{"id":686,"date":"2005-06-13T00:00:00","date_gmt":"2005-06-13T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=686"},"modified":"2005-06-13T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-13T00:00:00","slug":"clima-esfria-o-dilogo-sobre-o-efeito-estufa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/clima-esfria-o-dilogo-sobre-o-efeito-estufa\/","title":{"rendered":"Clima: Esfria o di&aacute;logo sobre o efeito estufa"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 13\/06\/2005 &ndash; O semin&aacute;rio entre especialistas em mudan&ccedil;a clim&aacute;tica de todo o mundo, realizado no m&ecirc;s passado na Alemanha, uma inst&acirc;ncia informal in&eacute;dita no debate para reduzir emiss&otilde;es de gases causadores do efeito estufa, n&atilde;o atendeu &agrave;s expectativas de seus incentivadores. &quot;O exerc&iacute;cio foi bom, permitiu apresenta&ccedil;&atilde;o de pontos de vistas gerais, mas, n&atilde;o conseguiu satisfazer os que esperavam an&uacute;ncios de medidas efetivas para reduzir as emiss&otilde;es&quot;, disse &agrave; IPS ao seu regresso de Bonn (Alemanha), o embaixador argentino, Ra&uacute;l Estrada Oyuela, mentor da proposta. A iniciativa foi lan&ccedil;ada durante a X Confer&ecirc;ncia das Partes da Conven&ccedil;&atilde;o Marco das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica, realizada em dezembro em Buenos Aires, e tinha como prop&oacute;sito principal manter os Estados Unidos dentro do debate sobre a redu&ccedil;&atilde;o dos gases que provocam o aquecimento da atmosfera.<br \/> <!--more--> <br \/> Ai inaugurar o encontro em Bonn, realizado nos dias 15 e 17 de maio, a secret&aacute;ria-executiva da Conven&ccedil;&atilde;o, a holandesa Joke Waller-Hnter, elogiou o encontro &quot;in&eacute;dito&quot; nas negocia&ccedil;&otilde;es sobre mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, ponderou contribui&ccedil;&otilde;es pr&eacute;vias dos participantes e os exortou a realizarem uma jornada &quot;hist&oacute;rica&quot;. Por&eacute;m, a frustra&ccedil;&atilde;o era prevista no &uacute;ltimo dia de delibera&ccedil;&otilde;es em Buenos Aires, quando os pa&iacute;ses mais reticentes aceitaram a iniciativa, for&ccedil;ando os delegados deixarem estabelecido que n&atilde;o implicava negociar nenhum compromisso futuro. Esse ponto preocupava n&atilde;o apenas os Estados Unidos, mas tamb&eacute;m pa&iacute;ses em desenvolvimento que contribuem fortemente para a contamina&ccedil;&atilde;o atmosf&eacute;rica, vinculada pela ci&ecirc;ncia com a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, como Brasil, Argentina e China.<\/p>\n<p> A atual eleva&ccedil;&atilde;o das temperaturas m&eacute;dias se deve a atividades humanas, particularmente aos gases liberados pela combust&atilde;o de petr&oacute;leo, g&aacute;s e carv&atilde;o, o principal dos quais &eacute; o di&oacute;xido de carbono. Esses gases acumulam-se na atmosfera e, por sua grande capacidade de reter o calor dos raios solares, acentuam a conseq&uuml;&ecirc;ncia do efeito estufa natural. A conseq&uuml;&ecirc;ncia desse aquecimento &eacute; uma mudan&ccedil;a clim&aacute;tica global que ter&aacute; m&uacute;ltiplas manifesta&ccedil;&otilde;es regionais e locais, entre elas derretimento de gelos polares e glaciais, eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar, secas, tempestades, furac&otilde;es e inunda&ccedil;&otilde;es. Os Estados Unidos s&atilde;o o principal emissor de gases que causam o efeito estufa, com um quarto do total mundial. Em 2001, Washington retirou a assinatura do Protocolo de Kyoto, &uacute;nico instrumento internacional para reduzir essa contamina&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> O Protocolo entrou em vigor em fevereiro e imp&otilde;e aos pa&iacute;ses industriais que o assinaram e ratificaram a redu&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es de gases em volumes 5,2% inferiores aos de 1990. O prazo para operar essas redu&ccedil;&otilde;es vence em 2012. Oyuela, participante ativo em 1997 da reda&ccedil;&atilde;o do Protocolo na cidade japonesa que lhe deu o nome, considera imprescind&iacute;vel reincorporar os Estados Unidos, mesmo que com um acordo feito sob medida. Por isso considerou boa a id&eacute;ia de convocar uma inst&acirc;ncia sem ataduras, para incluir a primeira pot&ecirc;ncia mundial na discuss&atilde;o. Do encontro em Bonn participaram especialistas governamentais de quase todos os pa&iacute;ses do mundo, &agrave;s v&eacute;speras das reuni&otilde;es ordin&aacute;rias dos &oacute;rg&atilde;os subsidi&aacute;rios da Conven&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p> Durante o semin&aacute;rio, a delega&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos fez uma apresenta&ccedil;&atilde;o sem muitas novidades no sentido de minimizar a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, segundo Oyuela. Os norte-americanos reiteram seu compromisso com o desenvolvimento de projetos para absorver o di&oacute;xido de carbono e para obter tecnologias de produ&ccedil;&atilde;o de energia atrav&eacute;s do hidrog&ecirc;nio. &quot;IOS Estados Unidos buscam novas tecnologias para reduzir ou mitigar suas emiss&otilde;es&quot;, disse o diplomata, uma atitude semelhante &agrave; adotada diante do Protocolo de Montreal que regulamenta a produ&ccedil;&atilde;o de gases que esgotam a camada de oz&ocirc;nio, protetora da vida terrestre das radia&ccedil;&otilde;es solares nocivas. Nesse caso, os Estados Unidos preferiram esperar o desenvolvimento de substitutos dos prejudiciais compostos clrofluorocarbonos, de ampla aplica&ccedil;&atilde;o industrial.<\/p>\n<p> Por sua vez, a China, segundo grande emissor global de gases causadores do efeito estufa, exp&ocirc;s mudan&ccedil;as. A delega&ccedil;&atilde;o de Pequim ressaltou sua vontade de produzir energia de forma cada vez mais eficiente. &quot;N&atilde;o se pode esperar que a China reduza sua oferta de energia, que &eacute; baixa, mas que o fa&ccedil;a de forma eficiente&quot;, afirmou o diplomata argentino. O gigante asi&aacute;tico, com 1,3 bilh&atilde;o e habitantes, por ser pa&iacute;s em desenvolvimento n&atilde;o tem obriga&ccedil;&otilde;es com o Protocolo de Kyoto, mas, se mostrou disposto a contribuir adotando t&eacute;cnicas mais eficientes na produ&ccedil;&atilde;o de energia, que repousa esmagadoramente no muito contaminante carv&atilde;o mineral. Os especialistas tamb&eacute;m debateram sobre as dificuldades para implementar o mecanismo de desenvolvimento limpo, um instrumento do Protocolo de Kyoto destinado a estimular os pa&iacute;ses industriais a desenvolver projetos limpos de gera&ccedil;&atilde;o ou consumo de energia em pa&iacute;ses do Sul.<\/p>\n<p> A id&eacute;ia por tr&aacute;s deste mecanismo, e de outros previstos no Protocolo, &eacute; compensar a contamina&ccedil;&atilde;o de empresas e pa&iacute;ses do mundo rico, mediante seu investimento em tecnologias limpas que ajudem as na&ccedil;&otilde;es pobres a se desenvolverem sem percorrer o caminho de contamina&ccedil;&atilde;o que seguiram as grandes pot&ecirc;ncias, como Estados Unidos e Europa. Mas, estes instrumentos se baseiam em incentivos comerciais destinados a despertar o interesse de lucro das empresas e a criar o neg&oacute;cio da redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es. <\/p>\n<p> A delega&ccedil;&atilde;o do M&eacute;xico exp&ocirc;s uma vis&atilde;o muito criticada do funcionamento deste mecanismo. O vice-ministro do Meio Ambiente, Fernando Tudela, afirmou que era uma boa id&eacute;ia, mas, poderia se converter em um incentivo perverso por alguns desvios que s&atilde;o registrados em suas aplica&ccedil;&otilde;es. Oyuela concorda que existem esses riscos e os atribui &agrave; assimetria dos pa&iacute;ses participantes, aos controles necess&aacute;rios e aos conseq&uuml;entes custos das multinacionais, que podem se tornar economicamente pouco atraentes aos investimentos.<\/p>\n<p> O especialista argentino recordou que o mecanismo de desenvolvimento limpo nasceu de uma proposta do Brasil sobre a cria&ccedil;&atilde;o de um fundo destinado a assistir pa&iacute;ses do Sul com grandes volumes de emiss&otilde;es. Na&ccedil;&otilde;es desse porte s&atilde;o atraentes para o investimentos nesses projetos, mas n&atilde;o acontece o mesmo com pa&iacute;ses menores, observou. Embora o semin&aacute;rio tenha contado com ampla participa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se avan&ccedil;ou no debate sobre f&oacute;rmulas para estabelecer novos compromissos de redu&ccedil;&atilde;o posteriores a 2012, quando termina o prazo estabelecido pelo Protocolo de Kyoto. Os especialistas consideram que um marco que incentive o investimento em projetos de desenvolvimento limpo requer a discuss&atilde;o das pautas que regir&atilde;o futuros acordos de redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es.<\/p>\n<p> &quot;N&atilde;o notei o prop&oacute;sito de continuar avan&ccedil;ando na linha dos semin&aacute;rios, nem tampouco registrei uma lideran&ccedil;a para conduzir o processo que vem&quot;, embora o Canad&aacute;, pa&iacute;s sede da pr&oacute;xima confer&ecirc;ncia da Conven&ccedil;&atilde;o, possa estar buscando alternativas para levar a discuss&atilde;o adiante. &quot;Durante a confer&ecirc;ncia de Buenos Aires, a Argentina levou adiante a iniciativa de realizar o semin&aacute;rio e a de elaborar um plano de adapta&ccedil;&atilde;o &agrave; mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, agora, o pr&oacute;ximo presidente dever&aacute; resolver se avan&ccedil;a com essas id&eacute;ias ou prop&otilde;e outras. No momento, falta o impulso de uma condu&ccedil;&atilde;o&quot;, afirmou. A XI Confer&ecirc;ncia sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica acontecer&aacute; este ano n acidade canadense de Montreal, entre 28 de novembro e 9 de dezembro. Nesses mesmos dias, os delegados participar&atilde;o da primeira reuni&atilde;o das partes do Protocolo de Kyoto, depois que este entrou em vigor. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, 13\/06\/2005 &ndash; O semin&aacute;rio entre especialistas em mudan&ccedil;a clim&aacute;tica de todo o mundo, realizado no m&ecirc;s passado na Alemanha, uma inst&acirc;ncia informal in&eacute;dita no debate para reduzir emiss&otilde;es de gases causadores do efeito estufa, n&atilde;o atendeu &agrave;s expectativas de seus incentivadores. &quot;O exerc&iacute;cio foi bom, permitiu apresenta&ccedil;&atilde;o de pontos de vistas gerais, mas, n&atilde;o conseguiu satisfazer os que esperavam an&uacute;ncios de medidas efetivas para reduzir as emiss&otilde;es&quot;, disse &agrave; IPS ao seu regresso de Bonn (Alemanha), o embaixador argentino, Ra&uacute;l Estrada Oyuela, mentor da proposta. A iniciativa foi lan&ccedil;ada durante a X Confer&ecirc;ncia das Partes da Conven&ccedil;&atilde;o Marco das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica, realizada em dezembro em Buenos Aires, e tinha como prop&oacute;sito principal manter os Estados Unidos dentro do debate sobre a redu&ccedil;&atilde;o dos gases que provocam o aquecimento da atmosfera.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/clima-esfria-o-dilogo-sobre-o-efeito-estufa\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-686","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=686"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/686\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}