{"id":6754,"date":"2010-06-24T15:19:19","date_gmt":"2010-06-24T15:19:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6754"},"modified":"2010-06-24T15:19:19","modified_gmt":"2010-06-24T15:19:19","slug":"livros-estados-unidos-as-guerras-sao-herdadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/06\/politica\/livros-estados-unidos-as-guerras-sao-herdadas\/","title":{"rendered":"LIVROS-ESTADOS UNIDOS: As guerras s\u00e3o herdadas"},"content":{"rendered":"<p>Chicago, Estados Unidos, 24\/06\/2010 &ndash; Ap\u00f3s um ano e meio de governo, qualquer esperan\u00e7a de que a administra\u00e7\u00e3o de Barack Obama conseguisse uma mudan\u00e7a na pol\u00edtica externa dos Estados Unidos se desfez. <!--more--> O mandat\u00e1rio at\u00e9 agora mostrou ter pouca inclina\u00e7\u00e3o para romper com o passado quando se trata de rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>O governo de George W. Bush fez o p\u00fablico norte-americano conhecer nomes como Guantanamo (pelas torturas contra suspeitos de terrorismo), Faluja (pela sangrenta ofensiva de 2004 contra essa cidade iraquiana) e Blackwater (pela participa\u00e7\u00e3o de mercen\u00e1rios dessa empresa de seguran\u00e7a privada em a\u00e7\u00f5es b\u00e9licas).<\/p>\n<p>Durante o governo de Obama os nomes s\u00e3o Bagram (pris\u00e3o nessa base militar dos Estados Unidos no Afeganist\u00e3o), Wazirist\u00e3o (zona paquistanesa onde as for\u00e7as de Washington lutam contra insurgentes) e Predator (tipo de avi\u00e3o n\u00e3o tripulado que organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos acusam de assassinar civis em a\u00e7\u00f5es da CIA).<\/p>\n<p>Para que fique claro, isto n\u00e3o significa, como sugeriram alguns desiludidos partid\u00e1rios de Obama, que o chefe de Estado \u201cn\u00e3o seja diferente de Bush\u201d, sobretudo se a refer\u00eancia for ao obstinado primeiro mandato deste \u00faltimo que eles t\u00eam em mente. Embora a diplomacia de Obama com o Ir\u00e3, por exemplo, care\u00e7a de inspira\u00e7\u00e3o \u2013 com uma grande energia dedicada a aprovar san\u00e7\u00f5es internacionais que s\u00e3o provocativas e in\u00fateis \u2013, tamb\u00e9m \u00e9 certo que trabalha ativamente para evitar uma guerra aberta com esta rep\u00fablica isl\u00e2mica.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 muito mais do que se poderia dizer, naturalmente, se o presidente fosse John McCain ou Sarah Palin, ambos do opositor Partido Republicano e com posturas muito mais belicistas em mat\u00e9ria internacional.<\/p>\n<p>Obama tamb\u00e9m patinou em confronta\u00e7\u00f5es com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, mas ao menos demonstrou uma consci\u00eancia de que o cheque em branco que Bush oferecia ao Estado judeu agora \u00e9 insustent\u00e1vel, ao contr\u00e1rio dos republicanos, que d\u00e3o pleno apoio \u00e0 ideologia da Grande Israel (ocupando as terras \u00e1rabes) dos colonos judeus.<\/p>\n<p>No entanto, embora Obama n\u00e3o cometa os mais graves excessos de seu antecessor, permanece solidamente fiel ao que o analista internacional Andrew Bacevich define como a \u201cideologia de seguran\u00e7a nacional\u201d, que reina nos Estados Unidos desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Pouco importa se esta filosofia \u00e9 resultado de uma convic\u00e7\u00e3o pessoal de Obama ou de press\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<p>A verdadeira pergunta \u00e9: algu\u00e9m deveria se surpreender? Havia alguma raz\u00e3o para crer que um governo de Obama marcaria uma mudan\u00e7a importante na pol\u00edtica externa norte-americana, ou os partid\u00e1rios progressistas do agora presidente depositaram nele suas esperan\u00e7as sem contar com evid\u00eancias que o justificasse? Em alguns assuntos, como a pol\u00edtica com os suspeitos de terrorismo detidos, Obama claramente descumpriu as promessas que fez quando era candidato, mas em muitos outros, particularmente na escalada da guerra no Afeganist\u00e3o, simplesmente seguiu os objetivos que havia declarado.<\/p>\n<p>O livro The American Way of War: How Bush\u2019s Wars Became Obama\u2019s (A Guerra \u00e0 Maneira Norte-Americana: Como as Guerras de Bush se Converteram nas de Obama, Haymarket Books, 2010), Tom Engelhardt faz um profundo exame da pol\u00edtica externa de Washington desde 2001, e detalha como Obama herdou, e em alguns casos exacerbou, os males da era Bush.<\/p>\n<p>Engelhardt n\u00e3o d\u00e1 explicitamente sua opini\u00e3o sobre o curso dos fatos, e se nega a cair em an\u00e1lises simplificadas e personalistas, como contrastar o \u201ccruzado\u201d Obama que cavalga para Washington para troc\u00e1-lo inteiro pelo Obama c\u00ednico que sacrifica seus princ\u00edpios por conveni\u00eancia pol\u00edtica. Ao contr\u00e1rio, coloca para o leitor a possibilidade de que as for\u00e7as que fazem com que a pol\u00edtica externa dos Estados Unidos seja o que \u00e9 hoje transcendam os personalismos, e sugere que, para mudar a postura de Washington no mundo, ser\u00e1 preciso mais do que votar nos \u201cbons\u201d.<\/p>\n<p>Engelhardt \u00e9 mais conhecido como o homem por tr\u00e1s do site TomDispatch.com, que, desde os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington, lan\u00e7a as mais mordazes cr\u00edticas \u00e0 pol\u00edtica externa norte-americana. Com o site colaboram analistas que incluem todo o espectro ideol\u00f3gico, desde Bacevich, na direita, at\u00e9 Noam Chomsky, na esquerda.<\/p>\n<p>O livro de Engelhardt re\u00fane alguns de seus melhores ensaios escritos para o site entre 2004 e 2010. Uma caracter\u00edstica assombrosa do texto \u00e9 como flui sua reda\u00e7\u00e3o, sem costuras, apesar de a primeira parte ter sido escrita no primeiro mandato de Bush e o restante h\u00e1 uns poucos meses. Isto \u00e9 por si s\u00f3 um ind\u00edcio de como as coisas mudaram t\u00e3o pouco. Seu livro anterior, The End of Victory Culture (O Fim da Cultura da Vit\u00f3ria), era uma perspicaz an\u00e1lise de como a cultura popular dos Estados Unidos deu forma ao discurso triunfalista da Guerra Fria.<\/p>\n<p>O autor demonstra que a cultura da m\u00eddia de massa influencia o que comumente se considera dom\u00ednio dos pol\u00edticos. O primeiro cap\u00edtulo examina como os ataques de 11 de setembro de 2001 deram forma ao panorama pol\u00edtico norte-americano na \u00faltima d\u00e9cada, de maneira tanto \u00f3bvia quanto sutil, e tamb\u00e9m como encontraram particular resson\u00e2ncia em uma popula\u00e7\u00e3o que h\u00e1 tempos se preparava psicologicamente para um apocalipse ao estilo cinematogr\u00e1fico.<\/p>\n<p>Engelhardt pergunta o quanto teria sido diferente o curso da hist\u00f3ria se o World Trade Center n\u00e3o tivesse ca\u00eddo. Sem o horror visual do desmoronamento das torres, talvez os pol\u00edticos se sentissem menos inclinados a lan\u00e7ar a toda for\u00e7a uma \u201cguerra mundial contra o terrorismo\u201d.<\/p>\n<p>Ou, talvez, a sede de vingan\u00e7a do p\u00fablico norte-americano teria sido saciada apenas com a derrubada do movimento isl\u00e2mico Talib\u00e3 no Afeganist\u00e3o, e talvez Washington n\u00e3o tivesse invadido o Iraque pela percebida necessidade de \u201cir justo ao cora\u00e7\u00e3o do mundo \u00e1rabe para sufocar algo\u201d em resposta, segundo o jornalista Thomas Friedmna, colunista do The New York Times. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chicago, Estados Unidos, 24\/06\/2010 &ndash; Ap\u00f3s um ano e meio de governo, qualquer esperan\u00e7a de que a administra\u00e7\u00e3o de Barack Obama conseguisse uma mudan\u00e7a na pol\u00edtica externa dos Estados Unidos se desfez. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/06\/politica\/livros-estados-unidos-as-guerras-sao-herdadas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":49,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[14],"class_list":["post-6754","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6754","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/49"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6754"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6754\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6754"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6754"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6754"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}