{"id":6911,"date":"2010-07-23T15:07:35","date_gmt":"2010-07-23T15:07:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=6911"},"modified":"2010-07-23T15:07:35","modified_gmt":"2010-07-23T15:07:35","slug":"artesas-tecem-o-futuro-dos-filhos-com-lixo-reciclado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/07\/america-latina\/artesas-tecem-o-futuro-dos-filhos-com-lixo-reciclado\/","title":{"rendered":"Artes\u00e3s tecem o futuro dos filhos com lixo reciclado"},"content":{"rendered":"<p>Cidade do M\u00e9xico, M\u00e9xico, 23\/07\/2010 &ndash; As risadas das mulheres invadem a sala retangular de aproximadamente 20 metros, instalada no t\u00e9rreo da casa que serve de escola para 250 crian\u00e7as da comunidade, na periferia sul da intermin\u00e1vel \u00e1rea metropolitana da capital do M\u00e9xico.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_6911\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/78153.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6911\" class=\"size-medium wp-image-6911\" title=\"Conchita Mart\u00ednez, de p\u00e9, e outras artes\u00e3s da Mitz. - Daniela Pastrana\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/78153.jpg\" alt=\"Conchita Mart\u00ednez, de p\u00e9, e outras artes\u00e3s da Mitz. - Daniela Pastrana\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6911\" class=\"wp-caption-text\">Conchita Mart\u00ednez, de p\u00e9, e outras artes\u00e3s da Mitz. - Daniela Pastrana\/IPS<\/p><\/div>  O espa\u00e7o parece pequeno para as duas dezenas de mulheres que cortam e dobram tiras de papel laminado (com uma pel\u00edcula pl\u00e1stica) usado como embalagem de alimentos industriais, para depois tran\u00e7\u00e1-las com uma t\u00e9cnica para tecer folhas de palma do povo nahua, descendente dos astecas.<\/p>\n<p>\u00c9 a oficina da cooperativa Mitz (\u201cpara voc\u00ea\u201d, em l\u00edngua n\u00e1huatl), onde mensalmente s\u00e3o confeccionados cerca de tr\u00eas mil acess\u00f3rios. S\u00e3o bolsas, porta-moedas, agendas, porta-retratos ou enfeites natalinos, todos feitos com moldes industriais. Com m\u00e3os h\u00e1beis, Conchita Mart\u00ednez, de 45 anos, costura as tiras tran\u00e7adas que v\u00e3o dando forma a uma bolsa de m\u00e3o. \u201c\u00c9 uma grande alegria saber que nossa bolsa est\u00e1 at\u00e9 na Alemanha, embora n\u00e3o conhe\u00e7a esse pa\u00eds, porque nunca fui para lado algum\u201d, disse durante a visita da IPS.<\/p>\n<p>A oficina fica em Palo Solo, uma comunidade com altos \u00edndices de pobreza e marginaliza\u00e7\u00e3o, incrustada em um barranco do munic\u00edpio de Huixquilucan, a duas horas de carro do centro da Cidade do M\u00e9xico, onde exclusivas urbaniza\u00e7\u00f5es residenciais est\u00e3o ao lado de casas cinza, sem drenagem, em que sobrevivem povos tradicionais. Os produtos Mitz s\u00e3o vendidos na Alemanha, B\u00e9lgica, Espanha, Gr\u00e3-Bretanha, It\u00e1lia e nos Estados Unidos, a pre\u00e7os que variam de US$ 15 a US$ 140, e a renda permite a autossufici\u00eancia das 50 cooperativadas e suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m algo fundamental para elas: financia a Casa das Crian\u00e7as de Palo Solo, a \u00fanica escola do M\u00e9xico para a popula\u00e7\u00e3o pobre que segue o m\u00e9todo de ensino Montessori e que foi constru\u00edda h\u00e1 mais de 20 anos sobre o que antes era um lix\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde o nascimento da Mitz, h\u00e1 sete anos, 2.500 crian\u00e7as da comunidade, de aproximadamente cinco mil pessoas, receberam bolsas de estudos, gra\u00e7as \u00e0 reciclagem de mais de 40 toneladas de lixo industrial. Beatriz Santiago, m\u00e3e de dez filhos e av\u00f3 de 13 netos \u2013 quase todos alunos da escola \u2013 \u00e9 uma das cinco fundadoras da cooperativa e garante que o projeto torna poss\u00edvel um modelo diferente de integra\u00e7\u00e3o da comunidade.<\/p>\n<p>Segundo Beatriz, \u201c\u00e9 surpreendente ver donas de casa com uma intelig\u00eancia b\u00e1rbara que estavam se enferrujando em casa e, quando v\u00eam aqui, mudam a rela\u00e7\u00e3o com a fam\u00edlia\u201d. Acrescentou que h\u00e1 artes\u00e3s que fazem seu trabalho em casa, mas muitas preferem a oficina. \u201cTamb\u00e9m vieram homens, n\u00e3o muitos, embora tenham sa\u00eddo por quest\u00f5es de sa\u00fade. N\u00e3o temos nenhum requisito de sexo, idade, mas precisam ter mais de 18 anos, como manda a lei. Basta terem vontade de trabalhar e se capacitarem\u201d, explicou Beatriz.<\/p>\n<p>Conchita Mart\u00ednez foi empregada dom\u00e9stica antes de entrar para a cooperativa. Agora se considera afortunada por ter um trabalho que lhe d\u00e1 autonomia econ\u00f4mica e que melhorou a comunica\u00e7\u00e3o familiar. \u201cMeu marido tem emprego, mas me ajuda a cortar o material e conversamos, estamos mais em fam\u00edlia, e eu sempre digo que as bolsas bastam para tudo\u201d, afirma entusiasmada.<\/p>\n<p>Uma pe\u00e7a fundamental dessa hist\u00f3ria \u00e9 a trabalhadora social Judith Achar, que construiu a escola e organizou paineis de cozinha e de corte e costura para a comunidade. Assim conheceu v\u00e1rias das artes\u00e3s. Em 2003, Judith viu que o uso de papel reciclado, em uma das comunidades ind\u00edgenas que apoiava, seria ideal para ser levado para Palo Solo. Criou a Funda\u00e7\u00e3o Mitz, cujo lema \u00e9 \u201ctecendo o futuro\u201d, e levou adiante a cooperativa.<\/p>\n<p>Reuniu um grupo comprometido em destinar parte do ganho \u00e0 educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as e se concentrou em profissionalizar o processo produtivo, \u201cpara fazer de uma inten\u00e7\u00e3o social uma empresa social\u201d. Essa, diz, \u00e9 a chave do sucesso da Mitz. \u201cS\u00f3 o que tira o ser humano da pobreza s\u00e3o os projetos produtivos. A caridade apenas produz um mau h\u00e1bito. Por outro lado, a produtividade traz de volta a dignidade \u00e0s pessoas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Inicialmente, contam as artes\u00e3s, coletavam e pintavam saquinhos da Sabritas, uma empresa mexicana que vende batata frita, doces e outras frituras em pequenas embalagens. Judith, que cuida de comercializar a marca Mitz, conseguiu que empresas multinacionais como Mars, Pepsico, Terracycle e Starbucks doassem seus res\u00edduos. A alian\u00e7a com a Mars foi tamb\u00e9m decisiva para vender os produtos nas lojas M&#038;M nas cidades de Nova York, Orlando e Las Vegas, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, segundo dados da Funda\u00e7\u00e3o, foram vendidos mais de 150 mil produtos, que geraram mais de US$ 1 milh\u00e3o, com crescimento de 50% na produ\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos quatro anos. Ang\u00e9lica Mart\u00ednez, a coordenadora das artes\u00e3s, explicou que metade do dinheiro \u00e9 dividida entre elas sem nenhuma distin\u00e7\u00e3o, 20% v\u00e3o para a escola, outros 20% para os custos de produ\u00e7\u00e3o e 10% para gastos operacionais. O modelo Mitz conjuga o com\u00e9rcio justo e as energias renov\u00e1veis com a contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 autossufici\u00eancia, \u00e0 solidariedade e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 3 de junho, dois dias antes do Dia Mundial do Meio Ambiente, Judith recebeu em Ruanda o Pr\u00eamio Internacional de Energia Global, entregue pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente e pela Organiza\u00e7\u00e3o Internacional de Energia Global. A Mitz foi premiada pelo \u201cmelhor projeto de reciclagem de res\u00edduos industriais\u201d entre 75 enviados de todo o mundo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito bonito ver nossa oficina e que conseguimos chegar t\u00e3o longe\u201d, disse Ang\u00e9lica, que pretende continuar por muitos anos na cooperativa, como uma \u201cavozinha feliz\u201d. Como \u201cmulheres mexicanas \u00e9 muito importante, mas tamb\u00e9m \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o aberta aos homens, porque mostramos que, com organiza\u00e7\u00e3o e muita solidariedade, \u00e9 poss\u00edvel ter um bom emprego e uma boa vida e que n\u00e3o \u00e9 preciso ir para o norte trabalhar com os narcotraficantes\u201d, ressaltou. IPS\/Envolverde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do M\u00e9xico, M\u00e9xico, 23\/07\/2010 &ndash; As risadas das mulheres invadem a sala retangular de aproximadamente 20 metros, instalada no t\u00e9rreo da casa que serve de escola para 250 crian\u00e7as da comunidade, na periferia sul da intermin\u00e1vel \u00e1rea metropolitana da capital do M\u00e9xico. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2010\/07\/america-latina\/artesas-tecem-o-futuro-dos-filhos-com-lixo-reciclado\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":51,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2],"tags":[21,24],"class_list":["post-6911","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6911","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/51"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6911"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6911\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6911"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6911"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6911"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}