{"id":677,"date":"2005-06-09T00:00:00","date_gmt":"2005-06-09T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=677"},"modified":"2005-06-09T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-09T00:00:00","slug":"birmnia-o-silencioso-aniversrio-de-aung-san-suu-kyi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/birmnia-o-silencioso-aniversrio-de-aung-san-suu-kyi\/","title":{"rendered":"Birm&acirc;nia: O silencioso anivers&aacute;rio de Aung San Suu Kyi"},"content":{"rendered":"<p>Bangcoc, 09\/06\/2005 &ndash; A l&iacute;der opositora birmanesa Aung San Suu Kyi completar&aacute; 60 anos no pr&oacute;ximo dia 19. Tudo indica que nesse dia continuar&aacute; sendo prisioneira do regime, enquanto a di&aacute;spora e uma legi&atilde;o de simpatizantes em todo o mundo se preparam para comemorar a data. Nessa data, da Esc&oacute;cia at&eacute; a Tail&acirc;ndia, do Texas a T&oacute;quio, milhares de pessoas enaltecer&atilde;o sua coragem como defensora da democracia. As mensagens publicadas na Internet de um dos principais grupos pr&oacute;-democratas do ex&iacute;lio &#8211; a Campanha pela Birm&acirc;nia, com sede em Washington &#8211; refletem a alta estima que Suu Kyi possui no ambiente internacional. Al&eacute;m de tudo, ela n&atilde;o &eacute; somente um pr&ecirc;mio Nobel da Paz. Tamb&eacute;m &eacute; a &uacute;nica personalidade que recebeu esse reconhecimento e se encontra presa.<br \/> <!--more--> <br \/> Outro premiado, o bispo sul-africano Desmond Tutu, afirmou no site da Campanha: &quot;Enquanto ela estiver presa, nenhum de n&oacute;s estar&aacute; verdadeiramente livre&quot;. Os simpatizantes de Suu Kyi pretendem exigir sua liberdade diante das embaixadas da Birm&acirc;nia nas capitais de tr&ecirc;s continentes, incluindo T&oacute;quio, Seul, Nova D&eacute;lhi, Londres e Washington. &quot;N&atilde;o ser&aacute; f&aacute;cil para o regime militar ignorar esta onda de apoio&quot;, disse &agrave; IPS Debbie Stothard, da organiza&ccedil;&atilde;o de direitos humanos Rede Alternativa da Asean sobre a Birm&acirc;nia (Altsean). &quot;Apesar de seu isolamento, ela ainda re&uacute;nem imenso apoio e solidariedade&quot;.<\/p>\n<p> Com o passar dos anos, o anivers&aacute;rio de Suu Kyi se converteu em uma ocasi&atilde;o &quot;poderosa&quot; para que ativistas pelos direitos humanos e pr&oacute;-democr&aacute;ticos condenem os maus-tratos sofridos pela l&iacute;der e por cerca de 1.300 presos pol&iacute;ticos, acrescentou Stothard. Entre os presos h&aacute; parlamentares, escritores, monges budistas e ativistas. O jornalista Win Tin, de 75 anos, est&aacute; atr&aacute;s das grades h&aacute; 16 anos. Estas condena&ccedil;&otilde;es s&atilde;o produto da dura repress&atilde;o contra o levante pr&oacute;-democr&aacute;tico birman&ecirc;s de 1988. Depois, no esmagador triunfo da Liga Nacional para a Democracia (NLD) de Suu Kyi nas elei&ccedil;&otilde;es parlamentares de 1990 foi ignorado pelo governo militar.<\/p>\n<p> Esse regime governa o pa&iacute;s asi&aacute;tico desde o golpe de Estado de 1962, e se mant&eacute;m no poder com crescente brutalidade. O tratamento dado a Suu Kyi chegou a ser uma esp&eacute;cie de resumo da brutalidade da ditadura. Seu atual per&iacute;odo de pris&atilde;o domiciliar, iniciado em maio de 2003, &eacute; o pior de seus quase 10 anos de reclus&atilde;o. A dirigente n&atilde;o tem contato com a comunidade diplom&aacute;tica h&aacute; meses e lhe &eacute; negada a possibilidade de se reunir com funcion&aacute;rios da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, de institui&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais e dirigentes de seu partido. Tamb&eacute;m &eacute; restrito o contato com seu m&eacute;dico pessoal, Tin Myo Win, ao contr&aacute;rio do que ocorreu nos dois per&iacute;odos anteriores de pris&atilde;o domiciliar, de 1989 a 1995 e de 2000 a 2002.<\/p>\n<p> &quot;Antes, seu m&eacute;dico podia visit&aacute;-la duas vezes por semana. Mas agora precisa obter licen&ccedil;a do governo e, &agrave;s vezes, se encontram uma vez por semana ou, de maneira mais espa&ccedil;ada ainda&quot;, disse &agrave; IPS Zin Linn, dirigente da NLD. Segundo Zin, ele mesmo um preso pol&iacute;tico durante sete anos na d&eacute;cada de 90, as autoridades revistam o equipamento do m&eacute;dico antes que possa visitar Suu Kyi. Para os jornalistas birmaneses no ex&iacute;lio, h&aacute; pouco mist&eacute;rio no tratamento. &quot;&Eacute; uma tentativa do regime de transform&aacute;-la em uma personalidade politicamente irrelevante&quot;, disse Zung Zaw, editor do seman&aacute;rio The Irrawaddy, que informa sobre assuntos birmaneses da regi&atilde;o norte da Tail&acirc;ndia.<\/p>\n<p> O sil&ecirc;ncio de Suu Kyi e sobre o mundo que habita reflete o quanto a junta militar tem sido capaz de isol&aacute;-la, acrescentou Zaw. &quot;N&atilde;o h&aacute; not&iacute;cias, nem uma palavra dela ou sobre o que est&aacute; fazendo. Isso n&atilde;o acontecia antes&quot;, explicou. O temor de Rangun procede da popularidade de Suu Kyi, que ao ser libertada ap&oacute;s 19 meses de pris&atilde;o domiciliar em maio de 2002 reuniu centenas de milhares de pessoas ansiosas por ouvi-la. Em um ano de liberdade, visitou 135 povoados e 12 Estados birmaneses. As multid&otilde;es que a saudavam procediam de todas as camadas &eacute;tnicas do pa&iacute;s.<\/p>\n<p> Em maio de 2003, homens a servi&ccedil;o do regime militar atacaram Suu Kyi e altos dirigentes da NLD quando participavam de um ato pol&iacute;tico ao norte de Rangun. Pouco depois, os dirigentes agredidos foram colocados sob pris&atilde;o domiciliar. No entanto, as tentativas de silenci&aacute;-la foram contraproducentes, pois o n&iacute;vel de apoio que tem Suu Kyi na Birm&acirc;nia n&atilde;o diminuiu, disse Stothard. Prova disso &eacute; que 300 mil simpatizantes assumiram um grande risco pol&iacute;tico ao assinarem uma peti&ccedil;&atilde;o por sua liberdade incondicional. &quot;Assinar essa peti&ccedil;&atilde;o foi um ato desafiador. O fizeram porque Suu Kyi &eacute; um s&iacute;mbolo poderoso na Birm&acirc;nia. As pessoas acreditam nela&quot;, explicou Stothard. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bangcoc, 09\/06\/2005 &ndash; A l&iacute;der opositora birmanesa Aung San Suu Kyi completar&aacute; 60 anos no pr&oacute;ximo dia 19. Tudo indica que nesse dia continuar&aacute; sendo prisioneira do regime, enquanto a di&aacute;spora e uma legi&atilde;o de simpatizantes em todo o mundo se preparam para comemorar a data. Nessa data, da Esc&oacute;cia at&eacute; a Tail&acirc;ndia, do Texas a T&oacute;quio, milhares de pessoas enaltecer&atilde;o sua coragem como defensora da democracia. As mensagens publicadas na Internet de um dos principais grupos pr&oacute;-democratas do ex&iacute;lio &#8211; a Campanha pela Birm&acirc;nia, com sede em Washington &#8211; refletem a alta estima que Suu Kyi possui no ambiente internacional. Al&eacute;m de tudo, ela n&atilde;o &eacute; somente um pr&ecirc;mio Nobel da Paz. 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