{"id":6793,"date":"2010-07-01T14:03:49","date_gmt":"2010-07-01T14:03:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6793"},"modified":"2010-07-01T14:03:49","modified_gmt":"2010-07-01T14:03:49","slug":"unctad-esquece-ameacas-reais-para-agricultores-da-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/07\/africa\/unctad-esquece-ameacas-reais-para-agricultores-da-africa\/","title":{"rendered":"Unctad \u201cesquece\u201d amea\u00e7as reais para agricultores da \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p>Berlim, 01\/07\/2010 &ndash; O \u00faltimo informe da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Com\u00e9rcio e Desenvolvimento (Unctad) a respeito de ci\u00eancia e tecnologia repete o chamado a uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o verde\u201d na agricultura da \u00c1frica, mas n\u00e3o menciona os perigos reais do com\u00e9rcio e do contexto financeiro internacional para os produtores desse continente. <!--more--> No informe \u201cMelhorando a seguran\u00e7a alimentar na \u00c1frica por meio da ci\u00eancia, da tecnologia e da inova\u00e7\u00e3o\u201d, esta ag\u00eancia da ONU alerta que a \u00c1frica subsaariana tem muitas possibilidades de n\u00e3o alcan\u00e7ar o primeiro dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio, de erradicar a fome e a pobreza extrema at\u00e9 2015.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o estaria impossibilitada de alcan\u00e7ar essa meta devido \u00e0s suas ineficazes t\u00e9cnicas agr\u00edcolas e \u00e0s pouco econ\u00f4micas pr\u00e1ticas aplicadas depois das colheitas. Para evitar esse fracasso, a Unctad quer que seu secret\u00e1rio-geral, Supachai Panitchpakdi, chame por \u201cuma nova revolu\u00e7\u00e3o verde para a \u00c1frica\u201d, n\u00e3o baseada em modelos estrangeiros, mas \u201cconstru\u00edda sobre a base da tecnologia e dos conhecimentos abor\u00edgines, bem como sobre as necessidades nutricionais e de seguran\u00e7a alimentar de seu povo\u201d.<\/p>\n<p>Esta revolu\u00e7\u00e3o deveria considerar \u201cas capacidades dos milh\u00f5es de pequenos agricultores africanos para enfrentar a variabilidade clim\u00e1tica do continente. Construir capacidades para a ci\u00eancia, a tecnologia e a inova\u00e7\u00e3o relevantes para a agricultura \u00e9 o \u00fanico caminho\u201d, destaca o informe. Para a Unctad, uma revolu\u00e7\u00e3o verde deve, ao mesmo tempo, responder aos desafios globais atuais, como a adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica e \u00e0 queda geral dos investimentos no setor agr\u00edcola, al\u00e9m de atender as novas demandas, como a necessidade de bioenergia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, prossegue o informe, a futura agricultura africana deveria resolver as limita\u00e7\u00f5es estruturais, particularmente as dificuldades de acesso ao cr\u00e9dito para parte dos agricultores locais, que determinam a capacidade de \u201cenfrentar os crescentes pre\u00e7os da terra, das sementes e de outros insumos\u201d. Para cumprir esses objetivos, as pol\u00edticas deveriam focar nos pequenos produtores, que demonstram ser efetivos na hora de contribuir com o crescimento econ\u00f4mico e com a seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>Os agricultores de pequena escala constituem mais da metade da popula\u00e7\u00e3o na maioria dos pa\u00edses em desenvolvimento. Suas fazendas s\u00e3o, em geral, administradas de maneira eficiente e gozam de significativo potencial de crescimento, destacaram os autores do trabalho. Embora bem intencionado, o informe da Unctad \u00e9 \u201coutra cole\u00e7\u00e3o de sugest\u00f5es nada inovadoras\u201d, disse Uwe Hoering, especialista alem\u00e3o em com\u00e9rcio e agricultura, para o boletim mensal World Economy and Development, publicado em Luxemburgo.<\/p>\n<p>Segundo Hoering, a Unctad intencionalmente esqueceu de mencionar que as piores amea\u00e7as \u00e0 agricultura africana residem no contexto internacional criado pelo setor agroindustrial multinacional, em institui\u00e7\u00f5es como o Banco Mundial e a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio e nas pol\u00edticas agr\u00edcolas e comerciais do Norte industrializado. \u201cOs maiores inimigos dos pequenos agricultores da \u00c1frica s\u00e3o o setor agroindustrial, os pre\u00e7os inst\u00e1veis dos alimentos nos mercados mundiais, causados pela especula\u00e7\u00e3o, e os chamados acordos de livre com\u00e9rcio\u201d, disse o especialista \u00e0 IPS.<\/p>\n<p>\u201cO setor agroindustrial domina a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologia para a agricultura\u201d, disse Hoering. \u201cTodos esses fatores levam a agricultura local e mundial na dire\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 pedida pela Unctad: para as monoculturas e para mais patentes privadas de sementes e de outros insumos agr\u00edcolas caros\u201d. O informe dessa ag\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas tampouco faz refer\u00eancia a problemas como a chamada \u201capropria\u00e7\u00e3o de terras\u201d, isto \u00e9, a compra ou o arrendamento maci\u00e7os de grandes \u00e1reas cultiv\u00e1veis em muitos pa\u00edses africanos por empresas estrangeiras e fundos estatais.<\/p>\n<p>Esta pr\u00e1tica \u00e9 considerada prejudicial para os pequenos produtores da \u00c1frica subsaariana e para a soberania alimentar do continente. Pelo fato de a Unctad simplesmente ignorar esses fatores reais, seu informe n\u00e3o oferece \u201cargumentos convincentes e nem uma vis\u00e3o verdadeiramente promissora de um ponto de retorno para a agricultura africana\u201d, disse Hoering. O informe \u00e9 \u201cuma cole\u00e7\u00e3o de sugest\u00f5es arbitr\u00e1rias, que tentam se fazer passar pela realidade\u201d, acrescentou. As cr\u00edticas de Hoering coincidem com as de outros especialistas e ativistas da Europa.<\/p>\n<p>Em um informe conjunto, os escrit\u00f3rios alem\u00e3es das organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias Oxfam e Food First Information and Action Network (Fian) queixaram-se de que, tr\u00eas anos ap\u00f3s o come\u00e7o da crise alimentar, o \u201csetor agroindustrial nos pa\u00edses industrializados, com ajuda de governos, continua impulsionando poderosamente a liberaliza\u00e7\u00e3o dos mercados de alimentos e a aceita\u00e7\u00e3o da agricultura geneticamente modificada\u201d.<\/p>\n<p>O estudo, intitulado \u201cSem fronteiras e barato\u201d, demonstra que a ind\u00fastria alimentar dos pa\u00edses do Norte aproveita a paralisa\u00e7\u00e3o das negocia\u00e7\u00f5es comerciais internacionais para avan\u00e7ar em acordos bilaterais com na\u00e7\u00f5es do Sul, e assim ter acesso a novos mercados para seus alimentos. Oxfam e Fian criticaram os governos europeus por continuar apoiando as exporta\u00e7\u00f5es de bens agr\u00edcolas para pa\u00edses do Sul, particularmente com destino \u00e0 \u00c1frica.<\/p>\n<p>\u201cEm lugar de promover as exporta\u00e7\u00f5es de alimentos, o mundo industrializado deveria aprovar o com\u00e9rcio justo\u201d, disse \u00e0 IPS a especialista em agricultura do escrit\u00f3rio alem\u00e3o da Oxfam, Marita Wiggerthale. \u201cQuando a Europa exporta bens agr\u00edcolas para os pa\u00edses mais pobres do mundo, especialmente na \u00c1frica, n\u00e3o ajuda os africanos. Muito pelo contr\u00e1rio, essas exporta\u00e7\u00f5es ocupam o lugar da produ\u00e7\u00e3o local\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Uma das principais li\u00e7\u00f5es a se aprender com a crise alimentar internacional \u00e9 que os pa\u00edses em desenvolvimento, em particular os mais pobres da \u00c1frica, \u201cnecessitam incrementar sua produ\u00e7\u00e3o alimentar local e romper sua depend\u00eancia dos mercados mundiais. Os pa\u00edses em desenvolvimento tamb\u00e9m precisam proteger melhor seus mercados das importa\u00e7\u00f5es\u201d, disse Wiggerthale.<\/p>\n<p>A Unctad n\u00e3o mencionou nenhum desses fatores. Por outro lado, o documento inclui 12 recomenda\u00e7\u00f5es, sendo a principal a de colocar os \u201cpequenos produtores no centro das pol\u00edticas para que a pesquisa agr\u00edcola, o desenvolvimento e os servi\u00e7os atendam suas necessidades reais\u201d. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Berlim, 01\/07\/2010 &ndash; O \u00faltimo informe da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Com\u00e9rcio e Desenvolvimento (Unctad) a respeito de ci\u00eancia e tecnologia repete o chamado a uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o verde\u201d na agricultura da \u00c1frica, mas n\u00e3o menciona os perigos reais do com\u00e9rcio e do contexto financeiro internacional para os produtores desse continente. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/07\/africa\/unctad-esquece-ameacas-reais-para-agricultores-da-africa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,12,5,4],"tags":[18],"class_list":["post-6793","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-desenvolvimento","category-economia","category-mundo","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6793","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6793"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6793\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6793"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6793"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6793"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}