{"id":6825,"date":"2010-07-06T14:18:07","date_gmt":"2010-07-06T14:18:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6825"},"modified":"2010-07-06T14:18:07","modified_gmt":"2010-07-06T14:18:07","slug":"vazamento-no-golfo-do-mexico-temores-em-angola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/07\/africa\/vazamento-no-golfo-do-mexico-temores-em-angola\/","title":{"rendered":"Vazamento no Golfo do M\u00e9xico, temores em Angola"},"content":{"rendered":"<p>Luanda, 06\/07\/2010 &ndash; Angola produz quase dois milh\u00f5es de barris di\u00e1rios de petr\u00f3leo e tem opera\u00e7\u00f5es em alto mar, competindo com a Nig\u00e9ria pelo t\u00edtulo de maior produtor de petr\u00f3leo da \u00c1frica. <!--more--> As d\u00favidas quanto a este continente estar preparado para combater vazamentos aumentou em raz\u00e3o do desastre no Golfo do M\u00e9xico, onde o \u00f3leo come\u00e7ou a vazar em 20 de abril, quando a plataforma Deepwater Horizon, da British Petroleum, explodiu e dois dias depois afundou.<\/p>\n<p>O governo norte-americano estima que esta cat\u00e1strofe ambiental \u00e9 a maior da hist\u00f3ria no Golfo do M\u00e9xico. Para a BP, o custo j\u00e1 passa dos US$ 3 bilh\u00f5es. Segundo Vladimir Russo, ex-diretor nacional do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente de Angola, seu pa\u00eds est\u00e1 preparado para responder a um eventual vazamento. \u201cTemos o Plano Nacional de Conting\u00eancia de Vazamentos Petrol\u00edferos, criado em 2008, que obriga todas as empresas que operam aqui a terem seus pr\u00f3prios mecanismos e meios para enfrentar vazamentos\u201d, explicou Russo.<\/p>\n<p>Pela legisla\u00e7\u00e3o nacional, os pr\u00f3prios operadores s\u00e3o respons\u00e1veis por enfrentar esses incidentes, como ocorreu com a BP no Golfo do M\u00e9xico. As leis exigem que todas as empresas ajudem nos esfor\u00e7os de al\u00edvio. Angola integra a Iniciativa Mundial para a \u00c1frica Ocidental e Central, uma associa\u00e7\u00e3o entre a Organiza\u00e7\u00e3o Mar\u00edtima Internacional e a Associa\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria Petroleira Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o do Meio Ambiente.<\/p>\n<p>A ideia por tr\u00e1s desta iniciativa \u00e9 potencializar a capacidade dos pa\u00edses para se preparar e responder aos vazamentos de petr\u00f3leo no mar, por meio de paineis e interc\u00e2mbios entre diversos pa\u00edses. \u201cTivemos pequenos vazamentos no passado, e funcionou. As empresas estavam prontas, o governo tamb\u00e9m, e recebeu ajuda internacional\u201d, disse Russo. \u201cPode levar algum tempo chegar aqui, mas em 24 ou 48 horas estar\u00e3o dispon\u00edveis os equipamentos de limpeza necess\u00e1rios\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Russo tamb\u00e9m afirmou que o pa\u00eds trabalha para tra\u00e7ar mapas de sensibilidade da faixa costeira para ajudar a melhorar a resposta a qualquer vazamento de combust\u00edvel que possa ocorrer. Quando, em ocasi\u00f5es anteriores, comunidades pesqueiras foram afetadas por vazamentos de \u00f3leo, as companhias envolvidas as compensaram com redes e barcos. Mas Elias Isaac, diretor para Angola do Open Society Institute, acredita que falta uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica sobre o meio ambiente, o que faz com que todo o pa\u00eds seja vulner\u00e1vel a incidentes importantes em \u00e1guas angolanas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o creio que Angola esteja preparada. O que aconteceu no Golfo do M\u00e9xico \u00e9 um grande exemplo dos enormes perigos das ind\u00fastrias extrativas, especialmente a do petr\u00f3leo\u201d, disse Isaac \u00e0 IPS. \u201cSeria bom que o governo angolano aprovasse uma lei espec\u00edfica que regulasse as empresas petroleiras em termos ambientais e tradicionais. O que temos agora \u00e9 legisla\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio do Petr\u00f3leo, que n\u00e3o basta\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Isaac tampouco acredita que os acordos anteriores para compensar as comunidades afetadas pela ind\u00fastria petroleira tenham sido suficientes. Em maio, uniu-se a ativistas de todo o mundo reunidos na cidade de Houston, Estados Unidos, para pressionar a gigante norte-americana do petr\u00f3leo Chevron, por seus antecedentes ambientais em Cabinda, um enclave angolano rico em petr\u00f3leo. Segundo Isaac, as praias de Cabinda ficaram negras por culpa do petr\u00f3leo que chegou \u00e0 costa, matando peixes e outros seres vivos. V\u00e1rios lagos tamb\u00e9m foram contaminados.<\/p>\n<p>A Chevron se negou a responder \u00e0 IPS sobre as reclama\u00e7\u00f5es do Open Society Institute com rela\u00e7\u00e3o aos seus antecedentes ambientais e sociais. Como v\u00e1rios outros operadores internacionais com projetos em Angola, a empresa, que opera localmente com o nome de Cabinda Gulf Oil Company (Cabgoc), tamb\u00e9m se negou a fazer declara\u00e7\u00f5es sobre seus planos de seguran\u00e7a \u00e0 luz do incidente no Golfo do M\u00e9xico. O alcance dos danos relacionados com o petr\u00f3leo derramado em \u00e1guas e costas angolanas ainda n\u00e3o est\u00e1 claro. Ativistas como Isaac afirmam que o impacto ambiental \u00e9 muito maior do que se percebe.<\/p>\n<p>Russo admite que n\u00e3o existe uma base de dados p\u00fablicos que liste os vazamentos e seus impactos. Como agora a lei exige que as empresas petroleiras fa\u00e7am auditorias ambientais sobre suas opera\u00e7\u00f5es, ele se mostrou confiante de que no futuro ser\u00e1 coletada informa\u00e7\u00e3o mais detalhada sobre os vazamentos. At\u00e9 agora, os Estados Unidos eram vistos como um pa\u00eds com melhor aplica\u00e7\u00e3o da lei do que a maioria, mas parece que em suas redes de seguran\u00e7a havia muitos buracos.<\/p>\n<p>O Comit\u00ea de Energia e Com\u00e9rcio do Congresso norte-americano atribui o incidente da BP a uma s\u00e9rie de m\u00e1s decis\u00f5es, que v\u00e3o desde press\u00f5es financeiras e prazos at\u00e9 o aspecto acidental de n\u00e3o ter sido ativado o mecanismo para prevenir explos\u00f5es. N\u00e3o pode ser descartada a possibilidade de um fato semelhante ocorrer em \u00e1guas profundas de outras regi\u00f5es, e os buracos nas leis e regulamenta\u00e7\u00f5es de Angola parecem ser muito maiores.<\/p>\n<p>Trata-se de \u201cuma ind\u00fastria de alto risco, mas d\u00e1 grandes lucros, muitos postos de trabalho e, naturalmente, \u00e9 a for\u00e7a motriz da economia angolana, por isso \u00e9 necess\u00e1rio colocar tudo isto na balan\u00e7a e decidir o que fazer\u201d, afirmou Russo.<\/p>\n<p>Atualmente, a BP extrai petr\u00f3leo de \u00e1guas profundas angolanas, e tamb\u00e9m administra o primeiro Sistema de Observat\u00f3rio Ambiental de Longo Prazo das Profundidades Oce\u00e2nicas do mundo. Este controla as mudan\u00e7as que acontecem nas \u00e1guas e no leito oce\u00e2nico, bem como as popula\u00e7\u00f5es de peixes nessas \u00e1reas, por um per\u00edodo de 25 anos. Para isso s\u00e3o usadas c\u00e2meras de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o, entre outras ferramentas.<\/p>\n<p>A companhia est\u00e1 para come\u00e7ar a fase de desenvolvimento de outro bloco, em \u00e1guas que ficam entre 1.500 e 2.500 metros de profundidade. Consultado sobre se estavam sendo avaliados os acordos de seguran\u00e7a para este \u00faltimo projeto, um porta-voz da BP em Luanda disse que n\u00e3o podia fazer declara\u00e7\u00f5es diretamente. Entretanto, explicou \u00e0 IPS, \u201ca seguran\u00e7a \u00e9 nossa principal prioridade, e estamos comprometidos em garantir opera\u00e7\u00f5es seguras e confi\u00e1veis onde quer que operemos\u201d. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luanda, 06\/07\/2010 &ndash; Angola produz quase dois milh\u00f5es de barris di\u00e1rios de petr\u00f3leo e tem opera\u00e7\u00f5es em alto mar, competindo com a Nig\u00e9ria pelo t\u00edtulo de maior produtor de petr\u00f3leo da \u00c1frica. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/07\/africa\/vazamento-no-golfo-do-mexico-temores-em-angola\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":123,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8,10,11],"tags":[21],"class_list":["post-6825","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente","category-energia","category-politica","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6825","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/123"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6825"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6825\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6825"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6825"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6825"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}