{"id":6857,"date":"2010-07-13T14:47:12","date_gmt":"2010-07-13T14:47:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6857"},"modified":"2010-07-13T14:47:12","modified_gmt":"2010-07-13T14:47:12","slug":"desenvolvimento-a-metamorfose-da-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/07\/africa\/desenvolvimento-a-metamorfose-da-china\/","title":{"rendered":"DESENVOLVIMENTO: A metamorfose da China"},"content":{"rendered":"<p>Pequim, China, 13\/07\/2010 &ndash; Quando a Gr\u00e3-Bretanha anunciou que deixaria de conceder \u00e0 China assist\u00eancia ao desenvolvimento, a medida foi representativa da virada protagonizada pelo pa\u00eds asi\u00e1tico, que passou de receptor a doador. <!--more--> Seguindo o rumo de outras na\u00e7\u00f5es ocidentais, o secret\u00e1rio de Estado para o Desenvolvimento Internacional da Gr\u00e3-Bretanha, Andrew Mitchell, disse em junho que os 40 milh\u00f5es de libras (quase US$ 63 milh\u00f5es) que seu governo envia anualmente \u00e0 China ser\u00e3o melhor gastos em outra parte. A China \u00e9 a economia de mais r\u00e1pido crescimento no mundo, e logo ser\u00e1 a segunda maior.<\/p>\n<p>\u201cO dinheiro brit\u00e2nico deveria ser gasto na ajuda \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mais pobre dos pa\u00edses mais pobres, fazendo com que cada centavo marque uma diferen\u00e7a real, dando \u00e0s fam\u00edlias a oportunidade de um futuro melhor\u201d, disse Mitchell. De fato, a China, cuja pr\u00f3pria pobreza diminuiu nos \u00faltimos 25 anos, se converteu em um formid\u00e1vel doador de assist\u00eancia e investidor em pa\u00edses em desenvolvimento. Segundo um informe divulgado em 2009 pelo Servi\u00e7o de Investiga\u00e7\u00e3o do Congresso dos Estados Unidos, a ajuda que a China d\u00e1 a \u00c1frica, Am\u00e9rica Latina e sudeste asi\u00e1tico passou de menos de US$ 1 bilh\u00e3o, em 2002, para US$ 25 bilh\u00f5es, em 2007.<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos anos, a Rep\u00fablica Popular da China aumentou sua presen\u00e7a diplom\u00e1tica e conquistou a boa vontade internacional mediante o financiamento de projetos de infraestrutura e de desenvolvimento de recursos naturais, assist\u00eancia na realiza\u00e7\u00e3o desses projetos e grandes investimentos econ\u00f4micos em muitos pa\u00edses em desenvolvimento\u201d, diz o informe. O estudo tamb\u00e9m concluiu que as atividades chinesas em mat\u00e9ria de assist\u00eancia a pa\u00edses da \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina servem aos seus interesses econ\u00f4micos de longo prazo, enquanto as que realiza no sudeste asi\u00e1tico refletem objetivos diplom\u00e1ticos e estrat\u00e9gicos em um prazo maior.<\/p>\n<p>Entretanto, o informe lembra que, embora essas iniciativas de ajuda \u201csejam uma lembran\u00e7a altamente vis\u00edvel do crescente poder brando da China, outros pa\u00edses e regi\u00f5es, como Uni\u00e3o Europeia, Estados Unidos e Jap\u00e3o, continuam dominando os investimentos diretos na \u00c1frica, Am\u00e9rica Latina e sudeste da \u00c1sia\u201d. De todo modo, o aumento dos projetos chineses de assist\u00eancia e investimentos diretos no exterior reflete que Pequim aceita cada vez mais seu papel de l\u00edder mundial em desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u201cNa medida em que a China fica mais rica, \u00e9 sua responsabilidade ajudar outros pa\u00edses pobres\u201d, disse Wang Yaohui, diretor-geral do Centro para a China e a Globaliza\u00e7\u00e3o, uma organiza\u00e7\u00e3o de especialistas independentes com sede em Pequim. \u201c\u00c9 uma transi\u00e7\u00e3o natural\u201d, acrescentou. A China n\u00e3o tem uma ag\u00eancia central de assist\u00eancia. Sua ajuda ao desenvolvimento \u00e9 administrada basicamente pelo Minist\u00e9rio do Com\u00e9rcio, bem como pelo Ex-Im Bank da China, Minist\u00e9rio das Finan\u00e7as ou das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores.<\/p>\n<p>Apenas no Camboja, os investimentos diretos chineses chegaram a US$ 8 bilh\u00f5es em junho, convertendo a China no maior investidor nesse pa\u00eds. Os investimentos da China se voltam para agricultura, turismo, infraestrutura, energia hidrel\u00e9trica e ind\u00fastria do vestu\u00e1rio, disse o secret\u00e1rio de Estado do Minist\u00e9rio da Economia, Kong Vibol. Os pa\u00edses africanos s\u00e3o os principais benefici\u00e1rios da ajuda chinesa. No final de setembro de 20009, a ajuda total de Pequim \u00e0 \u00c1frica foi de US$ 11,15 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Mais da metade dos 900 projetos que a China tem em andamento na \u00c1frica t\u00eam o objetivo de melhorar o sustento dos cidad\u00e3os locais, com obras de infraestrutura como vias f\u00e9rreas e centrais el\u00e9tricas, escreveu Wang Wei, pesquisador do Instituto de Estudos Internacionais da China, no portal China.org.cn. Dar ajuda \u00e0 \u00c1frica tem vantagens estrat\u00e9gicas. Pequim tem o olhar voltado para a vasta riqueza de recursos e energia desse continente, e n\u00e3o faz nenhum segredo de seu desejo de ali alcan\u00e7ar um papel influente.<\/p>\n<p>A China \u00e9 o segundo maior s\u00f3cio comercial da \u00c1frica. Entre 2000 e 2009, o com\u00e9rcio bilateral aumentou de US$ 10, 6 bilh\u00f5es para US$ 91,1 bilh\u00f5es. Al\u00e9m de potencializar a ajuda \u00e0 \u00c1frica, Pequim come\u00e7ou a cancelar a d\u00edvida desse continente, para o qual havia enviado volunt\u00e1rios. O governo chin\u00eas tamb\u00e9m criou um fundo de desenvolvimento de recursos humanos para as na\u00e7\u00f5es africanas, que, entre outros objetivos, oferecer\u00e1 bolsas de estudo e ajudar\u00e1 esses pa\u00edses a instalar laborat\u00f3rios e a financiar constru\u00e7\u00e3o de escolas. \u201cAs estreitas rela\u00e7\u00f5es entre a China e os pa\u00edses africanos exercem um efeito positivo sobre o desenvolvimento econ\u00f4mico da \u00c1frica\u201d, escreveu Wei.<\/p>\n<p>\u201cA constru\u00e7\u00e3o de obras de infraestrutura em setores como transporte, energia hidrel\u00e9trica e telecomunica\u00e7\u00f5es potencializou o desenvolvimento econ\u00f4mico africano\u201d, acrescentou. Para Wei, \u00e9 prov\u00e1vel que n\u00e3o seja altru\u00edsmo o que guia a superpot\u00eancia. \u201c\u00c9 verdade que a China pode ter maior influ\u00eancia frente a esses pa\u00edses\u201d, disse. Por outro lado, Niu Jun, professor da Escola de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade de Peking, disse que a China tamb\u00e9m d\u00e1 assist\u00eancia em situa\u00e7\u00f5es nas quais n\u00e3o espera nada em troca, por exemplo, em situa\u00e7\u00f5es de desastres. \u201cNa medida em que a China se torna mais rica e mais industrializada, dar\u00e1 ajuda a mais pa\u00edses. N\u00f3s incentivaremos seu desenvolvimento\u201d, afirmou Jun. 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