{"id":694,"date":"2005-06-15T00:00:00","date_gmt":"2005-06-15T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=694"},"modified":"2005-06-15T00:00:00","modified_gmt":"2005-06-15T00:00:00","slug":"unio-europia-polmica-depois-do-fracasso-da-constituio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/unio-europia-polmica-depois-do-fracasso-da-constituio\/","title":{"rendered":"Uni&atilde;o Europ&eacute;ia: Pol&ecirc;mica depois do fracasso da Constitui&ccedil;&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Bruxelas, 15\/06\/2005 &ndash; Os chefes de governo da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia se reunir&atilde;o esta semana para decidir se continuam com o processo de ratifica&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o do bloco, j&aacute; rejeitada na Fran&ccedil;a e Holanda. O projeto constitucional naufragou de fato depois que 55% dos eleitores franceses e 62% dos holandeses se opuseram ao texto, nos dias 29 de maio e 1&ordm; de junho, respectivamente. Desde ent&atilde;o, v&aacute;rios governos expressaram sua retic&ecirc;ncia em continuar com o processo de consultas populares. A entrada em vigor do Tratado Constitucional, aprovado no ano passado, j&aacute; est&aacute; descartada, pois era necess&aacute;ria a ratifica&ccedil;&atilde;o dos 25 Estados-membros da UE.<br \/> <!--more--> <br \/> Apenas nove pa&iacute;ses aderiram formalmente ao tratado (Alemanha, &Aacute;ustria, Eslov&aacute;quia, Eslov&ecirc;nia, Espanha, Gr&eacute;cia, Hungria, It&aacute;lia e Litu&acirc;nia). A Gr&atilde;-Bretanha j&aacute; suspendeu os preparativos para seu referendo, enquanto as &uacute;ltimas pesquisas na Dinamarca, Pol&ocirc;nia e em Portugal indicam uma rejei&ccedil;&atilde;o ainda maior ao texto constitucional do que nos casos de Fran&ccedil;a e Holanda. Em Luxemburgo, que prepara seu referendo para 10 de julho, o apoio ao N&Atilde;O &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o passou de 28% para 45% desde abril. Diante desse panorama negativo, os l&iacute;deres da UE se reunir&atilde;o nesta quinta e sexta-feira em Bruxelas com a obriga&ccedil;&atilde;o de revisar o futuro da Constitui&ccedil;&atilde;o e do pr&oacute;prio bloco.<\/p>\n<p> Alguns prop&otilde;em que se prossiga com as consultas populares para se saber qual a opini&atilde;o geral da popula&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, mas, outros dizem que o processo deve ser suspenso e se tentar chegar a um acordo sobre um texto constitucional que conven&ccedil;a a todos. A Gr&atilde;-Bretanha indicou que vai procurar um acordo nesta c&uacute;pula para suspender o processo, enquanto Alemanha e Fran&ccedil;a, bem como a Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia (&oacute;rg&atilde;o executivo da UE) e a maioria do Parlamento Europeu preferem terminar as consultas em cada pa&iacute;s para saber&aacute; qual a opini&atilde;o de todos os habitantes do bloco. &quot;Ter&aacute; de haver outro tratado. Outro ser&aacute; necess&aacute;rio dentro de dois ou tr&ecirc;s anos&quot;, disse o diretor pol&iacute;tico do independente Centro de Pol&iacute;ticas Europ&eacute;ias, com sede em Bruxelas, John Palmer.<\/p>\n<p> Mas, Sebastian Kurpas, pesquisador do Centro para Estudos Pol&iacute;ticos Europeus, afirma que o cen&aacute;rio mais prov&aacute;vel a m&eacute;dio prazo &eacute; que, para evitar novos fracassos, os pa&iacute;ses do bloco se conformem em ampliar o Tratado de Nice com alguns elementos do texto constitucional, para os quais n&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria a ratifica&ccedil;&atilde;o. O Tratado de Nice, que entrou em vigor em 1&ordm; de fevereiro de 2003, estabelece os princ&iacute;pios da amplia&ccedil;&atilde;o da UE. Por&eacute;m, Kurpas disse que enterrar o Tratado Constitucional e apelar para o Tratado de Nice com alguns retoques n&atilde;o &eacute; a melhor sa&iacute;da, pois n&atilde;o leva em considera&ccedil;&atilde;o a opini&atilde;o dos habitantes do bloco.<\/p>\n<p> &quot;O processo de ratifica&ccedil;&atilde;o somente deve ser detido se existir uma alternativa sobre a mesa que, por um lado, seja aceit&aacute;vel para todos os pa&iacute;ses-membros e, por outro, ambiciosa o suficiente para dar um funcionamento mais eficiente e democr&aacute;tico &agrave; UE ampliada&quot;, afirmou. V&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais pedem &agrave;s autoridades europ&eacute;ias que adotem um sistema de &quot;participa&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica&quot;, pelo qual os cidad&atilde;os possam ser consultados de forma direta sobre assuntos locais, regionais e nacionais referentes &agrave; UE. Estes grupos dizem que os resultados dos referendos na Fran&ccedil;a e na Holanda demonstram a falta de conex&atilde;o entre os cidad&atilde;os e os l&iacute;deres pol&iacute;ticos, a aus&ecirc;ncia de uma vis&atilde;o comum e a car&ecirc;ncia de uma plataforma democr&aacute;tica para debater o futuro do bloco.<\/p>\n<p> A rede de ONGs europ&eacute;ias Plataforma Social, exortou os pa&iacute;ses da UE a responderem ao mandato da Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia para que desenvolvam uma estrat&eacute;gia conjunta que fomente maior informa&ccedil;&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os. &quot;As organiza&ccedil;&otilde;es sociais acreditam que se trata de um desafio que a Europa n&atilde;o pode ignorar se vamos criar uma Uni&atilde;o que reflete as expectativas e necessidades de seu povo&quot;, disse &agrave; IPS a presidente da Plataforma social, Anne-Sophie Parent. &quot;Lamentavelmente, o debate sobre a Constitui&ccedil;&atilde;o foi dominado pelos temas ligados &agrave;s reformas constitucionais e n&atilde;o pelos objetivos da Uni&atilde;o. N&atilde;o se prestou aten&ccedil;&atilde;o suficiente ao desafio democr&aacute;tico da Europa. Este erro n&atilde;o pode se repetir&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p> O clima que cerca os preparativos da c&uacute;pula desta quinta-feira &eacute; muito tenso n&atilde;o somente pela controv&eacute;rsia sobre a Constitui&ccedil;&atilde;o, mas, tamb&eacute;m, pela amea&ccedil;a da Gr&atilde;-Bretanha de vetar o or&ccedil;amento do bloco se for obrigada a renunciar ao seu reembolso anual de US% 5,5 bilh&otilde;es ao ano. Esse &eacute; o dinheiro que Londres recupera todos os anos dos cofres da UE depois de fazer suas contribui&ccedil;&otilde;es. A Gr&atilde;-Bretanha ganhou este reembolso em 1984, ap&oacute;s &aacute;rduas negocia&ccedil;&otilde;es lideradas pela ent&atilde;o primeira-ministra Margaret Thatcher. O acordo permite a Londres compensar dois ter&ccedil;os de seus pagamentos anuais ao bloco. V&aacute;rios l&iacute;deres europeus, encabe&ccedil;ados pelo presidente da Fran&ccedil;a, Jacques Chirac, querem que a Gr&atilde;-Bretanha renuncie ao seu reembolso, mas, o primeiro-ministro brit&acirc;nico, Tony Blair, indicou que n&atilde;o colocar&aacute; essa quest&atilde;o em negocia&ccedil;&atilde;o a menos que seja revisto o pol&ecirc;mico sistema europeu de subs&iacute;dios agr&iacute;colas, que permite aos produtores franceses receber subven&ccedil;&otilde;es anuais de US$ 12,5 bilh&otilde;es. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruxelas, 15\/06\/2005 &ndash; Os chefes de governo da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia se reunir&atilde;o esta semana para decidir se continuam com o processo de ratifica&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o do bloco, j&aacute; rejeitada na Fran&ccedil;a e Holanda. O projeto constitucional naufragou de fato depois que 55% dos eleitores franceses e 62% dos holandeses se opuseram ao texto, nos dias 29 de maio e 1&ordm; de junho, respectivamente. Desde ent&atilde;o, v&aacute;rios governos expressaram sua retic&ecirc;ncia em continuar com o processo de consultas populares. A entrada em vigor do Tratado Constitucional, aprovado no ano passado, j&aacute; est&aacute; descartada, pois era necess&aacute;ria a ratifica&ccedil;&atilde;o dos 25 Estados-membros da UE.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/06\/mundo\/unio-europia-polmica-depois-do-fracasso-da-constituio\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1478,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-694","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/694","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1478"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=694"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/694\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=694"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=694"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}