{"id":6749,"date":"2010-06-23T14:37:59","date_gmt":"2010-06-23T14:37:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6749"},"modified":"2010-06-23T14:37:59","modified_gmt":"2010-06-23T14:37:59","slug":"e-possivel-ser-pobre-e-empresaria-na-guatemala","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/06\/america-latina\/e-possivel-ser-pobre-e-empresaria-na-guatemala\/","title":{"rendered":"\u00c9 poss\u00edvel ser pobre e empres\u00e1ria na Guatemala"},"content":{"rendered":"<p>Guatemala, 23\/06\/2010 &ndash; Rosenda G\u00f3mez, uma guatemalteca de 53 anos e cinco filhos conhece bem os desafios. Para enfrent\u00e1-los, montou uma modesta f\u00e1brica de embutidos e agora gra\u00e7as \u00e0 sua lideran\u00e7a e treinamento recebido \u00e9 um exemplo do poder econ\u00f4mico das mulheres.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_6749\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/76564.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6749\" class=\"size-medium wp-image-6749\" title=\"A jovem empreendedora Sharon Soto, \u00e0 esquerda, em sua modesta e informal sapatariana capital da Guatemala. - Danilo Valladares\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/76564.jpg\" alt=\"A jovem empreendedora Sharon Soto, \u00e0 esquerda, em sua modesta e informal sapatariana capital da Guatemala. - Danilo Valladares\/IPS\" width=\"150\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6749\" class=\"wp-caption-text\">A jovem empreendedora Sharon Soto, \u00e0 esquerda, em sua modesta e informal sapatariana capital da Guatemala. - Danilo Valladares\/IPS<\/p><\/div>  Ela conta que h\u00e1 16 anos come\u00e7ou a fabricar chouri\u00e7o artesanalmente em La Laguna de Ocubila, sua aldeia, para vender na vizinha cidade de Huehuetenango, capital do departamento de mesmo nome, a 261 quil\u00f4metros da capital.<\/p>\n<p>Mas seu neg\u00f3cio n\u00e3o ia al\u00e9m da subsist\u00eancia, at\u00e9 que as coisas mudaram notavelmente h\u00e1 tr\u00eas quando, quando foi instalado no departamento o Centro de Servi\u00e7o para os Empreendimentos das Mulheres (Csem), patrocinado pelo Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento da Mulher (Unifem), em associa\u00e7\u00e3o com institui\u00e7\u00f5es da Guatemala.<\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7amos a receber apoio, com cr\u00e9ditos, capacita\u00e7\u00f5es para melhorar os produtos e promo\u00e7\u00f5es em feiras para comercializarmos nossos embutidos de frango e porco, enquanto antes n\u00e3o havia nada disto\u201d, contou G\u00f3mez \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>Com esse apoio, G\u00f3mez, que s\u00f3 fez metade do curso prim\u00e1rio, conseguiu melhorar significativamente seu neg\u00f3cio at\u00e9 aumentar em dez vezes a produ\u00e7\u00e3o de embutidos, de cinco para 50 quilos semanais, e a demanda continua crescendo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, recebeu apoio para montar, junto com outras mulheres, um centro de processamento de carne, o que mudou a vida de sua empresa e de sua fam\u00edlia, cujos tr\u00eas filhos menores, entre 13 e 15 anos, vivem com ela, enquanto os outros dois j\u00e1 deram sete netos a ela e ao marido, motorista de caminh\u00e3o, conta orgulhosa.<\/p>\n<p>O m\u00e9rito de G\u00f3mez \u00e9 maior se for considerado que a independ\u00eancia econ\u00f4mica das mulheres \u00e9 muito limitada na Guatemala.<\/p>\n<p>Elas representam apenas 35% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa do pa\u00eds, segundo o Instituto Nacional de Estat\u00edsticas. Um informe da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho revela que 73% delas trabalham na economia informal.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es sociais destacam que a pobreza e a marginaliza\u00e7\u00e3o da metade feminina dos 14,3 milh\u00f5es de habitantes da Guatemala se retroalimentam por seu limitado acesso a educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. Como resultado, 51,5% das mulheres vivem em pobreza, tr\u00eas pontos percentuais a mais do que os homens, segundo a Pesquisa Nacional de Condi\u00e7\u00f5es de Vida de 2006.<\/p>\n<p>Como fazem com G\u00f3mez, os Csem apoiam 3.273 mulheres em sete destas estruturas territoriais que come\u00e7aram a ser instaladas em 2006 na Guatemala, localizadas nos departamentos mais pobres do pa\u00eds. Outros sete est\u00e3o espalhados em El Salvador, Honduras e Nicar\u00e1gua.<\/p>\n<p>\u201cAprendemos como fazer um plano de neg\u00f3cios, a comercializar nossos produtos e calcular os custos de produ\u00e7\u00e3o\u201d, disse \u00e0 IPS Sonia Paz, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Mulheres Olopenses do departamento de Chiquimula, onde funciona outro Csem.<\/p>\n<p>Paz \u00e9 parte de um grupo de 36 mulheres produtoras de artesanato com fibra de maguey, uma planta do g\u00eanero Agave tamb\u00e9m conhecida como pita, com a qual fabricam bolsas, chaveiros e outros artigos que comercializam em seu munic\u00edpio, Olopa, e \u00e1reas vizinhas.<\/p>\n<p>\u201cGra\u00e7as ao apoio do Csem, melhoramos a qualidade de nossos produtos e conseguimos nosso registro tribut\u00e1rio\u201d, explicou Paz, que tamb\u00e9m destaca o esfor\u00e7o de muitas mulheres da \u00e1rea rural para superar sua situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica tradicionalmente dependente.<\/p>\n<p>Rita Cassisi, coordenadora do Unifem na Guatemala, disse \u00e0 IPS que o Csem facilita o acesso financeiro e empresarial para as mulheres por meio de cr\u00e9ditos, capacita\u00e7\u00e3o na organiza\u00e7\u00e3o, melhoria de produtos e comercializa\u00e7\u00e3o, entre outros aspectos.<\/p>\n<p>\u201cUm dos vazios que vemos \u00e9 o acesso das mulheres aos recursos. Por isso, o programa quer montar uma estrat\u00e9gia de poder econ\u00f4mico das mulheres em n\u00edveis local, nacional e regional\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Segundo Cassisi, as benefici\u00e1rias do Csem \u201cest\u00e3o na base da atividade empresarial e s\u00e3o mulheres que desenvolvem microempreendimetos e microneg\u00f3cios que movimentam a economia das regi\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Como todo esfor\u00e7o, este tamb\u00e9m encontra pedras pelo caminho.<\/p>\n<p>Gilda Rivera, gerente do Csem no departamento de San Marcos, disse \u00e0 IPS que iniciaram suas atividades em abril de 2009, mas ainda n\u00e3o conseguiram iniciar as capacita\u00e7\u00f5es e o trabalho pleno. \u201cAgora o problema \u00e9 que n\u00e3o temos recursos para investir e temos cerca de 80 mulheres \u00e0 espera dos benef\u00edcios\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Rivera considerou que \u00e0s vezes s\u00e3o muitos os requisitos para iniciar os projetos, o que torna o processo \u201cmuito lento\u201d, enquanto do outro lado muitas mulheres esperam a capacita\u00e7\u00e3o para levar t\u00e9cnicas e cr\u00e9ditos aos seus neg\u00f3cios e ampliar a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A necessidade imperiosa destas mulheres por formalizar e agregar tecnologia aos seus microempreendimentos se explica porque a maioria trabalha na informalidade. \u00cdris Alvarado, do n\u00e3o governamental Centro de Pesquisa, Capacita\u00e7\u00e3o e Apoio \u00e0 Mulher, disse \u00e0 IPS que a Guatemala tem desafios muito importantes quanto \u00e0 igualdade de g\u00eanero, al\u00e9m do poder econ\u00f4mico das mulheres.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia contra a mulher, a falta de acesso a servi\u00e7os como educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, principalmente para as mulheres da \u00e1rea rural, s\u00e3o outros assuntos que merecem a aten\u00e7\u00e3o do pa\u00eds para vencer as desigualdades de g\u00eanero, disse Alvarado.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o queremos ser mais do que os homens, mas \u00e9 preciso criar as mesmas condi\u00e7\u00f5es de vida para ambos\u201d, ressaltou. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guatemala, 23\/06\/2010 &ndash; Rosenda G\u00f3mez, uma guatemalteca de 53 anos e cinco filhos conhece bem os desafios. 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