{"id":6735,"date":"2010-06-21T16:16:38","date_gmt":"2010-06-21T16:16:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6735"},"modified":"2010-06-21T16:16:38","modified_gmt":"2010-06-21T16:16:38","slug":"cresce-a-presenca-feminina-nas-gangues-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/06\/america-latina\/cresce-a-presenca-feminina-nas-gangues-brasileiras\/","title":{"rendered":"Cresce a presen\u00e7a feminina nas gangues brasileiras"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 21\/06\/2010 &ndash; Elas j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o as noivas nem as amigas dos integrantes das gangues. A participa\u00e7\u00e3o das mulheres nesses grupos juvenis aumentou no Brasil na \u00faltima d\u00e9cada, embora ainda n\u00e3o nos mesmos n\u00edveis de seus colegas homens. <!--more--> Estas s\u00e3o conclus\u00f5es do livro \u201cGangues, G\u00eanero e Juventude: Donas de Rocha e Sujeitos Cabulosos\u201d, lan\u00e7ado na semana passada pela Rede de Informa\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica Latino-Americana (Ritla), com participa\u00e7\u00e3o da Central \u00danica de Favelas (Cufa) e apoio da Secret\u00e1ria de Direitos Humanos.<\/p>\n<p>A coordenadora do estudo, Miriam Abramovay, disse \u00e0 IPS que, h\u00e1 dez anos, quando pesquisou o assunto para a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco), as jovens exerciam um papel acess\u00f3rio na gangue, geralmente como \u201cenfeite\u201d dos homens. Hoje, as mulheres \u201cest\u00e3o conquistando espa\u00e7os com uma participa\u00e7\u00e3o mais ativa, em busca de respeito e visibilidade\u201d, da mesma forma que em outros setores da sociedade onde se inserem estas organiza\u00e7\u00f5es, conclui o estudo.<\/p>\n<p>Os pesquisadores n\u00e3o encontraram, como supunham, gangues apenas femininas. No entanto, entre as 13 organiza\u00e7\u00f5es estudadas em Bras\u00edlia, descobriram que hoje em dia as mulheres \u201cn\u00e3o t\u00eam o mesmo papel de subordina\u00e7\u00e3o de dez anos atr\u00e1s\u201d. Abramovay destacou que h\u00e1, inclusive, um \u201csetor feminino\u201d, definido dentro de sua estrutura como grupo F.<\/p>\n<p>Atualmente, as mulheres n\u00e3o se limitam a \u201ccuidar dos homens\u201d ou \u201ccarregar sua arma\u201d, como antes, disse Abramovay. Participam de a\u00e7\u00f5es comuns, como pichar muros e pr\u00e9dios p\u00fablicos e privados para marcar territ\u00f3rio diante de grupos inimigos, mas, como na sociedade contra a qual se rebelam, nestes grupos \u201ctamb\u00e9m h\u00e1 diferen\u00e7as de g\u00eanero\u201d, expressas sobretudo na estrutura de poder, destacou.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o feminina nas gangues juvenis e organiza\u00e7\u00f5es criminosas foi alvo de an\u00e1lise na Quarta Reuni\u00e3o Bianual de Estados sobre Armas Pequenas e Leves, realizada na semana passada na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas em Nova York. Os motivos para entrar nas gangues s\u00e3o comuns no Brasil: desejo de prest\u00edgio, de reconhecimento e identifica\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, desta maneira buscam expressar valores como coragem e lealdade. Embora participem de reuni\u00f5es gerais, elas tamb\u00e9m t\u00eam seus pr\u00f3prios encontros.<\/p>\n<p>Segundo Abramovay, enquanto os homens discutem temas como lutas e vingan\u00e7as contra outros grupos, as mulheres tratam de temas mais \u201cespec\u00edficos\u201d de g\u00eanero, \u201ccomo serem respeitadas dentro do grupo\u201d ou com quem se deve, ou n\u00e3o, sair. A pesquisadora disse que a terminologia de g\u00eanero usada por estas mulheres tem dois lados. Algumas s\u00e3o chamadas \u201cdonas de pedra\u201d, em refer\u00eancia \u00e0 sua fortaleza como mulheres, indicando respeito.<\/p>\n<p>Aquelas que podem trair o grupo s\u00e3o chamadas \u201ccabritas\u201d e as que atraem membros de grupos rivais por sedu\u00e7\u00e3o s\u00e3o conhecidas como \u201cfazedoras de casinhas\u201d. Quanto \u201c\u00e0 quest\u00e3o de g\u00eanero, a valentia e a coragem s\u00e3o consideradas atributos do universo masculino. As mulheres, por seu lado, podem incorporar atributos de coragem e lealdade, embora exista certa resist\u00eancia e at\u00e9 desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade feminina de exercer esse papel\u201d, diz o estudo.<\/p>\n<p>Abramovay faz v\u00e1rias leituras a respeito. Por um lado, percebe-se que esta \u201ccultura de viol\u00eancia e de sociedade de espet\u00e1culo\u201d, hoje muito valorizada entre os jovens, n\u00e3o \u00e9 apenas masculina. \u201c\u00c9 uma cultura masculina que d\u00e1 demonstra\u00e7\u00e3o de poder e as mulheres tamb\u00e9m querem t\u00ea-lo\u201d, afirmou. \u201c\u00c9 preocupante que elas estejam na gangue, mas, mais preocupante \u00e9 que tenhamos este novo modelo de sociedade de espet\u00e1culo, onde o modelo \u00e9 a viol\u00eancia, o ser macho\u201d, resumiu.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de gangues juvenis de outros pa\u00edses, com os da Am\u00e9rica Central, as do Brasil, em geral, n\u00e3o se \u201ccriminalizam\u201d, embora alguns de seus membros possam roubar ou vender drogas, explicou Abramovay. Segundo o estudo, existem outros eixos, al\u00e9m da citada picha\u00e7\u00e3o, como as guerras entre gangues, drogas, festas e Internet. A pesquisa estabelece que a defini\u00e7\u00e3o de territorialidade se expandiu para o espa\u00e7o virtual, onde \u00e9 poss\u00edvel promover um confronto entre grupos, por exemplo, com a exposi\u00e7\u00e3o de fotos provocativas mostrando drogas e armas.<\/p>\n<p>\u00c9 a maneira de se exibir que motiva estas organiza\u00e7\u00f5es. Max Maciel, coordenador da Cufa em Bras\u00edlia, disse \u00e0 IPS que para inserir estes jovens \u00e9 importante que o Estado d\u00ea oportunidades para que \u201cse exibam\u201d, cultural ou esportivamente, aproveitando seus talentos potenciais. A seu ver, em lugar de reprimir, as autoridades deveriam aproveitar de forma positiva as qualidades de muitos destes jovens, como a capacidade de lideran\u00e7a. Para Maciel, que trabalha com eles em projetos alternativos, os integrantes de gangues \u201cquerem o prest\u00edgio e a visibilidade\u201d que a sociedade n\u00e3o oferece.<\/p>\n<p>Maciel recomenda que \u201cqualquer pol\u00edtica, p\u00fablica ou privada, d\u00ea aos jovens o direito \u00e0 adrenalina sem risco de morte\u201d, com a\u00e7\u00f5es culturais \u201conde possam se expressar\u201d e entregando a eles ferramentas para que possam se incorporar no mercado de trabalho. Em suas atividades, sempre h\u00e1 risco de cairem dos pr\u00e9dios que picham, de serem presos ou alvejados por algum propriet\u00e1rio, acrescentou.<\/p>\n<p>Para evitar sua criminaliza\u00e7\u00e3o, o Estado deve desenvolver pol\u00edticas preventivas, concorda Abramovay, oferecendo projetos de inclus\u00e3o social e espa\u00e7os alternativos de divers\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o profissional. As pol\u00edticas p\u00fablicas devem ser as mesmas para homens e mulheres, acrescentando outras estritamente de g\u00eanero, concluiu. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 21\/06\/2010 &ndash; Elas j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o as noivas nem as amigas dos integrantes das gangues. A participa\u00e7\u00e3o das mulheres nesses grupos juvenis aumentou no Brasil na \u00faltima d\u00e9cada, embora ainda n\u00e3o nos mesmos n\u00edveis de seus colegas homens. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/06\/america-latina\/cresce-a-presenca-feminina-nas-gangues-brasileiras\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[21,24],"class_list":["post-6735","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6735","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6735"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6735\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6735"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6735"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6735"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}