reprodu\u00e7\u00e3o e no crescimento de v\u00e1rias esp\u00e9cies pesqueiras. O bi\u00f3logo Wes Tunnell, do Instituto Harte de Investiga\u00e7\u00e3o para o Golfo do M\u00e9xico da Texas A&#038;M University em Corpus Christi, tamb\u00e9m estudou os impactos da Ixtoc.<\/p>\n<p>Tunnell observou por 45 anos o sul do Golfo e a Sonda de Campeche \u2013 uma \u00e1rea de oito mil quil\u00f4metros quadrados a sudeste da capital mexicana onde ficava o po\u00e7o da Ixtoc \u2013 com visitas frequentes a \u00e1reas afetadas por diversos vazamentos. \u201cMesmo para a maioria dos que estudaram o vazamento da Ixtoc, ainda \u00e9 incompreens\u00edvel o que ocorreu com todo aquele \u00f3leo\u201d, disse \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>O inc\u00eandio e afundamento da plataforma foi em 3 de junho. As correntes arrastaram a mar\u00e9 negra at\u00e9 as costas dos Estados mexicanos de Campeche, Tabasco, Veracruz e Tamaulipas, e chegou ao Estado norte-americano do Texas na primeira semana de agosto. \u201cNas seis semanas seguintes, uma faixa de \u00f3leo e alcatr\u00e3o de 48 quil\u00f4metros de comprimento por cerca de 30 metros de largura cobriu as praias do sul do Texas, com uma espessura de at\u00e9 30 cent\u00edmetros\u201d, disse Tunnell.<\/p>\n<p>Ele e outros pesquisadores haviam retirado amostras desse lugar em julho, antes da chegada da mar\u00e9 negra. Voltaram em setembro, \u201cquando o \u00f3leo j\u00e1 havia sido revirado pelas tempestades\u201d. Encontraram uma redu\u00e7\u00e3o de dois grupos de organismos, vermes marinhos e pequenos crust\u00e1ceos, com uma queda entre 50% e 80% na zona entre as mar\u00e9s. \u201cN\u00e3o vimos uma redu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, mas de indiv\u00edduos. E dissemos: isto \u00e9 realmente grave\u201d, recorda Tunnell.<\/p>\n<p>Dois anos e meio depois, enviou \u00e0s mesmas praias um estudante que preparava sua tese, e a havia novamente abund\u00e2ncia de vermes e crust\u00e1ceos. \u201cEm dois ou tr\u00eas anos, a fauna da praia ou suas popula\u00e7\u00f5es regressaram, ao que parece, ao n\u00edvel anterior. As praias de areia de gr\u00e3os finos se limpam rapidamente\u201d, afirmou o especialista. Tunnell assegura que um fen\u00f4meno semelhante aconteceu nos bancos de camar\u00f5es de Campeche, os maiores do sul do Golfo, recuperados dois anos ap\u00f3s o acidente, \u201calgo muito surpreendente para n\u00f3s\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Tom Shirley, tamb\u00e9m do Instituto Harte, aponta alguns elementos. A cada ano vaza no oceano uma quantidade de petr\u00f3leo equivalente a um navio-tanque dos po\u00e7os submarinos do Golfo. Os organismos da \u00e1rea adaptaram-se para suportar uma constante presen\u00e7a de \u00f3leo na \u00e1gua. Isso poderia significar que a fauna do Golfo tem uma not\u00e1vel capacidade para degradar as mol\u00e9culas dos hidrocarbonos, disse Shirley. Por\u00e9m, explicou, esses vazamentos naturais s\u00e3o muito mais graduais do que a situa\u00e7\u00e3o atual, quando dezenas de milhares de barris vazam e flutuam nas \u00e1guas.<\/p>\n<p>\u201cEnquanto os vazamentos ficam em mar aberto, seus efeitos s\u00e3o relativamente poucos, mas os problemas aumentam quando chegam \u00e0 costa\u201d, disse \u00e0 IPS o bi\u00f3logo do estatal Centro de Pesquisas Biol\u00f3gicas do Nordeste, Daniel Lluch-Cota, um dos quatro autores do estudo publicado em 2004. O ataque \u00e0 flora e \u00e0 fauna costeiras \u201c\u00e9 grave, desde \u00e0 produtividade do fitopl\u00e2ncton at\u00e9 aos efeitos diretos em aves marinhas e outras esp\u00e9cies\u201d, disse Lluch-Cota. Remanescentes da Ixtoc ainda podiam ser vistos e tocados h\u00e1 sete anos. Tunnell se prepara para, nos pr\u00f3ximos dias, investigar se ainda est\u00e3o l\u00e1.<\/p>\n<p>Em 1979, dois de seus alunos encontraram petr\u00f3leo em arrecifes do sul do Golfo, perto de Veracruz, arrastado pelas tempestades e flutuando acima deles. Muitas ilhas tinham uma camada oleosa de aproximadamente 30 cent\u00edmetros. O bi\u00f3logo continuou rastreando esses \u201ccolch\u00f5es\u201d a cada m\u00eas junto com seus alunos. \u201cLentamente foram se dissolvendo, sobretudo nos cinco ou seis primeiros anos. Depois, j\u00e1 era bastante dif\u00edcil encontr\u00e1-los\u201d, afirmou. Contudo, os ecologistas alertam que at\u00e9 agora n\u00e3o h\u00e1 avalia\u00e7\u00f5es fidedignas.<\/p>\n<p>O estudo de Lluch-Cota alerta que a falta de informa\u00e7\u00e3o sistematizada sobre a situa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica e natural dos ecossistemas do Golfo ao longo dos anos \u00e9 o principal obst\u00e1culo para conclus\u00f5es claras sobre o impacto da extra\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. \u201cN\u00e3o sabemos se o dano causado pela Ixtoc foi recuperado. A capacidade da Pemex em responder \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o \u00e9 limitada\u201d, disse \u00e0 IPS o coordenador pol\u00edtico do Greenpeace para a Am\u00e9rica Latina, Gustavo Ampugnani.<\/p>\n<p>Em 2002, Wes Tunnell viajava pelos arrecifes de Veracruz em um cruzeiro com o National Geographic. Estava mergulhando com seu snorkel quando encontrou algo que parecia uma pedra coberta de areia, algas e conchas. \u201cAfundei minha faca e ao tir\u00e1-la vi que era alcatr\u00e3o\u201d. O bi\u00f3logo descreve estas \u201cgotas de alcatr\u00e3o\u201d como inertes e cobertas por sedimentos que indicavam baix\u00edssimos n\u00edveis de oxig\u00eanio no local.<\/p>\n<p>Ainda esta semana, Tunnell voltar\u00e1 a Veracruz. \u201cVamos fazer uma intensa busca para ver o que resta e concluir nossa hist\u00f3ria. \u00c9 uma pergunta que muitos nos fazem, p\u00fablico e cientistas: o que aconteceu com todo aquele petr\u00f3leo? Creio que a maior parte se foi, mas vamos buscar o que resta\u201d, afirmou. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington\/M\u00e9xico, 18\/06\/2010 &ndash; Em um dia primaveril no Golfo do M\u00e9xico, uma explos\u00e3o em uma perfura\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera submarina deu in\u00edcio a um enorme vazamento de \u00f3leo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/06\/economia\/ecossistemas-do-golfo-do-mexico-mais-resistentes-ao-petroleo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":66,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,12,5,10],"tags":[14],"class_list":["post-6727","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6727","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/66"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6727"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6727\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6727"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6727"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6727"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}