{"id":6729,"date":"2010-06-18T14:11:43","date_gmt":"2010-06-18T14:11:43","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6729"},"modified":"2010-06-18T14:11:43","modified_gmt":"2010-06-18T14:11:43","slug":"o-que-esta-em-jogo-no-acordo-energetico-brasil-peru","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/06\/america-latina\/o-que-esta-em-jogo-no-acordo-energetico-brasil-peru\/","title":{"rendered":"O que est\u00e1 em jogo no acordo energ\u00e9tico Brasil-Peru?"},"content":{"rendered":"<p>Lima, 18\/06\/2010 &ndash; O pacto energ\u00e9tico que acabam de firmar Brasil e Peru, em Manaus, nasce com rejei\u00e7\u00f5es de popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas peruanas onde ser\u00e3o constru\u00eddas as centrais hidrel\u00e9tricas projetadas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_6729\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/95692-20100617.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6729\" class=\"size-medium wp-image-6729\" title=\"Os presidentes Alan Garc\u00eda e Luiz In\u00e1cio Lula da Silva durante a assinatura do pol\u00eamico acordo. - Presid\u00eancia do Peru\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/95692-20100617.jpg\" alt=\"Os presidentes Alan Garc\u00eda e Luiz In\u00e1cio Lula da Silva durante a assinatura do pol\u00eamico acordo. - Presid\u00eancia do Peru\" width=\"200\" height=\"143\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6729\" class=\"wp-caption-text\">Os presidentes Alan Garc\u00eda e Luiz In\u00e1cio Lula da Silva durante a assinatura do pol\u00eamico acordo. - Presid\u00eancia do Peru<\/p><\/div>  O que est\u00e1 em jogo? O Peru ainda n\u00e3o calculou quanto seu mercado interno usar\u00e1 da energia procedente das hidrel\u00e9tricas que ser\u00e3o erguidas na Amaz\u00f4nia desse pa\u00eds em raz\u00e3o do acordo assinado no dia 16, entre o presidente Alan Garc\u00eda e seu anfitri\u00e3o, Luiz In\u00e1cio Lula da silva.<\/p>\n<p>Entretanto, o Peru se compromete a entregar uma porcentagem permanente de eletricidade ao Brasil por 30 anos. E se quiser denunciar o que foi acordado s\u00f3 poder\u00e1 faz\u00ea-lo ap\u00f3s ter transcorrido a metade desse prazo, informou \u00e0 IPS o vice-ministro de Energia do Peru, Daniel C\u00e1mac.<\/p>\n<p>\u201cQue sentido tem assinar um acordo sem determinar se \u00e9 o que precisamos como pa\u00eds. Por que n\u00e3o fazemos os estudos antes de assumir compromissos dos quais n\u00e3o podemos nos arrepender?\u201d, perguntou o advogado C\u00e9sar Gamboa, diretor da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental Direito, Ambiente e Recursos Naturais (DAR). C\u00e1mac respondeu que, para fazer esse c\u00e1lculo, \u00e9 necess\u00e1ria \u201cuma an\u00e1lise mais ampla\u201d e, portanto, \u201cse trabalhar\u00e1 projeto por projeto para saber quanto se necessita\u201d.<\/p>\n<p>O acordo, que come\u00e7ou a ser negociado em 2006, projeta gera seis mil megawatts com a constru\u00e7\u00e3o de geradoras em territ\u00f3rio peruano que, segundo a vers\u00e3o oficial, priorizar\u00e3o o abastecimento interno e permitir\u00e3o vender o excedente ao Brasil. Mas o engenheiro Alfredo Novoa, diretor da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental ProNatureza, assegurou \u00e0 IPS que \u201co Peru n\u00e3o precisa de projetos energ\u00e9ticos na Amaz\u00f4nia para atender sua demanda. Existe um potencial de 22 mil megawatts nos Andes e outros milhares na costa. Para que mais?\u201d, questionou.<\/p>\n<p>Este pa\u00eds possui uma capacidade instalada superior a seis mil megawatts de diversas fontes que cobrem sem sobressaltos a demanda atual. E a proje\u00e7\u00e3o \u00e9 de que necessitar\u00e1 de outros 12 mil megawatts at\u00e9 2020 e, cerca de 20 mil megawatts para 2050. Por sua vez, o \u201cBrasil, uma pot\u00eancia emergente, ter\u00e1 uma demanda projetada de 174 mil megawatts at\u00e9 2030\u201d, insistiu Novoa.<\/p>\n<p>Para C\u00e1mac, o Peru poderia precisar de mais energia do que indicam essas estimativas. Em 20 anos, a demanda poder\u00e1 chegar a 25 mil megawatts, afirmou. \u201cCom o acordo, abre-se um mercado de integra\u00e7\u00e3o, e depois ser\u00e3o feitos os estudos para encontrar um equil\u00edbrio econ\u00f4mico entre os dois pa\u00edses\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>De acordo com a explica\u00e7\u00e3o do vice-ministro, em cada central hidrel\u00e9trica ser\u00e1 estabelecida uma porcentagem fixa por 30 anos para a venda de energia ao Brasil, que ainda n\u00e3o se sabe a quanto chegar\u00e1. Em julho de 2009, a proposta estabelecida indicava 80% para o Brasil e 20% para o Peru nos primeiros dez anos. Mas, diante dos protestos peruanos, os n\u00fameros foram retirados do acordo e ser\u00e3o discutidos em negocia\u00e7\u00f5es a portas fechadas.<\/p>\n<p>O vice-ministro disse que tampouco se sabe quantas geradoras ser\u00e3o constru\u00eddas, nem em quais lugares. \u201cInclusive, poderiam ser nos Andes ou na Amaz\u00f4nia\u201d, assegurou \u00e0 IPS. Mas o pr\u00f3prio C\u00e1mac j\u00e1 assinalara em f\u00f3runs p\u00fablicos uma rela\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis projetos na selva para vender energia ao Brasil, como a IPS verificou em dois arquivos com apresenta\u00e7\u00f5es em PowerPoint elaboradas por um funcion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em uma exposi\u00e7\u00e3o, em maio de 2009, para um semin\u00e1rio internacional, o vice-ministro colocou no pacote de oferta dois controvertidos projetos. Um \u00e9 o do Rio Inambari, nos limites amaz\u00f4nicos das regi\u00f5es Cusco, Madre de Dios e Puno, no sudeste do pa\u00eds, que se converteria na maior hidrel\u00e9trica do Peru e a quinta em tamanho da Am\u00e9rica Latina. O outro \u00e9 o projeto Paquitzapango, no Rio Ene, do departamento de Jun\u00edn, onde se concentra a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena ash\u00e1ninka.<\/p>\n<p>De acordo com Gamboa, h\u00e1 outros tr\u00eas planos no Minist\u00e9rio de Energia: Mainiqui 1, em Cusco, e Tambo 40 e Tambo 60, em Jun\u00edn. Para os cinco projetos, calcula-se investimento entre US$ 13,5 bilh\u00f5es e US$ 16,5 bilh\u00f5es. As represas das centrais poderiam for\u00e7ar o deslocamento de mais de quatro mil pessoas em Inambari, entre ind\u00edgenas e mesti\u00e7os, e at\u00e9 dez mil em Paquitzapango, a maioria ash\u00e1ninkas, povo que sofreu o deslocamento no conflito armado interno peruano (1980-2000).<\/p>\n<p>O livro \u201cAmaz\u00f4nia Peruana em 2021\u201d, de Marc Dourojeanni, Alberto Barandiar\u00e1n e Diego Dourojeanni, afirma que Inambari pode causar um grande impacto no ecossistema da selva por causa da represa artificial que armazenar\u00e1 a \u00e1gua da hidrel\u00e9trica. Isto elevar\u00e1 a emiss\u00e3o peruana de gases-estufa em 5,9%. \u201cH\u00e1 custos sociais e ambientais que n\u00e3o est\u00e3o considerados. O governo tenta diluir os casos pontuais e insistir em afirmar que se trata de coopera\u00e7\u00e3o, quando, na realidade, \u00e9 uma negocia\u00e7\u00e3o desigual\u201d, disse Gamboa.<\/p>\n<p>As empresas encarregadas dos dois projetos principais s\u00e3o de capital brasileiro, mediante concess\u00f5es tempor\u00e1rias que seriam concedidas amparadas no tratado. O plano Inambari est\u00e1 nas m\u00e3os do cons\u00f3rcio Egasur, formado pelas empresas brasileiras OAS e a estatal Eletrobr\u00e1s Furnas. A concess\u00e3o para Paquitzapango est\u00e1 com a Paquitzapango Energia SAC, que tem por tr\u00e1s a poderosa organiza\u00e7\u00e3o Odebrecht, assegurou a advogada da Central Ash\u00e1ninka do Rio Ene (Care), Iris Olivera.<\/p>\n<p>Em maio, o gerente de projetos da Odebrecht, Cec\u00edlio Abr\u00e3o J\u00fanior, apresentou-se no escrit\u00f3rio da Care para explicar os supostos benef\u00edcios da obra. Segundo Olivera, o executivo informou que a construtora est\u00e1 encarregada do estudo de factibilidade e que forma um cons\u00f3rcio com a Eletrobr\u00e1s e a empresa Andrade Guti\u00e9rrez. OAS, acionista principal de Inambari, Odebrecht, Andrade Guti\u00e9rrez e Camargo Correa comp\u00f5em um oligop\u00f3lio da constru\u00e7\u00e3o de grandes obras que, financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social do Brasil (BNDES), constituem uma ponta de lan\u00e7a na Am\u00e9rica Latina e na \u00c1frica.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s destes investimentos est\u00e3o fornecedores do Brasil, porque o financiamento do BNDES tem como condi\u00e7\u00e3o o uso de equipamentos e insumos brasileiros. \u201cIsto evidencia o interesse econ\u00f4mico do Brasil para executar obras utilizando a m\u00e1scara de empresas constitu\u00eddas no Peru\u201d, disse Olivera. \u201cO Peru \u00e9 apenas mais um pe\u00e3o no tabuleiro de xadrez do Brasil\u201d, disse Novoa \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Os refletores apontam para a represa de Inambari, que regular\u00e1 o caudal do Rio Madre de Dios, afluente do Rio Madeira, na selva brasileira, onde est\u00e1 sendo constru\u00eddo um complexo hidrel\u00e9trico com m\u00faltiplas represas, acrescentou Novoa. Assim, quando o Madeira tiver um caudal baixo, a represa de Inambari poder\u00e1 contribuir para que suas turbinas sigam funcionando. O acordo deve ser debatido e ratificado pelo Congresso do Peru para entrar em vigor. \u201cSeria saud\u00e1vel\u201d, disse o vice-ministro C\u00e1mac. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lima, 18\/06\/2010 &ndash; O pacto energ\u00e9tico que acabam de firmar Brasil e Peru, em Manaus, nasce com rejei\u00e7\u00f5es de popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas peruanas onde ser\u00e3o constru\u00eddas as centrais hidrel\u00e9tricas projetadas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/06\/america-latina\/o-que-esta-em-jogo-no-acordo-energetico-brasil-peru\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":141,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,10,11],"tags":[],"class_list":["post-6729","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-energia","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6729","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/141"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6729"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6729\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6729"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6729"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6729"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}