{"id":674,"date":"2005-06-08T00:00:00","date_gmt":"2005-06-08T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=674"},"modified":"2005-06-08T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-08T00:00:00","slug":"darfur-investigar-sim-mas-preciso-tambm-ao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/darfur-investigar-sim-mas-preciso-tambm-ao\/","title":{"rendered":"Darfur: Investigar sim, mas &eacute; preciso tamb&eacute;m a&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Washington, 08\/06\/2005 &ndash; Ativistas de todo o mundo comemoraram a decis&atilde;o do Tribunal Penal Internacional de investigar os crimes contra a humanidade cometidos na regi&atilde;o de Darfur, ocidente do Sud&atilde;o, mas insistem na id&eacute;ia de que as pot&ecirc;ncias ocidentais devem intervir o quanto antes para p&ocirc;r fim &agrave; viol&ecirc;ncia. A atua&ccedil;&atilde;o do TPI, que pode levar a julgamento altos funcion&aacute;rios governamentais do Sud&atilde;o, est&aacute; legitimada pela resolu&ccedil;&atilde;o sem precedentes do Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, de 31 de mar&ccedil;o, que solicitou ao tribunal, com sede em Haia, na Holanda, que constatasse se efetivamente houveram viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos nesse pa&iacute;s africano.<br \/> <!--more--> <br \/> &Eacute; prov&aacute;vel que o TPI tome por base as conclus&otilde;es da Comiss&atilde;o Internacional de Investiga&ccedil;&atilde;o sobre Darfur, criada em outubro pelo secret&aacute;rio-geral da ONU, Kofi Annan. &quot;A decis&atilde;o dos promotores do tribunal de investigar os massacres e as viola&ccedil;&otilde;es maci&ccedil;as em Darfur far&aacute; com que as rodas da justi&ccedil;a comecem a se mover em favor das v&iacute;timas dessas atrocidades&quot;, afirmou o diretor do Programa de Justi&ccedil;a Internacional da organiza&ccedil;&atilde;o Human Rights Watch, Richard Dicker. &quot;Como Estado-membro da ONU, o Sud&atilde;o est&aacute; obrigado a cooperar com a investiga&ccedil;&atilde;o do TPI&quot;, acrescentou. A comiss&atilde;o criada por Annan confirmou que foram cometidos crimes de guerra e contra a humanidade em Darfur desde 2003, e entregou documentos detalhados sobre 51 suspeitos de serem os respons&aacute;veis pela viol&ecirc;ncia, incluindo v&aacute;rios funcion&aacute;rios do governo de Jartum.<\/p>\n<p> Os problemas de Darfur come&ccedil;aram nos anos 70 com uma disputa entre n&ocirc;mades &aacute;rabes e agricultores de tribos negras. A tens&atilde;o se transformou em uma guerra civil em 2003, quando guerrilheiros negros responderam com viol&ecirc;ncia &agrave; hostilidade das mil&iacute;cias Janjaweed (homens a cavalo) apoiadas, ao que parece, pelo governo. Entre 180 mil e 400 mil pessoas morreram nos &uacute;ltimos dois anos e meio &#8211; na grande maioria ind&iacute;genas negros &#8211; e outros 2,5 milh&otilde;es tiveram de abandonar suas casas devido a uma campanha contrainsurgente que incluiu bombardeios por parte de for&ccedil;as do governo e incurs&otilde;es das mil&iacute;cias. O an&uacute;ncio feito na segunda-feira pelo promotor-geral do TPI, Luis Moreno Ocampo, aconteceu em meio a crescentes apelos para deter a viol&ecirc;ncia.<\/p>\n<p> O presidente da Nig&eacute;ria, Olusegun Obasanjo, anunciou que os grupos rebeldes e o governo sudan&ecirc;s reiniciar&atilde;o as conversa&ccedil;&otilde;es de paz na pr&oacute;xima sexta-feira em Abuja, &agrave;s v&eacute;speras de uma visita a Darfur de Kofi Annan e uma equipe de alto n&iacute;vel da Uni&atilde;o Africana (UA), grupo continental que propicia o processo e que enviou uma miss&atilde;o observadora de aproximadamente 2.500 soldados e policiais na zona de conflito. Por sua vez, o governo dos Estados Unidos, George W. Bush, pressionado por congressistas tanto de seu partido Republicano, quanto da oposi&ccedil;&atilde;o Democrata, tenta ampliar a presen&ccedil;a internacional em Darfur e conseguir uma coordena&ccedil;&atilde;o log&iacute;stica com a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia e a Organiza&ccedil;&atilde;o do Tratado do Atl&acirc;ntico Norte (Otan).<\/p>\n<p> Na semana passada, o pr&oacute;prio Bush qualificou de &quot;genoc&iacute;dio&quot; a viol&ecirc;ncia em Darfur e revelou que mantinha contatos com o secret&aacute;rio-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, e com o primeiro-ministro do Canad&aacute;, Paul Martin, que prometeu enviar cem soldados para opera&ccedil;&otilde;es log&iacute;sticas em territ&oacute;rio sudan&ecirc;s. Ativistas afirmaram que Washington e outros governos ocidentais deveriam oferecer mais apoio para deter o quanto antes a viol&ecirc;ncia. Al&eacute;m disso, pedem ao Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU que conceda &agrave; miss&atilde;o da UA a autoridade para usar a for&ccedil;a em defesa da popula&ccedil;&atilde;o civil e lhe d&ecirc; apoio log&iacute;stico. Esta miss&atilde;o, que chegar&aacute; a estar integrada por apenas 12 mil soldados at&eacute; o final deste ano, &eacute; extremamente pequena para cumprir seu mandato de forma efetiva.<\/p>\n<p> Em Darfur ser&aacute; necess&aacute;rio um m&iacute;nimo entre 12 mil e 15 mil efetivos at&eacute; o final de julho, segundo o independente Grupo Internacional de Crise (ICG), que estuda conflitos b&eacute;licos em todo o mundo. &quot;Parece que a UA, mesmo como a maior vontade do mundo, ser&aacute; incapaz de enviar uma for&ccedil;a efetiva sem um apoio internacional substancial&quot;, disse o presidente do ICG e ex-chanceler australiano, Gareth Evans. Entretanto, Washington tenta minimizar a urg&ecirc;ncia da situa&ccedil;&atilde;o, apesar de Bush reconhecer que se tratava de um genoc&iacute;dio. Em entrevista coletiva antes de viajar para o Sud&atilde;o, na semana passada, o subsecret&aacute;rio de Estado, Roberto Zoellick, expressou confian&ccedil;a em que Jartum possa manejar o conflito.<\/p>\n<p> &quot;Creio que o governo sudan&ecirc;s est&aacute; trabalhando para encontrar uma solu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica&quot;, afirmou Zoellick, expressando confian&ccedil;a de que a investiga&ccedil;&atilde;o do TPI pressione Jartum para que cumpra as resolu&ccedil;&otilde;es do Conselho de Seguran&ccedil;a da ONU no sentido de deter a viol&ecirc;ncia e desarmar as Janjaweed. O apoio do subsecret&aacute;rio &agrave; decis&atilde;o do TPI &eacute; significativo, tendo em conta que o governo dos Estados Unidos se op&ocirc;s a esse tribunal desde sua cria&ccedil;&atilde;o, por considerar que amea&ccedil;a sua soberania e liberdade de a&ccedil;&atilde;o. Washington aceitou que o Conselho de Seguran&ccedil;a encomendasse o caso de Darfur ao TPI diante da inviabilidade de um tribunal especial da UA.<\/p>\n<p> Temerosos de que Washington n&atilde;o coopere com a investiga&ccedil;&atilde;o, ativistas pediram &agrave; administra&ccedil;&atilde;o Bush que entregue toda evid&ecirc;ncia que possua sobre as atrocidades cometidas em Darfur. Bush &quot;deve garantir que os Estados Unidos far&atilde;o todo o poss&iacute;vel para que os respons&aacute;veis sejam levados perante a Justi&ccedil;a&quot;, afirmou o presidente da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental norte-americana Cidad&atilde;os por Solu&ccedil;&otilde;es Globais, Charles Brown. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, 08\/06\/2005 &ndash; Ativistas de todo o mundo comemoraram a decis&atilde;o do Tribunal Penal Internacional de investigar os crimes contra a humanidade cometidos na regi&atilde;o de Darfur, ocidente do Sud&atilde;o, mas insistem na id&eacute;ia de que as pot&ecirc;ncias ocidentais devem intervir o quanto antes para p&ocirc;r fim &agrave; viol&ecirc;ncia. A atua&ccedil;&atilde;o do TPI, que pode levar a julgamento altos funcion&aacute;rios governamentais do Sud&atilde;o, est&aacute; legitimada pela resolu&ccedil;&atilde;o sem precedentes do Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, de 31 de mar&ccedil;o, que solicitou ao tribunal, com sede em Haia, na Holanda, que constatasse se efetivamente houveram viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos nesse pa&iacute;s africano.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/darfur-investigar-sim-mas-preciso-tambm-ao\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":104,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-674","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/674","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/104"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=674"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/674\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=674"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=674"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=674"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}