{"id":6903,"date":"2010-07-22T15:21:44","date_gmt":"2010-07-22T15:21:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6903"},"modified":"2010-07-22T15:21:44","modified_gmt":"2010-07-22T15:21:44","slug":"america-latina-da-divisao-sexual-do-trabalho-a-um-novo-pacto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/07\/america-latina\/america-latina-da-divisao-sexual-do-trabalho-a-um-novo-pacto\/","title":{"rendered":"AM\u00c9RICA LATINA: Da divis\u00e3o sexual do trabalho a um novo pacto"},"content":{"rendered":"<p>Caracas, Venezuela, 22\/07\/2010 &ndash; \u201cVivemos a transi\u00e7\u00e3o de um modelo baseado em uma inflex\u00edvel divis\u00e3o sexual do trabalho para um novo pacto social, com regras mais iguais para homens e mulheres\u201d, afirmou Gladys Acosta, chefe do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Mulher (Unifem) para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe, em entrevista \u00e0 IPS.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_6903\" style=\"width: 143px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/78080.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6903\" class=\"size-medium wp-image-6903\" title=\"Gladys Acosta, chefe do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Mulher (Unifem) para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe. - Gentileza Unifem\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/78080.jpg\" alt=\"Gladys Acosta, chefe do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Mulher (Unifem) para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe. - Gentileza Unifem\" width=\"133\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6903\" class=\"wp-caption-text\">Gladys Acosta, chefe do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Mulher (Unifem) para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe. - Gentileza Unifem<\/p><\/div>  Gladys, advogada e soci\u00f3loga peruana com tr\u00eas d\u00e9cadas de luta feminista, sintetizou assim sua percep\u00e7\u00e3o sobre os debates na XI Confer\u00eancia Regional sobre a Mulher, convocada pela Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (Cepal), realizada entre os dias 13 e 16 em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>O encontro foi conclu\u00eddo com o chamado Consenso de Bras\u00edlia, que fixa as prioridades regionais a favor da igualdade de g\u00eanero at\u00e9 2013, quando acontecer\u00e1, em Santo Domingo, a pr\u00f3xima Confer\u00eancia, informou Gladys.<\/p>\n<p>IPS: Por que o Consenso de Bras\u00edlia d\u00e1 protagonismo ao poder econ\u00f4mico das mulheres?<\/p>\n<p>GLADYS ACOSTA: Nos \u00faltimos tr\u00eas anos, estudos ilustraram profundamente sobre o impacto que este tema tem na agenda de g\u00eanero, e foi poss\u00edvel visualizar, por exemplo, que a prote\u00e7\u00e3o social que as mulheres recebem ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente para torn\u00e1-las atoras econ\u00f4micas de pleno direito. Elas estudam mais, havendo inclusive uma feminiza\u00e7\u00e3o das universidades, e est\u00e3o melhor preparadas do que os homens. O mercado de trabalho, contudo, continua sem absorv\u00ea-las adequadamente, e sua presen\u00e7a no setor formal, onde h\u00e1 direitos trabalhistas, \u00e9 muito baixa. O grande \u00eaxito em educa\u00e7\u00e3o, sem uma consequente inser\u00e7\u00e3o profissional, \u00e9 como barr\u00e1-las na porta.<\/p>\n<p>IPS: E por que n\u00e3o entram?<\/p>\n<p>GA: H\u00e1 um assunto fundamental. O uso do tempo, gerado pelo conceito da divis\u00e3o sexual do trabalho: os homens cuidam do p\u00fablico e as mulheres do privado. Eles s\u00e3o provedores e elas cuidadoras. Persiste a no\u00e7\u00e3o de que as mulheres devem cuidar do que diz respeito \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o humana e da esfera do cuidado (de crian\u00e7as, doentes e idosos), e recai sobre elas como trabalho n\u00e3o remunerado. A sociedade \u00e9 beneficiada, em alt\u00edssimo grau, pelo trabalho n\u00e3o remunerado exercido pelas mulheres por serem mulheres. Isso pesa tanto em suas vidas que, na hora de trabalhar, sua grande preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 como compatibilizar trabalho e o cuidado da fam\u00edlia. Al\u00e9m disso, o mercado profissional mudou muito, nunca houve tantas m\u00e9dicas e advogadas, por exemplo. Curiosamente, quando se feminiza uma profiss\u00e3o sua remunera\u00e7\u00e3o cai. Os padr\u00f5es culturais continuam orientando a segmenta\u00e7\u00e3o do estudo e da renda. Surge ent\u00e3o outro problema muito interessante, das mulheres sem renda pr\u00f3pria. Ao aprofundar a quest\u00e3o, se v\u00ea que s\u00e3o as cuidadoras por excel\u00eancia as mais sobrecarregadas por essa tarefa n\u00e3o remunerada.<\/p>\n<p>IPS: Como dar valor econ\u00f4mico a esse trabalho?<\/p>\n<p>GA: \u00c9 preciso monetarizar a tarefa de alguma forma para saber seu peso, mas n\u00e3o quer dizer que, se for dado um sal\u00e1rio \u00e0s mulheres, o problema acaba. Se algum dia chegarmos a dar um sal\u00e1rio \u00e0s cuidadoras e ficarmos nisso, seria muito negativo porque consolidar\u00edamos uma desigualdade. N\u00e3o queremos isso, mas um ato de justi\u00e7a. As mulheres que passam sua vida cuidando dos outros precisam de um reconhecimento do Estado de que sua fun\u00e7\u00e3o merece apoio econ\u00f4mico. Devemos incentivar leis a respeito.<\/p>\n<p>IPS: Como se traduziria esse reconhecimento?<\/p>\n<p>GA: Em assist\u00eancia social ou algum tipo de remunera\u00e7\u00e3o. Est\u00e3o surgindo legisla\u00e7\u00f5es, embora bastante imperfeitas. Mas, n\u00e3o importa, o importante \u00e9 come\u00e7ar. Por exemplo, na Bol\u00edvia foi criada uma aposentadoria universal. As pessoas com 60 anos ou mais que nunca tiveram renda ter\u00e3o uma pens\u00e3o. E se multiplicar\u00e3o iniciativas semelhantes, porque esta deixou de ser uma discuss\u00e3o das mulheres para ser uma discuss\u00e3o dos Estados e das sociedades.<\/p>\n<p>IPS: E como impulsionar a autonomia econ\u00f4mica e a inser\u00e7\u00e3o profissional?<\/p>\n<p>GA: As mulheres devem ser trabalhadoras ao lado dos homens, sob o princ\u00edpio de sal\u00e1rio igual para trabalho igual, porque s\u00e3o capazes e objetivamente mais preparadas. Trata-se de dinamizar sua incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0 economia, como cidad\u00e3s ativas, com direito ao trabalho e, paralelamente, a uma prote\u00e7\u00e3o quando se dedicam \u00e0 maternidade ou ao cuidado. \u00c9 preciso aumentar sua presen\u00e7a na \u00e1rea p\u00fablica, especialmente na pol\u00edtica, porque sem participa\u00e7\u00e3o das mulheres em todas as esferas do poder, da mais local \u00e0 chefia do Estado, n\u00e3o haver\u00e1 mudan\u00e7as. \u00c9 preciso quebrar outro telhado de vidro, o da falta de concilia\u00e7\u00e3o entre trabalho e fam\u00edlia. N\u00e3o vencem um n\u00edvel por causa da responsabilidade de cuidar da fam\u00edlia e do padr\u00e3o cultural que mant\u00e9m o homem como o provedor principal e a renda feminina como complemento. E j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais assim. Em m\u00e9dia, 30% das chefias familiares s\u00e3o femininas na regi\u00e3o. Mulheres e homens j\u00e1 dividem a entrada de renda e vivemos uma transi\u00e7\u00e3o civilizat\u00f3ria onde compartilhar\u00e3o muito mais as tarefas dom\u00e9sticas e elas estar\u00e3o muito mais presentes na pol\u00edtica e na economia. Mas \u00e9 uma mudan\u00e7a lenta e tem in\u00e9rcia contr\u00e1ria, porque o status quo precedente anda para tr\u00e1s. Por isso, os Estados t\u00eam de assumir uma tarefa muito proativa e multiplicar a\u00e7\u00f5es positivas e romper a in\u00e9rcia da desigualdade.<\/p>\n<p>IPS: E os Estados t\u00eam essa vontade?<\/p>\n<p>GA: A vontade pol\u00edtica \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o, depende de certas condi\u00e7\u00f5es. Quanto mais democr\u00e1tica e aberta \u00e9 uma sociedade, mais f\u00e1cil \u00e9 a mudan\u00e7a. A rela\u00e7\u00e3o entre o Estado e a sociedade \u00e9 primordial, porque, quando o Estado se torna autista e o governo se fecha e n\u00e3o permite a participa\u00e7\u00e3o popular, tudo \u00e9 dificultado. Devemos vigiar os v\u00ednculos do Estado com a sociedade e tamb\u00e9m com a esfera privada e com o mundo econ\u00f4mico, porque a pol\u00edtica de emprego, por exemplo, depende da rela\u00e7\u00e3o entre Estado e mercado.<\/p>\n<p>IPS: Ent\u00e3o, h\u00e1 raz\u00f5es para ser otimista?<\/p>\n<p>GA: Absolutamente. Estamos em transi\u00e7\u00e3o, de um modelo baseado em uma inflex\u00edvel divis\u00e3o sexual do trabalho para um novo pacto social, com regras mais iguais para homens e mulheres. Ser\u00e1 apagada tal divis\u00e3o porque chegam gera\u00e7\u00f5es masculinas mais sens\u00edveis em temas como paternidade ou compartilhar tarefas. \u00c9 uma mudan\u00e7a civilizat\u00f3ria e esta regi\u00e3o avan\u00e7ando diante das novidades. A pr\u00f3pria vis\u00e3o de g\u00eanero das mulheres agora est\u00e1 aberta aos homens. \u00c9 algo que n\u00e3o se pode deter. Entramos em um novo trato e novos modelos, para beneficio de toda a sociedade, porque, quando melhoram direitos de setores discriminados, melhoram os direitos de todos. Agora, sa\u00edmos de Bras\u00edlia com a convic\u00e7\u00e3o de que \u00e9 preciso acelerar o passo. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caracas, Venezuela, 22\/07\/2010 &ndash; \u201cVivemos a transi\u00e7\u00e3o de um modelo baseado em uma inflex\u00edvel divis\u00e3o sexual do trabalho para um novo pacto social, com regras mais iguais para homens e mulheres\u201d, afirmou Gladys Acosta, chefe do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Mulher (Unifem) para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe, em entrevista \u00e0 IPS. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/07\/america-latina\/america-latina-da-divisao-sexual-do-trabalho-a-um-novo-pacto\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":72,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,5],"tags":[21,24],"class_list":["post-6903","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-economia","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6903","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/72"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6903"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6903\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6903"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6903"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6903"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}