{"id":6815,"date":"2010-07-06T08:29:40","date_gmt":"2010-07-06T08:29:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6815"},"modified":"2010-07-06T08:29:40","modified_gmt":"2010-07-06T08:29:40","slug":"uganda-demasiados-novos-para-saberem-mas-demasiado-novos-para-morrerem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/07\/africa\/uganda-demasiados-novos-para-saberem-mas-demasiado-novos-para-morrerem\/","title":{"rendered":"UGANDA: Demasiados novos para saberem, mas demasiado novos para morrerem"},"content":{"rendered":"<p>KAMPALA, 06\/07\/2010 &ndash; Jacinta Okello, de treze anos, e as colegas da escola prim\u00e1ria dizem que \u00e9 \u201cter m\u00e1s maneiras\u201d. Mas ,quando se pergunta o que \u00e9 que sabe sobre sexo, sorri timidamente, olha para os p\u00e9s e d\u00e1 uma risadinha. <!--more--> Aos 13 anos, Okello devia estar na escola secund\u00e1ria, mas, tal como milhares de outros estudantes em todo o pa\u00eds, entrou para a escola tarde. <\/p>\n<p>E, enquanto Okello e outras alunas que come\u00e7aram tardiamente o seu percurso escolar se tornam jovens adolescentes na escola prim\u00e1ria, n\u00e3o podem ter acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o sexual para adolescentes porque est\u00e3o fora da faixa et\u00e1ria \u2018apropriada\u2019 definida pelas directizes nacionais impostas pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Desporto sobre o VIH\/SIDA.<\/p>\n<p>\u00c9 uma pol\u00edtica que n\u00e3o vai ao encontro das necessidades de sa\u00fade sexual e reprodutiva da pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o e a exp\u00f5e a riscos de sa\u00fade, segundo os cr\u00edticos. Os activistas de direitos humanos apelam agora a uma mudan\u00e7a de pol\u00edtica que permita que os adolescentes que ainda estejam na escola prim\u00e1ria recebam educa\u00e7\u00e3o sexual. <\/p>\n<p>Henry Ntale, Director de Comunica\u00e7\u00e3o e Defesa da Mudan\u00e7a Comportamental do Centro de Sa\u00fade e Informa\u00e7\u00e3o para Adolescentes de Naguru \u00e9 um destes activistas. Em vista do n\u00famero de adolescentes que visitam o centro de sa\u00fade diariamente, \u00e9 necess\u00e1rio disseminar a informa\u00e7\u00e3o relevante com base na idade e n\u00e3o no n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o, diz Ntale. <\/p>\n<p>\u201cO Minist\u00e9rio sup\u00f5e que todas as crian\u00e7as na escola prim\u00e1ria s\u00e3o muito novas e n\u00e3o s\u00e3o sexualmente activas. Portanto, d\u00e3o-lhes informa\u00e7\u00e3o com base nessa suposi\u00e7\u00e3o. Estamos preocupados com o facto de, quando se usa informa\u00e7\u00e3o apropriada \u00e0 idade, estes rapazes e raparigas mais velhos que est\u00e3o na escola prim\u00e1ria precisarem dessa informa\u00e7\u00e3o,\u201d afirma. <\/p>\n<p>O centro para adolescentes est\u00e1 aberto a jovens com idades compreendidas entre os 10 e os 24 anos. Cerca de 85 adolescentes visitam o centro para fazerem exames m\u00e9dicos, e 40 submetem-se a testes de VIH todos os dias. Destes \u00faltimos, 60 por cento est\u00e3o na escola. <\/p>\n<p>O Uganda tem uma das taxas de gravidez de adolescentes mais elevadas em \u00c1frica, com 25 por cento, levando ao abandono escolar de muitas adolescentes na escola prim\u00e1ria por causa disso. As taxas de abandono escolar das raparigas na escola prim\u00e1ria chegam aos 50 por cento, de acordo com um relat\u00f3rio de 2006 intitulado \u2018Gravidez Indesejada e Interrup\u00e7\u00e3o Volunt\u00e1ria da Gravidez no Uganda: Causas e Consequ\u00eancias\u2019, compilado pelo Instituto Guttmacher. <\/p>\n<p>Actualmente, a educa\u00e7\u00e3o sexual na escola prim\u00e1ria s\u00f3 ensina mat\u00e9rias consideradas apropriadas para crian\u00e7as entres os seis e 12 anos. <\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se pode dar a mesma mensagem a crian\u00e7as mais pequenas como se d\u00e1 \u00e0quelas que j\u00e1 est\u00e3o nos \u00faltimos anos da escola prim\u00e1ria. Ensinamos \u00e0s crian\u00e7as mais novas a apreciar certos valores da sociedade, como o partilhar. Mas, quando se sobe na cadeia de ensino, come\u00e7a-se a lidar com quest\u00f5es complexas como o lidar com o estigma e a discrimina\u00e7\u00e3o, compaix\u00e3o pelos indiv\u00edduos infectados e afectados pelo VIH\/SIDA,\u201d disse o porta-voz do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Desportos, Aggrey Kibenge. <\/p>\n<p>Mas, com a introdu\u00e7\u00e3o do ensino prim\u00e1rio gratuito em 1997, muitas crian\u00e7as mais velhas entraram no sistema de ensino, ultrapassando a faixa et\u00e1ria tradicional da escola prim\u00e1ria.<\/p>\n<p>Hoje, \u00e9 vulgar encontrar jovens de 17 anos nas salas da escola prim\u00e1ria. Segundo o Resumo Estat\u00edstico sobre o Ensino do Uganda (2007), um total de 433.632 novos alunos entrou no primeiro ano da escola prim\u00e1ria aos sete anos, 78.405 aos nove anos, havendo tamb\u00e9m 516 com 12 anos. <\/p>\n<p>Contudo, de acordo com Kibenge, estes n\u00fameros s\u00e3o insignificantes comparados com os 7.5 milh\u00f5es de crian\u00e7as que actualmente estudam no sistema de ensino prim\u00e1rio gratuito. Afirma que n\u00e3o se podem definir pol\u00edticas com base nas exig\u00eancias das minorias. <\/p>\n<p>\u201cQual \u00e9 a op\u00e7\u00e3o em termos da import\u00e2ncia que devemos atribuir \u00e0s nossas mensagens a n\u00edvel da escola prim\u00e1ria? Tratar os adolescentes na escola prim\u00e1ria como uma excep\u00e7\u00e3o? V\u00e3o conceber-se pol\u00edticas com base na excep\u00e7\u00e3o?\u201d indaga. <\/p>\n<p>Mas Ntale diz que se deve fazer isso. \u201cRecomendamos informa\u00e7\u00e3o apropriada \u00e0 idade independentemente do n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a. \u00c9 prefer\u00edvel dar-lhes a informa\u00e7\u00e3o e as compet\u00eancias necess\u00e1rias que lhes permitam sentir-se seguras.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOs jovens s\u00e3o demasiado novos para saberem, mas tamb\u00e9m s\u00e3o demasiado novos para morrerem. \u00c9 prefer\u00edvel que saibam do que deixarmos que morram,\u201d acrescenta Ntale. <\/p>\n<p>Mas Kibenge insiste que o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 a prestar informa\u00e7\u00e3o sexual apropriada ao grupo certo na altura certa. Isto inclui programas de forma\u00e7\u00e3o para professores sobre educa\u00e7\u00e3o sexual e a introdu\u00e7\u00e3o de livros de hist\u00f3rias para alunos sobre diversos temas com o objectivo de aumentar o seu conhecimento de mat\u00e9rias relacionadas com o VIH\/SIDA.<\/p>\n<p>\u201cTenho confian\u00e7a que a mensagem est\u00e1 a chegar a todas as escolas,\u201d diz Kibenge. <\/p>\n<p>Por agora, isto significa que Okello vai ter de esperar at\u00e9 \u00e0 escola secund\u00e1ria para ter acesso a educa\u00e7\u00e3o sexual adequada para adolescentes. A m\u00e3e, Jovita Okello, afirma que a filha devia saber mais sobre as mudan\u00e7as do seu corpo do que sabe neste momento \u2013 mas Jovita Okello n\u00e3o sabe como educar a sua filha sobre estas mat\u00e9rias. <\/p>\n<p>\u201cA minha filha come\u00e7ou o seu per\u00edodo quando tinha s\u00f3 12 anos. N\u00e3o sabia explicar-lhe as mudan\u00e7as do corpo. Portanto, disse-lhe apenas que n\u00e3o devia deixar ningu\u00e9m tocar em qualquer parte do corpo porque agora podia ficar gr\u00e1vida e tamb\u00e9m contrair VIH,\u201d disse \u00e0 IPS. <\/p>\n<p>Ela espera que a escola prim\u00e1ria possa prestar informa\u00e7\u00e3o sexual adequada \u00e0 filha adolescente, numa sociedade onde os pais consideram que qualquer discuss\u00e3o sobre o sexo \u00e9 tabu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>KAMPALA, 06\/07\/2010 &ndash; Jacinta Okello, de treze anos, e as colegas da escola prim\u00e1ria dizem que \u00e9 \u201cter m\u00e1s maneiras\u201d. 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