{"id":6855,"date":"2010-07-13T14:38:56","date_gmt":"2010-07-13T14:38:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6855"},"modified":"2010-07-13T14:38:56","modified_gmt":"2010-07-13T14:38:56","slug":"parteiras-querem-reconhecimento-legal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/07\/america-latina\/parteiras-querem-reconhecimento-legal\/","title":{"rendered":"Parteiras querem reconhecimento legal"},"content":{"rendered":"<p>Bogot\u00e1, Col\u00f4mbia, 13\/07\/2010 &ndash; A parteira existe em muitas culturas ancestrais. A medicina ocidental colombiana quase a apaga do mapa, mas um grupo de tenazes defensoras promove uma lei para formalizar a parteira como agente de sa\u00fade.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_6855\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/77541.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6855\" class=\"size-medium wp-image-6855\" title=\"Rosmilda e Liceth Qui\u00f1ones, de passagem por Bogot\u00e1. - Helda Mart\u00ednez\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/77541.jpg\" alt=\"Rosmilda e Liceth Qui\u00f1ones, de passagem por Bogot\u00e1. - Helda Mart\u00ednez\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6855\" class=\"wp-caption-text\">Rosmilda e Liceth Qui\u00f1ones, de passagem por Bogot\u00e1. - Helda Mart\u00ednez\/IPS<\/p><\/div>  \u201cEntre 2009 e at\u00e9 junho deste ano, n\u00e3o morreu nenhuma mulher atendida por uma integrante da Associa\u00e7\u00e3o de Parteiras Unidas do Pac\u00edfico\u201d, afirma \u00e0 IPS Liceth Qui\u00f1ones, de 22 anos, que exerce o of\u00edcio em Buenaventura, principal porto mar\u00edtimo colombiano no Oceano Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Filha da hoje sexagen\u00e1ria parteira Rosmilda Qui\u00f1ones, Liceth tinha tr\u00eas anos em 1991, quando sua m\u00e3e fundou a Associa\u00e7\u00e3o que ainda dirige, a Asoparupa, e que conta com 250 integrantes dos departamentos de Choco, Valle, Cauca e Nari\u00f1o. Aos seis anos, j\u00e1 ajudava a m\u00e3e. \u201cA parteira aprende ouvindo e praticando\u201d, explica. Aos 13 anos, reconheceu que uma placenta saiu incompleta e soube que era preciso ir urgente ao hospital. \u201cHoje n\u00e3o atendemos ningu\u00e9m sem controle m\u00e9dico pr\u00e9vio. E temos claro que qualquer complica\u00e7\u00e3o deve ser atendida pelo especialista\u201d, destaca.<\/p>\n<p>As 1.500 parteiras da Col\u00f4mbia, segundo censo de 2008, realizado pela Superintend\u00eancia de Sa\u00fade de Valle, n\u00e3o est\u00e3o certificadas nem autorizadas a ajudar em partos em hospitais. A capacita\u00e7\u00e3o se limita a paineis de primeiros-socorros ou outros oferecidos pela Cruz Vermelha e pelo Servi\u00e7o Nacional de Aprendizagem.<\/p>\n<p>Superando as dist\u00e2ncias entre as selvas do Valle e do Choco, onde o transporte \u00e9 quase sempre fluvial e s\u00e3o abundantes problemas como cheias e cobras, \u201cviajamos por horas ins\u00f3litas, com todo o compromisso e a certeza de que ningu\u00e9m sobrevive economicamente com este trabalho\u201d, afirma Liceth. Ela ganha a vida com um centro de medicina alternativa que recebe profissionais em bioenergia e outras t\u00e9cnicas, e onde coloca em pr\u00e1tica o que aprendeu como enfermeira profissional, carreira que n\u00e3o concluiu por falta de dinheiro, mudando depois para a de auxiliar de enfermagem.<\/p>\n<p>Liceth tamb\u00e9m tem conhecimentos adquiridos no M\u00e9xico e com parteiras do Brasil, al\u00e9m de contatos e treinamento com parteiras de outras partes do mundo. Estas mulheres est\u00e3o convencidas da efetividade dos partos naturais, mas n\u00e3o recha\u00e7am a medicina oficial. Os m\u00e9dicos \u201cnos aceitam em seus hospitais, e n\u00f3s os acolhemos\u201d, assegura. Um caminho para formalizar a parteira na aten\u00e7\u00e3o obst\u00e9trica \u00e9 uma lei de parteiras que regule o exerc\u00edcio profissional. O projeto foi aprovado no Senado em 2009, e deve entrar na agenda da nova legislatura a partir do dia 20.<\/p>\n<p>A proposta foi apresentada pela m\u00e9dica de Valle, Dilian Francisca Toro, senadora pelo direitista e governante Partido Social de Unidade Nacional. \u201cO trabalho real, o de base por essa lei, foi de dona Rosmilda, Liceth, meu e de muitas mulheres\u201d, disse \u00e0 IPS a parteira de Bogot\u00e1 Alejandra Montes, formada em Direito e Ci\u00eancias Pol\u00edticas e tamb\u00e9m em Filosofia, al\u00e9m de ser estudante de auxiliar de enfermagem.<\/p>\n<p>Em 2008, Alejandra criou a n\u00e3o governamental Artemisa \u2013 Associa\u00e7\u00e3o de Parteiras Urbanas, ap\u00f3s permanecer sete anos em diferentes regi\u00f5es colombianas com popula\u00e7\u00e3o negra e ind\u00edgena. \u201cCompartilhei com elas o que aprenderam com as migrantes europeias, porque nossas nativas pariam sozinhas, com a \u00fanica ajuda de seus companheiros\u201d, segundo Montes. Mas o oficio de parteira existe em v\u00e1rias culturas ind\u00edgenas latino-americanas, bem como nas africanas e europeias.<\/p>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio da Prote\u00e7\u00e3o Social, a mortalidade materna colombiana est\u00e1 em 75 mortes para cada cem mil nascidos vivos. Nos Estados Unidos, essa taxa \u00e9 de 13,3% para cem mil, segundo dados de 2006, mas vem diminuindo desde os 6,6% registrados em 1987. Embora o retrocesso se vincule \u00e0 crise do sistema de sa\u00fade desse pa\u00eds, as parteiras tamb\u00e9m s\u00e3o marginalizadas da aten\u00e7\u00e3o obst\u00e9trica institucional. \u201cNa Fran\u00e7a, Inglaterra, Alemanha, Canad\u00e1, \u00e9 permitido e necess\u00e1rio parteiras nos nascimentos sob \u00f3timas condi\u00e7\u00f5es\u201d, destaca Alejandra. Na Argentina e no Uruguai, \u00e9 uma profissional universit\u00e1ria integrada \u00e0 equipe obst\u00e9trica de qualquer hospital.<\/p>\n<p>Buscando descobrir as raz\u00f5es da parteira, Alejandra foi viver v\u00e1rios meses em Buenaventura, para \u201cobserv\u00e1-las e aprender\u201d como docente e pesquisadora universit\u00e1ria. Ela diz que \u201c70% dos nascimentos com parteiras s\u00e3o totalmente s\u00e3os\u201d. Por outro lado, \u201cos 30% restantes apresentam dificuldades naturais ao pr\u00f3prio parto\u201d que, detectadas a tempo, s\u00e3o encaminhadas ao especialista m\u00e9dico correspondente. \u201cCada vez conseguimos maior controle\u201d, afirma Liceth.<\/p>\n<p>Trata-se de um processo integral que deve come\u00e7ar no primeiro m\u00eas de gravidez e ir at\u00e9 depois do nascimento. Contudo, nas cidades, a parteira \u00e9 vista como algo \u201cperigoso, sujo\u201d, \u00e9 alimentado o preconceito de que \u00e9 \u201cbruxa ou que s\u00f3 servem na falta de m\u00e9dicos\u201d, assegura Liceth. Por\u00e9m, se a lei for aprovada, as empresas que prestam servi\u00e7os m\u00e9dicos por permiss\u00e3o do Estado aproveitar\u00e3o a parteira porque \u201ct\u00eam a infraestrutura montada e representar\u00e1 renda\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Um caminho m\u00e9dio entre as parteiras tradicionais e a aten\u00e7\u00e3o hospitalar \u00e9 explorado em Bogot\u00e1 pela privada Funda\u00e7\u00e3o Procriar, do m\u00e9dico Mauricio Espinosa. Ali \u00e9 oferecido parto na \u00e1gua, com apoio de uma parteira e sob o olhar atento e respeitoso de Espinosa. \u201c\u00c9 c\u00f4modo, com uma imensa sensa\u00e7\u00e3o de liberdade\u201d, conta Carolina Zuluaga, lembrando o nascimento de seu filho Federico, h\u00e1 dois anos e meio. \u201cMeu marido, Juan, me ajudou, cortou o cord\u00e3o umbilical e guardamos a placenta por oito meses para depois devolv\u00ea-la ao universo em agradecimento por nosso filho\u201d, acrescentou. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bogot\u00e1, Col\u00f4mbia, 13\/07\/2010 &ndash; A parteira existe em muitas culturas ancestrais. A medicina ocidental colombiana quase a apaga do mapa, mas um grupo de tenazes defensoras promove uma lei para formalizar a parteira como agente de sa\u00fade. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/07\/america-latina\/parteiras-querem-reconhecimento-legal\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":88,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,7],"tags":[21,24],"class_list":["post-6855","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-saude","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6855","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/88"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6855"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6855\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6855"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6855"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6855"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}